Para mim que aprendi a maior parte do que sei através de livros e revistas e depois passei a minha vida profissional toda trabalhando na produção de revistas técnicas de eletrônica, não só do Brasil, mas de diversos outros países, conhecer o modo como uma revista é feita foi fundamental para meu sucesso. Neste artigo que tem um vídeo associado e também uma série de podcasts e no Facebook e até mesmo faz parte de meu livro-biografia, relato como uma revista é feita, desde os Primórdios da imprensa até nossos dias.

 

A parte gráfica

Não vou voltar aos tempos de Gutemberg, pois naquela época não havia revistas técnicas de eletrônica e nem mesmo a eletrônica.

A impressa dos tipos móveis ou linotipos evolui muito a partir do final dos séculos 18 onde havia a facilidade de se fazer qualquer impressa em grande quantidade.

As prensas como a mostrada na figura imprimiam grande quantidade de material com certa facilidade, mas era ainda muito precário o modo como as matrizes eram feitas.

 

Figura 1 – Impressão antiga
Figura 1 – Impressão antiga

 

A matriz era feita numa base quadrada onde as palavras inteira de uma página eram formadas letra a letra com pequenos tipos de chumbo. Havia uma caixa com todas as letras e símbolos e o editor formava a página numa armação de madeira prendendo-a firmemente, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 - A formação da página
Figura 2 - A formação da página | Clique na imagem para ampliar |

 

 

As figuras eram feitas numa espécie de escultura que era então encaixada onde devia aparecer.

Colocada na prensa, a página era molhada com tinta e a imagem transferida ao papel, conforme mostra a figura 3.

 

Figura 3 – A transferência da imagem
Figura 3 – A transferência da imagem

 

 

O processo de prensar cada página com o tempo se automatizou sendo criada uma máquina que teve sua utilização feita por dezenas de anos nas pequenas gráficas, a Minerva.

Ainda há poucos anos vi uma dessas máquinas em pleno funcionamento numa gráfica que fazia convites, folhetos de propaganda e outras impressões simples.

 

Figura 4 – A máquina Minerva
Figura 4 – A máquina Minerva

 

 

Quando comecei a trabalhar no Instituto Monitor suas apostilas ainda eram impressas em máquinas como esta.

A impressão evoluiu pelo offset em que processos fotográficos são usados com o emprego de uma negativo. Máquinas de grande porte imprimiam as páginas, cortavam e encadernavam tudo automática. A Revista Saber, a Eletrônica Total e outras eram impressas nessas máquinas e ainda são usadas.

 

Figura 5 – Uma impressora rotativa
Figura 5 – Uma impressora rotativa

 

 

As páginas eram impressas e conforme o tamanho 4 por folha, daí as revistas terem como números de páginas múltiplos de 4. Antes de partir para a impressão definitiva revisávamos o que ía sair antes de partir para as edições finais que significavam milhares ou mesmo milhões de páginas.

Hoje temos um processo bastante interessante que, no entanto, ainda é caro, mas que deve baratear com o tempo e se tornar o principal na publicação de revistas e livros em pequenas e médias quantidades. Trata-se do processo On-Demand que utilizamos em nossas revistas e muitos outros também.

 

Figura 6 – O processo On-Demand
Figura 6 – O processo On-Demand

 

Nele, o arquivo digitalizado que corresponde à revista é armazenado e quando ocorre a venda de 1 exemplar ele é utilizado numa impressora que, além de imprimir o conteúdo, também imprime as capas e faz a encadernação, saindo o exemplar pronto.

É claro que temos ainda as edições digitais, que são disponibilizadas gratuitamente no nosso caso, ficando arquivadas no celular, tablet, laptop ou desktop ou mesmo dispositivos de leitura como o Kindle.

 

 

A produção da revista

 

O que vimos é a parte prática da produção da revista, mas muita coisa já tinha acontecido antes, por exemplo, a produção dos originais para a impressão.

Recebidos os artigos dos colaboradores e selecionados os que deveriam ser publicados havia um processo trabalhoso para coloca-los no formato final que iria ser impresso.

Os colaboradores, muitas vezes mandavam originais datilografados, no passado distante escritos à mão, com desenhos rudimentares e muitos erros de português (no nosso caso) e até textos incompreensíveis que deveriam ser trabalhados.

 

Figura 7 – Os manuscritos e originais datilografados em laudas.
Figura 7 – Os manuscritos e originais datilografados em laudas.

 

 

Foi só posteriormente com a chegada do computador que as coisas se tornaram mais fáceis, com o uso dos corretores, a elaboração de bons textos e a execução de figuras usando aplicativos, desde o Paint até o Coral e CADs que faziam esquemas e placas muito bons, como até hoje. Os textos podiam ser digitados e editados no Word ou outro equivalente.

 

Figura 8 – Desenhos no computador
Figura 8 – Desenhos no computador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Mas era trabalhoso. De um texto com figuras que deveriam ser intercaladas e até fotos e tabelas, tudo deveria ser colocado no formato final.

Não era simples e tudo foi sendo facilitado com o tempo, mas a redação de uma revista era uma confusão de pessoas correndo, tentando arrumar as coisas, pois o que mais pesava eram os prazos. A revista tinha data para sair.

 

Figura 9 – Uma redação
Figura 9 – Uma redação

 

 

Naquela época a revisão era importante, mas os erros saiam e uma vez descobertos, nem sempre era possível fazer a correção, ficando para a edição seguinte a colocação de uma “Errata” que todos nós detestávamos e muito mais os leitores que, por causa do erro, montavam alguma coisa que não funcionavam.

Uma ligação num esquema, uma trilha numa placa ou um valor de componente errado era o que havia de mais comum.

 

 

Preparação e Seleção de Artigos

 

Era um feito importante para muitos ter um artigo publicado numa revista de renome, como as que trabalhei. E, naquela época muitos recompensavam os colaboradores com um pagamento. Não era muito, mas servia como estímulo e em muitos casos para pagar o trabalho de desenvolvimento e a compra dos componentes utilizados.

No meu caso, me profissionalizei e fazendo muitos artigos para diversas revistas até que ganhava bem com os direitos autorais, inclusive pagos pelas revistas estrangeiras. Esses direitos serviam para complementar meu salário que, ao contrário de que muitos possam pensar não era dos maiores.

 

Figura 10 – Recibos e cheques de direitos autorais
Figura 10 – Recibos e cheques de direitos autorais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Poucos podiam se profissionalizar como autores somente. Eu tinha além dos artigos nas revistas e meu salário como Diretor Técnicos algumas outras rendas adicionais ainda, dando algumas aulas e fazendo livros.

Como diretor e colaborador meu trabalho era intenso. Inicialmente eu ficava na redação da Revista Saber quando comecei como diretor, mas logo o Sr. Savério, como dono percebeu que eu não tinha sossego suficiente para desenvolver os projetos e ao mesmo tempo atender leitores (pelo telefone na época) e as dúvidas dos desenhistas, diagramadores e outros.

Me mandou para casa e assim, me tornei talvez um dos primeiros a adotar o home office, isso em 1976. Já tinha trabalhado desta forma quando trabalhei na remodelação do Curso de Eletrônica do Instituto Monitor. Trabalhava 3 dias em casa e duas ou 3 vezes quando necessário ía a redação para sanar as dúvidas, atender consultas e entregar o meu trabalho, pegando tarefas para fazer novamente em casa.

Até hoje seleciono os artigos que chegam para nossas publicações, tanto as revistas, como para o site e livros. É um trabalho interessante que ma ajuda também a estar sempre atualizado, fora os artigos que ainda escrevo, como este.

Mas nem todos os artigos chegavam até nossas mãos como gostaríamos. Alguns colaboradores mais frequentes já sabiam como fazer o artigo, mas muitas vezes ou o artigo exigia uma intervenção nossa pedindo mais informações ao autor ou ainda era enviado de volta com observações do que devei a ser feito.

Isso nos levou a criar um manual de como escrever os artigos, baseado na nossa experiência e também no que faziam todas as revistas do mundo.

Temos no nosso site um artigo completo que mostra como preparar originais de um artigo técnico para publicação.

Enfim, fazer uma revista não é uma tarefa simples. Quando anunciamos na internet que lançaríamos a revista INCB há alguns anos atrás, muitos dos nossos seguidores que possuem sites e que se espelham muito no que fazemos, também resolveram fazer suas revistas. Nenhum sobreviveu.

A revista INCB já está na edição 31 quando escrevo este artigo, o que representa mais de 5 anos (bimestral) e a revista Mecatrônica Jovem também já está há vários anos brindando seus leitores com artigos interessantes.

Como escrever um artigo na edição n° 2 da Revista INCB Eletrônica:

Revista INCB Eletrônica N° 2 - Jan-Fev/2021

 

 

 

 

 

 

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST