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Pisca-Pisca Eletrônico (ART3996)

Este circuito foi originalmente apresentado em um antigo livro nosso (década de 80), mas ainda pode ser montado com certa facilidade pelos componentes que utiliza.

ART1354S

Este tipo de pisca-pisca leva por base dois transistores que são ligados numa configuração denominada “multivibrador” que funciona do seguinte modo:

Os dois transistores são ligados de modo a formar uma “gangorra” eletrônica em que, em cada instante só um deles pode deixar passar a corrente.

Assim, na figura 1, quando Q1 está ligado (em condução), Q2 deve estar obrigatoriamente desligado.

 

Figura 1
Figura 1

 

Os componentes R1 , R2, C1 e C2 instabilizam o circuito de modo que a mudança de estado dos transistores ocorre ininterruptamente, ou seja, os transistores ficam ligando e desligando alternadamente numa velocidade que depende daqueles 4 componentes anteriormente citados.

Se aqueles componentes forem variados, por exemplo, trocando os resistores R1 e R2 por potenciômetros, poderemos alterar a velocidade das trocas de estado dos transistores à vontade.

Para converter este multivibrador num pisca-pisca temos de fazê-lo controlar lâmpadas, ou seja lá o que for.

Para isso, ligamos a um dos transistores um relê, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2
Figura 2

 

 

Este relê tem um par de contactos reversíveis de modo que podemos usar isso para ligar ou desligar lâmpadas, ou então fazê-las também acender alternadamente.

Assim, cada vez que o transistor Q2 conduz o relé se energiza e o contacto móvel passa de NA para NF (normalmente aberto para normalmente fechado). Isso significa que uma lâmpada ligada em NF apaga ao mesmo tempo em que uma lâmpada em NA acende.

Quando Q2 deixa de conduzir, ocorre a troca de estado também dos contactos do relé apagando a lâmpada que estava acesa e acendendo. a que estava apagada.

Na figura 3 temos a “realização prática” correspondendo ao circuito final deste pisca-pisca.

 

Figura 3
Figura 3

 

 

O relé recomendado, permite controlar correntes de até 6 A o que significa que até 660 W de lâmpadas podem ser controladas em cada contacto na rede de 110 W e até 1.320 W na rede de 220 V, o que sem dúvida é suficiente para animar qualquer vitrine.

Os componentes deste circuito devem ser mostrados em sua “disposição” real já que os leitores não devem ter prática de montagem.

Assim, na figura 4 mostramos a sua colocação soldados numa ponte de terminais que será adquirida nas casas de materiais eletrônicos.

 

Figura 4
Figura 4

 

 

A soldagem destas peças é feita com um pequeno ferro de até 30 W e solda de boa qualidade.

 

Os componentes deste circuito são:

Q1, Q2 - Transistores BC238 ou BC548

D1 - diodo 1N4002

D2, D3 - diodos 1N4002

C1 - 1.000 uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C2, C3 - 47 uF x 16 V - capacitores eletrolíticos

R3 – 560 R x 1 /8 W - resistor (verde, azul, marrom)

R1 – 10 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, laranja)

R2 - 4k7 x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, vermelho)

P1 - 47k - potenciômetro

K1 - Relê de 6 V

S1 - Interruptor simples

T1 - Transformador com enrolamento primário de acordo com sua rede (110 V ou 220 V) e secundário de 6 + 6 V x 250 mA

 

Diversos: ponte de terminais, caixa, cabo de alimentação, fios, etc.

 

Os cuidados que o leitor deve ter com a montagem são os seguintes:

a) Note a posição dos transistores. Enquanto Q1 é montado com a parte achatada para cima, já Q2 é montado com a parte achatada para baixo. Abra ligeiramente os terminais destes componentes para fazer a soldagem, que deve ser bastante rápida para que o calor não'se propague podendo causar danos.

b) Para soldar os diodos de D1 à D3 é preciso observar a posição do anel do componente que deve ficar de acordo com os desenhos. Dobre e corte seus terminais para que fiquem de acordo com a figura.

c) Os próximos componentes que o leitor deve soldar são os resistores de R1 à R3. Veja que o valor de cada um destes componentes é dado pela ordem das cores das suas faixas, de acordo com a lista. Dobre e corte os terminais destas peças para que fiquem do modo mostrado na figura. Os resistores não são polarizados o que quer dizer que o lado dos anéis não precisa ser necessariamente o mostrado na figura.

