Como obter fotos com flashes de qualidade profissional, eliminando as desagradáveis sombras. Se o leitor é fotógrafo amador ou profissional e deseja melhorar suas fotos com flashes, este interessante projeto pode lhe ajudar. Mesmo sendo artigo elaborado em 1983 quando ainda não haviam as máquinas digitais, ele pode ser ainda usado com máquinas digitais, pois opera com a luz do flash e pode operar com algum flashe antigo que o leitor tenha em algum lugar de sua sucata.

Os leitores que gostam de tirar suas fotos para os álbuns de família, ou mesmo que ganham a vida reportando casamentos, batizados e festas de aniversário, sabem como é difícil, com um único flash, eliminar as sombras que prejudicam tanto a qualidade das fotos.

De fato, a diferença de posição entre o flash e a máquina, conforme mostra a figura 1, faz com que a "paralaxe" resultante leve à presença de sombras na foto.

 

Figura 1 – Aparecimento de sombras
Figura 1 – Aparecimento de sombras | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Trazer o flash para mais perto da máquina, ou usá-lo preso a esta como ocorre em muitos casos, melhora este problema, mas mesmo assim não é a solução ideal, pois, o ângulo de iluminação da cena, neste caso, não pode ser alterado de modo a se obter o ponto ideal.

A melhor solução é a que faz uso de dois flashes, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Usando dois flashes
Figura 2 – Usando dois flashes | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Neste caso, os dois flashes iluminam, de pontos diferentes, a cena, eliminando assim as sombras e permitindo obter melhores fotos.

Mas, esta solução também leva a alguns outros problemas adicionais de ordem técnica: como sincronizar os dois flashes para que disparem ao mesmo tempo?

A solução normal, que encontramos nos flashes profissionais deste tipo, consiste no disparo do remoto através da própria luz emitida pelo que está ligado à máquina.

Os circuitos eletrônicos que fazem uso de fotocélula são tão rápidos que não há praticamente diferença entre o instante em que o primeiro flash dispara e aciona o segundo com sua luz.

Muito cômoda, esta solução é a melhor para se obter fotos sem sombras, com mais iluminação, mas apresenta um pequeno problema cuja solução agora está no bolso dos que pretendem adotá-la: o custo de tais aparelhos.

É esta montagem que levamos ao leitor, com grande simplicidade, a ponto de reduzir enormemente o custo e, além disso, nem sequer precisar de alimentação, num circuito muito engenhoso que pode ser adaptado a qualquer flash comum de pilhas ou bateria.

 

 

COMO FUNCIONA

 

Na figura 3 temos um diagrama de blocos que representa o nosso disparador e a configuração interna de um flash eletrônico comum.

 

Figura 3 – Diagrama de blocos
Figura 3 – Diagrama de blocos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Conforme o leitor pode ver, o flash comum opera com uma lâmpada de xenônio que dispara através de um pulso produzido por um capacitor de pequeno valor através do obturador da máquina.

O pulso gera uma alta tensão num pequeno transformador, o qual leva a lâmpada à plena condução. Esta lâmpada, entretanto, só pode emitir seu forte flash se for alimentada com uma tensão da ordem de 300 volts ou mais, que é obtida de um circuito inversor e de um grande capacitor.

O inversor eleva a tensão das pilhas e faz a carga do capacitor. (figura 4)

 

Figura 4 – Elevando a tensão das pilhas
Figura 4 – Elevando a tensão das pilhas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A ideia básica de nosso disparador econômico é, em primeiro lugar, aproveitar a própria alimentação disponível no circuito de disparo dos flashes comuns que, como vimos, é da ordem de 300 V.

Estes muitos volts são então reduzidos no primeiro bloco do aparelho que é a sua fonte redutora, caindo 10 V aproximadamente, que são usados para alimentar o circuito transistorizado dos demais blocos.

O sincronismo do flash remoto é feito através da “fotocélula" representada por um sensível foto-transistor no bloco de entrada.

Com a presença do flash, este foto-transistor produz um pulso elétrico que é amplificado em três etapas com transistores.

A configuração destes transistores é ta! que o foto-transistor fica “regulado" apenas para ver as variações de luz, o que quer dizer que o flash não disparará com a iluminação ambiente, a não ser que ela varie, e isso rapidamente.

O pulso de disparo vai ao bloco final que tem por elemento principal um SCR.

Este SCR funciona como uma chave que terá por função "disparar” o flash.

Quando o pulso ampliado do foto-transistor chega ao terminal de comporta do SCR ocorre seu disparo e ele liga. Com isso, o capacitor de disparo do flash é colocado em curto, produzindo o pulso que dispara a lâmpada.

 

 

MATERIAL

 

O material usado, além de ser de baixo custo, pode ser encontrado com facilidade, o que torna este projeto acessível a todos.

Sugerimos em especial o uso de uma pequena caixa de plástico, conforme mostra a figura 5, na qual serão instalados os poucos componentes, todos na placa, já que não existe sequer fonte de alimentação para se preocupar!

 

Figura 5 – Sugestão de caixa
Figura 5 – Sugestão de caixa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os componentes usados são os seguintes:

O SCR deve ser obrigatoriamente o MCR106-4 ou MCR106-6. Para os transistores temos os BC548 ou os equivalentes na função NPN e BC558 ou equivalente para a função PNP.

