O Site do Hardware Livre - OSHW

Como Iniciar-se em Reparações (SER427)

Vamos supor que você, amigo leitor principiante, acaba de receber sem diploma de técnico em rádio ou «eletrônica, em um curso convencional ou por correspondência, e acha que chegou a hora de aproveitar tudo aquilo que aprendeu. Você fez um curso brilhante, foi aprovado com distinção e deseja ganhar dinheiro com a eletrônica, montando uma oficina de manutenção e reparações. Você conhece toda a teoria, montou aparelhos dos mais diversos mas, provavelmente, falta-lhe ainda algo indispensável para o bom êxito de seu empreendimento: experiência.

Este artigo de 1976 numa revista da época tem um aspecto interessante. Ele marca o aparecimento num publicação pela primeira vez de nosso personagem “Eltron” que criamos na época para ilustrar nossas apostilas. O artigo tem alguns pontos que são atuais, se bem que a “reparação” ou “service” atualmente tem uma abordagem bastante diferente. O artigo ainda é interessante para quem deseja recuperar um rádio antigo que apresente algum tipo de efeito.

 

A experiência prática no conserto não é conseguida em livros, ou por observação, ou ainda por trabalhos realizados a esmo. A experiência se traduz na aplicação inteligente e correta do conhecimento adquirido à tarefa que se deve desempenhar; no caso, o conserto de aparelhos de rádio ou TV;

Normalmente, este é um processo que evolui com o passar dos anos, mas, você não quer, começar daqui a 5 ou 10 anos, mas sim o mais rapidamente possível. Portanto, o processo de adquirir experiência deve ser cuidadosamente planejado e acelerado.

Veremos, a seguir, um plano visando isso.

Embora a construção de receptores represente uma valiosa experiência para o principiante em eletrônica, a construção em si não é suficiente para dar-lhe aquilo que ele mais precisa no campo do serviço técnico de manutenção e reparação: a “tarimba” necessária para o diagnóstico e eliminação rápida de defeitos.

Ao cliente que lhe entrega o seu receptor para conserto pouco importa se você sabe montar um rádio, ou televisor; o que ele quer é que você consiga achar o defeito no aparelho dele e elimina-lo de maneira satisfatória, no mínimo prazo possível e a um preço razoável.

Portanto, se você pretende dedicar-se aos consertos, deve praticar as habilidades indispensáveis: diagnóstico, localização da causa e sua eliminação e, quanto maior a sua habilidade, maior será o seu êxito na profissão.

Muitas vezes um técnico embrionário recebe a sugestão de trabalhar como aprendiz ou auxiliar na oficina de um técnico veterano, observando este último no desempenho de seus trabalhos.

Este método já se aproxima daquilo que você necessita, mas ainda não é o meio mais rápido e eficiente para aumentar a sua experiência, As razões disso são óbvias. Em primeiro lugar, o técnico nem sempre terá tempo de explicar-lhe o raciocínio que teve que desenvolver para chegar a uma dada conclusão '

Além disso, muitos veteranos habituaram-se de tal modo a um raciocínio rápido na localização de falhas que procurar explica-lo em detalhes a um novato pode oferecer-lhes sérias dificuldades.

Em segundo lugar, o serviço como auxiliar pode limitar o seu campo de ação a um determinado setor, quando o que lhe interessa é justamente adquirir experiência prática a mais ampla e variada possível.

Finalmente, o fato de seu “guia” ser veterano não significa necessariamente ser o seu método de trabalho eficiente ou racional e ele poderá, eventualmente, ensinar-lhe hábitos nocivos ou pelo menos, desaconselháveis como, por exemplo, curtocircuitar o catodo da 5U4 com o chassi para verificar “se “tem (+B).

Qual será, então, o processo recomendável para adquirir o máximo possível de experiência, na maior variedade de campos e no mínimo espaço de tempo possível? O método que sugerimos baseia-se na teoria mais do que, na prática, para adquirir experiência no conserto de aparelhos defeituosos é necessário treinar com receptores que tenham todos os defeitos imagináveis.

É claro que não será fácil achar tantos receptores, com tantos defeitos.

Portanto, a única alternativa é conseguir um receptor perfeito e nele introduzir, propositadamente, os mais diferentes defeitos, observando as consequências resultantes.

