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O que você precisa ter e saber para fazer montagens – I (ART3016)

Se o leitor já fez algumas montagens, certamente sabe muito do que vamos falar a seguir, mas mesmo assim a leitura deste texto poderá lhe ensinar muita coisa. Isso significa que, tanto este leitor, já dotado de alguma experiência, como o que está começando agora, não devem deixar de estudá-lo antes de iniciar seus trabalhos práticos, escolhendo uma ou mais das diversas montagens práticas que estão mais adiante.

 

Este artigo originalmente saiu na publicação Experiências e Brincadeiras com Eletrônica Jr. número1, tendo sido revisado para se tornar este artigo.

 

O que damos a seguir são as “dicas" de como fazer uma boa montagem, como montar sua bancada e, principalmente, como conhecer os componentes principais que usaremos.

Cálculos, matemática, física? Bem, isso não será necessário por enquanto, porque o leitor vai montar aparelhos e não projetá-los. Mas, se no futuro o leitor pretender ir além, então a história é outra. Para montar um aparelho eletrônico não é necessário fazer nenhum curso especial. O leitor só precisaria de um curso para poder fazer projetos ou para entender profundamente como funciona um aparelho. Para montar, indo devagar, aprendendo um pouquinho de cada vez, à medida que for realizando os aparelhos, a coisa é muito mais simples.

Em primeiro lugar você precisará ter algumas ferramentas básicas, que são o alicate de corte lateral, o alicate de ponta fina, um jogo de chaves de fendas, uma lâmina para descascar fios, uma lima e o principal: um ferro de soldar. (figura 1)

 

 


 

 

 

O ferro de soldar é pequeno, de pequena potência, até 30 watts, com

ponta fina e tensão de acordo com 3 disponível na tomada em que vai ser

ligado, isto é, 110V ou 22oV.

A solda usada é do tipo fino, conforme mostra a figura 2, e que consiste numa liga de estanho e chumbo na proporção de 60 por 40, daí ser chamada de solda 60/40 ou solda para rádio.

 


 

 

A realização de uma solda perfeita é muito importante para que o aparelho montado funcione sem problemas. Veja que todas as peças (componentes) devem ser soldadas, tanto para garantir a passagem das correntes elétricas sem problemas, como também como meio de sustentação em posição de funcionamento.

 

 

SOLDAR É SIMPLES

Aqueça o ferro de soldar por uns 5 minutos pelo menos e depois limpe sua ponta esfregando-a numa lima ou lixa fina. Apenas uma pequena área da ponta será limpa deste modo, removendo-se a camada de óxido escuro.

Depois, estanhe a ponta, esfregando um pouco de solda de modo que ela derreta e “molhe" a ponta do ferro. Com isso, ele estará pronto para ser usado. (figura 3)

 

 


 

 

Suponhamos que um componente comum, como um resistor, deva ser soldado numa ponte de terminais. (As pontes de terminais são usadas como “chassi" nas montagens mais simples. Nela todos os componentes são ligados e soldados.)

Encostamos o terminal do componente no local da ponte visado e também a ponta do ferro de soldar de modo que ela aqueça os dois: o terminal da ponte e o terminal do componente.

Após, encostamos a solda no local em que deve ser feita a junção, de modo que ela derreta e com isso envolva o terminal da ponte e do componente, formando uma pequena “bolha". Veja que a solda é encostada nos terminais e não na ponta do ferro! Isso é importante para se obter uma boa junção! (figura 4)

 

 

 


 

 

 

Agora é só tirar o ferro e esperar a junção esfriar, solidificando-se. A solda bem feita é lisa e brilhante e não espalha pelos terminais próximos.

Será conveniente que o leitor treine um pouco usando para isso componentes velhos que podem ser tirados de algum aparelho fora de uso, até conseguir fazer soldas bem feitas (ou razoáveis), e rapidamente.

Mas, saber soldar não é tudo.

 

OS COMPONENTES

Nos trabalhos com eletrônica são usados diversos tipos de componentes

e cada um deles se caracteriza por um comportamento diferente e que é

dado por uma série de especificações.

Muitos principiantes sentem grandes dificuldades em fazer seus primeiros aparelhos justamente por não saberem escolher os componentes de acordo com suas especificações e até mesmo por não saberem reconhecer as diferenças entre os diversos componentes usados.

