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Instalando o Som do Carro (ART1805)

Muitas pessoas curtem bastante o som do carro e mais que isso, gostam de instalar seus próprios sistemas, aumentando a potência, acrescentando alto-falantes, e até incluindo efeitos especiais, como os VU-/meters luminosos (LEDs) e outros. Se o leitor se inclui nesta categoria, veja como fazer a instalação do som de seu carro, obtendo o máximo de desempenho, sem problemas de sobrecargas ou distorções excessivas por "barbeiragens” na parte eletrônica.

Dizem que o carro não pode ser considerado um dos melhores ambientes para a instalação de sistemas de som.

Suas reduzidas dimensões internas e a presença de materiais que refletem e absorvem sons de maneira irregular causam diversos problemas de reprodução.

No entanto a tecnologia aplicada aos dos amplificadores avança e a cada dia equipamentos mais perfeitos são encontrados para uso automotivo.

No entanto, não basta usar um bom equipamento em qualquer carro para obter o desempenho prometido pelo fabricante.

O carro é uma estrutura acústica delicada e se não forem tomadas certas precauções na instalação do sistema e na escolha dos elementos que complementam o rádio/toca-CDs/pen drive/amplificador a qualidade de som pode ficar muito abaixo da esperada.

Vamos analisar a partir de agora o que observar na instalação de um equipamento de som no carro.

 

RÁDIOS E TOCA-CDs

Todos os equipamentos de som para carro incluem normalmente um rádio AM/FM e um toca-CDs ou entrada para pen-drive, o que significa a necessidade de instalar inicialmente o sistema ligando-o à bateria que o alimenta e uma antena externa.

Nestas duas ligações já começam a aparecer os primeiros problemas com os quais o instalador deve se preocupar.

Os rádios/toca-CDs possuem um fio de conexão ao positivo da bateria e um fio que deve ser ligado ao chassi ou negativo da bateria, conforme mostra a figura 1.

 

Figura 1- Conexão normal de um sistema de som automotivo
Figura 1- Conexão normal de um sistema de som automotivo

 

 

O fio negativo pode ter sua ligação dispensada se o painel do carro for de metal e oferecer contato com a caixa do aparelho, pois a caixa é ligada ao negativo da alimentação.

No entanto, nos carros modernos, os painéis são de plástico, o que significa que eles não servem de terra e, portanto, a blindagem que e' a caixa do aparelho deve ser conectada ao chassi por meio de um fio.

Os fios por onde vem a alimentação positiva e negativa (chassi) podem funcionar como elementos que captam os ruídos gerados pelo sistema elétrico do veículo.

Existem duas fontes principais de ruídos que devem ser consideradas: o sistema de ignição e o alternador, figura 2.

 

Figura 2 – Fontes principais de ruídos num carro
Figura 2 – Fontes principais de ruídos num carro

 

 

As variações rápidas de corrente que estes dois circuitos causam podem afetar a corrente exigida pelo rádio/toca-CDs e o ruído do motor aparece sobreposto na reprodução.

Existem diversos cuidados a serem tomados para se evitar que tais ruídos penetrem nos circuitos sensíveis dos aparelhos de som.

 a) O primeiro cuidado importante consiste no uso de fios grossos e curtos na conexão ao chassi do rádio/toca-CDs. Fios curtos apresentam menor resistência e por isso permitem um funcionamento melhor da blindagem representada pela caixa do aparelho, figura 3.

 

Figura 3 – Entrada de ruídos pelo fio terra
Figura 3 – Entrada de ruídos pelo fio terra

 

 

Se este procedimento ainda não resolver os problemas de ruído que ocorrem quando o toca-CDs está em ação, o que caracteriza a sua entrada pela alimentação, pode ser acrescentado um dos filtros mostrados na figura 4, em série com a alimentação.

 

Fig. 4 - Filtros contra ruídos do circuito elétrico do carro.
Fig. 4 - Filtros contra ruídos do circuito elétrico do carro.

 

 

Estes filtros devem ser instalados numa caixa de metal devidamente presa ao chassi para servir de blindagem.

Para o caso do rádio, a possibilidade de captar os ruídos do motor pela antena deve ser considerada.

Esse problema vai se manifestar de maneira intensa quando sintonizamos estações na faixa de AM.

