Testando instalações elétricas com o multímetro (INS024)

Ao contrário do que muitos possam pensar, o multímetro não é apenas o instrumento de prova do técnico eletrônicos. A versatilidade do multímetro, multiteste ou V-O-M estende sua gama de aplicações a muitos outros campos, como por exemplo à eletricidade do automóvel, a eletricidade doméstica além de outros. Neste artigo, por exemplo, mostramos algumas aplicações interessantes do multímetro no teste de instalações elétricas comuns (domésticas e de estabelecimentos comerciais). Usando um multímetro de baixo custo ensinaremos nossos leitores como encontrar problemas de forma muito mais simples do que pelos métodos tradicionais que incluem a lâmpada de prova ou mesmo o teste com eletrodomésticos comuns.

 

O multímetro não serve apenas para a análise dos delicados componentes que compõem os equipamentos eletrônicos comuns e não mede apenas as baixas tensões que encontramos em aparelhos que funcionam com pilhas ou baterias.

A existência de escalas de tensões alternadas que alcançam os 110V (127V) e os 220V da rede de energia tornam este instrumento ideal para a análise de circuitos elétricos domésticos e mesmo de instalações comerciais onde estas tensões estão presentes.

Sabendo interpretar as leituras de um multímetro quando usado nestas instalações o eletricista terá muita facilidade em diagnosticar problemas, fazer instalações perfeitas e até mesmo verificações de funcionamento.

Mostraremos então, de que modo, também o eletricista pode fazer uso deste importante instrumento, ganhando tempo no seu trabalho, o que em nossos dias é muito importante, pois custa dinheiro.

 

 

O MULTÍMETRO DO ELETRICISTA

Para os trabalhos de eletrônica normalmente se exige um multímetro de maior sensibilidade em vista das pequenas correntes que circulam pelos componentes e também das baixas tensões.

No entanto, para trabalhos em instalações elétricas comuns não se necessita de um multímetro sensível nem que tenha muitos recursos.

Um multímetro com sensibilidade de 1 k ohms por volt e que tenha escalas de tensões capazes de medir os 110V ou 220V de uma rede de energia serve perfeitamente para os trabalhos que citaremos neste artigo.

Na figura 1 temos um exemplo de multímetro deste tipo, ajustado para medir tensões alternadas e com as posições do ponteiro quando temos a indicação de 0V (ausência de tensão), 220 V e 110 V.

 

 

Observe que na rede de energia e portanto nas instalações elétricas domiciliares temos tensões alternadas (VCA) o que é diferente das tensões contínuas (VDC ou VCC) que encontramos nos circuitos alimentados por pilhas e baterias ou que possuam retificadores tais como equipamentos eletrônicos.

Assim, quando analisamos uma instalação elétrica comum estaremos sempre procurando por tensões alternadas que podem ser de 110V ou 220V.

Na verdade, a tensão que realmente chamamos de 110V é padronizada em 127V, e existe uma boa margem de tolerância para os valores que podemos encontrar sem que existam problemas de funcionamento para os aparelhos comuns.

Assim, quando encostamos as pontas de prova de um multímetro numa tomada de "110V" podemos perfeitamente ler valores entre 100 e 130V sem que isso signifique um "problema grave". Da mesma forma numa tomada de 220V os valores da tensão podem estar entre 200 e 240V.

Somente se a tensão for anormalmente baixa, por exemplo uma leitura de 90V numa tomada de 110V e que pode haver algum tipo de problema a ser considerado.

Para usar o multímetro na medida de tensões alternadas, temos diversos procedimentos cujo conhecimento pode ajudar muito o técnico eletricista.

 

Vamos analisar alguns deles:

 

a) Medida simples de tensão

Neste caso, basta colocar a chave seletora de funções do multímetro na posição correspondente e encaixar as pontas de prova, conforme mostra a figura 2.

 

 

Conforme mostra a mesma figura, basta então encostar cada ponta de prova num dos fios ou pontos entre os quais se deseja saber a tensão, como por exemplo numa tomada.

A agulha do instrumento vai se movimentar até indicar a tensão entre os dois pontos.

Na figura 3 mostramos o procedimento para se saber se num motor ou num eletrodoméstico qualquer está "chegando" a alimentação.

 

 

Se houver tensão, o que caracteriza que a instalação se encontra boa e que portanto é o aparelho que tem problemas, o instrumento vai indicar a presença dessa tensão.

 

 

b) Medida entre dois pontos distantes

Um caso interessante em que o multímetro pode ser útil é mostrado na figura 4.

 

 

Temos uma instalação elétrica em que, para acionar uma lâmpada o instalador "puxa" até o interruptor apenas um fio, pretendendo aproveitar o outro de uma tomada próxima. No entanto, como saber qual dos dois fios da tomada deve ser usado?

Se for usado um que esteja no mesmo potencial do que já chega até a lâmpada, evidentemente ele não vai acender.

O eletricista normalmente faz experiências neste sentido, mas com o multímetro basta fazer a medida da tensão conforme mostra a figura 5.

 

Naquele em que a tensão for a desejada deve ser feita a ligação. Veja que neste caso, se a tomada do qual se pretende fazer o aproveitamento estiver numa outra fase da instalação, a tensão obtida será 220V em lugar de 110V e isso pode queimar a lâmpada. O multímetro permite que a identificação seja feita.

