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| Fontes sem transformador (ART045) |
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| Escrito por Newton C. Braga |
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Dom, 08 de Novembro de 2009 17:22 |
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Fontes de alimentação para a maioria das aplicações eletrônicas exigem que a tensão da rede de energia seja abaixada de modo a se obter um valor mais apropriado para os circuitos alimentados. Isso normalmente é feito através de um transformador, que é um componente caro e pesado. O que talvez muitos leitores não saibam é que existem alternativas para o uso do transformador, assunto justamente desse artigo. Obs: Leia também o artigo Projetando e Montando Fontes Sem Transformador (ART009), disponível neste site. As FASTs (Fontes de Alimentação Sem Transformadores) são ideais para as aplicações em que o isolamento da rede de energia não é fator importante no projeto. Isso vai ocorrer nos casos em que o aparelho está totalmente encerrado numa caixa de material isolante, sem o perigo de um contacto direto com qualquer parte energizada.Essas fontes também são interessantes para o caso de alimentação de aparelhos de baixo consumo, onde os componentes alternativos, conforme veremos são pequenos e baratos. Para as aplicações em que o consumo é alto, a tecnologia não se aplica de modo simples.Os componentes alternativos, nesse caso, podem ser grandes e pesados e além disso, entra em jogo um fator adicional muito importante que é a segurança.
Figura 1 – Diagrama de blocos de uma fonte de alimentação linear comum com transformador. Depois desse transformador temos as etapas de retificação e filtragem, eventualmente seguida por um circuito regulador de tensão. O problema básico dessa arquitetura está no transformador que é um componente pesado e caro. Tanto maior e mais pesado será o transformador quanto maior for a potência exigida pelo circuito alimentado, ou seja, o produto da tensão pela corrente. Na figura 2 temos alguns exemplos de transformadores usados normalmente na alimentação de circuitos de 5 a 30 V com correntes na faixa de 50 mA a 10 A.
Como Substituir o Transformador?
No entanto, essa configuração tem vários problemas sérios. O primeiro deles, é que o resistor R1, normalmente por ser bem maior que R2, dependendo da corrente exigida pela carga, deve ter uma dissipação bastante alta. Mesmo para uma fonte de poucas dezenas de miliampères, alimentada numa rede de 110/220 V, esse resistor deve ter vários watts de dissipação. Além do tamanho que ele representa, temos o problema adicional do aquecimento e do desperdício de energia, inadmissível em nossos dias. O outro problema é mais grave. A tensão no divisor não depende apenas da relação de valor entre os resistores que o formam, mas também do consumo da carga. Assim, quando a carga é ligada, ela representa a conexão de um resistor adicional em paralelo que consome energia e que, portanto faz com que a tensão caia, conforme mostra a figura 4.
Uma fonte desse tipo deve então ser projetada para ter uma tensão bem mais alta e com a carga alimentada, cair para o valor desejado.
Essa impedância pode ser facilmente calculada pela fórmula; Zc = 2 x π x f x C
Veja então que podemos ligar um capacitor em série com um resistor de modo a obter um divisor de tensão que funcionará normalmente com tensões alternadas. Qual é a vantagem dessa configuração? A primeira está no fato de que o capacitor não dissipa potência na forma de calor quando opera nesse divisor. Ele opera pela carga e descarga, não tendo portanto elementos resistivos para gerar calor. Em outras palavras, não existe perda de energia nesse componente, o que faz com que além de não haver desperdício ele não trabalha quente. Na prática, existe uma pequena perda, isso porque nenhum capacitor é perfeito, mas ela é muito pequena. As desvantagens existem é claro. Uma delas está no fato de que o capacitor deve ser tanto maior quanto maior for a corrente desejada para alimentar a carga. A corrente depende da reatância numa razão inversa. Maior a corrente, menor a reatância e menor a reatância implica em maior capacitância. A outra desvantagem está no fato de que os capacitores para essa aplicação precisam ter tensões de isolamento elevadas e isso significa capacitores de construção especial e são tanto mais caros quanto maior for sua capacitância. Esses fatores limitam o uso dessa arquitetura á pequenas fontes que não devam fornecer mais do que uns 100 mA sob tensões na faixa de poucos volts até perto de 30 ou 40 V.
A partir dela, vamos ensinar o leitor a calcular os componentes que devem ser usados e chegar a um projeto prático. Para isso vamos supor que desejamos alimentar uma pequena lâmpada de 6 V com uma corrente da ordem de 20 mA. Nosso primeiro passo consiste em se calcular qual é a reatância que deve apresentar o capacitor para formar um divisor conforme mostra a figura 7.
Nesse problema temos: Começamos por determinar qual é a resistência que a carga (lâmpada) apresenta, quando alimentada por uma tensão de 6 V e percorrida por uma corrente de 20 mA. R = V/I V = 6 V R = 6/0,02 A seguir, determinamos a impedância que o circuito todo deve ter quando fornecendo 0,02 A em 110 V: Z = 110/0,02 A partir daí podemos calcular a reatância capacitiva que o circuito deve apresentar, a qual é dada pela fórmula e cálculos a seguir:
A reatância capacitiva do capacitor deve ser 5 500 ohms. Na rede de 110 V x 60 Hz, ela corresponde a um capacitor de:
Um capacitor de 470 nF atenderá às nossas necessidades. A tensão de pico na rede de 110 V é de: Vp = 110 x 1,41 = 155,1 V Isso significa que deve ser usado um capacitor de poliéster com pelo menos 200 V de tensão de trabalho. Como a tensão nesse tipo de divisor varia conforme a corrente na carga, poderemos adicionar uma etapa reguladora, usando um diodo zener. A tensão será de 6 V e a dissipação será dada pela corrente máxima que circula pelo circuito regulador quando na ausência da carga, da ordem de 0,02 a (20 mA). Na figura 8 mostramos como agregar esse diodo.
P =6 x 0,02 = 0,12 W ou 120 mW Dando uma tolerância, para que o diodo não aqueça demais, quando não houver carga a ser alimentada, podemos usar um tipo de 400 mW ou mesmo 500 mW.
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