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Segurança em primeiro lugar (EL061)

A presença da eletricidade em sua casa é um benefício que só pode ser avaliado quando ocorre sua falta. O desespero daqueles que se vêm privados da eletricidade mesmo que por apenas algumas horas é um indicativo de quanto ela faz parte de nossa vida.

Este texto é de uma publicação do autor de 1984. Muita coisa mudou com a norma NBR5410 que trata das instalações elétricas. Mantivemos as ilustrações originais ainda com tomadas e outros componentes daquela época. Vale o artigo como introdução ao assunto. O leitor deve complementar este artigo com outros mais recentes.

 

Aparelhos de rádio, TV, som, liquidificadores, chuveiro elétrico, torneiras elétricas, aquecedores de ambiente, ar condicionado ," iluminação ambiente, são apenas alguns dos aparelhos que fazem parte de nossa vida e que na sua falta nos deixam numa situação realmente embaraçosa, que não estamos acostumados. Tente ficar algumas horas sem usar qualquer destes aparelhos e o leitor não compreenderá como nossos antepassados puderam viver toda uma vida sem a ajuda da eletricidade.

Mas, se a eletricidade traz benefícios, ela também pode ser perigosa se não for respeitada.

A quantidade de energia que dispomos nas simples pontas de um par de fios pode ser suficiente para por fogo em nossa casa, nos matar, ou causar sérios danos e ferimentos.

O respeito à eletricidade é o primeiro ponto que o leitor deve levar em conta se pretende mexer com instalações elétricas e fazer qualquer uma das montagens ou instalações que descrevemos neste livro.

Para respeitar a eletricidade não é preciso muito: basta ter sempre em mente os seus perigos. Regras simples obedecidas antes e depois da realização de um trabalho elétrico podem ser muito úteis para evitar acidentes.

Iniciamos portanto este trabalho com algumas medidas de segurança que o leitor deverá ter sempre em mente até o final de sua leitura e depois, quando na realização de seus trabalhos práticos.

 

a) O choque elétrico

Quando uma corrente elétrica circula pelo nosso corpo, a sua passagem pode causar não só sérios danos como também uma sensação desagradável que vai desde um simples formigamento até dor profunda. Esta sensação provocada pela passagem da corrente é denominada “choque elétrico”.

O choque elétrico pode ser mortal, pois a circulação de uma corrente pelo coração, e em outras condições semelhantes, pode causar sua paralisia.

Um choque muito forte pode causar a perda de sentidos e mesmo provocar uma contração da língua, a qual se enrolando impede a respiração fazendo com que a vítima morra por afogamento.

O choque ocorre quando a corrente elétrica pode circular entre dois pontos passando pelo corpo da pessoa. Só ocorre a circulação da corrente se houver um percurso para isso.

Se tocarmos num fio estando sobre uma base de material isolante conforme mostra a figura 1, de modo que não haja caminho para a corrente ir para nenhum lugar, não haverá choque.

 


 

 

O percurso para a circulação da corrente pode ser fornecido de duas maneiras:

A primeira consiste no contacto com a terra. Se estivermos em contacto com a terra, quer seja porque estamos descalços, quer seja porque a sola de nosso sapato está úmida ou e fina, o contacto num fio descascado que esteja submetido a uma tensão diferente de zero ou seja, que esteja num potencial diferente da terra é- suficiente para provocar a corrente e portanto causar o choque. (figura 2)

 


 

 

 

A segunda pode ocorrer porque estamos segurando ao mesmo tempo no fio que está num potencial e em outro que está em potencial diferente, ou então porque estamos com partes do corpo em contacto com pontos sob tensões diferentes. Segurar um fio com uma mão e outro fio com outra é um convite ao choque, como sugere a figura 3.

 


 

 

A quantidade de corrente que passará pelo corpo da vítima e, portanto, a intensidade do choque depende fundamentalmente de três fatores:

O primeiro fator é a tensão (medida em volts) que é a causa da corrente, ou seja, e' a “força” que empurra a corrente (*). Tanto maior será a corrente quanto maior for a tensão para todas as demais condições mantidas fixas.

Assim, em princípio podemos dizer que uma tensão de 220 V causa um choque mais forte que uma tensão de 110 V.

(*) Sugerimos aos leitores que leiam antes o primeiro. volume de nosso Curso de Eletrônica – Eletrônica Básica para se familiarizarem com os termos técnicos que estamos usando.

 

O segundo fator que deve ser levado em conta juntamente com o primeiro é a resistência da pele. A resistência da pele altera-se com a umidade e a sua espessura. Assim uma pele mais fina tem menor resistência que uma mais grossa e do mesmo modo, uma pele úmida tem menor resistência que uma pele seca.

