A história dos 5 metros (TEL250)

Escrito por Appolon Fanzeres

O que vamos relatar não desmerece em nada os rádio amadores brasileiros, mas sucede que nosso vasto arquivo, organizado desde 1937, quando iniciamos nossa atividade literária em rádio eletricidade, sofreu terrível perda e foram dispersadas ou desaparecidas cerca de quarenta gavetas tipo arquivo, contendo centenas e centenas de documentos técnicos, inclusive fatos históricos.

 

Appolon Fanzeres ou A. Fanzeres como assinava meu velho amigo, foi um dos grandes escritores técnicos ativos entre os anos 40 e 90, tendo falecido recentemente no Rio de Janeiro. Infelizmente a família não se preocupou com sua memória fantástica na eletrônica quando publicou centenas de artigos em diversas revistas e também foi responsável por diversas revistas técnicas como a Radio – TV Técnico e Mundo Eletrônico.. Nesta nossa seção de artigos dos amigos e colaboradores não poderíamos deixar de lembrar este amigo com diversos artigos que selecionaremos. A seguir, o artigo A História dos 5 Metros publicado na revista Radio e Eletrônica 2 na década de 90. Neste artigo ele descreve a história de uma importante faixa de transmissão dos radioamadores.

 

Por sorte nossa, uma mínima parte de nossas anotações estava ainda em outro local e isto, associado à nossa memória que continua a ser boa, permite-nos trazer para os leitores de Rádio e Eletrônica algumas contribuições daqueles tempos épicos de experiências, construções técnicas audaciosas - algumas contrariando as normas dos fabricantes - e que depois resultavam em sucesso extraordinário. Esses sucessos dos radioamadores eram logo abocanhados pela indústria (como foi o caso das ondas curtas, das muito curtas...). E por falar em ondas muito curtas, gostaríamos de relatar alguns episódios ligados às experiências na banda dos 56 MHz, lá pelos idos de 1933.

Os aviões De Havilland Dragon Moth foram equipados com transmissores e receptores para 56 MHz. Um dos aviões estava contratado pelo jornal Daily Herald e o outro pela revista técnica Popular Wireless. O equipamento do De Havilland contratado pelo Daily Herald pertencia a Douglas Walter e no outro avião o equipamento era de George Jessop. O avião possuía uma cabine ampla, para 6 passageiros, e vários assentos foram retirados para poder acomodar os equipamentos. Os circuitos transmissores utilizavam válvulas Osram P2 no estágio final, que eram moduladas por dois PT2 em paralelo. A fonte de alimentação era de baterias, 200 volts, com um tipo especial de Hellesen. As antenas eram de 1/2 onda e a potência era de 5 watts. Os receptores eram super-regenerativos com três válvulas. Naquela época, os contatos na faixa de 56 MHz eram realizados em distâncias de até 150 km, com potências que não excediam 5 watts.

O entusiasmo dos ingleses para a faixa de 56 MHz teria efeitos laterais. Com a II Guerra Mundial, vários dos equipamentos de 56 MHz que haviam ficado QRT devido ao conflito, foram requisitados pelas seções especializadas das forças armadas e muito ajudaram no estabelecimento de comunicações entre a Inglaterra e os movimentos de resistência nos países ocupados pelos alemães.

Uma pioneira naquela ocasião foi Constance Hall (G8LY), que além de fazer vários contatos a longa distância em 56 MHz, possuía métodos de determinar a direção e a distância de cada estágio recebido. E seu transmissor tinha potência inferior a 10 watts!

Foram radioamadores, dotados do espírito e garra que marca os pioneiros, os líderes que ajudaram a construir a esplêndida saga das realizações daqueles que, após Maxim, tornaram-se estudiosos da rádio eletricidade sem fins lucrativos.

Precisamos dar uma boa "sacudida" por aqui. É preciso que surjam os experimentadores, que construam, que experimentem e não sejam apenas usuários de equipamentos manufaturados...