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Professor Ventura em: Cabeça dura ou Miolo Mole

Era época de eleições em Brederópolis. Os dois candidatos entram em conflito, procurando cada qual arrebatar do outro o maior número de votos. Tudo ocorre de maneira absolutamente normal numa "briga" política, mas em Brederópolis até as eleições são diferentes, e o Professor Ventura entra em cena. A Partir daí, com a presença da eletrônica e a participação de Beto e Cleto, as coisas ficam mais interessantes, principalmente quando quem pode decidir tudo é Epaminondas Portentoso, o "tubista".

 

 

Tudo começou quando Toninho Pedroso, dono da principal pedreira da cidade e Abelardo Leite, dono das duas principais padarias da cidade, incluindo a moderníssima "24-horas" chamada de "Windsor" se candidataram ao cargo de presidente da Associação Atlética de Brederópolis (AAB). Não era um cargo político, mas uma gestão bem feita na AAB significava invariavelmente uma eleição ganha para prefeito, e os dois estavam "de olho" num cargo maior!.

 

O povo achava que, independentemente de quem ganhasse e da profissão do vencedor, continuariam "carregando pedras e comendo o pão que o diabo amassou", enquanto que a oposição aproveitava o fato para dizer que seria a briga do "cabeça dura" contra o "miolo mole".

 

Mas, o que diferenciava a eleição do presidente da associação de todas as demais eleições conhecidas, era uma tradição que já durava 40 anos e que não poderia ser quebrada, pois estava nos "estatutos": o presidente deveria ser eleito por "aclamação", como se fazia na velha Esparta. O fundador da associação esportiva, um adepto dos costumes gregos clássicos, incluiu esta estranha cláusula nos estatutos da associação, e ela se manteve.

 

Com o tempo, a escolha do presidente se tornou uma verdadeira "guerra" política, e como praticamente todos os habitantes de Brederópolis eram sócios da AAB, do pequeno salão de reuniões do clube, a escolha do presidente se transferiu para a praça principal e a campanha que se limitava ao espaço físico do clube, se estendeu pela cidade.

 

O problema, é que com o tempo as coisas foram se exagerando, e a escolha muitas vezes terminou em confusão, ou mesmo briga, pois os "jurados" não tinham condições de saber quem obteve maior nível de "barulho" quando a diferença era muito pequena!

 

- Desta vez não vai ser assim! - comentava o presidente atual da AAB, ao organizar a nova eleição - O nosso maior problema é com a avaliação do nível da aclamação, mas tenho uma idéia!

 

Todos na mesa de reuniões apoiaram e o presidente, Joaquim Bonfim, continuou:

 

- Já existe, nas eleições normais, o sistema de votação eletrônica, e como é infalível, acreditamos que também possa ser usado no nosso caso!

 

Um dos presentes, não entendendo muito da "coisa" até imaginou uma "máquina de votar do barulho" em que cada eleitor deveria chegar diante de um bocal e gritar o mais alto que pudesse, num intervalo determinado, o nome de seu candidato. Depois, a máquina "somaria" os gritos, totalizando os "berros" recebidos por cada candidato e proclamando o vencedor!

 

"- Idéia besta!" - comentou com seus botões. Mas não era nada disso que se pretendia!...

 

O presidente, sem saber dessas "elucubrações", continuou:

 

- Como soluções eletrônicas na nossa cidade são fáceis, pois temos a nossa disposição o gênio do Professor Ventura e os recursos da Escola Técnica, já temos um projeto nesse sentido e que passamos a submeter a apreciação e votação de todos!

 

Dito isso, o presidente apresentou o Professor Ventura que, agradeceu os aplausos e, se dirigiu a um quadro negro para explicar como funcionaria sua "máquina de votar por aclamação".

 

- Na verdade, o circuito que proponho é um "medidor de aplausos", um circuito muito usado até em programas de televisão e que consiste num "medidor de intensidade sonora".

