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Os Capacitores e Suas Marcações (ART2667)

Não sabemos quantos casos de internações tenham ocorrido por causa de leitores que procuraram entender certas marcações de capacitores encontrados em nosso comércio, ou de "infelizes" que simplesmente pearam malucos ao acidentalmente misturarem capacitores de todos os tipos numa caixa e depois tentarem separá-los por valores. Talvez o seu caso não seja tão grave. Talvez você só precise de alguns esclarecimentos para saber ler os capacitores de tipos mais comuns e não correr o risco de ter projetos estragados, ou ser enganado por vendedores. Neste artigo damos justamente alguns esclarecimentos que visam facilitar a leitura de valores de capacitores que utilizam códigos pouco comuns.

Obs. Este artigo é de 1979, mas muitas das informações nele contidas ainda são válidas.

 

E, daí vem a estória do sujeito que comprou um capacitor de 12 pF e recebeu um capacitor com a marcação de 12 K. Como não precisasse do capacitor de momento, por desistir do projeto que tinha em mente, o nosso bom sujeito guardou-o com os demais capacitores de seu estoque até que muito tempo depois num novo projeto precisou novamente de um capacitor de 12 pF.

O nosso amigo não se lembrava mais do seu capacitor de 12 pF, mas sabia com certeza que tinha em seu estoque um capacitor com tal valor e ao examinar a caixinha de capacitores deparou com um único capacitor com uma marcação parecida com 12, só que no caso ele leu 12 K, e não 12 pF como esperava. E agora?

Será que os 12 K significam 12 kpF? Neste caso 12 kpF é a mesma coisa que 12 nF e então o capacitor deveria vir marcado com 12 n. Mas será que 12 nF não é a mesma coisa que 12 pF?

E se eu usar um capacitor de 12 k em lugar de um de 12 pF não será obtido o mesmo efeito no circuito? Por que não marcar 12 simplesmente em lugar de 12 K? 0 que significa este k?

Pelo é ou pelo não é, nosso amigo resolveu voltar até a loja de eletrônica e adquirir um novo capacitor de 12 pF. Depois de uma hora de caminhada para ir, o sacrificado amigo da eletrônica entra na loja e “pede um capacitor de 12 pF e, para sua surpresa, ao observar a marcação do diminuto problemático componente o que vê:

12 k! (figura 1).

 

Figura 1 – A confusão!
Figura 1 – A confusão!

 

Não sabemos para concluir a estória se nosso amigo continua praticando suas experiências eletrônicas, pois o sanatório em que ele se encontra internado não permite visitas, mas para que os nossos leitores não venham ter o mesmo problema damos alguns esclarecimentos sobre a marcação de capacitores.

 

CAPACITORES DE MUITOS TIPOS

Os capacitores usados nos trabalhos de eletrônica tem uma primeira classificação que é feita em função de seu dielétrico. Assim, os capacitores de papel são os que possuem como dielétrico uma folha de papel, os de mica possuem uma folha de mica, os de poliéster possuem esta espécie de plástico corno isolante para suas armaduras.

Pois bem, em cada tipo temos ainda uma classificação que é feita segundo a maneira como tais capacitores são construídos. Temos os capacitores tubulares em que as armaduras assim como os dielétricos são enrolados dando ao componente o formato de um cilindro, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Tipos de capacitores
Figura 2 – Tipos de capacitores

 

Temos os capacitores planos, temos os de formato de disco etc.

Tudo isso leva a existência de uma quantidade muito grande de tipos de capacitores disponíveis no comércio.

Ora, tudo seria muito simples se cada fabricante marcasse da maneira normal, o valor do capacitor em seu corpo como, por exemplo, 0,01 µF x100 V x 10%. Para os capacitores grandes isso é possível, e realmente acontece (figura 3), mas como fazer a marcação num capacitor de reduzidas dimensões como um disco de cerâmica?

 

Figura 3- Marcações
Figura 3- Marcações

 

Em alguns casos, a marcação direta do valor do componente com a unidade indicada e feita. Temos então capacitores com a marcação 0,1 µF, 0,02 µF, etc. conforme mostra a figura 4.

 

Figura 4 – Marcações em códigos
Figura 4 – Marcações em códigos

 

Em outros casos no entanto, prefere-se fazer a marcação por meio de códigos de cores ou então por códigos especiais em que uma ou duas letras ou números substituem indicações que necessitariam de maior número de sinais para serem dadas..

