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Curso Básico de Reparação – 1 (CUR4001)

O que é preciso ter para reparar aparelhos eletrônicos

A montagem de uma oficina (Service) que esteja capacitada a reparar qualquer tipo de aparelho eletrônico é um investimento de custo razoável, principalmente se o leitor desejar trabalhar com as tecnologias mais modernas que envolvem os chamados componentes SMD (para montagem em superfície).

No entanto, o que poucos sabem é que, com relativamente poucas ferramentas e instrumentos, com um investimento pequeno, podemos ter uma pequena oficina capaz de reparar uma boa quantidade de aparelhos eletrônicos de tecnologias mais tradicionais, e existe ainda uma boa quantidade deles em funcionamento, estando sujeitos à quebra.

Três tipos de equipamentos devem constar da oficina de reparação, além é claro, do local de trabalho que pode ser desde uma simples mesa até um conjunto delas numa sala mais ampla.

 

1. Ferramentas

 Na figura 1 temos as ferramentas básicas para os trabalhos mais comuns de eletrônica.

 

Figura 1 – As principais ferramentas do reparador
Figura 1 – As principais ferramentas do reparador

 

 

(a) Alicate de corte lateral - usado no corte de fios, terminais de componentes, extração de componentes, etc.

(b) Alicate de ponta fina (bico de pato) - usado para segurar fios e componentes em posição de soldagem, pegar peças em locais difíceis, puxar ou extrair componentes.

(c) Chaves de fenda - sugerimos que o leitor tenha pelo menos 3 delas, com tamanhos diferentes, de acordo com os parafusos encontrados nos aparelhos reparados.

(d) Chaves Philips - muitos aparelhos usam parafusos philips, como por exemplo computadores, e eles devem ser retirados e colocados com este tipo de chave. Uma pequena e uma grande ou ainda um jogo de todos os tamanhos devem fazer parte do ferramental do reparador.

(e) Estilete (ou canivete) - esta serve para descascar fios, raspar terminais ou placas, etc.- podemos usar para esta função desde uma do tipo com lâminas retráteis, um canivete ou até mesmo uma lâmina de barbear que tenha sido preparada com um pedaço de fita isolante no local de segurar.

(f) Lima pequena - esta pode ser única do tipo plano, ou se o leitor quiser, mais de uma (meia cana, triangular, plana, etc).

(g) Morsa - este pequeno torno ou morsa, deve ser do tipo para ser fixado na borda da bancada servindo para segurar peças que devam ser cortadas, submetidas a esforços, furadas, etc.

(h) Furadeira - esta pode ser do tipo elétrico ou mesmo manual com brocas entre 0,8 mm até 1/4" ou maiores.

 

É claro que, além destas, existem muitas outras ferramentas complementares, algumas de grande utilidade e outras sofisticadas que podem ser citadas como: martelo, sugador de placas de circuito impresso, serra tico-tico ou cortador de placas, descascador automático de fios, extrator de circuitos integrados, alicate de pressão, sugador de solda, etc.

 

2. Soldador

Os principais trabalhos eletrônicos envolvem a soldagem e dessoldagem de componentes. Para esta finalidade é usado um ferro especial que normalmente é aquecido a partir da energia da rede local, ou seja, é ligado numa tomada, se bem que existam tipos que usam baterias recarregáveis (ferros sem fio).

Este ferro tem a estrutura mostrada na figura 2.

 

Figura 2 – O ferro de soldar comum
Figura 2 – O ferro de soldar comum

 

 

A resistência interna aquece a ponta, que normalmente atinge a temperatura de trabalho depois de 4 a 10 minutos de ligado.

Para trabalhos de reparação comuns é conveniente ter pelo menos um ferro de pequena potência (20 a 30 watts) para a rede de 110 V ou 220 V conforme sua localidade.

Se houver possibilidade, o técnico deve contar também com um ferro maior (50 a 100 watts) para os trabalhos mais "pesados".