Damos então algumas “dicas" sobre as principais peças que usaremos como são obtidas e usadas. Outras que não estão nesta relação e que eventualmente aparecerem serão destacadas e explicadas nas próprias montagens.

 

a) Resistores - os resistores são as peças mais comuns das montagens, tendo a aparência mostrada na figura 5. Estes componentes aparecem nos diagramas que representam os aparelhos com um símbolo que é dado na mesma figura.

 


 

 

 

Como cada aparelho pode usar diversos resistores, para facilitar a montagem e mesmo a compra, eles são identificados em ordem pela letra ”R" seguida de um número. Assim, se numa montagem tivermos 3 resistores, eles serão indicados por R1 , R2 e R3.

Mas, além desta indicação de ordem, também é preciso indicar o seu valor.

Cada resistor tem uma resistência que é medida em ohms e nas montagens podem ser usados resistores que vão desde alguns ohms até milhões de ohms. Os valores podem ser dados simplesmente por um número seguido ou não da letra R ou do símbolo ômega (Q) e, ainda, do número seguido pela letra k (quilo), indicando o valor em milhares de ohms e da letra M (mega), indicando o valor em milhões de ohms.

 

Exemplo:

330R : 330 ohms

22k : 22000 ohms

1,5M ou 1M5 = 1 500 000 ohms

 

A maneira como são gravados os valores nos resistores é também um

problema para alguns: estes valores vêm na forma de faixas coloridas, segundo um código. Inicialmente não daremos o código, mas sempre que usarmos um resistor de determinado valor, diremos quais devem ser as cores das faixas, na ordem que vai do extremo em direção ao centro do componente.

Uma outra especificação importante que pode aparecer é a sua dissipação ou potência em watts (W). Quanto maior for o resistor, mais calor ele pode dissipar sem se queimar. Temos então dissipações de 1/8, 1/4, 1/2, 1 W, etc.

Os resistores são os componentes mais baratos e podem ser aproveitados, normalmente, de aparelhos desmontados, desde que retirados com cuidado, sem quebrar seus terminais.

 

b) Capacitores - depois dos resistores, os componentes mais usados nas montagens são os capacitores. Estes podem ser de diversos tipos, que são mostrados na figura 6.

 

 

 


 

 

 

O código de indicação dos capacitores nos diagramas é dado pela letra

C seguida de um número. Temos então C1, C2, C3, etc.

Já os valores podem ser dados de diversas maneiras.

Para os chamados capacitores “pequenos", que podem ser tanto cerâmicos como de poliéster, os valores são dados em nF (nanofarads) e pF (picofarads).

Para os “grandes" capacitores, os valores são dados em F (microfarads), sendo os tipos mais comuns os eletrolíticos. Um fato importante que deve ser notado pelo montador, é que os capacitores eletrolíticos são polarizados, isto é, tem um polo (+) e um (-) marcados no seu invólucro e cuja posição deve sempre ser seguida nas montagens. Se ele for ligado invertido, problemas sérios podem ocorrer.

Os capacitores têm ainda uma outra especificação, que é a tensão de trabalho, que indica quantos “volts" eles suportam. Se um capacitor de “menos" volts for ligado num lugar em que se exige um de ”mais" volts, ele pode queimar. É claro que se o inverso for feito, não há problema.

Lembramos, finalmente, que os valores em “F, nF e pF podem ser equivalentes. As conversões serão explicadas quando se fizerem necessárias.

 

e) Trimpots - estes são resistores ajustáveis que servem para alterar a resistência num circuito. (figura 7)

 

 


 

 

 

Seus valores, como os resistores, são dados em ohms, seguidos ou não dos prefixos k (milhares) ou M (milhões).

 

d) Capacitores variáveis - estes componentes são responsáveis pela sintonia em receptores e transmissores, podendo ser encontrados em diversos tipos e tamanhos. Os mais usados nas nossas montagens são os “miniatura" para AM, encontrados em rádios portáteis, e que possuem 3 ou mais terminais.