O choque será tanto mais forte quanto menor for a resistência da pele.

Veja que, combinando este fator com o anterior podemos dizer que uma pessoa que esteja com a pele úmida pode perfeitamente tomar um choque muito mais forte em 110 V do que uma que esteja com a pele seca e tenha contacto com uma tensão de nov. Não podemos afirmar isoladamente que um fator seja mais importante que o outro.

Temos finalmente o terceiro fator que consiste na superfície de contacto com o ponto de choque. Se a superfície for maior, ou não houver a proteção da pele a resistência será muito menor e portanto muito mais forte será a corrente e o choque.

Baseados no que vimos podemos estabelecer então algumas regras de segurança iniciais:

- Nunca trabalhe em contacto direto com fios que estejam ligados, ou seja, que tenham tensão em suas pontas.

- Nunca segure em dois fios ao mesmo tempo ou toque em objetos diferentes ao mesmo tempo em que trabalha com um fio.

- Não trabalhe descalço ou em contacto direto com o solo.

- Se tiver que trabalhar com fios ligados use luvas de borracha e ferramentas isoladas e sapatos secos com solas grossas de borracha.

 


 

 

 

b) Proteção da instalação

Um trabalho mal feito pode levar a acidentes que não envolvam propriamente o eletricista mas que podem ser perigosos para sua casa ou para seu patrimônio.

O principal tipo de problema que pode ocorrer numa instalação é o curto-circuito.

Se a tensão for aplicada a um aparelho, a resistência interna deste aparelho (todo aparelho possui uma) determina a quantidade de corrente e, portanto, de energia que ele absorve. Assim, um ferro elétrico tem uma resistência interna menor do que uma lâmpada, porque o ferro absorve mais energia (supondo que ambos estejam alimentados pela mesma tensão).

Se, entretanto, os fios que alimentam um aparelho qualquer encostarem um no outro em qualquer ponto, entre eles não haverá resistência, ou seja, a resistência será praticamente nula. O resultado será a circulação de uma corrente muito intensa somente isolada pela própria resistência dos fios que é muito baixa.

O resultado é que em lugar da energia disponível ser entregue ao aparelho alimentado, ela irá para a resistência do fio onde se transformará em calor.

Se não houver a imediata interrupção desta corrente, ou seja, se o circuito não for desligado, o resultado desta produção de calor será primeiramente a queima da própria instalação (as capas de plástico ou tecido dos fios queimarão), e isso pode se desenvolver num perigoso incêndio principalmente se os fios estiverem em contacto com materiais inflamáveis. (figura 5)

 


 

 

 

O curto-circuito também pode ocorrer quando um fio encosta em algum corpo de metal de grandes dimensões que esteja em contacto com a terra, porque a terra representa um condutor de eletricidade.

Para evitar os curto-circuitos o melhor procedimento consiste no cuidadoso isolamento de todos os pontos desencapados dos fios que podem ocorrer nas emendas e junções.

Mas a proteção principal contra os curto-circuitos está no fusível.

O fusível é um elemento de proteção de sua instalação, cuja finalidade é desligar o circuito, ou seja, interromper a corrente quando ela se torna intensa demais a ponto de colocar em perigo sua instalação.

Os fios usados nas instalações tem sua capacidade de conduzir a corrente limitada pela sua espessura. Assim, a escolha do fio para uma instalação não deve ser arbitrária, conforme veremos, mas sim determinada pelo tipo de aparelhos que devem ser alimentados.

 

Nota: hoje temos também os disjuntores e as espessuras dos fios de uma instalação são determinadas pela norma 5410.

 

Em função dos fios usados e, portanto, da corrente máxima de uma instalação é que escolhemos os fusíveis.

Os fusíveis usados nas instalações domésticas podem ser de dois tipos: rosca e cartucho. (figura 6)

 


 

 

 

O fusível de rosca possui em seu interior um pedaço de metal de baixo ponto de fusão, normalmente chumbo/estanho cuja espessura é determinada pela corrente em que ele deve entrar em ação.

Ligamos então o fusível no “começo” da instalação, ou seja, em sua entrada de modo que toda e qualquer corrente que passe para o. circuito, obrigatoriamente também passe pelo fusível.

Se a corrente se tornar excessiva como, por exemplo, no caso de um curto circuito, o primeiro a queimar será o fusível, desligando-a. (figura 7)

 


 

 

O fusível é especificado em “ampères” e tem valores típicos como 10, 15, 2º, 30 A, etc.

O outro tipo de fusível é o denominado “cartucho”. Em seu interior existe um fio fino cuja espessura é determinada pela intensidade da corrente em que deve ocorrer o seu rompimento.

O tubo que protege este fio fino pode estar cheio de areia com a finalidade de se evitar faíscas, caso em que o fusível seria usado em locais mais sujeitos a incêndios como, por exemplo, em “atmosferas” impregnadas de gases.

Para usar o fusível e ter sempre sua proteção devemos lembrar que:

- Na entrada de todas as instalações deve haver a proteção do fusível.

- O dimensionamento do fusível deve ser tal que ele tenha sempre uma corrente de rompimento maior do que a carga máxima que o circuito alimenta e menor que a corrente que causa a queima dos fios da instalação.

- Nunca substitua um fusível por outro de maior corrente.

- Nunca coloque pedaços de alumínio ou moedas para substituir um fusível queimado.

Um tipo de proteção mais moderna que vem tomando gradativamente o lugar do fusível é o disjuntor

O disjuntor térmico consiste numa chave interruptora comum que é colocada na entrada de uma instalação, conforme mostra a figura 8.

 


 

 

A finalidade do disjuntor é a mesma do fusível, desligando o circuito quando a corrente supera certo valor.

A diferença é que, ao contrário do fusível, após a queima não precisamos comprar um novo, pois o disjuntor é simplesmente rearmado. É claro que ele só deve ser rearmado após a verificação do motivo que levou ao excesso de corrente.

 

c) Proteção dos aparelhos alimentados

A rede de energia fornece normalmente tensões especificadas popularmente por 110 V (*) ou 220 V, As duas tensões são encontradas nas principais cidades brasileiras numa frequência de 60 Hz, pois a corrente correspondente é alternada. (figura 9)

(*) Na verdade 117 V ou 127 V conforme a localidade

 

 


 

 

Os eletrodomésticos encontrados à venda em nosso mercado são então projetados para funcionar numa destas duas tensões e eventualmente nas duas, quando então existe uma chave que permite fazer a troca.

Em alguns casos, entretanto por diversos motivos podem ocorrer flutuações da tensão da rede, e se estas forem muito grandes isso pode ser prejudicial aos aparelhos alimentados.

Do mesmo modo existe sempre a possibilidade de ligarmos por engano um aparelho feito para funcionar em 110 V numa tomada de 220 V e vice-versa.

Neste segundo caso, as consequências podem ser graves: a alimentação do aparelho por uma tensão muito maior do que aquela para a qual foi especificado inevitavelmente causará sua queima, a não ser que exista um fusível de proteção que interrompa a corrente antes disso.

Nota: hoje existem muitos equipamentos “bi-volt” que funcionam com tensões entre 80 e 280 V sem nenhuma necessidade de comutar chaves ou coisas semelhantes. O carregador do celular é um deles.

Já se a tensão usada for muito menor, por exemplo, ligando um aparelho de 220 V na rede de 110 V além do seu funcionamento anormal, ou mesmo inoperância completa podem ocorrer certos problemas de sobrecargas de partes individuais. Um motor com tensão abaixo do normal ficará forçando sua partida e não conseguirá ,de modo que toda a energia consumida neste processo se converterá em calor. O enrolamento deste motor poderá até queimar.

Ao fazer uma instalação, montar um eletrodoméstico ou mesmo usá-lo deve-se ter sempre em mente os seguintes cuidados:

- Verificar se a tensão da rede corresponde àquela para a qual o aparelho foi projetado, ou seja, 110 V ou 220 V.

- Se houver variação muito grande da tensão em determinados horários, evitar de usar os aparelhos mais sensíveis ou então corrigir o problema com estabilizadores.

 

d) Cuidados no trabalho

O amador eletricista está sujeito a acidentes do mesmo modo que o amador de qualquer outro tipo de atividade em que se mexam com ferramentas ou materiais diversos.

O cuidado no manuseio das ferramentas, a escolha do local correto para trabalhar e finalmente a execução cuidadosa de qualquer operação com

material de boa qualidade sempre devem ser lembradas.

Em suma, o eletricista deve lembrar que:

- Ferramentas cortantes podem machucar quando manejadas indevidamente, ou deixadas em locais impróprios. Tenha sempre em mãos material de primeiros socorros.

- Sempre siga as recomendações dadas nos trabalhos, em relação aos procedimentos e materiais usados. Querer “colocar o carro adiante dos bois” pode causar sérios problemas para quem não tem muita experiência (e mesmo para quem tem!).

- Escolha sempre material de boa qualidade para trabalhar. Não tente improvisar.

 

Revisado 2017

 

 

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