Mini Receptor PX (ART2701)

Para você que montou pequenos transmissores PX que descrevemos em outros artigos deste site, ou para você que deseja um radinho simples que “possa sintonizar estações de PX (faixa do cidadão) e de frequências próximas (amadores dos 10 metros) eis aqui um receptor muito simples mas de grande sensibilidade. Com apenas 3 transistores este receptor pode captar estações próximas e distantes com bom volume.

Os transmissores PX (faixa do cidadão) para uso móvel estão se tornando populares (1979) a ponto do número de operadores já existentes ser suficiente para manter todas as faixas disponíveis constantemente ocupadas.

Para os que têm colegas PX ou que possuem receptores em suas carros, mas não desejam retirá-los para uma audição doméstica, eis aqui um radinho barato de grande sensibilidade que pode facilmente sintonizar as estações desta faixa.

Se você montou um mini-transmissor PX descrito em outro artigo deste site este é o receptor ideal para o mesmo. Você poderá falar a uma distância de até aproximadamente 20 metros e obter uma boa recepção neste caso.

A montagem é de alta frequência, o que implica em cuidados especiais com os comprimentos dos fios e outros pontos críticos de modo que exigiremos muito cuidado dos nossos leitores que desejam ter resultados positivos, mas ao mesmo tempo daremos todas as instruções pormenorizadas de como conseguir isto.

Assim, os que seguirem a risca nossas instruções, fazendo tudo conforme o indicado e usando componentes de acordo com o exigido não terão motivos para preocupações.

Todos os componentes usados são de fácil obtenção e baixo custo e que torna a montagem acessível aos principiantes de menor posse, estudantes, etc.

 

COMO FUNCIONA

Os melhores receptores de rádio para qualquer tipo de operação são os denominados super-heteródinos em que na entrada do circuito temos um oscilador que gera um sinal de frequência tal que combinado com sinal da estação a ser recebida resulta sempre numa frequência de valor constante denominada frequência intermediária.

Tais receptores aliam a seletividade (capacidade de separar as estações de frequências próximas) à sensibilidade em maior grau (capacidade de captar estações fracas).

No entanto tais receptores possuem circuitos sintonizados num grande número de etapas, conforme indica a figura 1 o que significa uma grande quantidade de bobinas e trimmers que devem ser ajustados com precisão para o receptor funcionar perfeitamente.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

Isso significa que tais receptores não apresentam propriamente dificuldades para a montagem mas sim dificuldades para o ajuste já que são exigidos instrumentos apropriados para esta finalidade.

Assim, tais receptores não podem ser considerados ideais para os principiantes.

Para os principiantes, ou para os que desejam rádios mais simples existe uma segunda possibilidade que é o emprego.de circuitos super-regenerativos.

Tais circuitos não apresentam a mesma seletividade dos super-heteródinos mas tem duas vantagens para os montadores que os escolheram: grande sensibilidade e a não necessidade de qualquer tipo de ajuste.

É este justamente o tipo de circuito que tomamos como base para nosso projeto.

Na figura 2 temos então em diagrama de blocos o nosso rádio para a faixa de PX e que também pode ser modificado para receber os sinais de outras faixas de frequência como, por exemplo,os 10 metros dos radioamadores, os canais baixos de TV (2, 3 e 4); estações de comunicações e mesmo ondas curtas (15, 21 e 25 MHz).

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

A primeira etapa deste receptor é a formada por um detector super-regenerativo, um circuito receptor de alta sensibilidade que deve ser ajustado para operar na frequência da estação que deve ser recebida.

Este circuito opera do seguinte modo: o sinal da estação recebida excita este circuito até quase o ponto em que ele oscila a plena potência de modo que este sinal é reforçado de uma maneira bastante boa. O sinal pode então ser retirado do emissor do transistor sendo levado as etapas seguintes onde já sob a forma de áudio e amplificado a ponto de poder ser aplicado no alto-falante (figura 3).

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

O que determina a frequência que está sendo recebida neste circuito é o circuito ressonante de entrada formado por C3 e L1. O capacitor C3 é do tipo variável de modo a permitir a sintonia, e a bobina L1 deve ter características tais, de modo a abranger a faixa de frequências que queremos ouvir.

Esta bobina é, portanto, um dos pontos da montagem que exige maior cuidado, pois se for enrolada comprida demais (espiras demais) fará com que a faixa de frequência se desloque para baixo do desejado, e se for feita curta demais, fará com que as estações captadas estejam acima da frequência desejada.