 


 

 

Neste processo você adquire experiência de manutenção, fazendo realmente os trabalhos necessários, num receptor real (embora o defeito haja sido introduzido artificialmente). A medida que vai introduzindo os vários defeitos você deve consultar seus conhecimentos teóricos sobre o funcionamento e a- experiência já adquirida. em “consertos” anteriores, Use o olfato, a vista e o tato para localizar indícios externos.

Não deixe de fazer todo tipo de medição de resistência e tensão no receptor.

É recomendável realizar, primeiramente, as medições no receptor em estado normal, repetindo-as depois da introdução dos diversos defeitos. Dessa forma será possível saber quais as alterações na resistência e na tensão acarretadas pela introdução do defeito.

Convém, igualmente, injetar sinais num receptor normal e avaliar o som produzido no estágio de saída. Caso seja possível, também é recomendável praticar medições com voltímetro eletrônico e osciloscópio, tanto no receptor normal bem como após a introdução do defeito,

Ainda mais, deve-se tentar realizar medidas do ganho dos estágios no receptor normal.

A seguir, descalibrando-se o aparelho, repetem-se as medições e as observações. Finalmente, deve-se tentar recalibrá-lo até o ponto de operação normal e ideal.

No entanto, todas essas experiências “fabricadas” devem ser realizadas aos poucos, com muito cuidado e numa sequência muito bem definida. A descrição que se segue indica a maneira exata para atacar o problema. Nunca se esqueça de fazer uso da teoria que aprendeu.

 

Providências preliminares

Antes de “fabricar” defeitos para aumentar a sua experiência pratica, deve estabelecer a base para a melhor compreensão possível, Procure conseguir um receptor novo ou velho - que esteja comprovadamente em bom estado.

Comece com um tipo a válvulas, de uma ou duas faixas. Mais tarde, pode repetir o processo com um aparelho transistorizado e em circuito impresso.

Antes de começar a “mexer” no receptor, siga todas as ligações e desenhe o diagrama esquemático do aparelho. A seguir, procure obter o esquema original (se for um receptor comercial, escreva ao fabricante ou.- utilize um dos manuais de circuitos).

Nota: naquela época não havia internet e os rádios predominantes ainda eram valvulados.

Agora, compare o seu esquema com o do fabricante, Não tente enganar a si próprio; copiando parte do circuito. Pratique bastante, até adquirir boa habilidade nisso.

Agora, procure acompanhar o caminho do sinal, desde a antena até o alto-falante. Use o diagrama esquemático para isso. Verifique os circuitos de alimentação, desde a fonte até os eletrodos das válvulas ou transistores. Siga os circuitos especiais, como o do CAG, do indicador de sintonia (se existir) e outros. Certifique-se de que o que encontrou confere com os seus conhecimentos a respeito dos diversos estágios e circuitos.

Não siga adiante enquanto não compreender perfeitamente aquilo que está examinando. Examine o esquema e compare os valores ôhmicos com os indicados pelo fabricante em seu diagrama esquemático. Anote a capacitância indicada pana cada capacitor.

Verifique os capacitores variáveis em “tandem”. Verifique a existência ou não de chaves múltiplas. Finalmente, anote os pontos de teste recomendados pelo fabricante para medições de tensão. Tente explicar (a si próprio) os motivos da escolha desses pontos de teste.

Outro aspecto importante é o exame do circuito quanto às variações em relação ao circuito típico. Cada fabricante introduz, em seu receptor, variações do circuito típico, para obter certos resultados específicos. É necessário compreender-se perfeitamente cada detalhe do circuito, a fim de poder entender os defeitos.

Isto não significa que você precisa saber calcular os valores matematicamente, como um engenheiro, mas deve saber exatamente qual a função de cada componente no circuito.

 

Agora, vá do circuito para o receptor

É importante que você possa reconhecer no receptor os estágios e componentes indicados no diagrama esquemático.

Localize cada estágio. Tente identificar as bobinas de FI, de RF e osciladoras. Localize a secção osciladora do variável duplo de sintonia. Procure todos os controles e chaves especiais no receptor. Localize a secção de alimentação, o retorno de CAG, acompanhando-o aos estágios que comanda.

Procure todos os “trimmers”. Enfim, localize todas as demais peças.

Depois de ter feito isso por algum tempo você perceberá que está conhecendo o receptor em relação ao seu circuito. Poderá passar, diretamente, de qualquer parte do circuito esquemático para a parte correspondente do receptor sem perdas inúteis de tempo.

