Curso de Eletrônica - Parte 8

Como montar circuitos

8.1 - Viabilidade de um projeto

As publicações técnicas especializadas estão repletas de projetos eletrônicos interessantes. O leitor poderá encontrar desde simples transmissores e alarmes, que usam poucos componentes, até projetos sofisticados que se baseiam em microprocessadores ou circuitos lógicos digitais, usando muitos componentes. Ao pensar em montar um projeto obtido de uma publicação, ou de um esquema conseguido de um amigo, é preciso ter muito cuidado.

 

 

O seu grau de experiência em montagens, a viabilidade dos componentes, a necessidade de equipamentos especiais para ajustes ou programação, tudo isso deve ser analisado. Assim, a viabilidade de um projeto é o ponto principal que vai determinar se o leitor tem condições ou não de montá-lo.

Para isso, devem ser analisados os seguintes pontos:

 

a) O projeto está dentro de minha capacidade de execução?

Muitos leitores iniciantes, que ainda não têm experiência em soldagem, que não sabem fazer uma boa placa de circuito impresso e que até têm dificuldades no manuseio de certos componentes acham que podem manter qualquer coisa e se dão mal.

Se você é ainda iniciante, deve dar preferência a projetos que não sejam críticos, ou seja, trabalhem com sinais muito fracos ou freqüências elevadas. Deve ainda dar preferência a projetos que usem apenas transistores ou poucos circuitos integrados simples. Circuitos do tipo mostrado na figura 1, que têm poucos componentes são os ideais para os iniciantes.

 

Circuitos simples que podem ser montados pelos leitores com menos experiência.
Circuitos simples que podem ser montados pelos leitores com menos experiência.

 

Veja que esses circuitos podem ser tanto montados em pontes de terminais como placas de circuito impresso relativamente simples de confeccionar. Se o projeto exigir circuitos integrados, que eles sejam de tipos simples com 4 a 16 terminais. Você deve certificar-se que pode fazer uma placa de circuito impresso boa para este tipo de projeto. Somente se você for muito experiente e tiver recursos em sua oficina de montagem, deve pensar em montar circuitos críticos como:

 

* Amplificadores de alta potência

* Fontes de mais de 5 A

* Transmissores potentes

* Circuitos de RF complexos

* Circuitos digitais complexos

 

Na figura 2 mostramos a complexidade de uma placa de circuito impresso para uma montagem digital. Veja que as trilhas devem ser finas e com pequenos espaçamentos. Não deve haver nenhuma falha nessas trilhas.

 

Um circuito complexo com muitos componentes, que exige bastante experiência para a montagem.
Um circuito complexo com muitos componentes, que exige bastante experiência para a montagem.

 

b) Todas as especificações de componentes estão disponíveis no material que eu disponho para seguir?

Se o leitor é experiente, um esquema com todos os valores de componentes é suficiente para se poder realizar a montagem. A placa de circuito impresso pode ser projetada com facilidade. No entanto, para os leitores menos experientes é preciso ter informações completas para a montagem tais como:

 

* Diagrama com todos os valores de componentes e/ou lista de material detalhada

* Desenho da placa de circuito impresso

* Detalhes construtivos para os pontos mais críticos

* Informações sobre o ajuste e uso

 

A falta de informações como detalhes de construção de bobinas, terminais de ligação de um circuito integrado, informações sobre tensões e corrente de um transformador, pode significar a impossibilidade de se fazer uma montagem. O montador deve portanto conferir se tem todas as informações necessárias a uma montagem antes de iniciá-la.

 

c) Possuo os recursos para sua elaboração?

Para os projetos simples, as ferramentas básicas de trabalho mais os recursos de soldagem e elaboração de placas de circuito impresso são mais do que suficientes para sua realização. No entanto, existem projetos que exigem instrumentos ou recursos especiais para sua elaboração.

