Na época em que escrevi este artigo ainda não haviam sido descobertos planetas como o nosso gravitando em torno de estrelas distantes. Na verdade, a ideia de que muitas delas estariam abrigando sistemas planetários como o nosso sol já era comum, mas os instrumentos não eram potentes o suficiente para que algum planeta fosse visualizado. Hoje já temos a imagem de muitos deles e os sistemas planetários iguais ao nosso se multiplicam na nossa relação de descobertas.

Artigo publicado originalmente em 3 de fevereiro de 1966.

 

Quando a astronomia ainda engatinhava, a maioria dos estudiosos não admitia que haveria corpos no espaço tão grandes como a nossa terra. Para eles, o mundo era o centro do universo.

Já caminhando, mas não com passos firmes, a astronomia, desafiando as afirmações anteriores, ousou declarar que o sol era o centro do universo.

Toda a pirâmide de ideias construída por Ptolomeu desmoronou diante do impacto das novas ideias de Copérnico que, trouxeram uma nova visão para a promissora ciência.

Mesmo tendo uma certa essência de verdade, as ideias do ilustre astrônomo não eram de todo firmes, e como o que não era firme não poderia sobreviver num mundo em evolução em busca da verdade, suas afirmações foram substituídas pelas de Kepler, Newtons e de outros.

O sol era ainda o centro, mas não do universo, era o centro de nosso modesto sistema planetário.

Desde então muitas ideias têm perambulado pela mentes dos estudiosos que buscam uma solução para o dilema da existência ou não de sistemas planetários iguais ao nosso.

Uns acham que a existência se deve a um acaso, pois ele foi formado pela passagem acidental de uma estrela que passou perto do sol, e que lhe arrancou o material que mais tarde se condensou em planetas.

Se assim fosse, ou foi, a possibilidade de encontrarmos sistemas idênticos ao nosso seria tão diminuta, que os sistemas conhecidos nos revelariam um “excesso” de acidentes no tão harmonioso universo.

Outros acham que a formação de planetas é um fato inevitável na vida de uma estrela, o que resultaria que quase todas elas poderiam ter planetas.

O problema maior, no entanto, não é supor a formação ou não desses sistemas, mas sim descobri-los (**)

Mesmo se a estrela mais próxima de nós tivesse um planeta do tamanho de júpiter gravitando em sua volta, ele não seria visto com os nossos mais potentes telescópios (***).

Se não podemos ver os planetas, como podemos afirmar que eles existem?

Sabemos de sua existência, não porque os vemos, mas porque vemos os efeitos que eles têm nas estrelas em torno das quais giram, da mesma forma que sabemos que s partículas subatômicas existe, pelas impressões que elas deixam numa chapa fotográfica.

Uma das maiores influências que nos permite detectá-los é o movimento em zigue-zague que provocam na estrela em torno da qual estão causados pelo efeito de sua gravidade. É como tentar caminhar em linha reta girando na ponta de uma corda um peso.

Baseados em observações, podemos firmar que em cada 10 estrelas, uma tem um sistema planetário e eventualmente um com condições iguais à terra, podendo abrigar vida. (****)

Esta é, no entanto, uma pergunta que ainda vai demorar muito para ser respondida.

 

 

(*) Quando muito jovem, eu ainda não estava completamente sobre a carreira a seguir. Ela se balançava entre a eletrônica, astronomia e a física. Se bem que acabei tendo minha principal atividade na eletrônica, as outras duas ciências não foram abandonadas completamente. Tanto que mantemos esta seção de astronomia em nosso site. Assim, nos anos 60 e 70 escrevi muitos artigos sobre astronomia, publicados desde o jornal da minha escola, até em periódicos de que já tratei na minha biografia. Tenho todos os originais destes artigos que estou colocando a disposição no meu site, tanto pelo valor histórico como pelas informações que contém, que ainda são válidas. Fiz pequenas alterações nos textos quando encontrei alguns pontos que mudaram desde então ou conceitos que hoje são tratados de forma diferente.

(**) Hoje sabemos que o número de sistemas planetários no universo para ser muito maior do que se previa antigamente. A quantidade deles cresce dia a dia, com o aperfeiçoamento de instrumentos que permitem sua descoberta.

(***) Lembre que o artigo foi escrito em 1967. Hoje não só temos instrumentos capazes de fazer isso, como já se descobriu um planeta em torno da estrela mais próxima.

(****) Hoje, quando recuperamos o artigo (ano 2 000) esse número parece ser muito maior.

 

 

 

 

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST