As nuvens de Vênus (AST028)

Este artigo foi escrito em 5-3-1965. Evidentemente, naquela época o que sabíamos sobre o planeta Vênus era muito menos do que hoje. No entanto, o artigo tem valor histórico, pois serve para mostrar o que se pensava então (*).

O universo está cheio de mistérios e um deles, talvez dos mais próximos de nós, é o que envolve o planeta vênus, a estrela d’alva ou estrela da manhã, que é quase do tamanho da erra com seus 12 000 km de diâmetro.

Situado a 20 milhões de quilômetros da terra, o misterioso astro, coberto sempre por uma espessa camada de nuvens, nunca permitiu que astrônomo algum visse sua superfície.

Vênus é um planeta que se encontra na fase inicial de sua evolução (**), de maneira que, segundo os astrônomos, a vida pode estar por aparecer, ou se apareceu, pode ser considerada como equivalente à nossa no período pré-histórico.

A maneira como se chegou a essa conclusão pode ser resumida na própria evolução de um outro astro; o astro de que todos nós do sistema soldar dependemos: o sol.

O sol, como qualquer outra estrela já foi maior. Sim, as estrelas encolhem e gradualmente, num ciclo que dura milhões ou mesmo bilhões de anos (***).

Provavelmente, há alguns bilhões de anos o sol, estando numa fase de maior tamanho, aquecia demais a terra de maneira que toda a água dos oceanos se encontraria na forma de uma espessa camada de nuvens, como ocorre em vênus.

Marte, provavelmente, está numa fase decadente, pois tinha condições semelhantes a da terra. Agora, sem uma atmosfera espessa, perdeu toda a água, como sabemos.

A próxima fase de vênus, que seria o do aparecimento dos oceanos, está ainda por vir, numa próxima fase que pode demorar milhões de anos (****).

O maior problema, entretanto, para os futuros exploradores de vênus será saber o que haverá sob a camada de nuvens. Uma superfície líquida ou sólida?

De qualquer maneira, seria um espetáculo fantástico a paisagem que desfrutariam os primeiros viajantes ao planeta vênus.

 

Artigo Publicado Originalmente em 1965

 

(*) Quando muito jovem, eu ainda não estava completamente sobre a carreira a seguir. Ela se balançava entre a eletrônica, astronomia e a física. Se bem que acabei tendo minha principal atividade na eletrônica, as outras duas ciências não foram abandonadas completamente. Tanto que mantemos esta seção de astronomia em nosso site. Assim, nos anos 60 e 70 escrevi muitos artigos sobre astronomia, publicados desde o jornal da minha escola, até em periódicos de que já tratei na minha biografia. Tenho todos os originais destes artigos que estou colocando a disposição no meu site, tanto pelo valor histórico como pelas informações que contém, que ainda são válidas. Fiz pequenas alterações nos textos quando encontrei alguns pontos que mudaram desde então ou conceitos que hoje são tratados de forma diferente.

*) O artigo é de 1965. Hoje, nossa visão e vênus é um pouco diferente, pois com o envio de sondas, sabemos muito mais.

**) Na verdade, os ciclos de evolução de uma estrela, que são bem mais conhecidos agora, podem levá-las a períodos tanto de contração como de expansão.

***) Evidentemente, na época acreditava-se que abaixo da camadas de nuvens que vemos em vênus haveria uma camada de água, o que hoje sabemos não existir.

 


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