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Recuperação de compoenentes (ART335)

Um dos problemas dos técnicos de regiões afastadas ou muito pobres é obter componentes para aparelhos eletrônicos muito antigos ou de modelos já fora de uso. A solução para estes técnicos está no aproveitamento de componentes de aparelhos fora de uso, mas para ter sucesso neste tipo de procedimento é preciso ter algum cuidado. Neste artigo damos algumas indicações sobre o que pode e o que não pode ser aproveitado de aparelhos antigos.

Uma pesquisa recente revelou que uma boa parte dos televisores em uso em nosso país, principalmente nas regiões mais pobres do nordeste e interior ainda é do tipo monocromático e usa válvulas.

O que ocorre é que muitos aparelhos que já não mais são aceitos nos grandes centros pois seus possuidores compram modelos novos é enviada para estes lugares onde funcionam ainda por um bom tempo.

O resultado é que a maioria dos técnicos que ainda encontra um bom mercado de trabalho na reparação de equipamentos de 10 ou mais anos de uso está justamente nestes lugares.

Se, por um lado o técnico se sente feliz por ter trabalho, uma dificuldade séria atrapalha seu dia a dia: a obtenção de componentes.

A maioria dos televisores e outros equipamentos em uso em tais lugares, utiliza circuitos integrados, transistores e até válvulas que não podem ser obtidas com facilidade.

Como esses técnicos precisam reparar tais aparelhos,pois é sua fonte de renda, e os clientes não admitem perder o equipamento que deve ser usado até o máximo pois não têm poder aquisitivo para comprar modelos mais novos, as dificuldades são grandes.

A solução que muitos encontram está na recuperação de componentes que já não têm mais solução como, por exemplo, televisores cujos cinescópios estão definitivamente esgotados, ou que tenham componentes queimados, impossíveis de serem encontrados. Em muitas oficinas do interior e lugares mais pobres vemos dezenas desses aparelhos, principalmente televisores esperando para serem desmontados e terem algumas de suas partes aproveitadas.

No entanto, o técnico reparador de tais lugares deve ter em mente que é preciso ter cuidados especiais no aproveitamento dos componentes, pois nem sempre eles podem estar bons.

Alguns podem ter suas características modificadas pelo tempo e isso deve ser conhecido pelos reparadores. Nestes artigos damos algumas dicas sobre como saber o que pode e o que não pode ser aproveitado de aparelhos velhos.

 

APROVEITANDO COMPONENTES

a) Resistores

Se bem que a obtenção de resistores não seja um problema na maioria dos casos pode ocorrer que num determinado momento o técnico não tenha um determinado valor disponível desejando fazer o aproveitamento de um resistor num aparelho fora de uso.

Os resistores, em princípio, não sofrem muita alteração com o tempo e sempre existe a possibilidade de se conferir seu valor com o multímetro. O único cuidado que o técnico deve ter é para não pegar um resistor de menor dissipação que o exigido ou ainda que tenha sinais de aquecimento que signifique alteração de valor.

Com relação a dissipação devemos observar que a capacidade de transferir calor para o meio ambiente vem melhorando ano a ano. Assim, um resistor de 1/2 watt de dissipação feito a 20 anos atrás é muito maior que um de mesmo dissipação atual. Isso significa que um resistor antigo que pode aparentar ser de 1/2 W pode, realidade ter uma dissipação menor.

 

Resistores modernos são menores e dissipam mais potência
Resistores modernos são menores e dissipam mais potência

 

b) Capacitores

Os capacitores exigem um cuidado especial no aproveitamento.

Os tipos de poliéster, cerâmicos e styroflex em geral têm grande durabilidade e não têm suas características sensivelmente afetadas pelo tempo.

No entanto, em aparelhos muito antigos podemos encontrar capacitores a óleo e de papel, com aparências mostradas na figura 2.

 

Capacitores antigos de papel e óleo como dielétrico.
Capacitores antigos de papel e óleo como dielétrico.

 

Estes capacitores absorvem umidade e com isso passa a apresentar fugas com o tempo. Não devemos aproveitar este tipo de capacitor em qualquer equipamento. Na verdade, se um aparelho muito antigo for levado a uma oficina para recuperação e usar este tipo de capacitor em algum ponto do circuito ele deve ser substituído por um de poliéster de mesmo valor.