Os códigos de cores são conhecidos da maioria dos nossos leitores, principalmente os usados nos capacitores de poliéster metalizado, cuja leitura é feita de maneira semelhante aos resistores, em que o valor encontrado é expresso em picofarads.

 

UNIDADES

Um problema que encontram os usuários de capacitores refere-se a conversão e de unidades. A unidade de capacitância, é o Farad, mas por ser esta muito grande para as aplicações práticas, os capacitores comuns em sua marcação utilizam sempre os submúltiplos do Farad, ou seja, são expressos em frações definidas do Farad, cujo valor e dado por um prefixo.

Assim temos:

O microfarad (uF) que equivale à milionésima parte do Farad, ou em números: 1uF = 0,000 001 F.

O nanofarad (nF) que equivale à bilionésima parte do Farad, ou em números: 1 nF = 0,000 000 001 F.

O picofarad (pF) ou micromicrofarad (uuF) que equivale à trilionésima parte do Farad, ou em números: 1 pF = 1 uuf = 0,000 000 000 001 F.

Ora, como em muitos casos as capacitâncias podem ser expressas numa lista de material em pF e na hora de se comprar o capacitor ele vem em nF, e vice-versa, os praticantes da eletrônica devem ser capazes de, mentalmente, com rapidez, fazer as devidas conversões de valores. Em alguns casos, pela confusão que muitos fazem isto é uma verdadeira guerra!

Tudo, no entanto, pode ser facilitado se o leitor levar em conta que:

a) Para as três unidades usadas, o microfarad, o nanofarad e o picofarad, cada uma é 1000 vezes maior que a outra, na seguinte ordem:

O microfarad é 1000 vezes maior que o nanofard, que, por sua vez é 1000 vezes maior que o picofarad.

Assim, concluímos que:

1 µF = 1000 nF

1 nF = 1 000 pF e ainda que:

1uF =1000 000 pF

b) Em alguns casos, para considerar o valor 1 000 ou seja para indicar a multiplicação por 1 000, utiliza-se o prefixo ”k" (quilo).

E comum, portanto, a especificação 2 kpF para indicar 2 000 pF. Veja então que, 2 kp é o mesmo que 2 nF!

Concluindo: para converter um submúltiplo do farad em outro deve-se proceder da seguinte maneira:

1. Para converter pF em nF deve-se dividir o valor dado em pF por 1 000 para obter o mesmo valor em nF. Exemplo:

1200 pF = 1,2 nF

10 000 pF = 10 nF

2. Para fazer a conversão de nF em pF deve-se multiplicar por 1 000 o valor em, nF para se obter o equivalente em pF.

Exemplo:

2,2 nF = 2 200 pF

47 nF = 47 000 pF

3. Para converter nF em kp não é preciso conversão alguma pois estes submúltiplos se equivalem:

Exemplo:

1,2 nF = 1,2 kp

33 nF = 33 kpF.

4. Para converter nF em µF deve-se dividir o valor dado em nF por 1 000 para se obter o equivalente em µF.

Exemplo:

470 nF = 0,47 µF

2,2 nF = 0,0022 µF.

5. Para converter µF em nF deve-se multiplicar por 1 000 o valor dado em µF para se obter o mesmo em nF.

Exemplo:

0,1 µF = 100 nF

0,047 µF = 47 nF_

6. Para se converter pF em µF deve-se dividir por 1 000 000 o valor dado em picofarads para se obter o equivalente em µF.

Exemplo:

1 200 pF = 0,0012 µF

10 000 pF : 0,01 µF

 

AS MARCAÇÓES

Sabendo fazer as conversões de unidades, o que, com um pouco de prática pode se tornar muito fácil, podemos passar aos principais tipos de marcações "diferentes" que são vistas em alguns tipos de capacitores.

 

CAPACITORES CERÂMICOS TIPO PLATE

O. tamanho reduzido destes componentes, justifica plenamente a necessidade de se utilizar um código na sua marcação. Na figura 5 temos os aspectos deste tipo de capacitor com marcações típicas.

 

Figura 5 – Capacitores plate (atualmente não mais usados)
Figura 5 – Capacitores plate (atualmente não mais usados)

 

Os capacitores do tipo plate podem ser encontrados em valores que se situam na faixa dos 0,56 pF até 4 700 pF ou seja 4,7 nF.

Para valores até 82 pF, a indicação é feita com a utilização da letra p em lugar da vírgula e o número indicando o valor em picofarads.

Por exemplo, um capacitor de 33 pF será indicado como 33 p.