O soldador tipo "pistola" é uma ferramenta mais sofisticada e bem mais cara, consistindo mais num luxo do que propriamente numa necessidade para o reparador iniciante.

 

 

Figura 3 – Uma pistola de soldar
Figura 3 – Uma pistola de soldar

 

 

Na verdade, não recomendamos este tipo de soldador que pode queimar certos componentes mais delicados como os usados em computadores e outros equipamentos modernos, os quais são sensíveis à tensão que é aplicada na ponta do soldador pistola.

O uso do ferro de soldar é simples, mas se o leitor não sabe ou ainda não tem prática veja como proceder:

 

a) Aqueça o ferro por aproximadamente 5 minutos.

b) Se ele nunca foi usado ou ainda ficou muito tempo seu uso, limpe sua ponta com uma lixa ou lima, formando uma área de cobre vivo (sem óxido) onde a solda possa aderir.

 

c) Encoste a solda no local de modo que ela derreta e "molhe" a ponta. Esta operação chama-se "estanhar" a ponta do ferro de soldar e é mostrada na figura 4.

 

 Figura 4 – Estanhando a ponta de um soldador
Figura 4 – Estanhando a ponta de um soldador

 

 

d) Para soldar dois componentes ou então um componente numa placa de circuito impresso, encoste a ponta do ferro no local em que deve ser feita a junção e aqueça-o por alguns segundos.

 

e) Encoste então a solda no local (não no ferro!) de modo que ela derreta e forme uma "bolha" envolvendo o terminal do componente (ou componentes) e o local da soldagem.

 

f) Retire o ferro e sem deixar que os componentes se movimentem espere por alguns segundos até que a solda solidifique.

 

A solda bem feita ‚ lisa e não deve ser irregular nem ter excessos. A solda usada em trabalhos de eletrônica é formada por estanho e chumbo na proporção de 60 por 40 sendo por isso também chamada de solda 60/40 ou simplesmente "solda para rádio" ou “solda para transistores”.

 

Figura 5 – Soldando um resistor num terminal
Figura 5 – Soldando um resistor num terminal

 

 

Esta solda pode ser adquirida em tubinhos, cartelas ou mesmo carretéis de 1 kg, conforme mostra a figura abaixo.

 

Figura 6 – Duas formas em que encontramos a solda em fio
Figura 6 – Duas formas em que encontramos a solda em fio

 

 

3. Instrumentos

Existem dezenas de instrumentos de utilidade na reparação de aparelhos eletrônicos. No entanto, alguns são tão especializados que só servem para tipos de equipamentos específicos. Como este guia visa o trabalho mais geral possível, daremos apenas aqueles que tenham uma gama de aplicações mais ampla. Estes aparelhos são:

 

 

A1 - Provador de Continuidade

O provador de continuidade serve para verificar se um componente, circuito, fio ou elemento de ligação conduz a corrente (apresenta continuidade) ou não conduz a corrente (não apresentando continuidade).

Os provadores de continuidade podem ser sonoros quando a continuidade é revelada por um toque audível ou ainda podem ser visuais quando a continuidade é revelada pelo acendimento de um LED ou uma lâmpada.

Na figura 7 temos um provador de continuidade que o leitor pode montar com muita facilidade. O provador visual é o mais simples, mas no site do autor existem diversos tipos com indicações de todos os tipos como a auditiva (emitem som).

 

 

Figura 7 – Um simples provador visual de continuidade
Figura 7 – Um simples provador visual de continuidade

 

 

Para usar o provador o procedimento é o seguinte:

 

Uso:

Encostamos as pontas de prova no componente, fio, circuito ou elemento que deva ser provado.

Se houver continuidade (resistência baixa ou passagem da corrente) o LED acende (ou há a emissão de som se o provador for auditivo). Se não houver continuidade não temos nem o som nem o acendimento do LED.