Existem projetos que exigem que o montador tenha um multímetro para fazer ajustes ou medidas de tensão. Em outros casos pode-se até exigir que o montador tenha instrumentos mais sofisticados como geradores de sinais, geradores de função e até mesmo um osciloscópio, como o mostrado na figura 3.

 

Um osciloscópio de modelo simples, que pode ser encontrado em escolas e laboratórios.
Um osciloscópio de modelo simples, que pode ser encontrado em escolas e laboratórios.

 

Esse instrumento será usado na observação das formas de onda do circuito e, evidentemente, o leitor deverá saber como fazer isso. Finalmente temos os casos dos projetos que usam microprocessadores ou microcontroladores, como o da figura 4.

 

Projeto que faz uso de um microcontrolador.
Projeto que faz uso de um microcontrolador.

 

Os microprocessadores são programados por um computador. Para essa finalidade, numa porta do computador é ligada uma placa de emulação que tem um soquete onde o microprocessador ou microcontrolador é encaixado, conforme mostra a figura 5.

 

Placa de programação para um microcontrolador ou microprocessador Atmel.
Placa de programação para um microcontrolador ou microprocessador Atmel.

 

O programa que vai ser usado deve então ser obtido pelo montador (da internet, em listagem ou outra fonte) e transferido para o microprocessador. Somente depois disso, o microprocessador, com o programa, é colocado na placa do aparelho em que ele vai ser usado.

 

d) Os componentes usados estão à disposição no mercado que eu tenho acesso?

Nas publicações desta editora nos preocupamos em usar componentes que possam ser encontrados com facilidade. De nada adianta darmos projetos sofisticados, se os componentes não puderem ser obtidos. No entanto, mesmo usando componentes comuns, muitas vezes ocorrem faltas momentâneas quer seja devido ao consumo, quer seja devido ao fato deles serem importados.

Assim, por mais simples que seja o projeto, sempre verifique antes se você pode obter todos os componentes, principalmente transistores e circuitos integrados.

 

e) Existem ajustes ou pontos críticos que eu não tenho condições de fazer?

Como já explicamos, alguns projetos exigem ajustes feitos com instrumentos especiais. Não basta ter esses instrumentos. É preciso também saber como manuseá-los. Por isso, leia sempre todo a descrição do projeto para verificar se não existe nenhum tipo de ajuste crítico que exija equipamentos ou técnicas que você não possua ou domine.

 


 

 

8.2 - Obtendo componentes

Ate não é muito simples obter componentes eletrônicos para a montagem. O leitor tem diversas opções para isso. A primeira consiste em freqüentar as lojas de grandes centros como São Paulo, que estão em sua maioria localizadas na região da rua Santa Ifigênia. No entanto, para os leitores de localidades distantes, isso não é tão simples. Assim, como opção para esses leitores existem as lojas que vendem materiais eletrônicos pelo correio como a Eletrônica Rei do Som (www.reidosom.com.br).

No entanto, é preciso especificar corretamente os componentes adquiridos e deve haver um pedido mínimo. Não se compra um simples transistor de R$ 0,80 quando o próprio frete custa muito mais. A forma de compra normalmente envolve um depósito em conta determinada pelo vendedor e depois, passa-se o número do comprovante para que a remessa seja providenciada.

O tempo depende do tipo de remessa escolhida. É claro que, se o leitor tiver pressa, o custo da remessa, via Sedex, por exemplo, será maior. Outra forma alternativa de se obter componentes é desmontando velhos aparelhos. Neste caso, entretanto, aproveita-se muito mais os componentes passivos como resistores, capacitores e diodos, pois nem sempre transistores e circuitos integrados são de tipos comuns.

Capacitores comuns e resistores raramente estragam com o tempo, o que não ocorre com os capacitores eletrolíticos. Para esses, é sempre importante testá-los antes de usar. Com o tempo, os capacitores "ressecam" perdendo a capacitância e não mais funcionando.

