A História do Professor Ventura (ART4207)

Temos no site uma boa quantidade de estórias engraçadas envolvendo nosso personagem Professor Ventura e muito de tecnologia, principalmente eletrônica. Na introdução da série em NVENT000 falamos um pouco desse personagem, mas nem tudo sobre a verdadeira estória que envolve sua criação. Voltamos então ao assunto relatando exatamente como tivemos a ideia de criar esse personagem, com seus dois alunos Beto e Cleto.

Quando ainda muito jovem, com meus 11 anos e começando a me interessar por tecnologia, comecei a dar os primeiros passos na eletrônica lendo artigos e livros, me deparei com uma série de estórias muito interessantes publicadas na então revista Eletrônica Popular que era uma tradução da edição Americana Popular Electronics da qual mais tarde me tornei colaborador.

As estórias tratavam de dois personagens, chamados Juca e Chico que eram dois técnicos eletrônicos que protagonizavam aventuras mostrando criatividade e conhecimento, principalmente capacidade de improvisação do tipo que posteriormente foi amplamente explorada na serie McGiver da TV. E, isso foi nos anos 60, quando ainda haviam as oficinas de rádio e TV, normalmente uma portinha muito comum nas cidades do interior, com televisores e rádios empilhados esperando para conserto.

No interior, um técnico com seu ferro de solda e VOM (Voltímetro eletrônico) trabalhava avidamente para reparar desde o fio interrompido de ferros de passar até televisores. Era uma atividade rendosa na época que pouco vemos hoje. Apenas nas cidades muito afastados ainda existe esse tipo de negócio.

A série original foi escrita por John T. Frye denominada Carl and Jerry e depois Mac’s Shop lançada em outubro de 1954. Ele escreveu 119 estórias que saíram até novembro de 1964 com alguns personagens bastante interessantes e temas igualmente importantes com a tecnologia desses 10 anos.

 


 

 

Uma interessante estória do trabalho de John T. Frye pode ser encontrada em: http://www.copperwood.com/carlandjerry.htm. Conforme o relato, as estórias foram criticadas por fazer parecer eletrônica muito fácil e que, além disso, era comum acontecer coisas inesperadas que os projetistas dos equipamentos não eram capazes de prever. Mantive essa abordagem ao criar o prof. Ventura.

 


 

 

O autor do artigo fala de uma estória que lembro até hoje e que do original inglês publicado em 1957 – The Meller Smeller, foi traduzida como “Olha o Cangambá” em que os “heróis” das aventuras montam um filtro eletrostático para eliminar o cheiro de um gambá que havia se instalado no porão de uma casa, e assim poder chegar perto do mal cheiroso “bicho”, mas um “acidente com o circuito” inverte sua ação justamente no momento em que eles estão com o animal próximo...

Na figura abaixo, a evolução dos desenhos dos personagens

 


 

 

 

Entusiasmado com os personagens e suas aventuras, nos anos 60 até fiz alguns ensaios com os personagens criando algumas estórias que hoje coloco no site em NVENT014, NVENT012 e NVENT013 escritas nos anos 1963 e que já transformei em Beto e Cleto. Mas a ideia de criar meus próprios personagens veio depois.

A inspiração veio de minhas viagens ao interior para descansar e observar mais de perto a natureza e também o modo de vida das pessoas. Duas cidades me deram inspiração para criação do ambiente e também de alguns personagens.

A primeira foi Emilianópolis – SP, bastante pequena onde ainda pude encontrar pessoas que tinham televisores valvulados em suas casas e que a oficina do tipo pessoal ainda era comum, com seus rádios e televisores empilhados, esperando conserto ou para serem “canibalizados” para retiradas de peças.

A outra foi a bem conhecida de muitos Santa Rita do Sapucaí – MG, em que funciona a ETE – Escola Técnica de Eletrônica – Francisco Moreira da Costa, com o rio Sapucaí cortando a cidade, seu clima de interior mas mesclado com tecnologia pela presença dos estudantes, professores e hoje com um parque industrial importante.

Tratava-se do cenário ideal, e com a presença da escola justamente o ambiente que eu precisava: um professor maluco, um “maker” sem limites, dois alunos entusiastas e alguns outros personagens.

O primeiro, e mais importantes foi o Epaminondas, inspirado justamente por um desenho de Hanna Barbera em que havia uma “bandinha” com um tocador de tuba gordinho, simpático de aparência engraçada. Seria o ideal, já que nas pequenas cidades do interior sempre havia uma banda tocando no coreto.

A própria profissão original veio da lembrança de meu avô. Meu avô era justamente músico, maestro de uma dessas bandas do interior, compositor (até fez uma música com meu nome quando nasci. Infelizmente se perdeu) era barbeiro profissionalmente. Nada melhor do que um músico gordinho, de aparência ingênua, barbeiro na vida real, vítima das trapalhadas do professor Ventura.

 


 

 

E, com ele vieram outros personagens, também inspirados em situações reais como o prefeito Saturnino Bolsogrande, em que o sobrenome justamente veio de uma época em que a corrupção política. Bolsogrande estaria intimamente ligado ao espaço que tais políticos tinham para guardar as propinas...

Foram escritas várias estórias, usando tecnologias dos anos 70 e 80. Mas, agora estou numa nova fase criando novas estórias com tecnologias mais modernas e até mesmo refazendo algumas antigas com tecnologias novas.

O professor Ventura deixará de ser o tradicional maker de circuitos transistorizados, valvulados e eventualmente integrados relativamente simples, passando a empregar tecnologias avançadas e até usando a imaginação, com coisas do futuro como a eletrônica quântica e novos personagens “futuristas” estarão aparecendo.

Aguardem. Será uma surpresa para breve.

 

 

 

 


Opinião

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Nosso grande destaque deste mês é o nossa Jornada do Desenvolvimento, que ocorrerá em três etapas sendo a primeira a que foi realizada entre 9 e 13 de agosto. Ela foi uma preparação para as demais que devem ocorrer em setembro e outubro, com oficinas de desenvolvimento com o Edukit SigFox e a Franzininho, numa jornada com os próprios criadores.

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