Dois em um: esta é a melhor definição para este projeto que reúne num circuito um excelente radinho de AM e um amplificador de prova para sua bancada. Trata-se de uma montagem especialmente indicada ao hobista que deseja ter um rádio de boa qualidade e, ao mesmo tempo, um amplificador para realizar provas de bancada tudo isso com pouco investimento, não muito trabalho e desempenho à altura.

 

Observação: o projeto é de 1987. Hoje podemos montar o mesmo circuito com integrados mais modernos como o TDA7052 ou mesmo o LM386 que são mais fáceis de encontrar.

 

Na bancada do experimentador e do técnico são necessários dois aparelhos importantes que não devem faltar: o rádio e o amplificador de prova.

O rádio serve para sua distração, para a prova de pequenos transmissores e o amplificador para a prova de transdutores, osciladores e outros aparelhos.

Por que não ter os dois aparelhos em um só, economizando assim componentes e tendo mais facilidade de realização?

O projeto de um radioamplificador integrado, como o descrito, tem muitos atrativos que, sem dúvida, poderão entusiasmá-lo.

O primeiro é a utilização de um único integrado, que além de simplificar a montagem, pela sua alta amplificação, resulta num rádio sensível.

De fato, podemos dizer que o som obtido é de alta-fidelidade. E só usar um bom alto-falante numa caixinha de acústica razoável.

O segundo é a não necessidade de ajustes críticos, o que não acontece com rádios “profissionais".

Tudo que exige para sua montagem é o recurso para a realização de placas de circuito impresso.

 

 

Características

Tensão de alimentação: 6 V (4 pilhas pequenas ou fonte);

Potência de saída: 1 watt;

Impedância de entrada: 100 k;

Faixa de sintonia (rádio): 550 a 1600 kHz.

 

 

Como Funciona

A base deste circuito é o integrado TBA820S que consiste num amplificador de áudio que pode funcionar com tensões entre 3 e 16 V.

Com uma tensão de alimentação de 9 V obtemos uma potência de 1,6 Watts.

A corrente quiescente é de apenas 4 mA e é encontrada em suporte DIL de 14 pinos.

No nosso projeto optamos por uma alimentação de 6 V por ser esta tensão facilmente obtida de 4 pilhas comuns, e fornecer potência mais do que suficiente para a finalidade proposta.

O alto-falante usado deve ser de pelo menos 10 cm x 8 ohms, para se ter uma boa qualidade de som.

Na entrada colocamos um potenciômetro de controle de volume. Temos dois tipos de sinais para trabalhar: na função de amplificador, o sinal vem de fora via jaque J1 podendo ser de fontes de alta impedância como microfones, cápsulas, osciladores, órgãos, etc.

Na função de rádio, o sinal virá de um circuito simples para ondas médias.

Neste circuito, um capacitor faz a sintonia das estações após o que temos a detecção direta por um diodo de germânio.

A sensibilidade do amplificador garante que, com esta simples configuração e um simples rabicho usado como antena, possamos pegar com facilidade as estações locais.

A seletividade e a sensibilidade podem em casos de estações mais fracas dependerá de dois fatores: da bobina e da antena externa.

Para as estações mais fracas, recomenda-se a utilização de uma antena externa, como mostra a figura 1, enquanto para as estações locais um simples pedaço de fio será suficiente.

 

Figura 1 – Antena externa
Figura 1 – Antena externa

 

 

A bobina influi na separação das estações e também na sensibilidade.

Podemos jogar com os dois fatores usando uma chave comutadora, conforme a situação de cada localidade em que o rádio operar.

Colocando a chave S2 na posição extrema da bobina temos menor seletividade, mas maior sensibilidade, e na posição média (2) teremos maior seletividade, porém, menor sensibilidade.

Do mesmo modo, temos dois pontos de ligação da antena, cuja escolha depende das condições locais.

 

 

Montagem

Na figura 2 temos o diagrama completo do aparelho.

 

Figura 2 – Diagrama completo do aparelho
Figura 2 – Diagrama completo do aparelho | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Como usamos um circuito integrado, a melhor técnica para montagem é a que faz uso de placa de circuito impresso que é mostrada na figura 3.

 

Figura 3 – Placa para a montagem
Figura 3 – Placa para a montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

São os seguintes os cuidados que o leitor vai precisar tomar com a montagem e obtenção dos componentes, é claro, depois de ter confeccionado a sua placa de circuito impresso.

a) Observe a posição do circuito integrado. Veja que existe uma marca que identifica a posição do pino 1. Se puder use um soquete para este integrado, pois isso evitará o excesso de calor no momento da soldagem.

b) A bobina L1 deve ser enrolada pelo próprio montador usando para isso um bastão de ferrite de aproximadamente 1cm de diâmetro e de 10 a 30 cm de comprimento. O fio usado pode ser o esmaltado 26 ou 28 ou então, na sua falta, fio comum fino de capa plástica. Serão enroladas inicialmente 40 espiras e depois mais 60, conforme mostra a figura 4.