 


 

 

8.3 - Matriz de contactos e placa

Uma matriz de contacto consiste numa excelente opção para a montagem ou desenvolvimento de projetos. Conforme mostra a figura 6, essa matriz é formada por furos que possuem contactos interligados.

 

Duas matrizes de contacto de 550 pontos numa base de montagem com plugue para fonte, ideal para elaboração e desenvolvimento de projetos simples.
Duas matrizes de contacto de 550 pontos numa base de montagem com plugue para fonte, ideal para elaboração e desenvolvimento de projetos simples.

 

Encaixando os componentes nesses furos podemos experimentar circuitos, sem a necessidade de sonda e reaproveitando os componentes para outras montagens. Todo o leitor que gosta de desenvolver projetos ou pretende experimentar um circuito antes de montá-lo em definitivo, deve ter uma matriz de contactos.

Depois de feita a montagem e testada, os componentes podem ser soldados definitivamente numa placa de circuito impresso.

 


 

 

8.4 - Testes básicos com o multímetro

De todos os instrumentos, o mais barato, mais simples de usar e com maior quantidade de utilidades é o multímetro. Para os leitores que desejam fazer montagens eletrônicas, a posse de um multímetro ajuda muito, pois permite diagnosticar falhas e testar componentes de forma simples.

Na figura 7 temos o aspecto de um multímetro analógico comum, do tipo que recomendamos para nossos leitores. Com o tempo, adquirindo mais prática no uso, o leitor poderá adquirir um tipo mais avançado como o digital.

 

Multímetro analógico comum de baixo custo, ideal para o estudante, iniciante e mesmo para o profissional que está começando agora.
Multímetro analógico comum de baixo custo, ideal para o estudante, iniciante e mesmo para o profissional que está começando agora.

 

Com o multímetro podemos realizar basicamente três tipos de medidas:

 

a) Tensão

A medida de tensão nos permite saber quantos volts (alternados ou contínuos AC ou DC) existem num ponto de um circuito. Para essa finalidade, escolhemos a escala apropriada e encostamos as pontas de prova no circuito em teste, conforme mostra a figura 8.

 

Multímetro sendo utilizado numa medida de tensão.
Multímetro sendo utilizado numa medida de tensão.

 

Observe que na medida das tensões contínuas, é preciso observar a polaridade ou posição das pontas de prova.

 

b) Corrente

As medidas de corrente envolvem a interrupção do circuito em teste, por isso não são recomendadas, principalmente para os leitores que ainda não dominam as técnicas de utilização do multímetro.

 

c) Resistência

Para medir uma resistência, devemos escolher a escala apropriada em Ohms. Os fatores x1, x10, x100, x1k indicam por quanto devemos multiplicar o valor encontrado na escala para obter o valor do resistor ou resistência desejado. Assim, para medir pequenas resistências devemos escolher uma escala de acordo com o valor previsto.

 

Também precisamos zerar o multímetro. Para zerar o multímetro, encostamos uma ponta de prova na outra e atuamos sobre o controle "zero adj" até que a agulha marque zero na escala (toda para a direita).

Depois, para medir a resistência de um componente num circuito, desligamos um de seus terminais e encostamos as pontas de prova, conforme mostra a figura 9.

 

Multímetro sendo utilizado para uma medida de resistência.
Multímetro sendo utilizado para uma medida de resistência.

 

Muitos componentes podem ser testados pela medida da sua resistência, mas o leitor deve saber que resistência deve ter cada componente quando bom e isso é matéria para um curso mais completo. Os resistores, por exemplo, devem ter os valores dados pelas faixas coloridas; os fusíveis devem ter resistência nula. Os capacitores devem ter uma resistência infinita e assim por diante.

Sugerimos o nosso Curso Básico de Eletrônica como complementação de tudo que vimos até agora assim como o livro Instrumentação - Multímetros.

 


 

 

8.5 - Complexidade dos circuitos

Os circuitos modernos se tornam cada vz mais complexos, mas esta complexidade está presente na forma de circuitos integrados especializados. Assim, cada vez mais, todas s funções de um aparelho estão embutidas em um ou poucos chips que reúnem milhares ou mesmo milhões de transistores.

O número de componentes que rodeiam estes componentes é relativamente pequeno, mas a complexidade dos circuitos se analisarmos o que existe dentro do chip (circuito integrado) é enorme. Para estes circuitos a única possibilidade de reparo ocorre quando os componentes externos apresentam problemas. No caso dos próprios chips, nem sempre sua substituição é possível tanto pelo fato de não ser possível encontrá-los, como também pela dificuldade de troca pois são componentes com terminais extremamente próximos e em grande quantidade, exigindo ferramentas apropriadas.

Nestes casos, não temos outra alternativa senão tentar trocar a própria placa que nem sempre compensa pelo custo, ou simplesmente abandonar o aparelho, adquirindo um novo. Na verdade, o custo cada vez menor dos chips e da parte eletrônica está tornando conveniente a troca de equipamento quando ele queima, partindo-se para um de tecnologia moderna.

Conserta-se cada vez menos. Para o projeto, a alternativa atual, quando não se trata de alguma coisa muito simples, é partir dos microcontroladores que contém todos os recursos para se elaborar um projeto com poucos componentes externos.

 

Mais sobre as especificações dos componentes

Com o grande número de componentes disponíveis e a complexidade de alguns, nem sempre as poucas especificações dadas num diagrama são suficientes para se fazer um projeto. Desta forma, quando se trabalha com estes componentes de maior complexidade como semicondutores (transistores, circuitos integrados, microcontroladores, tiristores, etc.) é preciso contar com uma documentação mais completa.

As folhas de dados são o recurso utilizado para esta finalidade. Uma folha de dados ou datasheet contém todas as informações sobre a utilização de um determinado componente. Assim, ao fazer um projeto, será interessante acessar estas folhas de dados para certificar-se de que todas as condições de funcionamento do componente estão sendo satisfeitas no projeto.

Estas folhas, além de tensões, correntes e potências, contém normalmente gráficos com a resposta de freqüência, dados para o cálculo de componentes e muito mais. Em alguns casos são dados até circuitos de exemplo de aplicação do componente.

 

Mais instrumentos

O multímetro e o osciloscópio não são os únicos instrumentos com que pode contar o praticante da eletrônica. Além deles, existem muitos outros que podem ser de grande utilidade numa bancada, principalmente se o leitor se tornar um praticante avançado da eletrônica ou ainda um profissional. Dentre os instrumentos adicionais que podem ser adquiridos pelo leitor destacamos:

 

a) Capacímetro

Este instrumento testa e mede capacitores sendo ideal para as oficinas de reparação, já que a maioria dos defeitos que ocorrem em equipamentos eletrônicos se deve a problemas com capacitores. Tipos digitais de custo acessível podem ser encontrados nas casas especializadas. Na figura 10 temos um capacímetro digital de baixo cisto.

 

Capacímetro digital de baixo custo, de grande utilidade para o profissional e mesmo amador.
Capacímetro digital de baixo custo, de grande utilidade para o profissional e mesmo amador.

 

b) Teste de transistores

Se bem que muitos multímetros já incorporem esta função, os tipos mais sofisticados medem o ganho e até identificam seus terminais. Tipos digitais portáteis de preço acessível são disponíveis.

 

c) Freqüencímetro

Este instrumento é de grande utilidade para quem trabalha com sinais, como transmissores, receptores de rádio, etc. Ele permite realizar a calibração segura destes equipamentos e detectar falhas de funcionamento. Na figura 11 temos um frequencímetro digital de bancada.

 

Frequencímetro digital de bancada.
Frequencímetro digital de bancada.

