Órgão eletrônico – Projeto em ponte de terminais (AM003)

Estamos em setembro de 1976, ano em que na Revista Saber Eletrônica número 51 publicamos um projeto muito simples, mas que pelas suas características entusiasmou os leitores, muitos dos quais o adotaram como sua primeira montagem, aquela que os levou para o mundo da eletrônica. É da história desse projeto, dos seus bastidores com as curiosidades que chegaram até nós que tratamos neste artigo.

 


 

 

Naquela época, poucos meses depois de sair a primeira edição da fase em que fui diretor técnico, não havia muita coisa disponível no mercado para quem desejasse aprender eletrônica ou realizar montagens.

O mercado de kits em nosso país não existia e o que vinha de fora, além de caro, muitas vezes estava fora do alcance do principiante. Foi justamente o fato de atendermos esse público que nos levou ao sucesso.

Assim, procurando algo atraente para esse público é que decidimos elaborar um órgão eletrônico de brinquedo que pudesse ser montado com a tecnologia mais acessível da época: ponte de terminais.

Hoje, quando falamos em montagem em pontes de terminais, técnicos e engenheiros torcem o nariz, não entendemos como era possível usar aquilo numa época em que já havia as placas de circuito impresso.

Mas, tínhamos a justificativa que vale até hoje e que foi graças a ela que muitos conseguiram entrar no mundo da eletrônica e o fizeram de forma acessível. Placas de circuito impresso exigiam um laboratório e recursos que a maioria não tinha acesso.

Pontes de terminais podem ser usadas de forma direta, podem ter o projeto facilmente corrigido (hoje temos as matrizes de contato, que também eram caríssimas na época) e reaproveitada para outro projeto.

Para montar em ponte, um projeto um pouco mais complexo, pois exigia três delas, elaboramos um Órgão Eletrônico de Brinquedo, que logo chamou a atenção. Os leitores poderiam montá-los para seus irmãos menores, seus filhos ou sobrinhos.

Era um circuito simples, monofônico em que aproveitávamos os componentes mais comuns e baratos. Para a montagem, tudo dependia da habilidade dos montadores, que não precisava ser muita.

Se o leitor quiser repetir a montagem (as pontes de terminais ainda podem ser encontradas), trata-se de uma montagem didática bem interessante. Veja no site o ART2820.

Na figura 2 temos o aspecto da montagem em ponte de terminais, fixadas numa base de acrílico, como feita na época.

 

Figura 2 – A montagem
Figura 2 – A montagem

 

Não foi difícil fazer a montagem do protótipo quando decidi que ele seria artigo escalado para a edição seguinte. É interessante observar que, como diretor, na ausência de um artigo de colaborador era sempre eu que deveria correr com alguma coisa. E como corria, não raro tendo de ficar até tarde da noite em minha bancada pois a revista precisa fechar a edição nos dias seguintes e o projeto precisava estar funcionando.

E, não apenas isso. Eu ainda precisava escrever o artigo.

Para o material não tive dificuldades, a não ser comprar um jogo extra de trimpot para afinação e a base de acrílico.

Naquela época (1976) havia na Av. Rio Branco em São Paulo uma grande loja de artigos plásticos como canos de PVC, caixas de plásticos etc. e eles tinham algo que eu gostava muito: uma enorme seleção de caixinhas de acrílico e plástico ideais para montagem e placas de acrílico em retalhos.

O acrílico era fácil de cortar e trabalhar além de colar. Como não tinha disponível em casa, comprei a plaquinha branca de acrílico que serviu de base para o protótipo e que saiu na capa da revista.

 

Figura 3 – Foto do que resta da montagem que tenho ainda
Figura 3 – Foto do que resta da montagem que tenho ainda

 

É claro que, pela simplicidade não tive dificuldade alguma em colocá-lo para funcionar. O problema foi apenas a afinação, pois nunca fui bom de música.

No entanto, os leitores que o montaram não tiveram dificuldades.

 

Mais curiosidades

O órgão era monofônico. Logo chegaram as cartas dos leitores pedindo um órgão mais completo, polifônico (podem ser tocadas duas ou mais teclas ao mesmo tempo), com efeitos como trêmulo, vibrato e até mesmo época. Colocamos esses pedidos em nossa pauta e, realmente, saíram outras versões em edições seguintes da revista.

Também tivemos aqueles que desejavam saber como ligar a um amplificador potente, o que explicamos, pois era bastante simples.

O fato é que, até hoje encontramos pessoas que tiveram nessa montagem a sua iniciação. Foi um dos projetos que os fez gostar mais e mais da eletrônica, seguindo carreira.

 

 

 

 


Opinião

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