O transistor usado nesta etapa deve ter como característica principal a capacidade de oscilar na frequência das estações recebidas. O tipo recomendado no projeto permite que até mesmo estações da faixa VHF possam ser sintonizadas mediante é claro a troca de alguns componentes.

A etapa seguinte é formada pelo primeiro transistor amplificador conforme mostra a figura 4.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

O sinal aplicado na base deste transistor já é de baixa frequência (áudio) sendo retirado do seu coletor por meio de um potenciômetro que serve como controle do Volume.

A relação entre R5 e R6 neste circuito determinam de modo aproximado o fator de amplificação do sinal por esta etapa.

Temos finalmente a etapa de saída do circuito que amplifica o sinal a ponto de torná-lo intenso o suficiente para excitar um alto-falante.

Neste circuito dois componentes são importantes para se obter um bom funcionamento do mesmo. O primeiro é o transformador de saída que deve ter um enrolamento primário cuja impedância se adapte a impedância de saída do circuito e o enrolamento secundário deve ter uma impedância igual a do alto-falante usado.

Existem no comércio muitos tipos de transformadores que podem ser adquiridos para esta finalidade mas nem todos poderão permitir um bom funcionamento do receptor.

O segundo componente importante é CB que determina a tonalidade do som. De pequeno valor fará com que o som seja mais agudo e de maior valor fará com que o som tenda para o grave.

 

OBTENÇÃO DOS COMPONENTES

O ponto mais crítico de qualquer projeto para muitos leitores que residem em localidades que não possuem boas lojas de materiais está na obtenção dos componentes. Neste projeto não são usados componentes “difíceis", mas mesmo assim alguns cuidados precisam ser tomados e damos inclusive os casos em que equivalentes podem ser usados.

Começamos com o componente mais crítico quanto a obtenção: o transformador T1.

Este transformador será quase que 100% responsável pela qualidade do som e volume que você obterá no alto-falante. Se mal escolhido fará o rádio falar muito baixo ou mesmo oscilar, se bem escolhi- do proporcionará o volume ideal para a escuta.

Trata-se de um transformador de saída usado em rádios portáteis (rádios que tenham os transistores 2SB54 ou equivalente na saída) do tipo miniatura com 3 terminais no enrolamento primário e 2 no secundário. Estes transformadores têm aproximadamente 1,5 x 1x1 cm de dimensões. Como existem muitos tipos no comércio tome cuidado com a sua aquisição.

Obs. Atualmente trata-se de componente não muito fácil de obter, sendo recomendado que se procure em velhos rádios transistorizados fora de uso.

 

A bobina L1 é outro componente que exige cuidado já que terá de ser feita pelo próprio leitor. Ela consiste em aproximadamente 7 espirais (voltas) de fio de cobre grosso (22 ou 20 AWG) ou mesmo rígido de capa plástica enrolado num núcleo de ferrite de 0,5 à 0,7 cm de diâmetro.

O fio pode ser enrolado num tubinho de papelão, conforme mostra a figura 5, e o núcleo colocado no seu interior de maneira a poder ser deslocado com facilidade.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

Com isso teremos a possibilidade de um ajuste adicional neste circuito.

O choque de rádio frequência (XRF) é outro componente que deve ser confeccionado pelo leitor, mas este não apresenta maiores dificuldades. Trata-se de um resistor de 100 k x ½ W sobre o qual enrolamos de 40 a 60 voltas de fio esmaltado de capa fina e ligamos os extremos desta bobina aos terminais do próprio resistor, conforme mostra a figura 6.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

Os transistores usados são todos comuns em nosso mercado mas mesmo assim admitem equivalentes.

Para o BF494 ser usado o BF184 ou mesmo o BF254 mas neste caso leitor deve observar que a disposição dos terminais deste é diferente.

Para o BC548 podem ser usados sem problemas como equivalentes o BC238, BC547, BC237 ou BC549.

Os resistores são todos de 1/8 ou 1/4W com qualquer tolerância e os capacitores de mais de 1 uF do tipo eletrolítico de 16V ou mais.

Os capacitores menores podem ser de disco de cerâmica (dados em pF) ou de poliéster metalizado (dados em nF).

O capacitor variável pode ser de qualquer tipo comum para rádio de uma seção. O knob será colocado diretamente em seu eixo pelo que o leitor deve optar pelos tipos de eixo fino.