 

O Professor fez então um esboço em blocos do aparelho, já que explicações técnicas "avançadas" não adiantariam para um público leigo. Depois disso, continuou as explicações:

 

- O que temos é um microfone que "capta" os sons da praça na aclamação e os leva a um circuito de processamento. Este circuito transforma o "volume" total do som em um sinal que pode ser medido. Temos então dois tipos de indicação.

 

Neste momento, o Professor Ventura fez outro desenho:

 

- No primeiro indicador temos uma espécie de "termômetro" sonoro, em que as lâmpadas ou LEDs acendem tanto mais, subindo na escala, quanto mais forte for o nível do som, de modo que todos na praça possam ver.

 

- Mais barulho faz a "temperatura subir mais"! - interrompeu o presidente.

 

O Professor continuou:

- Sim, isso mesmo! Mas além disso, temos um indicador digital, ou seja, um conjunto de indicadores que fornecem o "valor" do barulho numa escala de 0 a 100. Assim, se na aclamação um candidato tiver um nível de "barulho" que corresponda a 70 pontos, o "termômetro" sobe até este valor e, ao mesmo tempo, o indicador digital fornece a indicação precisa com duas casas decimais, por exemplo, 70,15. Isso facilita um desempate, por exemplo, se o outro candidato tiver 70,16. Visualmente, o "termômetro" não indicaria isso, separando a pequena diferença.

 

- Mas, essa indicação não é muito rápida? E se não der tempo de ler? - a pergunta do conselheiro Joaquim tinha fundamentos. Mas, o Professor Ventura também tinha pensado nisso.

 

- Por ser rápida é que incluímos uma "trava". O circuito indica o ponto de máximo e o registra, de modo que, no intervalo de 1 minuto previsto para a aclamação, ele vai registrar apenas o ponto de máximo!

 

- Muito bem pensado! Não há perigo de erros de julgamento, e mesmo pequenas diferenças, que não seriam percebidas por um júri "humano", são registradas pelo aparelho! - completou o presidente.

 

O Professor agradeceu e deu algumas informações adicionais, como por exemplo a localização do microfone sobre o palanque, de modo que nenhum "espertalhão" pudesse gritar na sua boca, e ainda um filtro que faria com que apenas sons audíveis fossem registrados. Nunca se sabe se alguma "malandragem" eletrônica injetando ultrassons não seria usada...

 

O projeto tinha sido aprovado e o Professor, juntamente com Beto e Cleto que assistiam a reunião, saiu para iniciar a montagem do sistema.

 

Nos dias seguintes, ao lado do trabalho árduo do Professor, Beto e Cleto na montagem e instalação do sistema, a campanha política corria solta com placas apregoando as qualidades do "Cabeça Dura" e carros de som elogiando o "Miolo Mole". Os apelidos acabaram pegando e os verdadeiros nomes dos candidatos estavam até esquecidos!

 

Mas havia os boatos e também os problemas!

 

O regulamento da aclamação permitia que os "votantes" que se apresentassem na praça, para fazer o máximo de barulho possível, não podiam usar recursos eletrônicos, bombas de festas juninas ou armas de fogo! No entanto podiam usar instrumentos musicais, panelas, latas ou qualquer dispositivo "mecânico" ou de sopro.

 

Más línguas diziam que o Chico Feijoada, cujo apelido se devia aos seus excessos nos hábitos alimentares, e seus 185 quilos, estava se preparando com enorme estoque de repolho, feijão e batata doce, para que no dia seguinte pudesse fazer muito barulho, mas de uma forma não convencional e que certamente iria impressionar muito mais o olfato dos presentes, do que os ouvidos! Até houve uma proposta tentando mudar seu nome para Chico "Trovoada"!

 

- Não poderíamos enquadrar esse tipo de "voto" na categoria dos "fogos de artifício" e proibir? - questionava um cidadão preocupado.

 

- Pelo menos tem "estampido e cheiro de pólvora", mas dizem que para valer "tem de sair fogo"... - respondia outro, ficando na dúvida se na dieta do indivíduo não se incluíam pimentas!