Outro tipo de capacitor crítico no aproveitamento é o eletrolítico. Os eletrolíticos perdem a capacitância quando ficam muito tempo fora de uso e até podem apresentar fugas inadmissíveis.

Teste qualquer eletrolítico que deseja aproveitar. Se tiver figas excessivas jogue-o fora (existem aparelhos que permitem recuperar eletrolíticos, já publicados nesta revista).

Lembre-se que eletrolíticos muito antigos que tenham problemas podem explodir quando ligados em circuitos de alta tensão. Tenha extremo cuidado com estes componentes.

 

c) Bobinas e transformadores

Os piores inimigos das bobinas e transformadores são a corrosão e a umidade. A corrosão pode atacar os pontos de soldagem dos fios de cobre nos terminais acabando por soltá-los, caso em que o componente não pode ser usado, conforme mostra a figura 3.

 

Bobina interrompida no terminal por corrosão.
Bobina interrompida no terminal por corrosão.

 

O que ocorre nos casos de aparelhos mais antigos é que a pasta de soldagem usada pelos fabricantes acaba por atacar o próprio metal do terminal e do fio.

Uma verificação do estado pode ser importante ao se tentar recuperar o componente e se for possível refazer a soldagem o componente pode ser usado.

No entanto, nos transformadores o problema pode ser em camadas internas do enrolamento e neste caso o reparo é impossível.

A umidade afeta o isolamento entre enrolamentos de um transformador o que pode ser perigoso se ele operar ligado à rede de energia.

Podemos verificar o isolamento de forma simples com o multímetro, conforme mostra a figura 4.

 

Verificando o isolamento de um transformador.
Verificando o isolamento de um transformador.

 

A resistência entre enrolamentos deve ser superior a 200 k ? para a maioria dos casos. Se for inferior ou o componente tem problemas ou mesmo curtos. Para sinais evidentes de umidade podemos tentar eliminá-la colocando o transformador numa estufa ou ainda numa caixa de sapatos com sílica gel durante alguns dias, conforme mostra a figura 5.

 

Deixe o transformador na caixa por alguns dias
Deixe o transformador na caixa por alguns dias

 

Se o teste mostrar um aumento considerável da resistência de isolamento, o próprio aquecimento posterior durante o funcionamento pode acabar por eliminar o que resta de umidade.

Mas, cuidado: se o transformador ou outro componente apresentar sinais evidentes de aquecimento como por exemplo cheiro forte, fio esmaltado escurecido (queimado) ou ainda o papel ou forma de isolamento com enegrecimento então o componente está inutilizado, não podendo ser feito seu reaproveitamento.

 

d) Trimpots e potenciômetros

Para o aproveitamento de potenciômetros e trimpots devemos tomar cuidado com seu eventual desgaste. Depois de muito tempo de uso o elemento resistivo (carbono) destes componentes gastam afetando o contacto do cursor.

Se o potenciômetro for usado como controle de volume ele pode "arranhar" produzindo ruídos desagradáveis e impedindo ajustes precisos.

Um teste de contacto desses componentes deve ser feito antes do aproveitamento. Meça a resistência do componente entre os extremos para verificar se ele não está inutilizado.

 

e) Diodos

Os diodos, em princípio, não estragam com o tempo. Assim, a não ser que tenham algum problema devido a sobrecarga ou ainda estejam realmente queimados, eles podem ser aproveitados independentemente da época em que foram feitos.

Um teste de continuidade pode servir para verificar seu estado.

Para diodos de germânio e silício de uso geral, na maioria dos casos os tipos usados nos circuitos equivalentes são intercambiáveis. Assim, um diodo que seja encontrado num detector de um rádio AM antigo certamente pode ser usado em qualquer outro detector de qualquer rádio AM, basta experimentar.

Evidentemente o técnico deve estar apto a identificar as funções do diodo num circuito.