Caixa, antena telescópica, conector de bateria de 9V, alto-falante são complementos que não oferecem dificuldade para se obter.

 

MONTAGEM

A montagem é simples mas como se trata de circuito receptor de frequências relativamente altas, muito cuidado deve ser tomado com comprimento dos fios, principalmente do capacitor variável e da bobina.

O leitor poderá optar pela montagem em ponte de terminais ou em placa de circuito impresso. Se a montagem for feita em ponte siga à risca a disposição dada na figura correspondente. para que fios em comprimento excessivo não causem oscilações que afetem o funcionamento do receptor.

Para as soldagens você deve usar um soldador de pequena potência e como ferramentas adicionais um alicate de corte lateral, um alicate de ponta fina e chaves de fenda.

A ponte de terminais ou a placa de circuito impresso podem depois de montadas ser fixadas numa base de material isolante ou numa caixa onde será instalado o rádio.

Na figura 7 temos a nossa sugestão da caixa para a montagem.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

O diagrama completo do receptor é mostrado na figura 8, e a montagem em ponte de terminais é dada na figura 9.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX | Haga click en la imagen para ampliar |

 

 

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A placa de circuito impresso é dada na figura 10.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

Alguns cuidados devem ser tomados com a montagem, sendo dada a seguir uma sequência de operações para isso:

Comece com a soldagem dos transistores observando cuidadosamente sua posição que é dada em função do lado achatado:

Veja que o transistor Q1 tem o eletrodo de base (B) na ponta em lugar do posicionamento tradicional que é no meio. Se usar equivalentes ao BF494 certifique-se que a disposição de seus terminais também é esta.

A próxima operação consiste na soldagem da bobina L1 que é sustentada pelos seus próprios terminais os quais devem ser descascados.

Passe agora a soldagem dos resistores tomando cuidado para não trocar valores. Estes componentes devem ter seus terminais dobrados aproximadamente em ângulo reto, e se for possível fazer seu corte num ponto em que o componente fique mais próximo da ponte, isso será recomendável. Evite o excesso de calor na sua soldagem.

Para a Soldagem dos capacitores, a próxima etapa da montagem o leitor precisa tomar alguns cuidados especiais.

Assim, o primeiro capacitor a ser soldado na ponte é C4 que deve ser ligado entre o coletor e o emissor do transistor. Este capacitor de cerâmica deve ter seus terminais os mais curtos possíveis já que os pontos de ligação são terminais adjacentes.

A seguir solde os demais capacitores observando que os eletrolíticos têm polaridade certa para ser ligados a qual é dada pela marcação em seu corpo, um (+) ou um (-) Os capacitores de poliéster metalizando não devem ser confundidos, sendo seus valores dados em função de seus anéis coloridos.

O reator de RF, XRF, pode ser soldado seguir, devendo também o montador cuidar para que seus terminais não fiquem muito longos. Cuidado para não dessoldar os fios esmaltados quando for ligar este componente.

Para a soldagem do transformador, os próprios terminais do enrolamento primário servem de sustentação. As ligações ao alto-faltante, feitas a partir do secundário podem ser com, fios finos de capa plástica.

Completada a soldagem dos componentes na ponte passe as interligações, que devem ser feitas com fio rígido de capa plástica os quais devem na medida do possível seguir a disposição indicada na figura. Cuidado para não esquecer nenhum ou fazer sua ligação em pontos errados.

Com a ponte montada você pode passar a ligação dos componentes externos começando pelo capacitor variável.

Para a ligação deste componente o fio empregado deve ser o mais curto possível o que significa que este capacitor deve ser instalado bem próximo da ponte. Os fios de ligação ao capacitor devem ter no máximo 5 cm de comprimento.

Observe na ligação deste componente a polaridade dos fios, já que o que vai ligado a armadura fixa é o coletor do transistor e o que vai ligado ao conjunto de armaduras móveis é o que tem conexão com R10.

Os cabos de alimentação que vem do conector da bateria e do interruptor geral, este conjugado ao potenciômetro de controle de volume têm polaridade certa e não devem ser muito longos. A bateria deve ser instalada portanto nas proximidades da ponte presa por meio de uma braçadeira ou mesmo colada na caixa.

O potenciômetro que controla o volume do rádio e que permite ligar e desligar o mesmo será instalado no seu painel. Na sua ligação com fios flexíveis curtos o leitor deve também ter cuidado para não fazer sua inversão para que ao girar para direita o volume aumente.

