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Rejuvenescedor de Cinescópios (V626)

Televisores velhos podem apresentar uma imagem “fraca” devida a falta de emissão de seus cinescópios (*). Antes de se fazer troca desta parte, que sem dúvida é a mais cara de aparelho, podemos tentar uma “operação de rejuvenescimento, que prolonga por algum tempo a vida sic televisor sem a necessidade de um gasto maior, que é a troca do cinescópio. isso é conseguido através de um aparelho denominado rejuvenescedor de cinescópios, cuja montagem descrevemos neste artigo.

(*) Este artigo é do tempo dos televisores analógicos com cinescópios, hoje muito pouco usados. No entanto, se o leitor tem um e deseja fazer a recuperação, o artigo pode ser útil

 

Os cinescópios dos televisores analógicos são tubos de raios catódicos ou TRCs que operam com a emissão de um feixe de elétrons, os quais, atraídos pela alta tensão, produzem na tela um ponto luminoso.

Os catodos de tais cinescópios são recobertos com uma substância alcalina, que possui muitos elétrons livres e que ao ser aquecida produz a “nuvem eletrônica" responsável pelos inúmeros elétrons, que então são acelerados pelo canhão até a tela, conforme sugere a figura 1.

 

 

   Figura 1 – O canhão eletrônico
Figura 1 – O canhão eletrônico

 

Entretanto, com o tempo a substância que recobre o catodo envelhece, e esta importante parte do tubo vai perdendo sua capacidade de emissão.

Menos e menos elétrons livres se tornam disponíveis, e a luminosidade da imagem cai.

Uma maneira de se “recuperar” a emissão é com um aquecimento do catodo acima do normal, de modo a reativar as substâncias nele existentes e assim prolongar sua capacidade de liberar elétrons para o feixe.

O aparelho que descrevemos neste artigo faz justamente isso, aplicando uma certa tensão de estímulo ao cinescópio de modo a permitir a emissão por mais algum tempo.

Este algum tempo dependerá de seu estado, ou seja, da existência ou não, em certa quantidade, de substância no catodo capaz de liberar elétrons.

Um cinescópio muito gasto, em que esta substância já não mais exista infelizmente não "aceitará" a reativação, e neste caso não existe outra solução que não a de se fazer sua troca.

 

Características:

Tensão de entrada: 110/220 V c.a.

Tensões de reativação: 6,3 V; 7 V; 8V;9V; 1oV; 11 Ve12V

Corrente de reativação: até 15 mA

 

COMO FUNCIONA

Os filamentos dos cinescópios são aquecidos normalmente com uma tensão de 6,3 V sob corrente que pode chegar a alguns ampères.

O catodo do Cinescópio é submetido a uma tensão negativa de modo a se formar, pelo aquecimento do filamento, uma nuvem eletrônica a sua volta, denominada “carga espacial", conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – A carga espacial
Figura 2 – A carga espacial

 

Polarizando uma grade ou mesmo o anodo com uma tensão positiva os elétrons são atraídos, produzindo-se assim um feixe. Nas condições normais de operação, num tubo fraco, os 6,3 V usados na alimentação não mais conseguem aquecer o catodo a ponto de haver uma boa liberação de elétrons.

O que se faz então é aquecer o catodo por tempos relativamente curtos, alimentando-se o filamento com tensões maiores de modo a reativar a substância que libera os elétrons.

Repetindo-se esta operação algumas vezes por tempos relativamente curtos consegue-se reativar o catodo e com isso restabelecer a emissão.

O principal cuidado a ser tomado é não aplicar por muito tempo uma tensão elevada no filamento, pois isso pode causar sua queima.

Outro cuidado é não provocar correntes excessivas no catodo com a emissão, de modo a não se forçar o circuito a uma dissipação de potência maior do que a admitida.

Temos então o nosso circuito, que opera da seguinte maneira:

Um transformador tem um secundário dotado de diversas tomadas de onde podemos obter tensões escalonadas nos seguintes valores: 6,3 V;7 V;8 V;9 V; 10 V; 11 V, 12 V.

A seleção da tensão a ser aplicada ao filamento do cinescópio é feita por meio de uma chave ou, se você preferir, em sua montagem pode usar bornes com plugues, conforme sugere a figura 3.

 

Figura 3 – Selecionando tensões com a ajuda de bornes
Figura 3 – Selecionando tensões com a ajuda de bornes

 

Para um tubo fraco, inicialmente o que se faz é selecionar uma tensão um pouco maior que a normal, por exemplo começando em 7 V, e deixando-se o aparelho ligado por um certo tempo (de 2 a 4 minutos, por exemplo).

Nestas condições, aplicamos, via X1, a partir da própria rede uma alta tensão entre urna das grades e o catodo.

