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Aproveitando componentes (ART1195)

Muitos leitores que gostam de fazer montagens eletrônicas ou desenvolver projetos podem ter certa dificuldade em obter componentes básicos em suas localidades. Se bem que existam empresas que vendam componentes pela internet, enviando-os pelo correio com total confiabilidade, sempre é bom ter um estoque de peças de uso geral. Esse estoque pode ser facilmente composto com peças aproveitadas de aparelhos fora de uso. (2012)

Componentes mais especializados como circuitos integrados, certos transistores e mesmo SCRs não podem ser encontrados com facilidade em qualquer lugar. Quando precisamos desses componentes para uma montagem, certamente devemos recorrer a um fornecedor de confiança.

No entanto, não precisamos comprar todos os componentes de um projeto e uma boa economia pode ser obtida se tivermos um estoque deles aproveitados de aparelhos fora de uso.

Quem não tem um velho televisor, rádio ou outro equipamento eletrônico abandonado num quartinho de sucata de sua casa ou mesmo naquela caixa de imprestáveis debaixo da bancada.

Esses aparelhos, que certamente nunca serão reparados, podem ser desmontados fornecendo um bom estoque de componentes básicos para os leitores.

No entanto, é preciso ter cuidado. Devemos aproveitar apenas os componentes que estejam bons. Os componentes que eventualmente tenham sido a causa do problema do aparelho não devem ser usados, pois podem causar novos problemas aos projetos dos leitores.

Como saber quais são os componentes que podemos aproveitar e como testá-los é o que veremos a seguir.

 

Resistores

Os resistores são os componentes que podem ser encontrados em maior quantidade em qualquer velho aparelho. E, se não tiverem sinais evidentes de que estão queimados (enegrecidos) podemos aproveitá-los.

O teste é simples. Basta medir sua resistência com o multímetro, dando-se as devidas tolerâncias, conforme mostra a figura 1.

 

Figura 1- Medindo a resistência de um resistor com o multímetro analógico ou digital.
Figura 1- Medindo a resistência de um resistor com o multímetro analógico ou digital.

 

Um bom estoque de resistores pode ser obtidos, retirando-os das placas de velhos aparelhos. O único problema nesse caso é que normalmente eles terão terminais curtos, devendo o leitor cuidar para que no processo de dessoldagem eles não quebrem.

Organize os seus resistores numa caixinha com divisões. Uma caixinha "econômica" para organizar esses componentes pode ser improvisada com uma bandeja de ovos, no entanto existem nas lojas gaveteiros especialmente criados para esta finalidade, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2- Gaveteiro para componentes eletrônicos.
Figura 2- Gaveteiro para componentes eletrônicos.

 

Capacitores

Se o leitor tiver um capacímetro, o teste de capacitores aproveitados permite selecionar os que estão bons dos que estão ruins, o teste com o multímetro apenas revela eventuais capacitores em curto ou com fugas. É bom ter um capacímetro como o da figura 3.

 

Figura 3 - Capacimetro digital
Figura 3 - Capacimetro digital

 

Nesse ponto devemos ter muito cuidado com os capacitores eletrolíticos. Fora de uso e com o tempo eles tendem a "esgotar-se", ou seja, perdem sua capacitância, não mais podendo ser usados.

Assim, os capacitores eletrolíticos de aparelhos antigos devem sempre colocados sob suspeita, se não houver meio de testá-los.

 

Trimpots e Potenciômetros

O teste de resistência permite saber se esses componentes podem ou não ser aproveitados, devendo ser realizado conforme mostra a figura 4.

 

Figura 4 - Testando um trimpot (veja ART432)
Figura 4 - Testando um trimpot (veja ART432)

 

O maior problema que pode ocorrer em alguns casos é que esses componentes, se forem muito antigos, podem estar desgastados, apresentando mau contacto no cursor.

Em alguns casos, pingando-se solvente na abertura que dá acesso ao cursor podemos recuperá-los obtendo um funcionamento razoável. Se forem usados em aparelhos de som e produzirem ruídos, devem ser trocados.

 

Alto-falantes

Radinhos, televisores e pequenos aparelhos de som possuem alto-falantes que podem ser aproveitados em muitos projetos, se não estiverem danificados ou queimados.

O teste da bobina feito com o multímetro, conforme mostra a figura 5, permite revelar se ele está queimado.

 

Figura 5 - Testando um alto-falante com o multímetro
Figura 5 - Testando um alto-falante com o multímetro

 

Faça também um teste visual para ver se o cone não está rasgado ou deteriorado. Se puder experimentá-lo ligando na saída de um pequeno amplificador, a qualidade de sua reprodução pode ser verificada e se ele não está " arranhando" .

 

Transformadores e Bobinas

Radinhos, televisores e muitos outros aparelhos podem ter transformadores de tipos para certas montagens eletrônicas. Nesse caso devemos separar os transformadores em categorias para ver exatamente onde podemos usá-los.

Num primeiro caso temos as bobinas de altas freqüências encontradas nos estágios de RF e Vídeo de televisores e rádios que têm os formatos típicos mostrados na figura 6.

 

Figura 6 - Bobinas de alta frequência
Figura 6 - Bobinas de alta frequência

 

O teste de continuidade revela se seus enrolamentos estão ou não bons. Infelizmente, as bobinas desse tipo têm características específicas para os circuitos em que funcionam, dificilmente sendo encontrado um outro projeto em que possam ser usadas.

No entanto, isso não significa que devam ser jogadas fora. Suas formas são úteis para que o leitor enrole bobinas para outras aplicações como, por exemplo, para pequenos transmissores. Muitos, entretanto, usam bobinas sem forma, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 - Bobina usada em transmissor de FM
Figura 7 - Bobina usada em transmissor de FM

 

A vantagem nesse caso é que muitas delas já estão com os núcleos de ferrite de ajuste que devem ser mantidos no seu interior e movidos com delicadeza para que não quebrem.

Choques de RF e outros componentes do mesmo grupo já são mais fáceis de serem aproveitados, podendo ser encontrados no formato mostrado na figura 8.

 

Figura 8 - Choques de RF
Figura 8 - Choques de RF

 

O único problema desses componentes é que eles podem estar completamente sem identificação. Assim, num eventual projeto que exija esse tipo de componente o máximo que podemos fazer é experimentá-lo.

O teste para saber se estão bons é feito com o multímetro devendo ser lida uma baixa resistência para um choque ou bobina em bom estado. A resistência pode variar entre 0 e 100 ? tipicamente.

Um outro tipo de componente cujo aproveitamento nem sempre é possível é o pequeno transformador encontrado em aparelhos de áudio a pilhas como rádios transistorizados antigos, gravadores cassete antigos, walk-talkies e outros e que tem a aparência mostrada na figura 9.

 

Figura 9 - Pequeno transformador de saída de áudio
Figura 9 - Pequeno transformador de saída de áudio

 

Nesses aparelhos encontramos dois tipos de pequenos transformadores. Um deles é o chamado driver que tem enrolamentos de média impedância e o outro é o de saída que alimenta normalmente o pequeno alto-falante do aparelho. É justamente pelo fato de estar ligado ao alto-falante que podemos identificá-lo.

Esse transformador pode ser aproveitado em projetos com transistores que alimentem alto-falantes, existindo diversos deles como o mostrado na figura 10.

 

Figura 10 - Transformadores de um radinho transistorizado antigo
Figura 10 - Transformadores de um radinho transistorizado antigo

 

É claro que, para ser aproveitado o transformador precisa estar bom e isso pode ser comprovado com um teste de continuidade realizado com o multímetro.

Temos ainda um tipo de transformador interessante pelas suas dimensões e que pode ser encontrado em equipamentos valvulados. São os transformadores de alimentação e som que têm a aparência mostrada na figura 11, alguns chegando a pesar mais de 1 kg dadas suas dimensões.

 

 

Figura 11 - Transformador de saída de áudio para circuito valvulado
Figura 11 - Transformador de saída de áudio para circuito valvulado

 

Seu aproveitamento em projetos também é problemático pois eles só servem para a função original.