Não subestime esse tipo de experiência. Quando você estiver estabelecido com sua própria oficina, esta sua habilidade terá uso constante.

 

Familiarize-se com o receptor normal.

Você ainda não está pronto para praticar o diagnóstico de receptores defeituosos. Como o médico (que primeiro tem de conhecer as características de uma pessoa saudável antes de poder diagnosticar um doente), você precisa primeiro estar familiarizado com um receptor normal antes de “atacar” um defeituoso. É preciso realizar várias provas e medições num receptor comprovadamente perfeito.

 


 

 

A primeira série de medições deverá ser feita com o multímetro (na escala de Ω). Desligue o receptor antes de começar. Ligue o instrumento do +B a todos os anodos e grades “screen”. Localize um ponto de +B conveniente, para poder manter uma das pontas fixa nesse ponto, para todas as medições.

Em cada válvula, meça a resistência entre grade de controle e chassi ou retorno negativo. Faça a medição em outros circuitos contínuos. Em cada caso tente primeiro estimar, a partir do esquema, qual deveria ser o valor de resistência. Não se esqueça de verificar se existem circuitos paralelos quando estimar os valores resistivos.

Finalmente, faça a medição da resistência de enrolamentos das bobinas, de capacitores e, naturalmente, de resistores. Quando medir um eletrolítico não se esqueça de inverter as pontas de prova e realizar. uma segunda medição: o valor correto é a leitura mais elevada.

Agora, você pode começar as medições de tensão, naturalmente como receptor ligado. Faça as. medições das tensões continuas dos eletrodos das válvulas em relação ao chassi ou retorno negativo.

Caso o diagrama esquemático do fabricante forneça os valores de tensão para certos pontos de teste, compare esses valores com os efetivos medidos.

Verifique a tensão +B. Se o seu multímetro possui sensibilidade de 20 000 Ω por volt, ou. se dispõe de um voltímetro eletrônico, verifique o valor da tensão de CAG do respectivo retorno ao chassi.

Em cada caso, observe cuidadosamente a polaridade correta e use a faixa adequada do instrumento.

 

Procedimento de exame para um receptor normal

O passo seguinte é a realização de vários exames gerais no receptor normal.

Ligue o receptor e constate o nível normal de ruído. Aumente o volume e verifique se a variação e suave, sem ruídos estranhos. Manipule quaisquer outros controles especiais e observe os efeitos produzidos.

Caso existam ligações antena-terra externas, desligue cada uma por seu turno e anote os efeitos sobre a saída do receptor.

A seguir, pratique a medição do ganho dos estágios de um receptor normal, com o controle de volume na sua posição máxima. Ligue um medidor de saída (voltímetro) em paralelo com o primário do transformador de saída.

Em seguida, é injetado o sinal modulado de um gerador de RF, sucessivamente na entrada do amplificador de RF, do conversor e do amplificador de FI, com um nível suficiente para que a leitura do medidor seja de 16 volts. Depois, injete o sinal modulado nas saídas desses mesmos estágios, em um nível suficiente para obter a mesma leitura no medidor de saída.

O ganho de cada estágio é determinado pelo quociente do nível da tensão injetado na saída de cada estágio pelo nível da tensão injetada na entrada do mesmo.

Nos estágios de áudio será, evidentemente, usado um sinal de áudio para esse fim, ao invés de um sinal de RF modulada. Os valores de tensão usados no cálculo são lidos na escala do atenuador do gerador de sinais.

As medidas feitas dar-lhe-ão prática na tarefa importante de injetar o sinal (fornecido pelo gerador de sinais) nos vários estágios do receptor, para produzir um resultado (som) audível no alto-falante.

Você deve dominar perfeitamente esta técnica, a fim de que possa usa-la na prática, com rapidez e segurança. Relembre os diferentes tipos de defeitos em receptores, que podem ser localizados por meio do gerador de sinais, você verá como é importante conhecer perfeitamente as suas diversas aplicações.

A secção de áudio é verificada com um toque no terminal central do potenciômetro. Neste caso, deve ser ouvido o ronco ou zumbido típico de CA, se o controle de volume estiver na metade (ou além da metade) do percurso.

Você agora completou os trabalhos preliminares necessários antes do exame de um receptor defeituoso. São técnicas absolutamente necessárias para a realização de trabalho real de manutenção. Só depois de se sentir seguro no conhecimento do comportamento de um receptor normal, nas mais diversas condições, é que você deve começar a concentrar-se nos defeitos.

Análise - Você ainda não deve tocar no receptor. Existe uma técnica muito interessante e eficaz para a análise. Ponha o circuito esquemático na sua frente. Procure imaginar o que aconteceria, em cada caso de defeito nos Capacitores: interrompido, com fuga ou em curto.

Tente saber o efeito em cada caso sobre o desempenho do receptor, sobre as tensões nos eletrodos das diversas válvulas ou transistores, sobre os demais componentes.

Anote suas conclusões para confirma-las posteriormente no próprio receptor.

Analogamente, imagine resistores interrompidos ou de valor alterado, bobinas interrompidas ou em curto-circuito, válvulas ou, transistores com defeito, ligações e terminais corroídos, vários defeitos no alto-falante e outras condições anormais.

Anote sempre as suas deduções para futura verificação.

Por exemplo, suponha estar interrompido o resistor de anodo de uma válvula.

Pergunta: qual o efeito sobre funcionamento - do receptor?

Como isso afetará as tensões dos eletrodos da Válvula?

Procedendo a partir do alto-falante, em que ponto o sinal do gerador deixará de ser ouvido? Como serão afetadas as medições de resistências?

Qual o processo mais rápido para a localização do defeito?

Não faça este exercício negligentemente. É provavelmente, a melhor maneira de recapitular todas as informações que você adquiriu no seu curso. Como um passo além desse “conserto mental”, tente delinear o processo que iria seguir para isolar o estágio e o componente defeituoso. Visualize os instrumentos necessários e o método que aplicaria ao usá-los.

Finalmente, você estará apto a praticar no próprio receptor.

 

Resistores defeituosos

Normalmente, quando você recebe um receptor para executar algum serviço de reparação, o mesmo apresentará algum defeito. Mas, nestes exercícios que visam dar-lhe experiência, você mesmo irá introduzir os defeitos. Para tirar o máximo proveito, observe sempre o efeito global sobre o receptor.

Verifique as tensões no estágio onde introduziu o defeito, anotando qualquer desvio significativo em relação aos valores obtidos no receptor normal. Tente localizar o defeito pela técnica de isolar, sucessivamente, secções, estágios e componentes defeituosos.

Compare os resultados práticos com os deduzidos mentalmente. Quando tiver absoluta certeza da correção da verificação, faça o receptor voltar ao normal e introduza um novo defeito no circuito; proceda da mesma forma. Não se esqueça de desligar o receptor ao introduzir um defeito.

Pode iniciar pela alteração do valor de resistores fixos. No decorrer de seu funcionamento normal os valores dos resistores num receptor podem sofrer alterações ou interromperem-se. Sua tarefa é, pois, “abrir” ou alterar o valor de cada um dos resistores de seu receptor experimental, para realizar as tarefas anteriormente descritas.

Geralmente esses fenômenos (resistor aberto ou alterado) se manifestam nos circuitos onde a corrente é maior; comece por esses circuitos.

Para simular um resistor “aberto" basta dessoldar um de seus extremos do circuito. No caso de valor alterado para mais é necessário, além de dessoldar o extremo, intercalar um resistor adequado em série. Se a alteração for para menos, bastará ligar outro resistor, de valor apropriado, em paralelo com o resistor do circuito.

Antes de introduzir cada um dos “defeitos” verifique pelo esquema se isso pode provocar danos em outros componentes; em caso afirmativo, substitua esses componentes quando eliminar o “defeito” artificial.

 

Capacitores defeituosos

Nos receptores mais antigos os capacitores de papel eram responsáveis por uma série de defeitos que, atualmente, com o uso dos capacitores de poliéster, quase deixaram de existir. No entanto, como serão justamente os aparelhos mais antigos aqueles que mais frequentemente irão aparecer para conserto, convém conhecer os defeitos mais comuns dos capacitores de papel: em curto-circuito, “abertos” ou com fuga.

Quanto aos eletrolíticos, além dos defeitos acima, podem ainda perder capacitância. Simule estes defeitos com todos os capacitores fixos do receptor.

No entanto, antes de realizar a prova, constate se ela irá afetar adversamente a outros componentes do circuito. Caso os danos previstos sejam de monta, omita o teste.

Assim, particularmente, não ponha em curto-circuito os capacitores de filtro do +B ou os capacitores de desacoplamento em que isso possa resultar num curto do +B à massa.

Pode-se simular um defeito causado por um capacitor aberto dessoldando-se um de seus terminais. Um capacitor em curto-circuito pode ser simulado pela ligação de um pedaço de fio entre seus terminais. Um capacitor com fuga é facilmente simulado pela ligação de um resistor de 50 k a 100 k, 1 W, entre seus terminais.

Como já mencionamos, os capacitores eletrolíticos da fonte de alimentação não devem ser colocados em curto, devido aos grandes danos resultantes; no entanto, pode-se reproduzir neles .o comportamento de capacitores com fuga, ligando em paralelo um resistor de cerca de 1 k x 10 W.

A perda de capacitância pode ser simulada pela conexão em série de outro capacitor idêntico (atenção a polaridade) ou então, simplesmente desligando um de seus terminais (capacitância nula).

No caso dos capacitores variáveis de sintonia, coloque em curto o rotor e o estator de cada secção, observando o efeito. Se possível, elimine temporariamente os suportes de borracha, substituindo-os por arruelas de fibra.

Anote o efeito causado a saída do aparelho.

Válvulas defeituosas – A seguir deve-se experimentar com válvulas. Dois defeitos comuns são: fugas entre filamento e catodo e baixa emissão. O primeiro pode ser simulado pela conexão de um resistor de aproximadamente 1 k entre os terminais de catodo e filamento da válvula; o segundo defeito pode ser obtido baixando-se a tensão do filamento ( ligação em série com o mesmo de um reostato de 25 Ω) produz o efeito desejado).

Bobinas defeituosas – Os defeitos mais comuns nas bobinas dos receptores são os curtocircuitos ou as interrupções. Ambos são fáceis de simular: um fio entre os terminais para o primeiro e um terminal dessoldado para o segundo. O processo de produzir um curto-circuito é adequado para transformadores de RF ou FI ou outros, que devem conduzir correntes de pouca intensidade; no entanto, esse procedimento não pode ser aplicado aos transformadores de força, onde as correntes serão suficientemente intensas :para queimar os enrolamentos.

Eventualmente pode ser encontrada uma bobina de RF ou FI com fator de mérito (“Q”) abaixo de seu valor normal: essa condição pode ser simulada pela ligação de um resistor de aproximadamente 10 k em paralelo com o enrolamento. Verifique o efeito sobre a resposta global do receptor.

Defeitos reais - Até agora você empregou um receptor perfeito, simulando os vários defeitos possíveis. Na vida prática ocorrerá de modo diferente: você receberá um receptor defeituoso e terá de analisar o resultado desse defeito (zumbido, pouca saída, oscilação, etc.) e, a partir disso, chegar a conclusões que o levem a eliminar o defeito.

O método mais simples é começar com um receptor mudo. Recapitule todas. .as maneiras possíveis do seu aparelho experimental ficar nessa condição. Em cada caso, introduza o defeito no seu receptor e verifique a inexistência de sinal de saída. Planeje um processo para a localização da secção defeituosa, o estágio defeituoso e, finalmente, o componente defeituoso. Com todo o instrumental que tiver ao seu dispor, realize o processo de localização até isolar o componente defeituoso. Restabeleça então o funcionamento normal do receptor.

Caso conheça alguém que esteja familiarizado com circuitos eletrônicos, peça-lhe que introduza algum defeito no aparelho, sem no entanto dizer onde.

Use então sua técnica de localização para descobrir o defeito, Este é o tipo de trabalho com o qual você irá se defrontar na oficina de reparações. Não se esqueça de marcar o tempo que dispende nesses exercícios. Procure aumentar cada Vez mais a rapidez do seu trabalho. Lembre--se de que a meta final é o conserto adequado no mínimo tempo. Não desanime se gastar muito tempo a princípio; a medida em que for adquirindo prática, o tempo necessário diminuirá. Primeiro desenvolva a técnica; depois a rapidez.

 


 

 

De modo semelhante, recapitule todas as maneiras pelas quais o receptor pode ter sua saída reduzida. Introduza esses defeitos e planeje as operações de localização. Depois, utilize seus instrumentos para o trabalho de localização.

Em cada caso, restitua ao receptor as suas condições normais de funcionamento.

Seguindo a mesma rotina, introduza, sucessivamente, zumbido, moto-boating, oscilações, uivos, ruído, interferências, distorção, falhas intermitentes, etc. Planeje sempre a rotina de localização e execute-a. Procure lembrar-se, em cada caso, do som produzido pelo aparelho, que poderá constituir-se num guia valioso em problemas futuros.