Para diodos retificadores também vale o mesmo procedimento devendo apenas ser observada sua capacidade de corrente. Assim, um diodo que seja usado na fonte de um televisor ligado a uma rede de 110 V serve perfeitamente para substituir outro diodo usado num televisor de 110V na mesma função.

É claro que o técnico previdente deve ter tabelas de características de diodos antigos para saber quando pode usar corretamente um tipo num aproveitamento.

 

f) Transistores

O aproveitamento de transistores de equipamentos pode ser feito sem problemas, pois os transistores não sofrem alterações com o tempo, se ficarem sem uso. O único cuidado que o técnico deve ter é o de testar o componente pois a causa do aparelho em que ele está ser abandonado pode ser justamente (entre outras coisas) sua queima.

Na figura 6 temos o modo de se testar um transistor usando o multímetro.

 

Testando um transistor NPN com o multímetro.
Testando um transistor NPN com o multímetro.

 

Se o transistor estiver bom e for do mesmo tipo usado no aparelho que devemos reparar não há problema algum. O problema maior ocorre quando o tipo que desejamos aproveitar é diferente do original.

Uma primeira saída é contar com um manual "de equivalências" de transistores. Manuais de transistores antigos podem ser adquiridos nas casas especializadas e são de grande utilidade para os técnicos de localidades que ainda trabalharem com aparelhos nas condições que indicamos (Atualmente temos a internet e o próprio mecanismo de busca de datasheets deste site.).

Outra saída, para o caso de não termos informações sobre o componente é tentar usar que exerça a mesma função num aparelho abandonado fora de uso.

Por exemplo, se queimou um transistor NPN numa etapa de FI de vídeo de um televisor podemos tentar usar um transistor retirado de uma placa de FI de vídeo de um televisor velho, desde que também ele seja NPN.

Podemos até ir além e verificar se os componentes polarizadores da placa em que está o transistor, que pode ser aproveitado tem valores próximos dos usados no aparelho em que ele deve ser usado. Mesmo que ele não seja exatamente igual a probabilidade de que ele funcione é grande e isso é importante para o técnico.

Para os transistores de potência é preciso ter mais cuidado: a análise do circuito pode servir de base para termos as características. Em função disso temos a possibilidade de encontrar transistores de características próximas e até mais modernos.

 

g) Circuitos integrados

Este é um tipo de componente bastante crítico quanto ao aproveitamento. Se o tipo que desejamos aproveitar não for exatamente o mesmo que o original podemos dizer que as chances de termos êxito são nulas.

A única possibilidade de êxito para um caso como este é dispor de um manual de equivalência de alguns tipos comuns usados em aparelhos comerciais.

O caso mais comum que temos para as equivalências é em relação as siglas. Assim, alguns fabricantes dão denominações diferentes para um mesmo circuito integrado usado em seus aparelhos e o técnico deve estar bem informado para saber quando pode fazer sua substituição.

Como não podemos dizer que existem equivalências de circuitos integrados, o que ocorre neste caso é que eles são iguais mas são chamados por nomes diferentes.

 

h) Outros componentes

É claro que existem muitos outros componentes de aparelhos antigos ou fora de uso que podem ser aproveitados mas o técnico deve ter sempre em mente a possibilidade de examiná-los com cuidado e testá-los.

Assim, componentes que podemos incluir nestes casos são os fusíveis, LEDs, alto-falantes, trimmers, variáveis, interruptores, etc.

Se o leitor deseja ter um bom estoque de peças [para este tipo de trabalho e poder usá-las a qualquer momento com segurança as seguintes recomendações adicionais:

* Guarde as placas em lugar seco e que não receba a luz do sol diretamente.

* Não retire os componentes das placas a não ser no momento do uso. Saber onde estavam pode ser importante para determinação de suas características.

* Não jogue de qualquer maneira as placas. Você pode danificar componentes que ainda podem ser aproveitados.

* Retire com cuidado os componentes que deseja aproveitar para não danificar componente próximos que eventualmente podem ser úteis.

* Mantenha-se em contacto com outros técnicos de sua região para fazer "trocas" de componentes pois eles têm os mesmos problemas que você para obtê-los e vocês podem se ajudar.

BUSCAR DATASHEET

 


N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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