Enfim, com o multímetro fica muito fácil sabermos que tensão existe entre dois condutores quaisquer de uma instalação o que permite até economizar fios.

 

 

USANDO O MULTÍMETRO

 

a) Verificando a chave geral

Uma primeira verificação de uma instalação elétrica doméstica comum pode ser feita a partir da chave geral que tem as ligações mostradas na figura 6.

 

 

Conforme podemos ver, na instalação típica, temos na entrada uma chave geral com 3 fios. Entre cada um dos fios das extremidades e o central temos uma tensão de 110V que pode ser medida como em (A) e em (B).

No entanto, entre os extremos temos uma tensão de 220V que pode ser medida como mostra a figura em (C).

Se um dos fusíveis estiver queimado, não teremos a tensão nas posições que correspondem a este fusível. Na maioria dos casos o fusível do centro é substituído por uma barra de metal ou ligação direta pois se trata de neutro ou terra.

 

 

b) Analisando uma instalação simples de lâmpada comum

Na figura 7 temos uma instalação comum com os pontos em que o multímetro pode ser aplicado para verificação de funcionamento.

 

 

Assim, em (A) temos a verificação da presença de tensão na instalação. Neste ponto devemos ter 110V ou 220V se tudo estiver em ordem na instalação. Se não houver tensão neste ponto então não será possível fazer a lâmpada acender e o problema será da própria instalação. Verifique a chave geral antes de prosseguir.

Em (B) temos o modo de se fazer o teste do interruptor, supondo que a lâmpada colocada no soquete esteja em bom estado. Este teste serve para detectar um eventual problema de acionamento.

Com o interruptor aberto, devemos medir no multímetro a própria tensão de alimentação da lâmpada, ou seja, 110V ou 220V mas ela não vai acender.

Quando fecharmos o interruptor, a tensão medida deve ser zero, mas a lâmpada deve acender.

Se for constatada uma leitura diferente, por exemplo, 0V e a lâmpada não acender, então deve ser verificado tanto o interruptor como os fios de ligação da instalação e o próprio soquete da lâmpada.

Finalmente temos a medida da tensão no soquete da lâmpada que é mostrada na mesma figura em (C).

Deve estar presente a tensão da rede de energia, ou seja, 110V ou 220V quando o interruptor for fechado. Se a lâmpada não acender, deve ser verificado o estado da lâmpada e o próprio soquete que pode estar com defeito.

 

c) Instalação de lâmpada fluorescente

Na figura 8 temos uma instalação simples com uma lâmpada fluorescente.

 

 

Basicamente são 4 os pontos de teste do multímetro que deve estar na escala de tensões que permita ler a tensão da rede local, ou seja, 110V ou 220V.

Medindo a tensão em (A) verificamos se existe tensão no circuito, ou seja, se ele está sendo alimentado. A ausência de tensão neste ponto indica que um eventual problema de não funcionamento está na instalação geral e não da lâmpada. verifique a instalação a partir da caixa de fusíveis ou disjuntores.

Com a medida da tensão em (B) verificamos o estado do reator. Se houver tensão neste ponto o reator está com a continuidade normal. Testes posteriores podem entretanto indicar que ele se encontra em curto. No entanto, se não houver tensão neste ponto do circuito então certamente o reator está aberto e a lâmpada não acenderá.

Se o leitor tiver dúvidas pode retirar o reator do circuito de testar sua continuidade, ou seja, medir sua resistência conforme mostra a figura 9, usando para esta finalidade a escala de resistências do multímetro.

 

 

Se a resistência medida for baixa o reator está bom, mas se for infinita ou muito alta, então o reator está "aberto" ou seja, com seu enrolamento interrompido, devendo ser substituído.

O próximo teste é o do interruptor feito em (D).

Neste ponto, verificamos se, ao acender a lâmpada existe tensão sobre o starter. Acionando S1 deve aparecer uma tensão neste ponto até o momento em que a lâmpada acende. Neste momento a tensão deve cair a um valor baixo.

Se não existir tensão neste ponto podemos suspeitar de que o filamento da lâmpada se encontra com problemas e se houver tensão mas a lâmpada não der sinal de acendimento, nem sequer piscando, podemos suspeitar de que o starter se encontra com problemas

 

 

CONCLUSÃO

A interpretação da leitura do multímetro é muito importante para que possamos fazer avaliações sobre o funcionamento de um circuito elétrico.

Devemos pensar sempre que o multímetro pode indicar a presença ou não da tensão num ponto do circuito. Essa presença de tensão não significa necessariamente que o circuito está bom. A presença de tensão num interruptor fechado, por exemplo, indica que ele não está acionando.

Cabe ao técnico saber analisar em cada caso o que esperar de um teste. Isso mostra que não basta ter um multímetro e ir encostando as pontas de prova em toda a parte para se chegar, sem critérios, a um componente defeituoso.

O bom técnico eletricista sabe interpretar resultados. Neste artigo mostramos como fazer estas interpretações e pretendemos voltar com novos pontos de uma instalação elétrica.

Enquanto isso os leitores da área de instalações elétricas que ainda não possuam um multímetro não devem perder tempo: adquiram o seu.

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