Exercício de calibração Embora você já deva ter realizado recalibrações no. decorrer dos exercícios de eliminação de defeitos, será de utilidade fazer da calibração um exercício separado. Será frequente a necessidade de recalibração, em particular depois da substituição de certos componentes. Essa operação deve ser feita corretamente e sem perda de tempo. Recapitule o processo antes de iniciar o exercício.

Exercício de substituição - Uma tarefa muito comum nos trabalhos de manutenção é a substituição de componentes defeituosos. A troca de válvulas, transistores, capacitores e resistores é uma tarefa relativamente simples. No entanto, a troca de certos componentes pode tornar-se uma tarefa complicada e demorada.

Pratique na substituição desses componentes, tentando reduzir o tempo despendido a um mínimo. Substitua o controle de volume, Retire um soquete de válvula e o substitua por um novo. Desligue uma bobina de RF e uma de FI e substitua-as por novas.

Retire o alto-falante e coloque outro igual. Caso o receptor possua uma chave multipolar (uma chave de ondas, por exemplo), substituía-a. Sempre que existirem várias ligações em um componente identifique-as com cuidado, a fim de facilitar e acelerar a reconexão das mesmas.

Pratique com muitos instrumentos - A maior parte dos exercícios, até aqui, tem sido realizada apenas com um multímetro e um gerador de sinais. Se possuir outros instrumentos, não hesite em usá-los. Recapitule o uso do voltímetro eletrônico, do osciloscópio e outros. Verifique quais deles permitem realizar a tarefa no menor tempo possível.

Familiarize-se com aqueles que lhe permitam tornar-se mais eficiente.

Finalmente, procure obter a maior variedade possível de aparelhos receptores: receptores multifaixas, receptores portáteis, rádios de automóvel, tanto a válvulas como transistorizados, procurando em cada caso fazer os mesmos exercícios que já fez com o seu receptor de treinamento.

 

A prova de funcionamento

Depois de realizar um conserto, normalmente o técnico realiza um teste geral de funcionamento. Pratique esse teste. Depois de restaurar o funcionamento normal do seu receptor de prova pela eliminação do defeito, comprove o seu perfeito funcionamento.

Sintonize todas as principais emissoras, verificando se aparecem no lugar correto da escala. Acione todos os controles e chaves, verificando se realizam corretamente as suas funções. Aumente o volume ao máximo e verifique se aparece distorção ou ruído.

Finalmente, prepare o receptor como se fosse o aparelho de um cliente que devesse retornar ao seu proprietário: retire todo o pó do chassi e componentes e também eventuais partículas de solda; limpe o exterior da caixa. Este último passo é importante, pois muitos clientes julgam capacidade do técnico pelo aspecto externo do receptor devolvido.

Agora que você realizou direitinho todas as experiências sugeridas, provavelmente estará ansioso por começar a faturar. Naturalmente, com o, tempo, sua experiência irá aumentando, mas certamente você já terá adquirido o suficiente para, pelo menos, iniciar.

Se ainda não se sentir seguro, continue com os exercícios: não desanime, pois cada um aprende a seu modo, mais depressa ou mais devagar. O fato de ter demorado mais a adquirir a sua “tarimba” não significa que não serve para conduzir “uma oficina de consertos.

 

Artigo publicado em 1976

Revisado em 2016

 

Opinião

Mês de trabalho e surpresas (OP173)

Continuamos com nosso trabalho, produzindo artigos, desenvolvendo atividades como a preparação de eventos, programando palestras para este e para o próximo ano e muito mais. Não paramos. Nosso site, e as versões em espanhol e inglês crescem em acessos e importância, o que nos leva a cada vez mais colocar novos artigos nestas mídias.

Leia mais...

BUSCA DATASHEET

N° do componente->   (Como usar este quadro de busca)


Pecar
Os bons odeiam pecar por amor à virtude. (Oderunt peccare boni virtutis amoré.)
Horácio (65 - 8 a.C) - Epístolas - Ver mais frases


Instituto Newton C Braga
Entre em contato - Como Anunciar - Políticas do Site

Apoio Social
Lions Clube de Guarulhos Sul SOS Mater Amabilis
Advertise in Brazil
If your business is Electronics, components or devices, this site is the correct place to insert your advertisement (see more)