Para o caso de 3,3 pF, a indicação será feita como 3p3, onde o ”p" é usado em lugar da vírgula.

Para valores acima de 100 pF a indicação é feita em nanofarads utilizando-se então a letra "n" para sua indicação.

Por exemplo, para o capacitor de 100 pF, que equivale a 0,1 nF temos a marcação n10. Para os valores mais comuns são os seguintes as marcações usadas:

100 pF - n10

120 pF – n12

150 pf – n15

180 pF – n18

220 pF – n22

270 pF – n27

330 pF – n33

390 pF – n39

470 pF – n47

560 pF – n56

 

Para capacitâncias acima de 1 000 pF, que equivale, portanto,a 1 nF temos as seguintes marcações:

1.000 pF = 1 nF = 1n0

1.200 pF = 1,2 nF = 1n2

1.500 pF = 1,5 nF = 1n5

2.200 pF = 2,2 nF = 2n2

2.700 pF = 2,7 nF = 2n7

3.300 pF = 3,3 nF = 3n3

3.900 pF = 3,9 nF = 3n9

4.700 pF = 4,7 nF = 4n7

10 kpF = 10 nF = 10n

22 kpF = 22 nF = 22n

Estes capacitores podem ser encontrados em tensões de trabalho de 100 V, e 63 V, dependendo da faixa de valores.

 

CAPACITORES CERÂMICOS TIPO “DISCO"

Pelo seu tamanho reduzido, a marcação do valor de maneira normal se torna bastante difícil neste componente. Assim, são usados códigos que além de permitirem a indicação do seu valor em picofarads também permitem que outras características, tais como a tolerância, o coeficiente de temperatura e a tensão de trabalho sejam indicados. (fig. 6).

 

Figura 6 – Cerâmicos tipo disco
Figura 6 – Cerâmicos tipo disco

 

A leitura para estes capacitores é feita do seguinte modo:

O número dado em primeiro lugar é capacitância do capacitor em picofarads. A letra p pode ser usada em lugar da vírgula em alguns casos:

Exemplo:

10 = 10 pF

8,2 = 8p2

220 = 220 pF

A letra que aparece depois do número indicativo da capacitância indica a tolerância do componente, ou seja, a variação que pode haver entre o valor real e o valor marcado em picofarads ou em porcentagem segundo a seguinte tabela:

 

Exemplo: um capacitor com a marcação 8,2 F é um capacitor que pode ter na realidade valores entre 8,2 + 1 pF : 9,2 pF e 8,2 - 1 pF : 7,2 pF.

 

Exemplo: um capacitor com a marcação 22 k é um capacitor de 22 pF com tolerância de 10% sobre este valor, ou seja, que pode na realidade ter 2,2 pF a mais ou a menos.

Observação: existem casos em que o k depois do valor realmente indica que o valor expresso e dado em quilopicofarads ou milhares de picofarads, mas não se trata de marcação normal.

Para os casos em que o "k" indica um fator de multiplicação é comum sua utilização em lugar da vírgula. Por exemplo 2k2 indica realmente uma capacitância de 2 200 pF.

Para estes capacitores, temos também mais alguns símbolos representados por letras e números que indicam a faixa de temperatura que o capacitor pode operar, segundo a seguinte tabela:

Faixa de temperaturas Símbolo
-55° C a +85° C X5
-30° C a +85° C Y5
+10° C a + 85° C Z5

A variação máxima da capacitância que ocorre dentro da faixa de temperatura que o capacitor pode operar e dada pela última letra segundo a seguinte tabela:

Variação máxima de capacitância Letra
+/- 4,7% E
+/- 7,5% F
+/- 10% P
+/- 22% S
+22% e -33% T
+22% e -56% U
+22% e -82% V

 

Por exemplo, um capacitor com a marcação 220 J x SP e um capacitor de 220 pF com uma tolerância de 5% o qual foi projetado para trabalhar na faixa de temperaturas situada entre -55º C e +85º C e nesta faixa de temperatura ocorre uma variação adicional de seu valor de 10%.

Outras marcações menos comuns podem também ser encontradas citando-se como exemplo o caso em que o valor do capacitor é dado por 3 dígitos em que os dois primeiros formam os dois algarismos iniciais que representam a capacitância e o terceiro o número de casas que deve ser acrescentada ao número formado ou fator de multiplicação.

Damos como exemplo o valor "104" o qual indica que se trata de um capacitor de 10 x 104 ou 0,1 µF.

 

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N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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