 

d) Gerador de funções

Este é um equipamento de grande utilidade para testes em geral pois ele gera os sinais que servem de prova ou para ajuste de uma infinidade de equipamentos. Tipos de preços acessíveis podem ser adquiridos. Na figura 12 um gerador de funções simples, de baixo cisto.

 

Gerador de funções muito simples, de baixo custo.
Gerador de funções muito simples, de baixo custo.

 

Componentes de sucata

Componentes novos são sempre desejáveis na elaboração de qualquer projeto. Além da confiabilidade, pois temos certeza de que nunca foram usadas, não corremos o risco de pegar um componente queimado e com isso comprometer o nosso projeto. Hoje, como a maioria dos equipamentos eletrônicos sendo "descartável", pois uma vez que apresentem defeitos é mais fácil e barato comprar um novo do que consertar, temos neles uma excelente fonte de componentes na sucata de nossa própria casa ou mesmo de ferros-velhos e oficinas de reparação.

Quem não tem um rádio, aparelho de som ou TV antigo abandonado num canto da casa sem a mínima possibilidade de ser recuperado? Se esse é o seu caso, ou mesmo se você ganhou uma placa de algum aparelho que não mais funciona, por que não desmontá-lo e aproveitar os componentes que ainda podem ser usados?

É claro que para isso existe um critério, pois é preciso saber o que podemos aproveitar, para não cair no risco de termos uma caixa com componentes duvidosos que podem comprometer um projeto.

Os mais fáceis de se aproveitar quando desmontamos algum equipamento antigo são os componentes de maior porte que podemos testar ou que podemos comprovar o estado pela inspeção visual. Nesse caso incluímos:

 

a) Alto-falantes, jaques, plugues, soquetes, interruptores

Pela simples inspeção visual podemos saber se um alto-falante está bom. O teste com uma pilha para ver se ele "estala" quando encostamos nos seus terminais é outro que pode ajudar. Soquetes, jaques e interruptores podem ser analisados dando-se uma olhada se funcionam, se não apresentam sinais de oxidação ou contactos quebrados.

 

b) Potenciômetros

Os potenciômetros podem ser aproveitados desde que não estejam excessivamente deteriorados (o que pode ser constatado visualmente). O teste da medida da variação de sua resistência permite verificar se ele está bom. No livro Multímetro ensinamos como fazer este teste.

 

c) Lâmpadas e fusíveis

Uma lâmpada pode ser provada com multímetro ou mesmo visualmente, assim como o fusível. Se o filamento ou elemento interno estiver aberto ela não pode ser usada. No caso das lâmpadas, antes de retirar do aparelho em que se encontra, procure saber com que tensão ela funciona. Se está no mostrador de um velho rádio que têm válvulas que começam com "6", por exemplo, a lâmpada provavelmente será de 6 V. Se as válvulas forem da série "12", então a lâmpada será de 12 V.

 

d) Capacitores variáveis

Os capacitores variáveis de rádios transistores (miniatura) dificilmente apresentam problemas, podendo ser retirados e aproveitados.

 

e) Transformadores

Os transformadores podem ser aproveitados em muitos casos, desde que verifiquemos antes seu estado e conheçamos suas características.

Antes de tirarmos um transformador de uma placa ou de um velho aparelho será importante anotarmos se ele é um transformador de força (alimentação) quais são os terminais que vão ligados à rede de energia, e ainda se é de 110 (117) V ou 220 (240 V). Medindo a continuidade podemos saber se esse transformador está bom, em curto ou aberto e com isso ligá-lo à rede de energia para fazer testes e descobrir suas outras características.

Em alguns casos, isso pode ser facilitado pela indicação das tensões dos outros enrolamentos, o que facilita muito. No entanto, se isso não ocorrer, podemos fazer sua medida com o multímetro. O conhecimento da corrente máxima do secundário já é mais difícil, mas pode-se ter uma idéia pelo tamanho do transformador ou ainda pela espessura do fio do secundário. Quanto mais grosso o fio do enrolamento secundário, maior será a corrente que ele pode fornecer.