O diodo pode ser um 1N4148 ou 1N4004, e o zener qualquer tipo de 12 V.

Os resistores serão todos de 1/8 W, o eletrolítico deve ter uma tensão de trabalho de pelo menos 16 V, e o capacitor cerâmico de 100 nF deve ter as menores dimensões que o leitor conseguir.

O foto-transistor é o TIL78 que apresenta a diretividade e sensibilidade recomendadas.

O leitor além da placa do circuito impresso e caixa, precisará também de um conector de encaixe de acordo com o flash que pretende usar.

 

 

Montagem

 

Como se trata de montagem com elevado grau de miniaturização, a única versão admissível é a que faz uso de placa de circuito impresso.

O leitor deverá ter os recursos para sua realização, assim como todas as ferramentas necessárias a uma montagem perfeita.

Na figura 6 temos o circuito completo do flash remoto, com todos os valores dos componentes usados.

 

Figura 6 – Diagrama do aparelho
Figura 6 – Diagrama do aparelho | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 7 temos o desenho da placa de circuito impresso.

 

Figura 7 – Placa para a montagem
Figura 7 – Placa para a montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para uma montagem perfeita o leitor deve tomar os seguintes cuidados:

a) Ao soldar o SCR observe bem a sua posição, se houver inversão o aparelho não funcionará. Não deixe seus terminais muito compridos, pois pelo contrário o leitor encontrará dificuldades em fechar a pequena caixa.

b) Os transistores são de dois tipos diferentes. Cuidado para não inverter os NPN com o PNP, e na sua colocação na placa observe a posição do lado chanfrado. Seja rápido na sua soldagem.

c) Do mesmo modo, tanto o diodo zener como D1 são polarizados, o que significa que o montador deve observar a posição das faixas de identificação dos catodos.

d) Na colocação do foto-transistor deve ser observada a posição do lado achatado. Este foto-transistor deve ser mantido com os terminais longos para que se alinhe facilmente com o furo na caixa, por onde deve entrar a qu que o dispara. Sua soldagem deve ser feita rapidamente para que o calor não o afete.

e) Para soldar os resistores, o leitor deve observar as cores das faixas que determinam seus valores.

f) Na soldagem de C1, que pode vir marcado tanto com 100 nF, como 104 ou mês mo 0,1, não é preciso observar a polaridade. O mesmo não acontece com C1 em que é preciso seguir a posição de (+) ou (-) conforme o caso.

g)Terminada a soldagem de todos os componentes na placa o leitor deve preparar e soldar o cabo de conexão ao flash. Veja na figura que o condutor central deve corresponder à ligação de anodo do SCR e o externo ao catodo. Se houver in- versão, o flash não disparará.

 

 

PROVA

 

Coloque pilhas novas no seu flash e conecte o flash remoto (circuito) a ele.

Espere um pouco até que a lâmpada neon que indica que o flash está “carregado" acenda.

Depois, aproxime um isqueiro do foto-transistor e acenda-o, conforme mostra a figura 8.

 

Figura 8 - Testando
Figura 8 - Testando | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O seu pulso de luz deve imediatamente provocar o disparo do flash.

Se nada acontecer, verifique em primeiro lugar se o foto-transistor está ligado na posição certa. Depois verifique se o fio de conexão ao flash não está invertido.

Se antes de acender o isqueiro o flash disparar sozinho, veja se o SCR não está em curto.

Se nada acontecer, faça uma revisão completa na montagem, se possível testando os transistores.

 

 

USO

 

Para usar o seu flash auxiliar, basta proceder da maneira indicada na figura 9.

 

Figura 9 - Usando
Figura 9 - Usando | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O auxiliar do fotógrafo deve segurar o flash remoto apontando para a cena que deve ser fotografada, e a caixinha com o circuito disparador deve apontar para o flash da máquina.

Disparando o flash de sua máquina ele também deve disparar o circuito do sistema remoto e assim obter um pulso de luz adicional em outro ângulo.

Veja que a sensibilidade do sensor remoto é grande, de modo que se você estiver sob fundo claro, em que muita iluminação incida sobre o sensor, pode haver alteração de comportamento do circuito.

 

 

Lista Material

 

SCR - MCR106-4 ou MCR106-ó - diodo controlado de silício

Q1, Q2 - BC548 ou equivalente - transistores NPN

Q3 ~ BC558 ou equivalente - transistor PNP

D1 - 1N4148 - diodo de silício

Z1 – 12 V x 400 mW ~ díodo Zener

FT1 - TIL78 - foto-transistor

R1 –100 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, amarelo)

R2 – 560 k x 1/8 W - resistor (verde, azul, amarelo)

R3 – 15 k x 1/8 W - resistor (marrom, verde, laranja)

R4 – 330 R x 1/8 W - resistor (laranja, laranja, marrom)

R5 – 180 R x 1/8 W - resistor (marrom, cinza, marrom)

R6 - 2k7 x 1/8 W - resistor (vermelho, violeta, vermelho)

R7 – 390 R x 1/8 W - resistor (laranja, branco, marrom)

R8 ~ 4M7 x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, verde)

C1 - 100 nF - capacitor cerâmico

C2 – 4,7 uF x 16 V ~ capacitor eletrolítico

Diversos: placa de circuito impresso, caixa para montagem, conector, etc.

 

 

 

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