Nos semiciclos positivos (quando a grade está positiva em relação ao catodo) ocorre a emissão e circula uma corrente pela lâmpada e o miliamperímetro.

A lâmpada atua, nestas condições, como um limitador de corrente para proteção do tubo.

Temos então a indicação da emissão quando acionamos S2 para leitura de corrente.

Se esta corrente, depois de no máximo algumas repetições em ciclos de 2 a 4 minutos, não chegar aos 15 mA de fundo de escala repetimos a operação com uma tensão maior de filamento, passando aos 8 V.

Veja que a leitura de corrente acionando-se S2 só deve ser feita nos finais dos ciclos de 2 a 4 minutos de aquecimento do filamento.

Se chegarmos aos 11 V ou 12 V e ainda assim não conseguirmos a corrente de fundo, de escala, então realmente o tubo não pode ser rejuvenescido, e deve ser trocado.

Quanto mais baixa a tensão em que conseguirmos a corrente de fundo de escala, mais longa ainda será a vida do cinescópio no televisor.

Com tensões acima de 10 V na operação de tentar rejuvenescer o tubo já corremos um sério risco de provocar antes sua queima, caso em que a troca será inevitável.

Os ciclos de 2 a 4 minutos para se tentar chegar à emissão máxima podem variar entre 3 e 5 vezes.

 

MONTAGEM

Na figura 4 temos o diagrama completo do rejuvenescedor de cinescópios.

 

   Figura 4 – Diagrama do rejuvenescedor
Figura 4 – Diagrama do rejuvenescedor

 

A disposição real dos componentes é mostrada na figura 5.

 

   Figura 5 – Disposição real dos componentes
Figura 5 – Disposição real dos componentes

 

O transformador deve ter enrolamento primário de acordo com a rede local e secundário com as tensões escalonadas indicadas na lista de materiais e corrente de pelo menos 3 A.

A chave S1 é rotativa de 1 pólo x 7 posições, podendo ser aproveitada uma chave de 1 pólo x 10 posições de um velho estabilizador de tensões manual ou então usada a técnica da comutação por plugue.

S2 consiste numa chave H que é ligada de tal forma que o filamento é desligado quando o miliamperímetro é ligado ao circuito.

X1 deve ser uma lâmpada de 5 W para 110 V. Na rede de 220 V será interessante ligar duas destas lâmpadas em série ou então usar uma para a tensão de 220 V.

O LED indicador de funcionamento é opcional, e em seu lugar também pode ser usada uma lâmpada piloto. D1 serve para evitar a aplicação de tensão inversa elevada no LED.

 

PROVA E USO

A prova consiste simplesmente em se verificar a presença de tensões com multímetro nos diversos pontos deste circuito.

Para usar é importante identificar os terminais de filamento, catodo e grade dos cinescópios que devem ser reativados.

No caso de cinescópios de TV em cores, a operação deve ser feita com cada canhão, ligando-se seu catodo e grade correspondente.

A operação é feita da seguinte maneira:

a) Faça a conexão do aparelho ao Cinescópio depois de deixar o televisor ligado antes por pelo menos 15 minutos.

b) Ligue inicialmente o seletor de tensões em 7 V e deixe-o conectado ao cinescópio por um tempo entre 2 e 4 minutos. No final, acione S2 de modo a desligar o filamento e conectar o miliamperímetro, medindo então a corrente. Se a corrente estiver no final de escala é porque a emissão está boa. Se estiver baixa, repita a operação.

c) Leia novamente a corrente no miliamperímetro. Se depois de algumas vezes que esta operação com ciclos de 2 a 4 minutos for feita a corrente não chegar ao final da escala, aumente a tensão, passando para a posição de 8 V.

d) Repita algumas vezes a operação até obter a corrente de final de escala. Se mesmo com 10 V isso não for alcançado é porque o Cinescópio realmente se encontra muito fraco e o rejuvenescimento é problemático.

Para tensões acima de 10 V a operação é arriscada, podendo haver a queima do filamento.

 

 

D1 - 1N4002 ou equivalente - diodo de silício

LED1 - LED vermelho comum

T1 - 110/220 V x 6,3 V; 7 V; 8 V; 9 V; 10 V; 11 V e 12 V x 3 A - transformador

R1 - 470 ohms - resistor de 1/4 W, 5%

X1 - 5 W, 120 V – lâmpada incandescente comum

M1 - 0-15 mA - miliamperímetro

F1 - Fusível de 2 A

S1 - Chave de 1 pólo x 7 posições

S2 - Chave H

S3 - Interruptor simples

 

Diversos:

Caixa para montagem, fios, solda, garras para conexão ao tubo, cabo de alimentação, suporte de fusível etc.

 

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N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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