 

Havia também o caso dos que apelavam para possíveis danos ao meio ambiente:

 

- O Promotor do Meio Ambiente deveria impor nos regulamentos da votação uma cláusula impedindo este tipo de "voto"! - reclamavam alguns.

 

- Se ele não fizer isso, pode "poluir" não só a praça, mas a cidade inteira!

 

Já se previa até que ficaria um certo vazio em torno do indivíduo, no momento da votação!

 

Mas, Beto e Cleto, como "votantes" também tinham um outro problema, além de ajudar o Professor Ventura na montagem do equipamento.

 

O problema se manifestou na reunião do "partido" de Abelardo Leite, o "Miolo Mole", do qual Beto e Cleto eram simpatizantes.

 

Foi o maestro Zezinho da banda que se manifestou:

 

- Vocês sabem que a Corporação Musical de Brederópolis apoia o Abelardo que, ao que parece, tem um ouvido mais sensível para a música do que quem está acostumado a ouvir explosões de dinamite na pedreira!...

 

Todos concordaram. O maestro pediu silêncio e continuou:

 

- Temos muitos meios de fazer barulho com nossos instrumentos, principalmente a potente tuba do Epaminondas Portentoso.

 

- Sim, o Epaminondas pode nos dar a vitória!

 

De fato, o baixinho, músico da banda, era o mais potente "pulmão" do local e quando soprava sua tuba, o som era realmente de "tremer"! Não havia tuba mais potente em nenhuma banda de todas as cidades da região!

 

Neste ponto, o maestro baixou a cabeça e constrangido explicou:

 

- Poderia, se estivesse entusiasmado! Mas, ao que parece não está.

 

- Mas, por quê? - perguntou um dos participantes.

 

O maestro então explicou:

 

- Ele me confessou que não se interessa mais por "política", e que vai participar, mas não vai "soprar" sua tuba com o mesmo entusiasmo de antes.

- Puxa! Sem ele nossa vitória está em perigo!

 

- Sim, mas o que podemos fazer? Vocês sabem que o Epaminondas só toca com a potência máxima em condições muito especiais!

 

- Sim! Ele precisa ser "estimulado"! - completou alguém.

 

A reunião terminou por aí, mas Beto, naquele momento teve um lampejo, uma idéia que comentou com o amigo Cleto, que também participava do grupo.

 

- Sei como "injetar" uma boa dose de entusiasmo no Epaminondas!

 

Observando o olhar de Beto, qualquer um poderia perceber que alguma idéia maquiavélica estava percorrendo seu cérebro.

 

Não foi preciso muito insistência para que Beto contasse sua idéia ao amigo, que no final exclamou entusiasmado:

 

- Caramba! Macacos me mordam se não der certo!...

 

Evidentemente, o projeto envolvia a colaboração do Professor Ventura que também apoiava o "Miolo Mole", e quando os rapazes lhe explicaram o que pretendiam o Professor ficou meio apreensivo, mas concordou em ajudá-los.

 

- Está bem, o circuito que me pedem saiu na revista Eletrônica Total e é uma "defesa eletrônica". É um pequeno oscilador-inversor alimentado por pilhas e que produz uma alta tensão, da ordem de 3 000 volts, mas inofensiva. Esse tipo de aparelho é usado para afastar atacantes, com uma forte descarga elétrica que, pela tensão, consegue atravessar até a roupa!

 

- Deve atravessar as calças do Epaminondas! - comentou Cleto, analisando o circuito.

 

O Professor explicou então seu funcionamento:

 

- Temos um oscilador simples com um circuito integrado 4093 que opera na faixa das áudio frequências. O sinal produzido por este oscilador excita um transistor de efeito de campo de potência que tem por carga em seu dreno um transformador de alta tensão. A relação de espiras deste transformador faz com que os 6 volts pulsantes das oscilações se convertam em quase 3 000 volts na saída. Os eletrodos são duas pequenas pontas ou chapinhas que ficam do lado de fora da caixinha e que devem ser encostadas na "vítima".

