Central de Jogos – Projeto que virou kit (AM002)

Voltamos a abril de 1979, fase áurea da Revista Saber Eletrônica quando éramos diretor técnico assim como articulista, responsável por grande parte dos projetos que eram publicados. Naquela edição publicamos mais um projeto que marcou época e que foi capa da edição número 80. A Central de Jogos Eletrônicos. Tratamos um pouco de sua história neste artigo.

 


 

 

Este projeto é dos que marcaram nossa passagem pela editora, pela sua repercussão assim como porque se tornou um kit. Tenho até o hoje o meu protótipo funcionando, conforme pode ser visto pela foto. (figura 1)

 

Figura 2 – Meu protótipo.
Figura 2 – Meu protótipo. | Clique na imagem para ampliar |

 

A ideia surgiu da necessidade de termos um bom artigo de capa que tivesse como tema jogos eletrônicos. Nas edições anteriores tínhamos publicado diversos jogos como o nervo-teste, dado eletrônico e jogos que usavam um então “descoberto” por nós, circuito integrado 4017.

Analisando este componente, propus que poderíamos usar este componente em diversos jogos de sorteio, em que 1 número de uma certa quantidade de 6 a 10 tivesse de ser sorteada.

E aí surgiram as propostas. Poderíamos ter sorteios de palpites da loteria esportiva, dado, rapa-tudo, pôquer, cassino, etc. Mas a ideia melhor era a seguinte: porque não colocar tudo isso num aparelho único.

 

Mas como?

A solução proposta foi simples. Fazendo uma caixa com o circuito e mudando o jogo através de cartelas, conforme mostra a foto da revista.

Assim, o circuito simplesmente sortearia 1 LED de 6 e conforme a cartela encaixada mudaria o jogo. Poderíamos ter mais LEDs, mas o motivo foi que a empresa Superkit que trabalhava em parceria com a Editora na época, logo manifestou o desejo de vende-lo em kit.

Tomando então como exemplo a cartela do pôquer, os jogadores iriam apertando e soltando o botão para ter a carta sorteada que seria anotada num papel.

No final da rodada, os jogadores veriam quais cartas desejavam troca e em nova rodada fariam a escolha. O resultado final determinaria o vencedor.

O jogo fez um grande sucesso com a venda do kit e muitos os montaram. Lembramos que em 1979, os videogames ainda não eram populares e não havia celular em que poderíamos ter esse jogo, conforme mostra a figura 3.

 

Figura 3 – Jogos no celular
Figura 3 – Jogos no celular

 

 

O circuito

O circuito tinha uma configuração que, pela sua simplicidade e funcionalidade usamos em muitos de nossos projetos. Um circuito oscilador com um transistor unijunção gerava um trem aleatório de pulsos quando um pulsador era pressionado e solto.

Esses pulsos eram contados pelo 4017 e paravam num dos LEDs em sua saída, o qual permanecia aceso, indicando o que foi sorteado. Se vocês querem ter mais informações e até montar, no ART2709 é dada a descrição completa do projeto.

O único ajuste era feito num trimpot que determinava o ponto de disparo do 4017 a partir dos pulsos do unijunção para que a contagem ocorresse.

A alimentação era feita por uma bateria de 9V.

 

Curiosidades

Naquela época os componentes usados eram comuns. Havia ainda a facilidade de obtenção do transistor unijunção, o que justificava a sua utilização.

Alguns fatos interessantes marcaram a publicação desse projeto. Um deles foi que um dia nos procurou um leitor que gostaria de “viciar” o aparelho para poder ganhar todas as apostas. Ele desejava agregar algum tipo de botão oculto para acionar de modo que o LED que escolheu ficasse aceso no final do sorteio.

Se bem que isso seja possível, com um circuito que até publicamos em edição da revista, um seletor de canais com o 4017 para controle remoto, não incentivamos o sujeito a fazer isso...

Outra prova de que o circuito tinha realmente marcado época é que o vimos depois em alguns eventos, por exemplo, numa quermesse em que apostas eram feitas para se ganhar brindes. Houve até o caso de terem feito adaptações para que, em lugar dos LEDs, fossem acionadas lâmpadas coloridas num painel.

É claro que os problemas também surgiam. Recebemos alguns kits “devolvidos” por não funcionarem. Levando-os ao nosso departamento técnico e analisando encontramos os problemas de sempre com as montagens.

Transistores trocados, resistores com valores trocados, transistores e o circuito integrado invertido e o principal: soldas malfeitas. Soldas frias, espalhamentos colocando em curto trilhas ou terminais, principalmente no circuito integrado.

Enfim, um projeto que temos o protótipo e que marcou época.

 

 

Figura 4 – Nosso protótipo
Figura 4 – Nosso protótipo

 

 

Vejam o vídeo “Projetos que marcaram época VME002”.

 

 

 

 

 


Opinião

Eventos e muito mais (OP212)

Nosso grande destaque deste mês é o nossa Jornada do Desenvolvimento, que ocorrerá em três etapas sendo a primeira a que foi realizada entre 9 e 13 de agosto. Ela foi uma preparação para as demais que devem ocorrer em setembro e outubro, com oficinas de desenvolvimento com o Edukit SigFox e a Franzininho, numa jornada com os próprios criadores.

Leia mais...

Localizador de Datasheets e Componentes


N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

Podcast INCB Tecnologia