Inteligência e vida artificial (ART4252)

Um tema de grande relevância na atualidade e que deve ocupar o tempo não apenas de pesquisadores e desenvolvedores na área técnica como também filósofos, sociólogos e outros setores é o que trata da inteligência artificial e da própria vida artificial. Neste artigo faremos uma breve discussão sobre o assunto, colocando nossa opinião e dando algumas informações que podem ser úteis para nossos leitores que pretendem entrar nesse intrigante campo de tecnologia.

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Podemos começar nosso artigo baseados juntamente na maiêutica de Sócrates perguntando “o que é inteligência artificial”. Cada um pode fazer uma pequena pausana leitura deste artigo e tentar dar sua própria resposta ao problema.

Sócrates acreditava que todos nós temos um conhecimento completo das coisas inerente e que basta dar um estímulo (fazendo uma pergunta) para que nós mesmos consigamos encontrar a resposta.

No entanto, quando falamos em inteligência e vida nos deparamos com um problema de muito maior complexidade. Trata-se de um problema de difícil estímulo, pois ela está inerente a nós mesmos. Como externar isso, é algo que não basta ter um estímulo externo.

 


 

 

Assim, uma discussão do que é inteligência artificial e do que é vida artificial deve ser ponto de partida para que possamos incluir esse tema na nossa tecnologia e ver o que podemos fazer de prático.

 

Inteligência artificial

Os estudos sobre a possibilidade de sistemas ou máquinas poderem manifestar aquilo que denominamos inteligência e que seria inerente apenas aos humanos é bem antiga.

A ideia básica de então é que as máquinas deveriam ter propriedades cognitivas e conseguir resolver problemas, Como disciplina acadêmica a inteligência artificial surgiu em 1956 com a estruturação do que deveria ser aprendido e pesquisado nesse novo campo da ciência.

Evidentemente, nesta época não havia ainda o tipo de computador que temos hoje e os próprios dispositivos eletrônicos disponíveis não eram desenvolvidos como hoje. Não havia ainda os chips de microprocessadores e microcontroladores que poderiam ser programados para apresentar as propriedades exigidas para a nova aplicação.

 


 

 

 

Eu mesmo, ainda como estudante da Escola Politécnica da USP fui convidado por pesquisadores da Escola Paulista de Medicina (Hoje UNIFESP) para integrar um grupo de pesquisa em “Neurobiônica” cuja finalidade era desenvolver um circuito eletrônico que mimetizasse um neurônio.

Acreditávamos que associando diversos dispositivos que funcionassem como neurônios reais formando uma rede (uma rede neural—não se falava nisso na época) poderíamos ter uma estrutura que apresentasse um comportamento inteligente.

 


 

 

 

Foi um trabalho muito interessante que nos permitiu entender que um neurônio não apenas uma porta lógica ou um flip-flop, mas que apresenta um comportamento muito mais complexo, com características de inibição e facilitação operandi em faixas que se modificam à medida que ele é condicionado. Vimos na ocasião que o próprio neurônio já tem um comportamento “inteligente” aprendendo e esquecendo com o tempo.

Um nos fez ter consciência de como é complexa a estrutura de nosso cérebro e como seria complexo implantar uma estrutura inteligente baseada em hardware.

Assim, implementar estruturas inteligentes baseadas em circuitos que não precisem ser programados, mas que já tenham na sua concepção recursos para aprender é muito mais difícil do que, em princípio acreditávamos.

O conceito inicial de inteligência artificial por hardware, hoje não é tão importante. Uma solução, que hoje é melhor adotada é a da inteligência artificial por software.

Na inteligência artificial por software podemos dizer que o hardware é ´burro´ e que todo o processo de aprendizado, cognição e outras características de um ser inteligente devem ser previstas num programa.

A possibilidade de termos microprocessadores e microcontroladores cada vez mais complexos com memórias grandes, alta velocidade de processamento, além de outras podem levar a estruturas que realmente apresentam o que podemos denominar inteligência.

Acrescente-se a isso uma tendência atual dessas inteligências não precisarem ficar limitadas a uma aplicação definida, mas sim estarem “nas nuvens” o que permitem que elas fiquem alojadas em computadores de muito maior pode ser processamento do que seria num simples chip integrado a um robô ou outro aplicativo.

Os sentidos dessas inteligências poderiam ficar espalhados e atender a muitos usuários ao mesmo tempo, como hoje já vemos na AI de bancos e outras empresas que nos atendem pelo celular ou pelo computador.

Além disso, uma vantagem da AI por software é que ela teria a flexibilidade de aprender com todos e estar também sendo constantemente melhorada com a inclusão de novos recursos.

Uma solução interessante para a inteligência artificial é a que faz uso da lógica difusa ou lógica fuzzy. Esta lógica imita o funcionamento dos neurônios no sentido que, diferentemente da lógica binária convencional, eles não trabalham apenas com dois estados: sim ou não, 0 ou 1.

 


 

 

 

Nesta lógica podem existir estados intermediários como pode ser, entre o sim e o não, exatamente como ocorre com neurônio vivo que tem situações em que ele fica indeciso ao responder a um estímulo.

Podemos dizer que esse comportamento pode levar a uma situação tipicamente humana em que respondemos de formas diferentes a uma mesma pergunta, dependendo das condições em que ela seja feita.

A possibilidade de se trabalhar com essa lógica combinada com a tradicional pode levar ao desenvolvimento de sistemas inteligentes bastante interessantes.

 

Vida artificial

O que diferencia uma estrutura que apresenta um comportamento inteligente de um comportamento vivo. Novamente pedimos uma pausa para o leitor que pense no assunto, procurando dar uma reposta própria a essa pergunta.

É claro que existe inteligência sem vida assim como vida sem inteligência E, é claro existe vida inteligência, e no momento a única que conhecemos é a nossa. Isso nos leva a ideia inicial de que vida e inteligência são coisas diferentes. No futuro poderão se tornar coisa única.

Podemos dizer que um sistema fechado tem vida quando ele consegue se reproduzir, manter sua própria existência interagindo de maneira apropriada com o com meio em está.

 


 

 

 

No entanto, esse modo simplista de se definir o que é vida encontra muitos obstáculos, principalmente quando analisamos o homem.

Um inseto ou uma planta conseguem se reproduz e manter sua própria existência, mas não são inteligentes.

Se tivermos uma máquina inteligente que seja capaz de construir máquinas iguais a si e preservar sua própria existência com uma automanutenção e a capacidade de procurar fontes de energia que a alimenta, pode ela ser considerada viva.

Alguns progressos da tecnologia já falam de circuitos que se auto-restauram, ou seja, que se reparam em caso de pane, exatamente como nosso corpo faz no caso de um ferimento.

Tudo esbarra num item mais complexo a consciência. Para falar em Inteligência nos deparamos com a necessidade de ter algumas definições como, por exemplo, a da própria Inteligência.

Da mesma forma, se desejamos discutir vida artificial, além de precisarmos definir de maneira exata o que é vida temos de dar um passo além e definir o que é consciência.

Trata-se de um tema extremamente delicado, complexo e polêmico. Como definir algo que sabemos o que temos, mas não sabemos exatamente o que é.

Não se trata apenas de um tema de grande profundidade filosófica como também entra em aspectos místicos, pessoais atingindo uma fronteira com o desconhecido de grandes proporções.

Se nos limitarmos a um aspecto simplista, deixando para os estudiosos do futuro um aprofundamento que venha esclarecer muitos pontos que hoje desconhecemos, podemos dizer que a consciência é propriedade que temos (e as máquinas ditas vivas devem ter) da nossa própria existência.

Citando Descartes “Penso, logo existo” podemos dizer que, se uma máquina inteligente for capaz de entender essa citação, ela poderá ser enquadrada na categoria das entidades dotadas de vida.

Nesse ponto, muitos podem estar pensando em robôs pensantes dotados de vida, como bem descreve Asimov em seu “Eu, robô” e muitas estórias que envolvem robôs pensantes e em alguns casos inteligentes, mas podemos ir muito além.

O prof. João Antonio Zuffo em muitos de seus artigos e livros fala em entidades pensantes que seriam totalmente virtuais, vivendo na Internet como criaturas vivas, dotadas de inteligência e que se relacionariam entre si e com os humanos.

Talvez um dia seja assim, e não estamos longe disso como Google conversando, sabendo tudo que fazemos e tendo quase que uma vida própria num ponto em que está difícil saber até onde vai.

Talvez seja o primeiro exemplar de vida artificial, pois inteligência já sabemos que tem...

 

 

 

 


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