 

ATENÇÃO: no teste de componentes e circuitos eletrônicos nem sempre o fato de haver continuidade significa estar bom e não haver estar ruim. Existem tantos componentes que estão bons quando há continuidade (LED acende ou há som) como componentes em que o estado de ruim é indicado pela presença de continuidade (acender o LED ou haver som).

 

Para saber como provar cada componente dedicamos um capítulo especial deste curso. Em caso de dúvidas consulte-o!

 

A2 - Multímetro

O multímetro, multiteste, tester ou VOM é o mais útil de todos os instrumentos de reparação. Trata-se de um instrumento de medida, que na versão analógica mais simples, possui um ponteiro indicador (ou digital) que indica valores diversas grandezas elétricas numa escala múltipla.

Desta forma, o multímetro pode ser usado para medir resistências (ohms), tensões alternadas ou contínuas (AC volts ou DC volts), assim como correntes (ampères, miliampères e microampères), além de outras conforme o tipo. Na figura temos um multímetro analógico e um digital.

 

   Figura 8 – Um multímetro analógico e um multímetro digital
Figura 8 – Um multímetro analógico e um multímetro digital

 

 

Os multímetros comuns existentes no mercado especializado possuem pequenos manuais de uso que, entretanto, não dizem muito sobre a prova de componentes ou emprego na reparação. São muito mais folhetos básicos do que verdadeiros guias.

Como o multímetro é um instrumento de mil-e-uma utilidades, para conhecer tudo sobre ele, recomendamos a leitura de obras especializadas como os livros Como Testar Componentes em 4 Volumes) do mesmo autor deste curso.

Naqueles livros o leitor terá centenas de usos para o multímetro consistindo numa excelente complementação para este guia.

No entanto, somente com este guia é ainda possível usar em uma boa quantidade de casos o multímetro na localização de problemas e detectar defeitos de componentes e circuitos.

Para usar o multímetro temos 3 procedimentos básicos:

 

A2a - medidas de resistências

Encoste uma ponta de prova na outra e zero o instrumento (se analógico) atuando sobre o pequeno botão existente para esta finalidade até que o ponteiro marque zero na escala de ohms (resistências). O seletor de escalas deve estar na posição apropriada ao teste a ser realizado: x1, x10, x100 ou x1k.

 

Figura 9 – Medindo a resistência de um resistor
Figura 9 – Medindo a resistência de um resistor

 

 

Lembramos que os multímetros digitais não precisam ser zerados.

Depois desta operação encoste as pontas de prova no elemento a ser testado. O elemento (componente ou conjunto deles) deve estar desligado de qualquer circuito ou alimentação. O valor medido é lido na escala correspondente.

* Resistências entre 0 e 10 k ohms são consideradas "continuidade".

* Resistências acima de 100 k ohms são consideradas "sem continuidade" ou "circuito aberto".

 

A2b - Medidas de Tensão

Selecione a escala apropriada e se a tensão é contínua (DC) ou alternada (AC). Encoste as pontas de prova nos pontos em que se deseja fazer a medida de tensão, conforme mostra a figura 10.

 

Figura 10 – Medindo a tensão numa tomada
Figura 10 – Medindo a tensão numa tomada

 

 

Neste tipo de operação o aparelho em análise deve estar ligado e no caso das tensões contínuas a polaridade das pontas de prova deve ser observada. Se houver uma inversão acidental das pontas não há perigo para o aparelho, mas notaremos que a agulha do instrumento tende a movimentar-se para o lado errado.

Alguns multímetros possuem uma pequena chave que inverte a polaridade interna do circuito quando isso ocorre sem a necessidade de se inverter as pontas de prova.

Se a agulha ultrapassar o final da escala, escolha outra de valor (fundo) mais alto.

 

A2c - Medidas de Corrente

As medidas de corrente não são muito comuns nos trabalhos práticos. Se necessárias devem ser feitas conforme mostra a figura 11.

