Hoje os videogames são sofisticados contendo até recursos de inteligência artificial e jogados on line. Mas, foi um longo caminho a percorrer para chegarmos a isso. No Brasil, tivemos uma participação especial, elaborando os primeiros projetos de jogos em kits que fizeram muito sucesso nos anos 70. São mais de 40 anos de história que passo a contar um pouco.

Vou falar da minha participação na introdução dos videogames no Brasil quando ajudamos a desenvolver diversos projetos, inclusive o primeiro videogame que foi vendido em kit naquela época.

Não é preciso voltar a falar do sucesso dos nossos primeiros videogames, o TL-Jogo Elétron, a TV Arma, o Motocross. Os que são da época se lembram. Mas, para os novos que estão acostumados com os videogames de hoje, pode parecer ingênuo o modo como aqueles jogos eram feitos.

A tecnologia da época era outra, não havia internet e as memórias não tinham a mesma capacidade das que hoje temos nos jogos avançados. Os primeiros jogos usavam chips em que tudo já vinha programado a partir do momento da fabricação. Eram os ASICs ou circuitos integrados de aplicação específica (Application Specific Integrated Circuit). Eram circuitos integrados que eram fabricados de modo a conter todos os recursos e programação para uma determinada aplicação, por exemplo, um controle de máquina, um telefone sem fio ou um jogo.

Assim, o jogo já vinha programado e não havia como mudar muito além dos jogos previstos, isso através de uma chavinha (veja o esquema). Esses circuitos foram criados nos anos 70 e eram feitos com matrizes de portas. A Ferranti foi uma das criadoras com um chip formado por portas que poderiam ser programadas para a função desejada pelo fabricante, mas que não poderiam ser alteradas depois do processo de programação.

Eles chegaram no Brasil nos anos 70 e um dos primeiros foi o TV Jogo Philco. Não tinham muita capacidade de memória, mas serviam para muitas coisas, como a popularização dos videogames.

Longo em seguida ajudei a criar o TV Jogo Elétron que saiu na revista Saber Eletrônica 74 de outubro de 1978 e que foi desenvolvido em torno de um desse Cis, o AY-3-8500 que até hoje pode ser encontrado à venda, e que era fabricado em Singapura pela General Instrument.

 

 

Figura 1 - O TV-jogo Eléctron de outubro de 1978.e a capa da revista
Figura 1 - O TV-jogo Eléctron de outubro de 1978.e a capa da revista

 

 

Me lembro quando o Augusto Costa, nosso especial amigo da Superkit nos procurou para ajudá-lo no desenvolvimento da novidade que ele havia trazido do exterior para desenvolvermos um kit. Link para o artigo:

O jogo era acoplado a um televisor, sendo sintonizado num canal livre. Ele fornecia 4 tipos de jogos. O futebol, tênis, paredão e o tiro ao alvo que exigia numa arma especial que ensinamos a montar numa edição seguinte e que também vendemos em kit.

Na figura 2 temos a imagem que se obtinha na tela do televisor. A bolinha ficava indo e vindo e os jogadores controlavam as raquetes por dois potenciômetros de modo a rebatê-la. Quando um deixava passar o jogo marcava o ponto para o adversário. Terminava quando determinado número de pontos era atingido.

 

Figura 2 – O TV-jogo elétron
Figura 2 – O TV-jogo elétron

 

 

Você ainda pode montar. Pois o circuito usado (único) ainda pode ser encontrado à venda na Internet.

O anúncio da venda do kit era bem chamativo e a montagem não era difícil, pois o circuito integrado de 28 pinos vinha pré-soldado na placa. Apenas diodos, resistores, capacitores e alguns outros componentes.

 

Figura 3 – A placa de circuito impresso
Figura 3 – A placa de circuito impresso

 

 

Link para montagem do jogo.

https://www.newtoncbraga.com.br/index.php/projetos/11600-tv-jogo-eletron-art2735.html

É claro que naquela época havia o kit de montagem à venda, o que infelizmente não temos hoje, mesmo porque o sinal era exclusivo para TV analógica.

Logo em seguida lançamos a TV arma que também foi vendida em kit.

Conforme sugere a figura 4 havia a geração de uma imagem na tela, um quadradinho, que se movia constantemente. A arma era dotada de um sensor, um fototransistor que detectava esse ponto luminoso. Se, ao apertar o gatilho o alvo estivesse no foco detectava um acerto e um ponto era contado.

 

Figura 4 – A TV arma
Figura 4 – A TV arma | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A montagem completa da TV arma é mostrada no artigo do link abaixo.

https://www.newtoncbraga.com.br/index.php/memoria-historica/19709-tv-arma-art2731.html?highlight=WyJhcnQyNzMxIl0=

No kit que era vendido na época vemos que a arma era bem vistosa sendo moldada em plástico e acompanhava a placa de circuito impresso com todos os componentes para a montagem. (figura 5)

 

 

Figura 5 – O kit da TV arma e do videogame TV-Jogo Elétron.
Figura 5 – O kit da TV arma e do videogame TV-Jogo Elétron. | Clique na imagem para ampliar |

 

Mas, não paramos por aí, lançando novos jogos, e o seguinte foi o TV-Jogo fórmula 1. Lançado em 1981 ele continuou a linha de sucesso dos kits da época.

 

Figura 6 - Imagem que ilustrava o artigo em que ensinamos a montar (veja o link)
Figura 6 - Imagem que ilustrava o artigo em que ensinamos a montar (veja o link)

 

O jogo era baseado em outro ASIC, o AY-3-86-3 que gerava na tela um padrão dinâmico mostrando duas pistas de corrida e dois carrinhos que deveria ultrapassar os demais sem bater, controlados pelos potenciômetros, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 – O TV-Jogo fórmula 1
Figura 7 – O TV-Jogo fórmula 1 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

As imagens do artigo no link abaixo, mostram o que aparecia na tela.

https://www.newtoncbraga.com.br/index.php/projetos/11148-tv-jogo-formula-i-art2614.html

Finalmente, lançamos um outro jogo muito interessante que fez sucesso na época. O motocross. Tenho meu protótipo funcionando até hoje.

 

Figura 8 – Foto do autor com o protótipo (número 1) do Motocross
Figura 8 – Foto do autor com o protótipo (número 1) do Motocross

 

 

O princípio de funcionamento era o mesmo dos demais. Um circuito integrado ASIC da série AY-3 gerava uma imagem que representava uma rampa com vários barris que deveriam ser saltados por uma moto (figura 9).

 

Figura 9 – O padrão
Figura 9 – O padrão

 

Controlando pelo potenciômetro a aceleração da moto, o jogador deveria acelerar o suficiente apenas para saltar os barris que iam aumentando em quantidade após cada salto certo.

Se o jogador desse menos aceleração amoto capotava já na rampa com um ruído característico. Se desse aceleração demais, a moto capotava ao cair bem depois dos barris. Era preciso ter habilidade, mas muito interessante.

Jogo que ajudamos a desenvolver os kits e fizemos o artigo e que marcaram época. Ainda teremos muito a falar deles, pois o Motocross ainda está em fase de recuperação entre nossos artigos para ser colocado no site.

 

 

 

 

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