 

Beto examinando o projeto tinha algumas dúvidas:

 

- Mas e o consumo? Não é elevado?

 

O Professor explicou:

- Sim, podemos alimentá-lo com pilhas, mas ele só deve ser acionado nos instantes em que for usado. Ele pode ser facilmente instalado numa caixinha que cabe no bolso e acionado por um interruptor de pressão!

 

Depois das explicações, e de posse do diagrama, não demorou muito para que Beto e Cleto montassem sua "defesa eletrônica" que, na verdade, deveria é causar um "ataque" de entusiasmo no Epaminondas.

 

A prova de funcionamento do aparelhinho foi sensacional! Não avaliando o efeito, Cleto encostou os eletrodos na sua calça e apertou o botão! O pulo que o rapaz deu mostrou que a coisa funcionava!

 

- É de "lascar"! - comentou o rapaz esfregando o local.

 

O aparelho dava uma "bela descarga" elétrica em quem encostasse nas duas chapinhas, chegando perto dos 3 000 volts, conforme mediu Cleto depois pelo tamanho da faísca!

 

- Puxa! Quase três milímetros! Levando em conta que a rigidez dielétrica do ar é da ordem de 10 000 volts por centímetro, uma faísca de 3 milímetros significa 3 mil volts!

 

- Você vai acabar matando o "pobre" Epaminondas!

 

- Pode ter certeza que não! - completou Beto - É você que vai usar o aparelho!

 

- Eu? Por que eu?

 

- Ora! Eu vou ficar no controle do medidor do Professor lá no palanque e você vai estar livre. Pode aproveitar para dar seu "berro" na aclamação de nosso candidato!

 

No grande dia da eleição, a propaganda dos dois candidatos ainda era intensa até o meio dia, quando não poderia haver mais nenhuma manifestação pública. Os comícios tinham sido inflamados pois, o cargo era levado muito a sério e as promessas não faltaram. Era quase uma "prévia" para a eleição para prefeito.

 

O Professor Ventura, Beto e Cleto já haviam terminado a instalação do "medidor de aclamação" e faziam os últimos testes, posicionando o microfone e fazendo barulhos para verificar a resposta. A escala usada era logarítmica de modo a se evitar possíveis saturações. O Professor achou que os 110 dB eram mais do que suficientes como limite, pois isso já equivalia ao ruído de uma turbina de avião a jato na hora da decolagem!

 

- Se conseguirem fazer mais barulho que isso, ficaremos todos surdos! - comentou Beto, ajudando o Professor na calibração.

 

- É verdade, numa escala como esta o som mais fraco detectável é um trilhão de vezes menos intenso que o limite! - completava o Professor.

Uma luz verde, ligada a um pequeno timer que "chaveava" o microfone durante 1 minuto e, com isso, garantia que no intervalo previsto para a votação só entrariam os sons desejados.

 

- Só são registrados os sons no intervalo em que a luz permanece acesa e ela é disparada pelo juiz! - comentou o Professor.

 

O juiz era o presidente cujo mandato estava terminando.

 

A votação seria às 8 horas da noite. Às 7 horas a praça já estava cheia, com pessoas trazendo os mais diversos "instrumentos" de fazer barulho. Alguns traziam panelas, latas, cornetas do tipo usado em estádios de futebol, buzinas de bicicleta com suas bolotas de borracha, e até o Chico Feijoada espantou todos (para alívio de alguns e decepção de outros), quando chegou, com um enorme bumbo!

 

- Pelo menos parece que ele não vai fazer barulho da maneira que andaram comentando! - segredou um votante para seu amigo.

 

Epaminondas estava na banda que tocava desde às 6 horas, animando a festa, mas ele não estava muito entusiasmado.

 

A comitiva do prefeito chegou pouco antes das oito, indo diretamente para o palanque, onde o presidente do clube e os candidatos já estavam presentes.

 

Às oito horas a cerimônia começou oficialmente. O discurso do prefeito, "enaltecendo a importância de presidir a principal agremiação esportiva de Brederópolis", foi breve e depois o presidente fazia seu discurso, também breve, onde apresentou um breve currículo dos candidatos.

 

As regras da votação foram então relembradas e até uma breve "fiscalização" na praça foi feita com a ajuda da "guarda municipal". No entanto, nunca tinha havido problemas de se usarem fogos de artifício e não seria desta vez. O povo de Brederópolis era ordeiro.

 

Finalmente, depois de explicar como funcionava o sistema de votação do Professor Ventura (se bem que maioria já sabia, tal foi a intensidade dos comentários durante as campanhas), o presidente se colocou bem a vista os dois candidatos, e disse:

 

- Chegou o grande momento! Eu vou anunciar o nome de cada um dos candidatos e quando a luz verde acender vocês vão aclamá-lo com todas as suas forças, mas só vai valer  o barulho feito no tempo em que ela estiver acesa. Estão todos prontos?

 

Uma voz quase uniforme veio do enorme público que se aglomerava na praça:

 

- Pronto!

 

Não precisamos dizer que neste aglomerado estava Epaminondas com sua tuba, também disposto e fazer algum "barulho" pelo seu candidato, mas como ele mesmo disse "sem muito entusiasmo". O que Epaminondas não percebeu, entretanto, é que exatamente atrás dele, estava se posicionando de uma forma especial Cleto, e com seu aparelhinho muito bem protegido no bolso do blusão!

 

O presidente apresentou então o primeiro candidato:

 

- Agora, o primeiro candidato, o "Cabeça Dura" Toninho Pedroso! Atenção na luz verde!

 

A contagem regressiva começou:

 

- 5 - 4 - 3 - 2 - 1 - Já!

 

A luz verde acendeu, e um enorme barulho foi produzido pela multidão adepta do "Cabeça Dura"! O "termômetro de barulho" ou "barulhômetro" do Professor Ventura subiu quase até acender o último LED e quando terminou o prazo de 1 minuto, e a lâmpada verde apagou, ele marcava o fantástico índice de 94,12 que equivalia a aproximadamente l02 dB!

 

Com o anúncio desse índice a multidão aplaudiu!

 

- Vai ser difícil passar desse valor! - comentou Beto que estava nos controles junto ao o Professor Ventura.

 

- Realmente! Mas ainda tenho esperanças no nosso "estimulador de tubistas"! - respondeu o Professor.

 

Beto então se lembrou que o amigo Cleto poderia "salvar" aquela eleição.

 

O presidente chamou o outro candidato:

 

- Agora a vez do "Miolo Mole", Abelardo Leite. Vamos a contagem regressiva:

 

Em coro a praça contou:

 

- 5 - 4 - 3 - 2 - 1 - 0 !

 

A luz verde acendeu e o barulho foi intenso: bumbo, cornetas, panelas, gritos, assobios, etc. No entanto não parecia suficiente para vencer o outro candidato, pois a escala não subia além de 90 pontos até que Cleto entrou em ação. Retirando do bolso discretamente o "excitador de tubistas", como ele chamava o aparelhinho, ele posicionou-o de modo que os dois pequenos eletrodos em forma de agulha encostassem justamente no... traseiro do Epaminondas que estava começando a soprar sua tuba, mas sem entusiasmo. Cleto apertou então o botão e a poderosa descarga de 3 000 volts teve um efeito fulminante!

 

Algumas pessoas que estavam perto dizem que tudo ocorreu numa fração de segundo: Os olhos de Epaminondas se juntaram e "acenderam", ele deu um salto para cima, seus cabelos se arrepiaram e diversas faíscas foram vistas saindo das suas orelhas, ao mesmo tempo que ele descarregava todo o ar acumulado nos pulmões através da tuba!

 

Junto com uma poderosa nota musical, dizem que até saiu "fogo" da boca da tuba! Mas as vibrações que foram acrescentadas ao barulho da aclamação eram poderosas demais! Depois de "estourarem" duas ou três lâmpadas do sistema de iluminação, de trincarem alguns óculos, e de derrubarem uma jaca da velha jaqueira que ficava no centro da praça, bem na cabeça de um guarda, chegaram ao microfone!

 

- Parecia o urro de um elefante enfurecido! - alguém comentou depois!

 

- Nada disso! Era um apito de navio! - retrucou outro.

 

Os 110 dB de máximo da escala não eram suficientes para registrar o que ocorreu! O "termômetro de som" subiu rapidamente, acendendo todos os LEDs, passaram alguns segundos e o painel digital registrou 100,00 pontos e em seguida o sistema queimou!

 

Uma "fumacinha" emanou da mesa de controle e das escalas.

 

Quanto ao Epaminondas, que tinha quase virado do avesso, saiu pulando com o traseiro chamuscado, atravessando desesperadamente a multidão que, abrindo caminho, o aplaudia! Cleto, evidentemente escondeu o aparelho no bolso e saiu rapidamente do local!

 

Quando alguns  populares conseguiram dominar Epaminondas é que perceberam que ele estava com a "moral" ferida. Levaram-no à farmácia, onde se constatou apenas que havia uma pequena marca no traseiro!

 

- Nada grave! - disse o farmacêutico, colocando um curativo.

 

Apoiado de bruços numa mesa e com as calças abaixadas, mas sem largar sua preciosa tuba numa cena ridícula, Epaminondas reclamava:

 

- Nada grave porque não foi em você! alguém de me deu um "choque"!

 

- Ora, como alguém poderia dar um "choque" naquele local? Deve ter sido uma abelha...

 

Evidentemente, não acreditando nessa possibilidade, o farmacêutico continuou fazendo seu curativo, enquanto o tubista continuou reclamando sob os olhares aflitos de dona Pafúncia, sua esposa.

 

Na praça, o candidato vitorioso, Abelardo Leite, era proclamado vencedor sob aplausos da multidão que o apoiava. Mesmo o perdedor o cumprimentava, pois tudo era levado na "esportiva".

 

Na cerimônia de transmissão da faixa de presidente, também na praça, a banda tocava suas marchas animadamente, no entanto Beto notou algo diferente, que comentou com seu amigo Cleto:

 

- Não está vendo algo estranho na banda?

 

- Não, não noto nada!

 

- O Epaminondas, veja! - retrucou Beto.

 

- O que tem ele? - respondeu o amigo Cleto.

 

- Está mais alto!

 

- Mais alto? Ah, já sei! Depois do que ocorreu na votação, pelos "ferimentos que recebeu" de alguém que o "estimulou" por trás ele está usando um travesseiro dentro das calças!

 

Sabendo quem era o responsável pelos "ferimentos" os dois se olharam e riram. O professor Ventura que estava um pouco atrás e tinha ouvido o comentário também riu de mais esta "travessura eletrônica".

 

 

Quando essa estória foi escrita, na cidade em que autor reside realmente, dois candidatos muito folclóricos disputavam a eleição para vereador. Um deles, realmente era dono de uma pedreira e o outro dono de uma padaria. A inspiração veio justamente das estórias bastante interessantes que circulavam na cidade a respeito dos dois. Isso foi lá pelos anos de 1980. A estória foi agora refeita, com utilizando-se novas tecnologias eletrônicas...

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Opinião

Novembro chegando (OP197)

Novembro é o mês de encerramento das aulas e com isso, diferentemente do que muitos pensam, as atividades estudantis não terminam. Alguns curtirão suas férias, mas outros ficam para exames e mais ainda, precisam terminar seus TCCs.

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Exemplo
O caminho da sabedoria é longo através de preceitos, breve e eficaz através de exemplos. (Longum iter est per pr?cepia, breve er efficax per exempla.)
Seneca (Epístolas) - Ver mais frases


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