O sistema de ignição gera sinais de altas frequências que podem ser captados pela antena ou pelo cabo que a liga ao rádio/toca-CDs.

Diversas são as possibilidades de correção desse problema, conforme sua origem.

 

a) Se a antena estiver na parte dianteira do carro, ela terá maior possibilidade de captar os ruídos se a tampa do motor (capô) estiver sem aterramento. Este aterramento é um tira de cobre que liga ao chassi, observe a figura 5.

 

Figura 5- Aterramento do capô
Figura 5- Aterramento do capô

 

 

a) Se a antena estiver na paste traseira do carro ou na dianteira de um carro com o capô devidamente aterrado, e ainda ocorrerem ruídos, eles podem estar sendo captados pelo cabo. Verifique o aterramento de sua blindagem ou se não existem emendas imperfeitas.

 

O aterramento do suporte da antena com sua conexão ao chassi é muito importante para evitar a captação desses ruídos.

 

ALTO-FALANTES

A maioria das pessoas acha que quanto maior a quantidade de alto-falantes instalados num carro melhor será o som, não se preocupando com a maneira como eles são ligados e muito menos com seu tipo.

Se o carro tiver furos de tamanhos apropriados aos tamanhos dos alto-falantes, tudo bem, para a maioria dos instaladores, mas o problema não se resume nisso.

Existem muito mais coisas que devem ser observadas quando se instalam alto-falantes.

 

a) Impedância

Este é o ponto mais critico e que pode trazer problemas aos inexperientes.

Os alto-falantes possuem impedâncias (número de ohms) e os amplificadores também.

O som de um amplificador só pode ser transferido corretamente para um alto-falante se suas impedâncias forem iguais, ou seja, “casarem", figura 6.

 

 

   Figura 6 – casamento de impedâncias
Figura 6 – casamento de impedâncias

 

 

Se um alto-falante tiver uma impedância menor do que a da saída do amplificador ocorre uma sobrecarga dos circuitos de saída do amplificador (do rádio ou toca-CDs) que pode culminar com sua queima.

Por outro lado, se a impedância for maior, o circuito funciona perfeitamente, mas com potência menor do que a máxima esperada.

Se o instalador observar bem a impedância dos alto-falantes e usar apenas um por canal, não existem problemas sérios a considerar.

No entanto, as coisas se complicam quando vamos Iigar mais de um alto-falante por saída.

Dependendo da maneira como os alto-falantes são ligados a uma mesma saída, a impedância conjunta que eles apresentam não é mais a mesma que cada um apresenta sozinho.

Assim, conforme observamos na figura 7, se ligarmos alto-falantes em série, suas impedâncias se somam.

 

Fig. 7 - Ligação de alto-falantes em série.
Fig. 7 - Ligação de alto-falantes em série.

 

 

Dois alto-falantes de 4 ohms ligados em série, representam uma impedância total de 8 ohms.

Por outro lado, se ligarmos alto-falantes iguais em paralelo, suas impedâncias ficam divididas.

Dois alto-falantes de 4 ohms ligados em paralelo significam uma impedância de 2 ohms conforme mostra a figura 8.

 

Figura 8 – Ligação em paralelo
Figura 8 – Ligação em paralelo

 

 

Veja então que devemos escolher alto-falantes de impedâncias tais que, ao serem liga dos em conjunto, resultem na impedância do sistema de som (rádio ou CD player) que vamos instalar.

Também deve ser considerado que os alto-falantes que vão ser ligados a uma mesma saída devem ser exatamente do mesmo tipo.

Alto-falantes de marcas e tamanhos diferentes, mesmo possuindo a mesma impedância podem ter um comportamento dinâmico diferente.

Isso significa que a reprodução de cada alto falante não será a mesma com uma distribuição desigual da potência do aparelho.

 

b) Fase

Quando um alto-falante reproduz um som, seu cone se move para a frente e para trás de acordo com a polaridade ou fase do sinal que recebe.

Se vamos ligar dois alto-falantes a uma mesma saída de um amplificador de som, será importante que, num mesmo instante seus cones estejam se movimentado em sincronismo, isto é, no mesmo sentido.

Para conseguir isso, os alto-falantes devem ser ligados com a fase correta, ou seja, com a polaridade marcada nos seus terminais rigorosamente seguida, conforme mostra a figura 9.