d) Para soldar os três capacitores, de C1 à C3 além dos valores marcados que devem ser seguidos, o leitor tem ainda que tomar cuidado com a posição do terminal positivo que deve ficar conforme mostra a figura. Corte e dobre os terminais conforme mostra o desenho. Veja que este desenho mostra capacitores do tipo de terminais paralelos, mas nada impede que sejam usados os tipos de terminais axiais, ou seja, aqueles em que os fios de ligação nãosaem do mesmo lado, mas sim um de cada lado da “caneca”.

e) Faça agora a ligação entre os emissores dos dois transistores e o polo negativo de C1 , usando um pedaço de fio encapado que não deve ser muito longo.

f) A ligação do potenciômetro é feita com dois pedaços de fios, cujo comprimento dependerá da posição que ele será fixado na caixa. Corte antes o eixo no comprimento certo do potenciômetro, para poder receber um botão plástico. Veja que entre um dos terminais extremos e o central existe um pequeno fio de ligação que deve ser soldado.

g) A ligação do relé também deve ser feita com dois pedaços de fio flexível comum, em comprimento que dependerá do modo como ele será fixado na caixa. Veja bem a posição dos terminais que correspondem à bobina do relê, pois se houver troca, o aparelho não funcionará. Um meio de se fixar este componente na caixa é por meio de uma braçadeira feita com uma tira de metal, ou então amarra-lo firmemente com um pedaço de fio. Lembramos que todos os componentes devem ser fixados na caixa firmemente.

h) Agora o leitor pode fixar na caixa a ponte de terminais e o relé e também o transformador. Depois de fixado o transformador, sua ligação na ponte de terminais pode ser feita. Fixe também o interruptor S1 na caixa e faça a ligação do cabo de alimentação a este componente e ao transformador.

i) Complete a montagem com a fixação na caixa de uma barra de terminais do tipo com parafuso e faça sua ligação com três pedaços de fios aos terminais do relé.

Na figura 5 mostramos como deve ficar o aparelho depois de montado.

 

Figura 5
Figura 5

 

 

Em alguns casos o transformador usado é do tipo de duas tensões, ou seja, possui enrolamento primário, tanto para 110 V como para 220 V.

Neste caso o leitor tem duas possibilidades para usá-lo:

Na primeira, basta dispensar o terminal que não corresponda à tensão em que vamos usá-lo, cortando-o.

Na figura 6 mostramos como isso é feito. Usamos o fio preto e marrom se a rede for de 110 V e usamos o fio preto e vermelho se a rede for de 220 V.

 

Figura 6
Figura 6

 

 

Outra possibilidade, mostrada na figura 7, consiste em se empregar uma chave que permite trocar as tensões de operação. Numa posição a chave permite a utilização do aparelho na rede de 110 V e na outra posição, a sua utilização na rede de 220 V.

 

Figura 7
Figura 7

 

 

Para transformadores com 4 tios no enrolamento primário, a disposição das ligações para as duas redes, vem marcada num pequeno folheto que o acompanha.

Uma vez que o leitor tenha terminado a montagem de seu pisca-pisca, nada melhor do que testa-lo e usá-lo.

 

Provando o Pisca-Pisca

Confira em primeiro lugar toda sua montagem, vendo se não existem fios soltos, se não existem componentes cujos terminais estejam encostando um no outro, em especial R2, C2, C3 e R1 , e finalmente se a ligação do transformador está correta.

Ligue entre os terminais B e C da ponte, uma lâmpada de prova, do modo mostrado na figura 8.

 

Figura 8
Figura 8

 

 

Esta lâmpada pode ter potências entre 5 e 100 W para este teste de funcionamento. Use um soquete apropriado para sua conexão.

Acione o interruptor geral S1.

De imediato, o relé deve entrar em ação, ligando e desligando e ao mesmo tempo a lâmpada de prova deve acender e apagar ritmadamente.

Mexa no potenciômetro P1, girando-o para que a frequência das piscadas seja modificada.

Ocorrendo tudo do modo indicado, então o aparelho estará pronto para uso.

Se alguma coisa anormal acontecer, o leitor precisará fazer algumas provas.

O melhor instrumento de prova com que o eletricista, que também trabalha com eletrônica, pode contar é o multímetro que é mostrado na figura 9.

