É uma data especial: o centésimo aniversário da revista Antenna. Para mim tem um significado especial, pois desses 100 anos, mais de 50 a revista esteve presente na minha vida, não apenas me ensinando muito, mas também como sendo o ponto de partida da minha carreira profissional. Vou contar a breve história disso nesse artigo e deixo por conta de quem quer saber mais consultar minha biografia que está em fase final de preparação para lançamento.
Nota: Este artigo foi escrito para publicação especial na revista Antenna em seu número comemorativo dos 100 anos de existência.
Não vou falar da história da revista Antenna, pois ela já estará sendo contada nessa edição. Falarei da minha história relacionada à revista Antenna e seu proprietário Gilberto Afonso Penna, assim como outros, em especial sua filha Eunice com que mantenho um bom relacionamento até hoje. Foi ela que me deu um CD com todos os números da revista e também da Eletrônica Popular onde eu despontei como escritor técnico de aneira mais intensa.
Mas, vamos à história. Comecei a comprar a revista Antenna já com 11 anos de idade, isso no final dos anos 50. Como tenho 75 anos de idade isso significa mais de 65 anos, mas não é apenas isso. Com o tempo, frequentando sebos (lojas de livros e revistas usados) comecei a encontrar revistas de antes do final dos anos 50 e assim ampliei minha coleção.

Na época a editora Antenna também havia começado a fazer a revista Eletrônica Popular que era muito especial para mim, pois percebi que não queria me dedicar à profissão de service, mas sim projetos, fazendo engenharia e essa revista era muito prática.
Tanto que foi nela que tive minha primeira coluna como colaborador de uma revista. Já tinha muitos artigos publicados antes, inclusive na própria Eletrônica Popular, mas não uma seção fixa, a seção Eletrônica Para Juventude.

Frequentava nos anos 60 as Lojas do Livro Eletrônico que era a filial de São Paulo das Edições Antenna, isso na Rua Vitória. Era o centro da eletrônica. Na região, nas travessas na Rua Santa Ifigênia e suas travessas concentrava-se o intenso comércio de componentes e produtos eletrônicos.
Compara meus componentes e não deixava de ir a oga para comprar a última edição da revista Antenna ou Eletrônica Popular e eventualmente algum livro novo das Edições Antenna ou importado. Havia muita coisa trazida dos Estados Unidos. Nem sempre tinha dinheiro para odos e tinha de voltar depois quando juntasse o suficiente.
Na época uma edição fabulosa que atraia e que somente depois quando comecei a trabalhar com salário fixo é que consegui comprar eram os livros de circuitos de John Marcus, livros enormes com milhares de circuitos que ajudaram a formar meu Banco de Circuitos.

Estabeleci um bom relacionamento com a gerente da loga, Dona Nauá, de quem fiquei amigo. Ela era a primeira a me informar das novidades quando chegava à loja.
Um dia em que eu havia levado meu caderno de esquemas para comprar alguns componentes, onde eu anotava meus circuitos (fiz muitos posts dele no Facebook) eu mostrei a ela e mesmo sem ser técnica ficou maravilhada e sem eu saber contou para o Gilberto Afonso Penna sobre a existência ele. Não deu outra.

Não tinha telefone, usando um telefone público quando precisava. Ligue um dia para a Antenna e a própria Dona Nauá me atendeu e me disse que eu deveria ir a Loja do Livro Eletrônico no sábado (tinha ligado meio da semana, justamente para saber se valia ir no sábado que era o dia que tinha livre). Indaguei o porque e ela me disse que o Gilberto Afonso Penna estaria lá e eu poderia conhecê-lo. Ela insistiu que eu levasse meu caderninho para que ele visse.
No sábado fui lá e tive o prazer de conhecer o Gilberto de quem me tornei amigo. Mais do que isso, me atendendo com muita cordialidade ele disse que queria ver meu caderno de que Dona Nauá tanto havia falado.
Depois de folhear o caderno por algum tempo, ele olhou sério para mim e disse:
- Está confiscado!
Fiquei assustado é claro. Tinha minhas anotações todas lá. Então ele me disse que ele seria usado numa nova seção da revista Eletrônica Popular que eu faria com um engenheiro que cuidaria da preparação dela como coluna mensal, Eletrônica Para Juventude. Seria o primeiro curso de eletrônica nas páginas de uma revista.
Demorou um pouco, pois a primeira lição saiu somente em 1967, mas foi a minha iniciação como colunista. A sorte é que eu tinha todos os rascunhos dos artigos que estavam no caderninho e fiz outro para mim que tenho até hoje. O conteúdo é o mesmo.
Gilberto era uma pessoa interessante. Seu foco maior era o radioamadorismo, tanto que com o tempo a revista Eletrônica Popular se tornou tanto uma revista para hobista com base na edição americana e com colaboradores brasileiros como eu, o Aquilino R. Leal e outros e para radioamadores com notícias e projetos, ficando a Antenna como edição profissional. Uma história Interessante.
O Chaveiro de 50 anos
Recebi recentemente um Email do amigo do Rio de Janeiro Ricardo Perez que me contou uma história interessante. Caminhando pelas ruas daquela cidade encontrou um vendedor ambulante que tenha uma bela coleção de chaveiros comemorativos dos 50 anos da Revista Antenna.
Comprou todos e me enviou alguns, pelo que agradeço muito. Vejam a foto. Como me mandou vários chaveiros vou escolher um ou mais dos que entrarem no meu site e me escreverem. Nas imagens a edição 1, a edição comemorativa dos 50 anos e os meus chaveiros.

E eu que tenho os de 50 anos, quero os chaveiros de 100 anos!


