O alto-falante também pode ser fixado à parte frontal da caixa devendo existir nela orifícios para a saída do som. A fixação depende do tipo de alto-falante usado já que alguns exigem emprego de braçadeiras, outros permitem a colocação de parafusos e os modelos plásticos podem ser inclusive colados na mesma.

Com todos os componentes da ponte e externos interligados, confira as ligações antes de fazer uma prova de funcionamento.

Esta prova pode ser feita como conjunto fora da caixa ou já montado.

 

PROVA E USO

Coloque as pilhas no suporte e ligue a antena telescópica fazendo a soldagem no seu extremo inferior por meio de um terminal do fio correspondente.

Ligue o rádio atuando sobre o potenciômetro, colocando-o em seguida a todo volume. Você deverá imediatamente ouvir um chiado no alto-falante.

Se este chiado não for ouvido o primeiro ponto a ser examinado é o referente ao transformador de saída.

Para esta finalidade aplique o sinal de um injetor de sinais (figura 11) ou de um gerador de áudio comum na base do transistor Q2.

 

Mini Receptor PX
Mini Receptor PX

 

 

Se o som ouvido for muito baixo ou nada for ouvido você deve proceder imediatamente a troca do transformador por outro tipo diferente. As características do transformador não se adaptam, portanto, a esta aplicação.

Se o sinal do oscilador for ouvido claramente e em alto volume então isso significa que o problema se encontra na etapa osciladora e detectora super-regenerativa.

Depois de conferir as ligações de todos os componentes em torno de Q1 não encontrando nenhuma anormalidade, teste o próprio transistor Q1.

Verifique também se não existem problemas de placas em curto no capacitor variável. Para esta finalidade desligue momentaneamente um dos fios deste capacitor e coloque o receptor a todo volume.

Se o chiado for ouvido normalmente você pode tentar sintonizar as estações da faixa de PX normalmente. Se outros sinais que não o desta faixa forem ouvidos é sinal que a bobina não está operando na faixa desejada. Neste caso, você deve em primeiro lugar retirar uma espira da mesma e experimentar novamente. Se ainda não der certo, aumente uma espira e experimente novamente. Esta operação pode ser eliminada se houver facilidade para o leitor mover o núcleo de ferrite no interior da bobina. O ajuste pode então ser feito atuando-se sobre este núcleo.

Para sintonizar outras faixas de frequência você pode utilizar bobinas adicionais que serão soldadas em lugar de L1.

Para frequências na faixa dos 30 aos 50 MHz use 3 ou 4 espiras de fio esmaltado 22 ou 20 no mesmo tubo, e para a faixa de 15 a 30 MHz use cerca de 10 a 22 espiras de fio esmaltado 22 ou 20 no núcleo original de ferrite.

 

Q1 - BF494 ou equivalente - transistor

Q2 - BC548, BC23 8 ou equivalente - transistor

Q3 - BC548, BC238 ou equivalente - transistor

L1- ver texto

C1 - 47 ,uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C 2 - 220 nF - capacitor de poliéster ( vermelho, vermelho, amarelo)

C 3 - capacitar variável - ver texto

C4 - 47 pF - capacitor cerâmico

C5 - 1,2 nF - capacitor cerâmico

C 6 - 4,7 ,uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C7 -100 .uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C8 - 3,3 nF - capacitor de poliéster ( laranja,, laranja, vermelho

C 9 - 47 ,uF x 16 V - capacitor eletrolítico

CIO - 100 ,uF x 16 V - capacitor eletrolítico

R1 - 220 k x 1/8 W- resistor (vermelho, vermelho. amarelo)

R2 - 330 k x 1/8 W - resistor (laranja, laranja, amarelo)

R3 - 1 k x 1/8 W- resistor (marrom, preto, vermelho)

R4 - 1 k x 1/8 W- resistor (marrom, preto, vermelho)

R5 - 2,2 k - potenciômetro

R6 - 2,2 M x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, verde)

R7 - 22 k x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, laranja)

R8 - 6,8 k x 1/8 W - resistor (azul, cinza, vermelho)

R9 - 100 ohms x 1/8 W- resistor (marrom, preto, marrom)

R10 - 1 k x 1/8 W - resistor (Marrom, preto, vermelho)

T1 - transformador (ver texto)

Diversos: alto-falante, suporte para bateria, ponte de terminais ou placa de CI, caixa, antena telescópica, fios, solda, parafusos, porcas etc.

 

 

 


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