 

Resistores, diodos, capacitores e LEDs podem ser aproveitados em muitos casos, desde que tenhamos alguns cuidados na verificação de suas características e estado.

a) Resistores e indutores

Com os resistores normalmente não há nenhum problema em se fazer seu aproveitamento, desde que sejam retirados com cuidado do circuito (o superaquecimento pode alterar seu valor) e testados com o multímetro, para se verificar se estão bons. Nessa retirada é importante que os terminais não sejam cortados muito curtos, pois isso dificultaria seu uso.

O mesmo ocorre em relação a pequenos indutores que podem ser facilmente testados com a ajuda de um multímetro. As bobinas dos circuitos de RF também podem ser aproveitadas, mas seu uso é mais problemático, pois normalmente não possuem valores, sendo especificamente projetada para o aparelho na qual devem funcionar.

 

b) Capacitores

Capacitores cerâmicos, poliéster e outros tipos "secos" não apresentam problemas se forem retirados com cuidado evitando o excesso de calor. Se o leitor possuir um capacímetro para testar e conferir o calor será ótimo, mesmo porque o leitor pode ficar em dúvida em relação aos códigos de marcação.

Mais críticos são os capacitores eletrolíticos que possuem um eletrólito que perde suas propriedades com o tempo, principalmente se esses componentes ficarem fora de uso. Os eletrolíticos deterioram apresentando fugas, entrando em curto e perdendo a capacitância. Assim, qualquer eletrolítico que seja retirado de um circuito deve ser testado, se possível com um capacímetro.

De qualquer forma observando que o eletrolítico apresenta sinais de vazamento, estufamento ou ainda algum tipo de corrosão, descarte-o.

Não o deixe junto com os demais componentes aproveitados, pois a substância que vaza do seu interior pode acabar estragando-os. Se o equipamento de onde eles forem tirados for muito antigo, não use esses componentes.

 

c) Diodos

O teste dos diodos é simples, podendo ser feito com o multímetro ou provador de continuidade. Normalmente pela aparência, podemos saber se temos um diodo retificador ou outro. Esse outro, entretanto, exige certo cuidado, pois não poderemos saber se é um diodo zener ou um diodo de uso geral, a não ser que examinemos cuidadosamente o circuito.

Um diodo ligado à base de um transistor numa fonte de alimentação, por exemplo, é um zener. O problema é apenas saber qual é a sua tensão. De qualquer forma, conseguindo tirar o diodo do circuito intacto e comprovar que ele está bom, podemos fazer seu uso em projetos sem muitos problemas. Eles servirão nos casos em que se necessita de um diodo retificador ou um diodo de uso geral.

 

d) LEDs

Para os LEDs o aproveitamento é simples, pois o teste pode ser feito com um circuito de prova, desde que eles não sejam do tipo infravermelho. Se o LED acender no teste realizado, então ele se encontra em bom estado. Este teste também é interessante pois permite identificar a polaridade do componente, caso não exista marcação ou um terminal mais curto, pois certamente na montagem, ambos são cortados do mesmo tamanho.

 

e) Outros

Sensores como LDRs, solenóides, motores também podem ser aproveitados desde que verifiquemos antes se eles estão em condições de funcionamento. Como sempre, o cuidado será ter certeza de que o componente está bom e que suas características sejam conhecidas.

 

O aproveitamento de semicondutores é mais complicado, principalmente se forem tirados de placas comerciais onde é comum que o fabricante adote seu próprio código. Fazendo testes com o multímetro podemos descobrir se é NPN ou PNP.

Os testes também servem para descobrir se o transistor está bom ou não. Esses transistores poderão ser usados em projetos em que se exijam componentes de uso geral. Se forem de potência, também podemos testá-los e descobrir se são NPN ou PNP, classificando-os como transistores de potência de uso geral. Se o leitor possui um teste de transistores, será interessante verificar o ganho e assim descobrir se eventualmente é um transistor Darlington.