Normalmente, nos tipos de 3 terminais apenas dois são usados nas montagens simples, e nos outros devem também ser escolhidos os dois terminais que fornecem os resultados desejados. (figura 8)

 

 


 

 

 

e) Diodos - os diodos são dispositivos semicondutores, formados por pequenos cristais de germânio ou de silício e que aparecem com designações como 1N914, 1N4148, BY127, etc., conforme a função que exercem. As equivalências, ou seja, qual tipo pode ser usado em lugar de qual, normalmente são dadas nos artigos.

Na hora de se usar um diodo deve-se verificar a posição da marca, símbolo ou anel, de acordo com o tipo, pois se eles forem invertidos, os aparelhos não funcionam. (figura 9)

 


 

 

 

f) Transistores - estes são os elementos principais da maioria das montagens, sendo os “elementos ativos" capazes de amplificar, gerar ou detectar sinais elétricos de diversos tipos. Os mais usados são os de nomenclatura europeia que na sua indicação usam as letras BC para os de uso geral, BF para os usados em circuitos de altas frequências e BD para os que trabalham com potências elevadas.

Existem dois tipos de transistores quanto à polaridade, os quais não podem ser intercambiados, pois as correntes circulam neles de modos diferentes. Estes são os transistores NPN, em que a seta do emissor aponta para fora, e os PNP, em que a seta do emissor aponta para dentro. (figura 10)

 


 

 

 

Veja que os transistores comuns têm sempre três terminais, denomina-

dos emissor (E), coletor (C) e base (B).

Nas montagens podem ser dados diversos tipos de transistores para uma mesma função, mas deve-se tomar cuidado, pois, às vezes, os tipos em questão podem não ter a mesma disposição de terminais, isto é, enquanto um

tem a base no centro, o outro não. No nosso caso, quando isso acontecer o

leitor será informado.

 

g) Outros - além destes componentes existem muitos outros que podem aparecer com menor frequência e que, portanto, para o leitor iniciante não será conveniente apresentarmos agora. Quando usarmos estes componentes nas nossas montagens procuraremos dar as informações que facilitem sua obtenção e que evitem que qualquer problema seja enfrentado pelo leitor.

 

COMO CONSEGUIR COMPONENTES

Diversas são as maneiras de se conseguir componentes para uma montagem.

A mais simples consiste em ir a uma loja especializada, levando a lista do que se deseja e os possíveis equivalentes (não confie nos equivalentes “empurrados" pelos vendedores, pois nem sempre eles correspondem, e podem comprometer). Neste caso, se o fornecedor for bom, os componentes serão novos e a montagem será certamente um êxito, apesar de haver necessidade de certo esforço ($) por parte do leitor.

 

Nota: uma possibilidade que não havia na época da publicação deste artigo é a compra pela Internet. Fornecedores como a Mouser (WWW.mouser.com) vendem pela internet, fazendo a entrega pelo correio.

 

Outra possibilidade consiste em aproveitar componentes de aparelhos velhos. Neste caso, é preciso levar em conta que, se o aparelho está abandonado é porque alguma coisa nele está ruim, o que significa que podemos “quebrar a cara” tentando usar componentes ruins.

Mas, existem certamente os componentes que podem facilmente ser aproveitados, pois a probabilidade de estarem ruins é pequena. Assim, resistores (que não apresentam sinais de estarem queimados - enegrecidos), capacitores cerâmicos e de poliéster (que não estejam quebrados ou com os terminais partidos), diodos (que não estejam com sinais de estarem queimados, partidos ou de terminais quebrados), chaves, alto-falantes, trimpots, transformadores, etc., podem perfeitamente ser retirados com cuidado (usando o soldador) e guardados para um eventual aproveitamento numa montagem.

Um rádio transistorizado fora de uso, um televisor abandonado ou outro aparelho, são excelentes fontes de materiais pequenos para o montador!

 

 

2016 (original de 1985)

 

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N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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Mês de Muito Trabalho (OP197)

   Estamos em setembro de 2018 e continuamos com nosso trabalho, realizando palestras, viagens, escrevendo artigos, livros e muito mais. Em nossas duas últimas palestras, uma na Uninove e a outra na ETEC Albert Einstein, ambas de São Paulo, pudemos constatar de forma bastante acentuada um fato importante , que constantemente salientamos em nosso site desde seu início. 

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