Transmissor AM de Ondas Curtas (TEL231)

Escrito por Newton C Braga

Operando na faixa dos 80 ou dos 40 metros, este pequeno transmissor experimental de curto alcance pode levá-lo a ser um futuro radioamador. Usando apenas dois transistores, ele permite o uso de um microfone de grande sensibilidade e é alimentado por pilhas.

Esta montagem é praticamente um complemento do projeto publicado na edição anterior, o “transmissor telegráfico de ondas curtas", que entusiasmou muitos leitores, pela sua simplicidade e desempenho.

Com aquela versão era possível apenas a emissão de sinais telegráficos, o que nos levou a receber muitos pedidos de um novo projeto que usasse microfone e que, portanto, permitisse a emissão da voz. Pois bem, usando os mesmos componentes básicos e até mesmo eliminando o unijunção (cujo custo não é dos menores*), conseguimos uma sensível versão que faz uso de microfone de eletreto e que agora passamos a descrever.

(*) Na época em que o artigo foi escrito.

Lembramos que este pequeno transmissor é de uso estritamente doméstico e experimental, não devendo ser ligado a antenas diferentes, pois pode causar interferências em comunicações da mesma faixa, o que é ilegal. Os leitores que desejam operar nesta faixa, com equipamentos mais potentes, devem consultar os clubes de radioamadores de suas localidades e se informar como obter uma licença.

O que podemos dizer é que, usando a antena telescópica recomendada, obtemos maior estabilidade e, além disso, comunicações perfeitas num raio de algumas dezenas de metros. Experimente!

 

COMO FUNCIONA

Este pequeno transmissor é formado de duas etapas, uma das quais conhecida da edição anterior.

Temos então, um circuito oscilador, que leva por base um BF494, e uma bobina, cujo número de voltas determina a frequência que o aparelho opera. O ajuste fino desta frequência é feito no trimmer CV, com a finalidade de se encontrar um ponto em que não hajam estações operando.

Este circuito produz uma corrente de alta frequência que, levada à antena telescópica, resulta nas ondas que são irradiadas em todas as direções e captadas por rádios comuns que tenham a faixa de ondas curtas.

Damos duas possibilidades de Operação, na faixa dos 80 metros (entre 3 e 3,5MHz) e na faixa dos 40 metros (entre 7 e 7,5MHz), que são faixas usadas pelos radioamadores. Observe o leitor que estes comprimentos de onda, 40 metros e 80 metros, nada têm à ver com o alcance do aparelho.

Radioamadores, Operando na faixa dos 40 e dos 80 metros, podem fazer comunicações de milhares de quilômetros de distância, usando equipamento apropriado! (figura 1)

 


 

 

 

Veja também que nesta faixa operam estações de diversos tipos, que podem ser ouvidas com uma boa antena externa (veja nosso receptor), como estações de radiodifusão, serviços públicos, etc.

Para que a onda emitida transporte a informação da palavra falada, é preciso uma etapa de modulação que tem por base o transistor BC548, em nosso circuito.

O sinal de um microfone de eletreto é então aplicado à base do transistor, via C1, onde ele recebe uma amplificação. As suas variações de intensidade são aplicadas ao BF494, de tal modo que a intensidade do sinal irradiado varie na mesma proporção, conforme sugere a figura 2.

 


 

 

Este tipo de modulação, em que a amplitude do sinal varia e não a sua frequência, recebe o nome de AM (amplitude modulada) para diferenciar de FM (frequência modulada).

As estações da faixa de ondas curtas de 2 MHz a 20 MHz, aproximadamente, em sua maioria, usam este tipo de modulação na emissão da palavra falada e de outros sons.

 

MONTAGEM

Começamos por dar o diagrama completo do transmissor na figura 3.

 


 

 

A montagem feita numa ponte de terminais, recomendada aos iniciantes, que podem fixá-la numa base de madeira, para demonstrações e operação, é mostrada na figura 4.

 


 

 

Na figura 5 temos uma sugestão de placa de circuito impresso, que já permite a utilização de uma caixa de reduzidas dimensões e, assim, a montagem de um transmissor portátil.

 


 

 

 


 

 

No Clube de Eletrônica, um par destes aparelhos mais dois receptores podem ser usados na comunicação experimental dos sócios.