 

Figura 11 – Medindo a tensão num circuito
Figura 11 – Medindo a tensão num circuito

 

 

O componente, circuito ou aparelho analisado deve ser ligado em série com o instrumento. A escala deve ser escolhida de modo apropriado de acordo com a intensidade da corrente esperada e a polaridade das pontas de prova deve ser observada.

 

Atenção: NUNCA faça uma medida de corrente sem ter certeza de que o aparelho analisado está em curto .

Dizemos que o aparelho está em curto quando algum problema interno causa uma corrente excessiva. Este excesso de corrente tem como causa um aquecimento muito grande acompanhado da queima de componentes e o conhecido "estouro" que ocorre quando o ligamos a uma tomada, ou ainda a queima do fusível.

 

A3 - Injetor de Sinais

Este é um aparelho elementar de muita utilidade nas provas de equipamentos que tenham etapas que amplifiquem sons ou ainda trabalhem na recepção de sinais de rádio (AM, VHF, FM, etc.).

Um injetor de sinais nada mais é do que um pequeno oscilador normalmente alimentado por pilhas, e que gera um sinal que simula o funcionamento do aparelho analisado. Na figura 12 temos um exemplo de injetor de sinais.

 

Figura 12 – Um injetor comum de sinais
Figura 12 – Um injetor comum de sinais

 

 

Aplicando os sinais deste injetor no aparelho analisado deve ocorrer sua amplificação. Fazendo isso etapa por etapa, podemos chegar àquelas que não funcionam e assim encontrar a causa de problemas.

 

Uso:

Para usar o injetor ligamos a garra no terra (negativo da alimentação) do aparelho analisado e vamos encostando a ponta do injetor na entrada e saída de cada etapa e em todos os pontos por onde passa o sinal de alta ou baixa frequência, como no exemplo da figura 13 em que temos os pontos de injeção num amplificador de áudio.

 

  Figura 13 – Pontos de injeção de sinal num amplificador
Figura 13 – Pontos de injeção de sinal num amplificador

 

 

O procedimento normal consiste em se fazer isso do alto-falante (1 -etapa final) em direção à etapa de entrada (7 - antena, entrada de cabeça gravadora, microfone, etc.). No ponto em que o sinal deixa de ser reproduzido está a etapa deficiente.

 

A4 - Seguidor de Sinais

O seguidor de sinais é um pequeno amplificador que pode acompanhar o percurso de um sinal de rádio ou de áudio pelas diversas etapas de um aparelho. Na figura 14 temos o diagrama de um seguidor e os pontos de acompanhamento do sinal num rádio AM.

 

Figura 14 – O seguidor de sinais e os pontos de uso num receptor de rádio
Figura 14 – O seguidor de sinais e os pontos de uso num receptor de rádio

 

 

Partindo da entrada do aparelho vamos seguindo o sinal até o ponto em que ele desaparece. Teremos então chegado à etapa que apresenta deficiência.

Nos seguidores de sinais temos normalmente uma entrada para sinais de áudio e uma entrada (com um diodo detector) para sinais de rádio.

 

Uso:

Basta ligar a garra ou o polo terra do seguidor ao polo terra (negativo da fonte) do aparelho analisado.

Depois, com a ponta de prova vamos tocando na entrada e saída de cada etapa do aparelho analisado até chegar ao ponto em que não ocorre mais a reprodução do sinal ou ocorre de maneira deficiente.

Teremos então chegado à etapa com problema.

O seguidor é ligado a partir da entrada de sinal em direção à saída, ou seja, em direção ao fone ou alto-falante. O sinal se torna mais forte à medida que nos aproximamos do alto-falante.

 

 

Índice

Curso Básico de Reparação - Introdução

Curso Básico de Reparação – 1

Curso Básico de Reparação – 2

Curso Básico de Reparação – 3

Curso Básico de Reparação – 4

Curso Básico de Reparação – 5

Curso Básico de Reparação – 6

Curso Básico de Reparação – 7

Curso Básico de Reparação – 8

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