 

Figura 9
Figura 9

 

 

Este aparelho, também chamado multiteste ou VOM, pode medir tensões, correntes e resistências, facilitando o trabalho do eletricista e do técnico eletrônico.

Na falta deste aparelho o leitor pode usar uma versão de provador muito mais simples e econômica, que consiste num LED e num resistor, conforme mostra a figura 10.

 

Figura 10
Figura 10

 

 

O LED nada mais é do que uma “lâmpada de estado sólido”, ou seja, um dispositivo que emite luz, quando percorrido por uma corrente elétrica.

Este dispositivo substitui as lâmpadas comuns de painéis com a vantagem de possuir minto maior durabilidade e ainda, com a ajuda de um resistor adicional pode funcionar com qualquer tensão maior do que 1,6 V.

Usaremos então o LED vermelho comum que o leitor pode comprar em qualquer casa de materiais eletrônicos, em conjunto com um resistor de 1 k para fazer um “verificador de tensões”. Este verificador pode “encontrar” tensões entre 1,8 e 12 V (sem problemas).

Veja que este “verificador” de tensões tem polo certo para ligação, isto é, o ponto A corresponde ao positivo, e o ponto B corresponde ao negativo.

Começamos então por procurar problemas na fonte de alimentação, ou seja, na parte do aparelho que tem por função fornecer energia ao circuito, que é o transformador, os dois diodos D2 e D3 e o capacitor C1. (figura 11)

 

Figura 11
Figura 11

 

 

Com o aparelho ligado, se encostamos o ponto A do verificador no polo positivo de C1 e o ponto B no polo negativo de C1, o LED deve acender.

Se o LED acender, esta etapa está boa. Se não acender, o problema pode estar no transformador, que não está fornecendo tensão, ou nos diodos que podem estar ligados errados (caso em que o transformador deve aquecer-se ligeiramente) ou ainda em C1 que pode estar em curto, quando o transformador também esquenta.

A seguir, ligue o verificador com o polo A no coletor de Q2 e o polo B em seu emissor.

O LED deve piscar. Se isso não acontecer, dessolde por um momento o resistor R1. Com R1 dessoldado, o LED deve brilhar mais do que quando soldado, em que seu brilho é menor. Se o brilho não se alterar nesta prova o problema está em Q2 que pode estar queimado (em curto) ou aberto.

Proceda do mesmo modo para verificar o estado de Q1, mas desligando R2.

Finalmente, retire por um instante o diodo Dl do circuito, dessoldando os seus terminais. Se o aparelho funcionar com sua retirada, então o problema está neste componente que deve ser trocado.

 

Usando o Pisca-Pisca

Comprovado o funcionamento do pisca-pisca, o leitor poderá usá-lo em muitas aplicações interessantes como:

- sinalização de portas de garagem,

- decoração de vitrines,

- árvores de Natal,

- anúncios luminosos,

- sinalização de vias em reparos,

- sinalização de entradas de estúdios,

- efeitos especiais para conjuntos e peças teatrais.

 

Veja que o aparelho pode ser usado de dois modos, pois o relê possui contactos reversíveis.

Usando apenas um contacto (NA), o aparelho aciona um conjunto de lâmpadas que acendem e apagam ritmadamente na velocidade ajustada por P1. Usando os dois conjuntos de contactos (NA e NF) o aparelho pode acionar dois conjuntos de lâmpadas alternadamente.

Para o leitor que pretende realizar uma atividade profissional, tendo por base a eletricidade, como por exemplo a instalação doméstica e comercial em sua cidade, montar e instalar este pisca-pisca eletrônico em lojas, casas comerciais, portas de garagens, etc., pode significar uma fonte excelente de renda.

 

Nota: hoje podemos contar com versões microcontroladas de baixo custo e com muito mais efeitos, acionando conjuntos de LEDs.

 

O próprio anúncio de sua loja de instalador, se o leitor a pretende abrir, pode ser decorado com os efeitos luminosos proporcionados por este aparelho.

 

 

 

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   Estamos em setembro de 2018 e continuamos com nosso trabalho, realizando palestras, viagens, escrevendo artigos, livros e muito mais. Em nossas duas últimas palestras, uma na Uninove e a outra na ETEC Albert Einstein, ambas de São Paulo, pudemos constatar de forma bastante acentuada um fato importante , que constantemente salientamos em nosso site desde seu início. 

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