Os transformadores de força usados em equipamentos valvulados possuem secundários de alta e de baixa tensão. O secundário de alta tensão que pode chegar aos 500 V, serve para alguns projetos especiais. Já o secundário de baixa tensão costuma ser de 6,3 V e em alguns casos existe um secundário de 5 V que podem ser usados em certos projetos.

No entanto, dado o tamanho do componente, nem sempre compensa seu aproveitamento num projeto numa função que pode ser exercida por um transformador muito menor.

 

Os transformadores que podem ser aproveitados com mais facilidade em outros projetos são os transformadores de baixa tensão encontrados nas fontes de alimentação de equipamentos que fazem uso de transistores e circuitos integrados.

Esses transformadores, conforme mostra a figura 12, podem ter secundários de 100 mA a 3 A com tensões na faixa de 5 V a 30 V. Diversos projetos comuns admitem esse tipo de transformador em suas fontes.

 

Figura 12 - Fonte típica com transformador de projeto valvulado
Figura 12 - Fonte típica com transformador de projeto valvulado

 

 

Hardware

Além dos componentes eletrônicos, existem diversas ferragens ou acessórios (hardware) que podem ser retirados dos aparelhos originais e aproveitados em outras montagens.

O mais imediato é o cabo de força, que evidentemente deve ser testado para se verificar se não está interrompido.

Temos ainda os botões das chaves e potenciômetros, jaques, interruptores, conectores, chaves, soquetes de lâmpadas, bornes, e muitos outros.

Em alguns casos é preciso verificar se uma oxidação excessiva de partes desses componentes não podem afetar seu funcionamento, caso em que eles devem ser limpos, ou então se a corrosão for excessiva, devem ser descartados.

 

Diodos e Transistores

Em muitos equipamentos não muito antigos, depois dos anos 1970, por exemplo, podemos encontrar transistores e circuitos integrados que até hoje encontram uso em muitos projetos práticos.

Os transistores mais comuns são os da série BC e BD ou TIP, enquanto que circuitos integrados de múltiplas utilidades como o 555, 741, etc. podem eventualmente ser encontrados.

O maior problema para se aproveitar esses componentes é a sua retirada da placa que exige uma boa habilidade para que eles não sejam danificados.

Para essa finalidade use uma chave de fendas para empurrar para cima o componente à medida que se solta os terminais passando o soldador em sua fila, conforme mostra a figura 13.

 

Figura 13 - Extraindo o CI.
Figura 13 - Extraindo o CI.

 

Essa operação deve ser feita rapidamente para que o excesso de calor não danifique o componente.

Para os circuitos integrados de microprocessadores e outros de muitos terminais não há possibilidade de aproveitamento por dois motivos. O primeiro é que a função de tais aparelhos é especifica para o aparelho em que funcionam. Normalmente o próprio tipo é desconhecido, pois vem com a marcação da própria fábrica.

O segundo é que o elevado número de terminais impede sua retirada com segurança. Normalmente tais componente são inseridos na montagem através de máquinas.

Acrescente-se a isso a impossibilidade na maioria dos casos de se identificar a função do componente, o desconhecimento do programa interno com a impossibilidade de se mexer nesses programa e a própria identificação de seus pinos com suas funções.

 

Outros Componentes

Existem ainda aparelhos relativamente modernos que fazem uso de componentes para montagem em superfície (SMD) extremamente pequenos, conforme mostra a figura 14.

 

Figura 14 - Placa com componentes SMD
Figura 14 - Placa com componentes SMD

 

Além de sua retirada difícil, exigindo recursos especiais como as chamadas estações de retrabalho, esses componentes são difícveis de identificar e usar, por isso seu aproveitamento não é recomendado.

 

Conclusão

Com paciência e cuidado o leitor pode formar um bom estoque de peças reaproveitadas para seus projetos. Identificando cada um o leitor poderá encontrá-los com facilidade e economizar dinheiro com sua compra, além de ter a possibilidade de fazer experimentações.

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N° do componente 

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