 

Figura 4 – A bobina
Figura 4 – A bobina

 

 

Para prender os extremos dos fios pode ser usada fita adesiva comum, fita isolante ou mesmo fita crepe. Algumas gotas de cera de vela ajudarão a manter as espiras de bobina firmes.

c) O diodo D1 pode ser o 1N60 ou qualquer equivalente de germânio como o 1N34 etc. Observe sua polaridade pela faixa.

d) O potenciômetro P1 tanto pode ser de 47k como de 1ook. Se quiser use um com chave, que fará as vezes de S1. E importante observar a ordem de ligação dos fios e usar cabo blindado para que não haja captação de zumbidos.

e) O capacitor variável CV é do tipo usado em rádios AM, podendo tanto o leitor escolher o miniatura de plástico como o grande de rádios antigos (aproveitado da sucata). Os pontos de ligação são mostrados na figura 5.

 

Figura 5 – Conexão do variável
Figura 5 – Conexão do variável | Clique na imagem para ampliar |

 

 

f) Os resistores são todos de 1/8 W ou ¼ W e os capacitores menores cerâmicos ou de poliéster. Para 100 nF podemos ter a marcação 104.

g) Os capacitores eletrolíticos devem ter uma tensão mínima de trabalho de 6V e na montagem devemos observar sua polaridade.

h) O alto-falante, para melhor qualidade de som, deve ser de 8 ohms com pelo menos 10 cm. Alto-falantes maiores respondem melhor aos graves e têm maior rendimento no total da faixa, com melhor som.

h) O jaque de entrada J1 pode ser do tipo RCA ou de fone P2. Um cabo com garras, conforme mostra a figura 6, pode ser preparado para facilitar o uso do amplificador de prova.

 

Figura 6 – Jaque de entrada
Figura 6 – Jaque de entrada

 

 

Este cabo deve ser blindado e deve ter de 80 cm a 1,5 metros de comprimento.

 

i) A chave S3 é do tipo de1 polo x 2 posições. Uma chave 2 x 2 pode ser usada mantendo 3 de seus terminais desligados.

Para completar temos os terminais de antena, o interruptor geral e o suporte para 4 pilhas pequenas que será fixado na caixa por meio de braçadeiras.

A placa de circuito impresso será fixada na caixa por meio de parafusos com separadores isolantes. Não se recomenda para esta montagem o uso de caixa de metal.

 

 

Prova e Uso

Basta colocar as pilhas no suporte e ligar em A1 ou A2 uma antena que tanto pode ser externa como um pedaço de fio de uns 2 ou 3 metros.

Ligue S1, coloque S3 na posição 1 (rádio) e ajuste simultaneamente P1 e CV para ouvir alguma estação de rádio.

Ligue depois um cabo de prova em J1 e passe a chave para a posição.2.

Coloque os dedos na garra de entrada. Deve ser ouvido um ronco no alto-falante, indicando que o amplificador está bom.

Para usar o aparelho lembre-se sempre de colocar S3 na posição correspondente. A chave S2 serve para determinar o melhor modo de escuta para as estações locais.

Ao aplicar um sinal de entrada tenha em mente a sensibilidade do circuito. Se houver distorção, ela pode ser devida a sinal muito intenso. Um nível de sinal fraco provoca som baixo no alto-falante.

 

Obs.: no caso de localidades de difícil recepção é necessária também a ligação à terra feita em qualquer objeto metálico em contato com o chão, no cano de água ou no polo neutro da rede de alimentação.

 

Neste último caso, recomenda-se usar como isolamento um capacitor de 10 nF x 250 V.

 

 

Lista de Material

Cl-1 - TBA820S - circuito integrado

D1 - 1N34 ou 1N60 - diodo de germânio

L1 - Bobina de antena (ver texto)

CV - Capacitor variável (ver texto)

FTE -10 cm x 8 ohms – alto-falante

P1 – 47 k ou 100 k - potenciômetro comum com ou sem chave (S1)

S1 - Interruptor simples

S2, S3 - 1 polo x 2 posições

B1 – 6 V - 4 pilhas pequenas

J1 - Jaque RCA

A1, A2 - Terminais de antena

R1 – 180 R x 1/8 W - resistor (marrom, cinza, marrom)

R2 – 56 R x 1/8W (verde, azul, preto)

C1, C5 - 100 nF (104) - capacitor cerâmico

C2, C4 - 100 uF - capacitores eletrolíticos

C3 – 47uuF - capacitor eletrolítico

C7, C8 - 220 uF - capacitores eletrolíticos

C5 -100 pF - capacitor cerâmico

Diversos: terminais de antena e terra, bastão de ferrite, placa de circuito impresso, caixa para montagem, botão para o variável e para o potenciômetro, fios, fio blindado, garras jacaré, pino RCA ou P2, suporte para 4 pilhas pequenas, etc.

 

 

 

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