Para a realização de montagens de aparelhos eletrônicos existem diversas técnicas. Para os principiantes recomendamos o uso de pontes de terminais, mas isso, nem sempre é possível com as montagens mais elaboradas. Para estas a placa de circuito impresso é a solução ideal, devendo o montador contar com uma série de recursos e dominar certas técnicas que abordamos neste artigo.

As montagens em placas de circuito impresso, que são as mais utilizadas no momento, apresentam diversas vantagens em relação a outras técnicas como por exemplo:

  • Possibilitam montagens mais compactas;
  • São mais confiáveis;

 

Facilitam a própria montagem com a redução do número de interligações.

Como fazer uma placa de circuito impresso é o que veremos a seguir abordando apenas alguns aspectos das muitas técnicas existentes para esta finalidade.

 

 

1. O que é uma placa de circuito impresso

 

Na formação de um aparelho, os diversos componentes devem ser interligados e fixados.

Podemos usar pontes de terminais para a fixação, e pedaços de fio na interligação.

Em aparelhos antigos são usados chassi de metal onde os componentes maiores são presos e a partir deles, os demais são interligados diretamente por seus terminais ou por fios. (figura 1)

 

   Figura 1 – Técnicas antigas de montagem
Figura 1 – Técnicas antigas de montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A utilização de uma placa de circuito impresso facilita a montagem de componentes de pequenas dimensões como resistores, capacitores, diodos, transistores, circuitos integrados etc., no sentido de que, ao mesmo tempo em que lhes oferece sustentação mecânica, também provê as interligações.

Uma placa de circuito impresso nada mais é do que um painel de fibra ou fenolite em que podem ser gravadas trilhas de cobre que, sendo condutoras, provém as interligações entre os componentes.

A disposição dessas trilhas pode ser planejada de modo a interligar os componentes na disposição que corresponda ao circuito. (figura 2)

 

Figura 2 – A placa de circuito impresso
Figura 2 – A placa de circuito impresso | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Normalmente para a confecção de uma placa existem duas possibilidades que devem ser bem analisadas pelos montadores:

Ter um desenho pronto da disposição das trilhas e componentes, bastando fazer a cópia (transferir para a placa);

Ter apenas um diagrama (esquema) devendo planejar a disposição dos componentes e das trilhas.

No primeiro caso, que é o que abordaremos inicialmente neste artigo, bastará que o leitor tenha os recursos para cópia da placa e pronto.

Qualquer aparelho pode ser montado.

No segundo caso, o leitor precisa ter conhecimentos maiores, principalmente da simbologia e dimensionamento dos componentes, para projetar a placa.

Veja então que é bem diferente confeccionar uma placa e projetar uma placa. Inicialmente vamos apenas confeccionar.

Obs. Este artigo é de 1985 quando não haviam programas que projetam placas diretamente a partir do circuito como o Ultilboard e o Proteus.

 

 

2. O que é necessário

 

O material para a elaboração das placas é simples e tanto pode ser adquirido em partes como na forma de kits.

O material básico que o leitor deve possuir é o seguinte:

1 litro de percloreto (solução ou pó);

1 banheira de circuito impresso (plástico);

1 caneta para circuito impresso;

1 furadeira para circuito impresso;

1 pacote de algodão;

1 vidro pequeno de solvente (acetona, benzina, etc.);

1 caneta comum;

1 prego grande ou punção;

1 folha de papel vegetal e rolinho de fita adesiva

Na figura 3 mostramos este material básico, com algumas variações. Por exemplo, a furadeira pode ser tanto do tipo elétrica como manual; a caneta pode ser do tipo de encher ou mesmo uma pena de normógrafo caso em que se usa esmalte de unhas diluído em acetona como "tinta".

 

Figura 3 – Material básico
Figura 3 – Material básico | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O material adicional optativo é o seguinte:

2 ou 3 rolinhos de graph-line (*) de 0,5 a 1,5mm;

1 rolo de fita crepe;

1 ou 2 cartelas de símbolos autoadesivos de "bolinhas" para terminais de transistores ou soquetes de integrados e

1 vidrinho de iodeto de prata (pratex).

(*) Hoje temos produtos equivalentes

O uso de todo esse material admite muitas variações mas daremos somente alguns procedimentos básicos para a realização de placas que, através de experiências, podem ser modificados.

 

 

3. Fazendo uma placa de circuito impresso

 

De posse do desenho Original em tamanho natural, correspondente ao lado cobreado da placa, devemos começar por transferi-lo para uma placa virgem, ou seja, uma placa totalmente coberta por uma camada de cobre.