Veja que o teste de identificação NPN ou PNP se falhar pode indicar, não que o transistor esteja ruim, mas que seja eventualmente um MOSFET de potência...

Para SCRs e Triacs o aproveitamento só poderá ser feito se tivermos certeza de que são tais componentes, examinando o circuito ou ainda tendo a sorte de contar com a identificação e fazendo um teste para verificar se está em bom estado. Com os circuitos integrados a situação é bem mais complicada.

 

A não ser que tenhamos certeza de que se trata de um circuito conhecido, pela identificação no seu invólucro, dificilmente um teste com um multímetro ou outro instrumento permitirá saber do que se trata, e nesse caso tanto o teste como o aproveitamento não serão possíveis.

 

Usando o multímetro

Na rede de energia e em algumas partes dos aparelhos eletrônicos encontramos tensões alternadas. Na maior parte dos circuitos eletrônicos entretanto, encontramos tensões contínuas.

A diferença entre os dois tipos de tensões já foi analisada em artigos deste mesmo site e pode ser encontrada na maioria dos cursos de eletrônica, incluindo nosso Curso Básico de Eletrônica. Para o leitor é importante saber que para a medida dos dois tipos de tensão, o instrumento usado, que é o multímetro deve ser ajustado de formas diferentes.

Além disso, é importante que o leitor saiba em que pontos de um circuito encontramos tensões alternadas e tensões contínuas.

As tensões alternadas são encontradas na entrada de energia com valores algo elevados (110 ou 220V) e depois do transformador com valores menores até o diodo, ou diodos retificadores. A partir do diodo não temos mais tensões alternadas mas sim tensões contínuas e seu valor vai ser da mesma ordem de grandeza que a do enrolamento secundário do transformador.

Se o aparelho for um conversor e usar um transformador ou ainda operar em alguns pontos com tensões muito altas, podemos ter um novo setor em que encontramos tensões alternadas. No geral, entretanto, a maioria das tensões encontradas nos aparelhos eletrônicos são contínuas e normalmente indicadas no seu diagrama.

Assim, ao tomar um diagrama de um televisor ou outro aparelho encontramos nos pontos principais as indicações das tensões que devem ser medidas com o uso de um multímetro comum. Se, ao analisar uma etapa de um determinado aparelho encontrarmos tensões muito diferentes daquelas indicadas no seu diagrama isso é sinal de que alguma coisa está errada na etapa em que essas medidas são feitas.

Transistores abertos ou em curto, resistores com valores alterados ou abertos, capacitores abertos ou em curto ou ainda transformadores com problemas são as principais causas de problemas nos circuitos que afetam suas tensões. Mesmo sem o diagrama de um aparelho, com alguma experiência e conhecendo o princípio de funcionamento do aparelho, o profissional de reparação consegue saber se algo vai mal pela medida de tensão, pois já tem uma idéia da ordem de grandeza da tensão que deve encontrar em cada ponto de um circuito.

Uma diferença de tensão maior ou muito menor indica que o componente está com problemas, ou ainda existem problemas nos componentes pesquisados. Da mesma forma, sabemos que cada etapa de um aparelho só funciona se receber a alimentação normal.

O procedimento da medida da tensão numa etapa é portanto muito importante para se localizar problemas tanto das etapas como da própria fonte de alimentação de um aparelho.

 

 

Veja mais:

* O que você precisa saber sobre montagens SMD (ART561)

* Erros comuns nas montagens (ART029)

* Montagens experimentais (IP055)

* Como fazer montagens eletrônicas (ART018)

* Como fazer montagens com válvulas (V006)

* Como obter componentes (ART433)

* Componentes muito antigos (DUV074)

* O seu multímetro (MEM179)

* Diversos artigos sobre uso de instrumentos na seção de instrumentação.

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