Os sons que ouvimos e os que não podemos ouvir

Técnicas de escuta eletrônica podem ser úteis tanto em aplicações comuns como também em espionagem ou mesmo na medicina.

Por outro lado existem sons que não podemos ouvir mas que, com o uso de tecnologias especiais, podem levar à aplicações interessantes, estranhas, úteis e até mesmo perigosas.

 

 

 

   Este artigo foi publicado na revista Novitá de Guarulhos  -SP em agosto de 2008. O assunto, bastante interessante mostra que existem sons que não ouvimos mas que podem ser utilizados em aplicações tecnológicas.    

 

   Há alguns dias tive um problema de vazamento de água em minha casa e, consultando dois especialistas que trabalham em Guarulhos, vi que eles possuíam um “aparelho para localização”. Logo me lembrei desta tecnologia, tendo até publicado numa revista de eletrônica (Revista Saber Eletrônica) o projeto de um “estetoscópio eletrônico” que tinha dentre as suas finalidades a escuta de vazamentos de água. De fato, a utilização de aparelhos sensíveis capazes de “ouvir” o som de vazamentos através do piso e de paredes também tem muitas outras utilidades, tanto empregando sons como ultrassons e até mesmo infrassons. Explicamos melhor: podemos ouvir freqüências até aproximadamente uns 18 000 Hz (18 000 vibrações segundo). Acima disso nós não ouvimos, se bem que existam animais que as ouçam e muitos fenômenos que as produzam. São os denominados ultrassons. Por outro lado, os sons abaixo do limite audível, ou seja, 16 Hz, são denominados infrassons. Com a tecnologia tanto podemos amplificar sons extremamente fracos como também podemos converter sons que não ouvimos (ultrassons) em sons audíveis. Outra possibilidade é da podermos construir aparelhos que emitam estas vibrações. Isso nos leva a uma gama extremamente interessante de aplicativos que vão de úteis a perigosos. Um deles é justamente o estetoscópio eletrônico que, amplificando muito os sons fracos os torna audíveis, caso dos detectores de vazamentos de água. Uma outra aplicação interessante deste tipo de aparelho está nos microfones direcionais, como os usados nas beiradas dos campos de futebol que captam o som dos chutes na bola e até mesmo a conversa dos jogadores, muito usados pela TV. Mas, estes equipamentos também tem suas aplicações perigosas. Montados em refletores parabólicos ou dispositivos ressonantes direcionais, os microfones podem captar sons muito fracos de pessoas conversando muito longe e torná-los perfeitamente audíveis. Dispositivos desse tipo são usados em espionagem. Um equipamento bastante curioso desta família, que envolve sons comuns, é o que faz uso do raio LASER para a escuta de conversas á distância. Quando um som, como a nossa conversa, incide numa vidraça de uma janela, ela se comporta como a membrana ou diafragma de um microfone, vibrando na mesma freqüência. Pois bem, especialistas em espionagem verificaram que, se à distância fizermos um feixe de LASER incidir numa vidraça de um apartamento onde existam pessoas conversando, ocorre um fenômeno interessante: ao refletir na vidraça, o feixe de LASER é modulado, ou seja, traz de volta nas ondas de luz a vibração que corresponde ao som do local. Se captarmos esse feixe com uma luneta e uma foto-célula, ligando-a a um amplificador,  poderemos ouvir perfeitamente o que as pessoas conversam no local! E veja que a vidraça focalizada pode estar a centenas de metros de distância. Mas, é convertendo ultrassons em sons que encontramos algumas aplicações interessantes da tecnologia. Uma delas é a da escuta do batimento fetal, muito usada em medicina. Aparelhos que convertem os fracos sons ultrassônicos dos fetos em sons audíveis são usados em consultórios, para alegria das futuras mamães e papais que podem ouvir os batimentos do coraçõeszinhos do nenê quando ele ainda se encontra no útero materno.

 

Partindo para o outro extremo, uma curiosidade que merece destaque é a que envolve sons que não podemos ouvir, mas no outro extremo da faixa de freqüência. Se os ultrassons não podem ser ouvidos por serem agudos demais para nossa audição, existem aqueles que são graves demais para que nossos ouvidos possam percebê-los. São sons cujas freqüências estão abaixo dos 16 Hz (16 vibrações por segundo), os denominados infrassons. Descobriu-se há muito tempo que esses infrassons possuem propriedades que afetam diretamente os seres vivos, principalmente os humanos. Os infrassons podem causar mal-estares, náuseas e até mesmo induzir a desconfortos intestinais incontroláveis! De fato, os militares norte-americanos, durante a segunda guerra chegaram a testar um enorme emissor de infrassons que, focalizado sobre as linhas inimigas, obrigavam os soldados a largarem as armas e correrem para um banheiro ou outro local apropriado, se houvesse tempo, é claro... O grande problema é que os infrassons se espalhavam e os soldados que estavam do “lado de cá” também eram obrigados a correr para um banheiro... A arma foi esquecida, mas o princípio ainda está em discussão para aplicações táticas, por exemplo, na dispersão de manifestações. Seria um modo que não feriria as pessoas se bem que não possamos dizer que seja “limpo” pelas suas conseqüências imediatas... Talvez uma aplicação muito mais apropriada seria o “laxante eletrônico”. Você compraria um CD numa farmácia, com gravações de ultrassons de freqüências apropriadas e, ou ouví-lo, logo sentiria vontade de ir ao banheiro...  Coisas da tecnologia.

 



(*) Newton C. Braga é diretor técnico das Revistas Saber Eletrônica e Eletrônica Total, colabora com as revistas Mecatrônica Fácil e Mecatrônica Atual, tem mais de 100 livros publicados no Brasil e Exterior e é professor de Mecatrônica do Colégio Mater Amabilis.

 

 


 

Curiosidades:

 

- Animais como os golfinhos e os morcegos podem ouvir ultrassons cujas freqüências chegam a mais de 100 000 Hz. Eles usam estes sons para detectar objetos no escuro.

 

- Ultrassons são usados no equipamento denominado SONAR, para medir a profundidade no mar, medindo o tempo que o som leva para ir até o fundo e depois de refletir voltar a um sensor.

 

- Os cães podem ouvir ultrassons. Assim, podemos usar um apito ultrassônico para chamar estes animais, sem que as pessoas que estejam nas proximidades o ouçam.

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