As figuras 4 e 5 mostram a sequência de procedimentos.

 

 Figura 4 – Sequência de procedimentos
Figura 4 – Sequência de procedimentos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para isso, fixamos o desenho (copiado em papel vegetal ou outro papel fino) sobre a placa de impresso, conforme mostra a figura 4 (a).

Com o prego ou punção marcamos os pontos que corresponde aos furos por onde vão passar os terminais dos componentes. Estas marcas, obtidas com uma batida não muito forte, servirão de guia para a cópia do desenho, conforme mostrado em (b) da mesma figura 4.

Com todos os furos marcados, retiramos o desenho e passamos a copiar as ligações que correspondem às tiras de cobre com a caneta de circuito impresso, conforme mostrado em (c).

Se as tiras forem muito finas e se desejar um acabamento mais profissional da placa, podem ser usadas as tiras graph-line (Decalque da época em que foi feito o artigo) que são fixadas por simples pressão, conforme mostra a figura 4 (d).

Para as tiras mais grossas pode ser usada a fita crepe, e se houver regiões amplas a serem cobertas pela tinta, o esmalte comum de unha pode ser usado para esta finalidade.

Importante é não deixar falhas em cada caso.

Os pontos em que vão entrar os terminais de componentes e que, portanto, correspondem aos furos marcados, devem ser feitos com cuidado, conforme mostra a figura 4 (e).

As "bolinhas" autoadesivas permitem que estes pontos tenham uma aparência melhor.

Uma vez que o desenho esteja todo transferido é preciso preparar a solução de percloreto se ela não estiver pronta.

Se o leitor comprou a solução pronta (líquido) então é só despejar um pouco, o suficiente para cobrir a placa, na banheira. Se seu percloreto veio na forma de pó você vai ter de dissolvê-lo em água.

Para isso proceda do seguinte modo:

Na própria banheira, coloque a mesma quantidade de água que corresponde ao pó (1 litro de água para cada quilo de pó).

Depois, vagarosamente vá colocando pequenas porções de percloreto na água, dissolvendo-o com um pedaço de madeira.

O leitor vai notar que o processo de dissolução é exotérmico, isto é, libera calor de modo que a solução se aquece.

Não deixe aquecer muito, pois pode haver uma deformação de sua banheira de plástico!

Quando a solução estiver quente, pare um pouco antes de acrescentar mais percloreto, esperando esfriar.

Atenção! Nunca despeje água no percloreto, pois a reação pode fazer com que a substância espirre: manchando, queimando e até podendo cega-lo se atingir seus olhos!

Uma vez que a solução esteja pronta, ela poderá ser usada dezenas de vezes na corrosão das placas, antes de enfraquecer e ter de ser jogada fora.

Para usar a solução é importante ter um local apropriado com boa ventilação e longe de coisas que possam manchar.

Na figura 5 temos os diversos passos no preparo da solução.

 

   Figura 5 – O preparo da solução
Figura 5 – O preparo da solução | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com a solução pronta e a placa em condições de corroer é só colocá-la na banheira (figura 4-f).

A placa deve ser colocada de modo a não formar bolhas de ar.

O tempo de corrosão pode variar entre 20 minutos e 1 hora, dependendo da “força" da solução.

Periodicamente você pode levantar com cuidado a placa, usando dois pedaços de madeira, e verificar em que ponto anda a corrosão.

Nas fases finais, o cobre das regiões descobertas vai sendo totalmente removido, conforme mostra a figura 4 (g).

Quando a placa estiver totalmente corroída, você deve retirá-la do banho e lava-Ia em água corrente de modo a remover todos os vestígios do percloreto, o qual pode ser guardado para a confecção de nova placa. (Guarde o percloreto em local ventilado longe de objetos de metal que ele possa atacar.)

Uma vez lavada, remova a tinta especial que foi usada no desenho das trilhas, os símbolos autoadesivos ou o esmalte, com algodão e solvente ou então Bombril.

A placa depois de pronta não deve apresentar trilhas irregulares ou interrupções, conforme mostra a figura 4 (h).

Depois disso é só fazer a furação nos locais correspondentes aos terminais dos componentes.

Uma camada de proteção de iodeto de prata passada com algodão pode ser eficiente para proteger o cobre contra oxidação.

Verniz incolor também serve para a mesma finalidade.

 

 

 

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