Na montagem, tenha os seguintes cuidados:

a) Comece enrolando a bobina L1. Parta um bastão de ferrite, de aproximadamente 1cm de diâmetro, de modo que ele tenha de 4 a 6 cm de comprimento. Enrole então espiras de fio esmaltado 28, 26 ou, se não tiver, fio comum de capa plástica, porém fino. O número de voltas dependerá do rádio de ondas curtas que você possuir. Se você enrolar 20 voltas, você vai captar o sinal em algum ponto em torno de 3,5 MHz e se enrolar de 12 a 15 voltas, vai captar o sinal em algum ponto em torno de 7 MHz. Se usar fio esmaltado, raspe a capa de esmalte no ponto em que ele vai ser soldado na ponte ou placa.

b) Solde depois os transistores, observando o tipo e a posição. Para Q1 pode usar o BC548 ou equivalentes, como o BC237, BC238, BC547, etc. Para o BF494 os equivalentes recomendados são os BF495 e BF254.

c) O microfone só pode ser de eletreto, para maior sensibilidade, e do tipo de dois terminais. Observe que o terminal que tem ligação com a carcaça é o negativo.

d) O trimmer é comum, de base de porcelana, que pode ser até retirado de aparelhos velhos. Os capacitores, de C1 a C5, devem ser cerâmicos, tipo disco ou plate, conforme o valor. Não use de outro tipo.

e) Os resistores são todos de 1/8 ou ¼ W, com os valores indicados. Nada impede que eles sejam aproveitados de aparelhos velhos, desde que tenham os valores pedidos.

f) A antena consiste numa vareta de fio rígido de uns 50 ou 60 cm de comprimento ou uma do tipo telescópico, aproveitada de rádio ou TV velha.

g) S1 é um interruptor que serve para ligar e desligar o transmissor. Em último caso, pode ser eliminado, desligando-se o aparelho com a retirada das pilhas do suporte.

h) Temos, finalmente, a bateria, que é formada por 4 pilhas pequenas colocadas em suporte próprio, cuja polaridade deve ser seguida. Veja as cores dos fios de ligação.

Na versão em ponte, não se esqueça de fazer as interligações com pedaços de fios, que devem ser bem curtas.

Terminando a montagem, é só fazer o teste de funcionamento.

 

PROVA E USO

Para a prova, você precisará de um rádio que sintonize a faixa de ondas curtas, ou seja, que tenha 3,5 MHz ou 7 MHz em seu mostrador. Muitos rádios que têm a faixa que vai de 3,2 MHz a 12 MHz servem perfeitamente para esta finalidade.

Mude a chave que troca as faixas para a de ondas curtas (OC) e sintonize o rádio em torno de 3,5 MHz ou 7 MHz, conforme a bobina que você enrolou.

Ligue o rádio a médio volume, a uns 2 ou 3 metros do transmissor, conforme mostra a figura 6.

 


 

 

Coloque as pilhas no suporte do transmissor e ligue S1. Ajuste então CV para tentar "pegar" um sinal no rádio. Se não conseguir, retoque o ajuste do próprio rádio, ao mesmo tempo em que fala diante do microfone de eletreto, ou bata levemente com os dedos nele.

Vai haver um instante em que você “pega" o sinal do transmissor.

Neste ponto, retoque a sintonia do rádio para ajustá-lo melhor e se afaste do local com ele, verificando o alcance do transmissor.

Se tiver dificuldade em “pegar" o sinal ou se ele cair muito fora dos 3,5 ou 7 MHz, altere a bobina. Retire algumas voltas, se a frequência estiver abaixo do ponto em que você desejar captar o sinal. Enrole uma bobina nova, com algumas voltas a mais, se o sinal captado estiver acima do ponto em que você desejar captá-lo.

Procure ajustar o trimmer CV para uma frequência em que não haja nenhum outro sinal.

Depois disso, é só usar o aparelho! Verifique seu alcance. Ele vai depender também da qualidade do receptor usado.

Um receptor, de apenas três transistores, para você ouvir o mundo! De fato, com este simples receptor você poderá ouvir transmissões de lugares tão distantes como a China ou Japão, claramente, explorando as faixas de ondas curtas e, quem sabe, descobrindo estações clandestinas de países conturbados ou comunicações de espiões profissionais!

 

Q1 - BC548 ou equivalente - transistor de uso geral

Q2 - BF494 ou equivalente - transistor de RF

MIC - microfone de eletreto de dois terminais

CV - trimmer comum

L1 - bobina (ver texto)

B1 – 6 V - 4 pilhas pequenas

C1, C3, CS – 100 nF (104) - capacitores cerâmicos

C2 - 4n7 (472) - capacitor cerâmico

C4 – 100 pF - capacitor cerâmico

R1 - 2k2 X 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, vermelho)

R2 – 33 k x 1/8 W - resistor (laranja, laranja, laranja)

R3 – 47 k x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, laranja)

R4 - 4k7 x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, vermelho)

R5 - 3k3 X 1/8 W - resistor (laranja, laranja, vermelho)

R6 – 22 R x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, preto)

Diversos: ponte de terminais ou placa de circuito impresso, antena telescópica, suporte de 4 pilhas, interruptor simples, fios, solda, etc.