 

 

   Figura 9 – Alto-falantes em fase
Figura 9 – Alto-falantes em fase

 

 

Assim, de acordo com essa figura, temos duas possibilidades de observação da fase dos alto-falantes, conforme sua conexão seja em série ou paralelo.

Para facilitar a colocação dos alto-falantes de um sistema de som em fase é comum utilizar fios vermelho e preto, de modo que os vermelhos sejam sempre ligados no pólo (+) dos alto-falantesou no pólo de fase positiva, normalmente marcada por uma pinta vermelha.

 

c) Potência

Muitos acham que quanto maior for a potência do alto-faIantes colocado nos seus carros, maior será o volume obtido ou maior a potência do som.

É preciso alertar que a potência do som do carro não vem do alto-falante mas sim do amplificador (interno ao rádio toca-CDs ou externo).

Os alto-falantes não podem criar energia e portanto só reproduzem o que eles recebem dos amplificadores.

Assim, se a saída de seu rádio/toca-CDs for de apenas 10 W não adianta usar alto-falantes de 100 W, pois estes só receberão 10 W para reproduzir.

A potência marcada num alto-falante indica quanto ele suporta e não quanto ele fornece.

Assim, um alto-falante de 100 W pode ser ligado num amplificador desta potência, porque pode trabalhar com ela, mas não serve para um de 200 W.

Quando escolher um alto-falante para seu carro, observe que ele deve ter uma potência um pouco maior (mas não muito) do que a da saída do sistema de som, em que ele será Ligado.

Assim, caso seu som seja de 40 W por canal, use um alto-falante de 50 ou 60 W.

Um de 100 W não lhe trará nenhuma vantagem e custará muito mais caro!

Veja que a especificação de potência de um amplificador e dos alto-falantes deve ser feita da mesma forma.

E comum que os fabricantes de amplificadores e sistemas de som de carro indiquem a potência em valores PMPO ou Pico que resultam em números mais altos dando a impressão de que seus equipamentos são mais potentes, enquanto que os alto-falantes vem especificados em termos de potência real.

Assim, um amplificador de 200 W PMPO pode fornecer apenas 50 Wrms ou 25 Wrms por canal e um par de alto-falantes de 40 W serve perfeitamente para este sistema!

 

  Figura 10 – Exemplo de dimensionamento de sistema de alto-falantes
Figura 10 – Exemplo de dimensionamento de sistema de alto-falantes

 

 

d) Excesso de potência

A ligação de amplificadores reforçadores adicionais num carro pode trazer problemas de consumo.

De fato, a bateria que alimenta o sistema de som também deve alimentar toda a parte elétrica do carro.

Um amplificador ou conjunto que tenha um consumo elevado pode sobrecarregar a parte elétrica do carro, resultando em problemas de funcionamento para o próprio motor.

Uma saída adotada pelos que tem "som pesado" em seus carros consiste no uso de baterias adicionais que juntamente com os amplificadores são instaladas nos porta-malas dos veículos, confira na figura 11.

 

 

   Figura 11 – Bateria adicional para som “pesado”
Figura 11 – Bateria adicional para som “pesado”

 

 

Essas baterias devem estar ligadas ao sistema gerador (alternador) do carro de modo a poderem ser constantemente recarregadas.

Para que o leitor tenha uma idéia do que um "som pesado" significa em termos de consumo, uma bateria comum com amplificador e bateria uma capacidade de 50 Ah pode fornecer uma corrente de 10 A durante 5 horas.

Um amplificador de 500 W PMPO ou 125 Wrms, se ligado em 12 V e com um rendimento perto de 50% exige 20 A de corrente.

Numa bateria comum, com mais nada ligado, ele esgotará essa bateria em apenas duas horas e meia.

 

RECOMENDAÇÕES FINAIS

Observando a instalação correta com fios apropriados, blindagens bem feitas aterramentos curtos; seguindo as especificações dos componentes externos com a ligação correta dos alto-falantes e finalmente não sobrecarregando o sistema elétrico do carro, o leitor certamente poderá ter um bom som, mesmo usando equipamento de custo moderado, a verdadeira economia está em saber aproveitar ao máximo o que se tem.

De nada adianta ter os melhores equipamentos se a instalação incorreta gerar ruídos em lugar do som puro que todos desejam.

 

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