Transmissor de Vídeo (*) (TEL199)

Escrito por Newton C Braga

Eis uma modalidade de espionagem bastante sofisticada e que exige apenas como equipamento adicional uma câmera de vídeo. Na verdade, se o local vigiado possuir um sistema de TV em circuito fechado podemos localizar o cabo que transmite as imagens e retirar este sinal para um monitor distante.

(*) Este transmissor opera apenas com sinais de vídeo composto, e seus sinais são recebidos em televisores analógicos comuns antigos.

O monitor pirata será acionado, por um sinal de rádio, ou seja, não haverá fio entre o cabo de vídeo e o receptor. E o mesmo princípio do denominado “grampo telefônico” sem fio, que liga numa linha telefônica um transmissor de rádio. Neste caso, a diferença está no fato de que estamos ligando um transmissor de imagens (vídeo).

O receptor consiste simplesmente num receptor de TV comum que vai sintonizar o sinal numa frequência livre.

Se o leitor possuir uma câmera de vídeo comum, bastará ligar na saída de vídeo o transmissor descrito e receber sua imagem à distância.

A câmera pode ficar escondida e acionada por algum tipo de controle remoto ou automatismo como, por exemplo, uma célula fotoelétrica que a ligue quando a luz ambiente for acesa, com a entrada de pessoas no local.

O circuito é bastante simples de montar e compacto, o que facilita sua ocultação. O alcance varia entre 20 e 100 metros, dependendo da antena e das condições locais para a propagação do sinal.

 

COMO FUNCIONA

Um único transistor é usado como oscilador numa configuração bastante tradicional. Na figura 1 temos o diagrama completo do transmissor de vídeo em sua versão básica.

 

Figura 1 – Diagrama do transmissor
Figura 1 – Diagrama do transmissor

 

 

Neste circuito, o capacitor C2 juntamente com L1 determina a frequência de operação. L1 é ajustável de modo a podermos determinar o canal livre de operação, normalmente o 3 ou o 4.

A base do transistor é polarizada pelos resistores R1 e R2 e o capacitor C3 proporciona um percurso para o sinal que realimenta o oscilador e, portanto, mantém as oscilações do circuito.

O sinal de vídeo e aplicado no emissor do transistor, através de um trimpot, cuja finalidade é ajustar o nível de modulação.

Por meio desse trimpot o contraste da imagem e ajustado no nível desejado, pois uma sobremodulação causa uma imagem carregada e se a modulação for insuficiente, a imagem fica sem contraste.

A alimentação do circuito pode ser feita com tensões de 3 ou 6 V obtidas de 2 ou 4 pilhas pequenas. Estas pilhas podem funcionar durante algumas horas neste circuito, o que deve ser previsto no planejamento da ação de espionagem.

 

MONTAGEM

A placa de circuito impresso para esta montagem é mostrada na figura 2.

 

Figura 2 – Placa para a montagem
Figura 2 – Placa para a montagem

 

Os resistores são de 1/8 W e o trimpot é comum para montagem vertical ou horizontal em placa de circuito impresso.

Os capacitores devem ser todos cerâmicos de boa qualidade para que não ocorram instabilidades de funcionamento.

A bobina L1 e enrolada numa fôrma de Fl de TV ou rádio com núcleo ajustável, utilizando-se fio esmaltado 28 ou com espessura próxima desse calibre.

São enroladas 4 + 4 espiras ou 3 + 3 espiras de modo que a frequência fique entre 50 e 70 MHz, abrangendo assim os canais 3 e 4 da faixa de VHF.

Eventualmente, o leitor pode enrolar 2 + 2 espiras ou mesmo 1 + 1 espira de modo a operar nos canais superiores da faixa de VHF, caso na sua localidade os canais baixos estejam todos ocupados.

Para a entrada do sinal de vídeo deve ser usado um cabo curto e blindado. Sem este procedimento, sinais interferentes podem ser captados, distorcendo o sinal transmitido e afetando a qualidade da imagem.

O transmissor pode ser facilmente instalado numa pequena caixa de plástico juntamente com as pilhas.

Veja que omitimos o interruptor geral, de modo que, basta colocar as pilhas no suporte para que o transmissor entre em funcionamento.

 

UTILIZAÇÃO

Para ajustar o aparelho, ligue na sua entrada a saída de um aparelho de videocassete ou uma câmera de vídeo. A saída ligada ao circuito deve ser a de VIDEO OUT, ajustando-se inicialmente o núcleo da bobina para que o sinal seja captado num canal livre do televisor.

Depois, ajusta-se P1 de modo a obter uma imagem nítida.

Retoca-se o ajuste da bobina para a melhor recepção.

Na figura 3 temos o modo de se fazer o “grampo de vídeo” retirando-se o sinal para o transmissor do cabo de um circuito fechado de TV.

 

Figura 3 – Modo de usar
Figura 3 – Modo de usar

 

O transmissor deve ser bem posicionado de modo a haver melhor recepção.

A antena deve ter seu comprimento determinado experimentalmente entre 15 e 40 cm, para a melhor recepção e maior estabilidade.

Esta antena nada mais é do que um pedaço de fio flexível encapado que, preferencialmente, deve ficar posicionada na vertical e longe de objetos metálicos.

Para usar o aparelho é só ligar a sua alimentação e monitorar o sinal de vídeo no televisor. Pode-se usar um videocassete como receptor para se fazer a gravação de alguma cena que se julgar importante.

Um aumento do alcance do aparelho pode ser obtido com a troca do transistor por um 2N2218, de R1 por um resistor de 15 k e R2 por 8,2 k ohms.

Neste caso, deve-se elevar a tensão de alimentação para 9 ou 12 V, caso em que os sinais podem ser recebidos até a mais de 500 metros de distância.

Lembramos entretanto que qualquer televisor deste raio pode sintonizar o sinal, o que facilita a descoberta do aparelho.

 

 

Semicondutores:

BF494 ou 2N2218 - transistor de RF

 

Resistores: (1/8% 5%)

R1 - 10 k ohms

R2 - 5,6 k ohms

P1 - 470 ohms - trimpot

 

Capacitores:

C1 - 10 nF - cerâmico

C2 - 10 pF - cerâmico

C3 - 10 pF ou 15 pF - cerâmico

C4, C5 - 100 nF - cerâmico

 

Diversos:

L1 - bobina - ver texto

B1 - 3 ou 6V - pilhas - ver texto

Placa de circuito impresso, suporte para pilhas, fôrma para bobina, cabo blindado com plugue para entrada de vídeo, caixa plástica, fios, etc.

 

Artigo publicado originalmente em 1985