O melhor meio de proteger seu carro não é o alarme, que toca quando 0 ladrão já está dentro dele e pronto para levá-lo ou depois que Seu veículo já foi arrombado e seus acessórios retirados. O melhor meio de proteger Seu veículo é desestimular qualquer ação do ladrão, evitando que ele tente qualquer coisa por verificar que o carro se encontra muito bem protegida Um “engana ladrão” que fará com que os amigos do alheio se afastem de seu veículo, de ação muito mais psicológica do que real, é o que propomos neste artigo.

Mais vale prevenir do que remediar! Os leitores que conhecem este provérbio e já foram de algum modo vítimas do amigo do alheio, certamente têm motivos de sobra para defender sua validade.

Somente depois de terem seus preciosos bens “surrupiados" é que as pessoas passam a se preocupar com um sistema de alarme, uma tranca de segurança, ou qualquer outra proteção para seu carro ou para seu lar.

Mas, muito melhor do que avisar do perigo, quando o ladrão já está em sua casa ou dentro de seu carro, é evitar que isso aconteça, desestimulando-o de alguma maneira a tentar alguma coisa, fazendo-o sentir-se inseguro a ponto de não ir em frente com seus planos.

Esta é a ideia básica deste pequeno projeto que visa enganar os ladrões, ou melhor, fazê-los pensar que seu carro se encontra muito bem protegido com um sistema "infalível” de alarme, tão infalível que pode ficar à vista, pois não haverá jeito aparente de desarmá-lo.

O ladrão confuso com a presença do sistema preferirá procurar uma vítima" menos protegida, e certamente o leitor se verá livre de problemas!

O nosso aparelho nada mais é do que uma caixinha com “cheiro" de alarme, conforme mostra a figura 1, que será colocada de modo visível sob o painel do carro.

 

Figura 1 – A ideia do projeto
Figura 1 – A ideia do projeto | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para chamar a atenção da proteção que está sendo oferecida existem dois LEDs piscando e algumas “chaves" sem função ou marcações em código para confundir ainda mais um eventual ladrão.

Desta caixinha saem dois fios que enlaçam a alavanca de câmbio e a direção, e que cuidadosamente o proprietário do veículo ligará ao sair, na eventual hipótese do ladrão já o estar observando.

E claro que a ligação destes fios nada mais faz do que ativar o circuito de alerta da caixinha, mas o ladrão não sabe disso, e com dois fios em posições tão estratégicas como a direção e o câmbio, ele certamente ficará com a ”pulga atrás da orelha” e não vai querer arriscar (a não ser que ele tenha lido este artigo, mas isso é uma hipótese bastante remota

 

COMO FUNCIONA

O “Engana Ladrão" nada mais é do que um pisca-pisca que chama a atenção para um falso sistema de proteção do carro na ausência do proprietário, confundindo um eventual ladrão e evitando sua ação.

O pisca-pisca é ativado por um par de fios enlaçados em pontos estratégicos.

Na figura 2 temos o diagrama básico do sistema que é formado por um multivibrador astável e por um circuito de controle.

 

Figura 2 – Diagrama básico
Figura 2 – Diagrama básico | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O pisca-pisca que aciona dois LEDs é um multivibrador astável cuja frequência é determinada pelos capacitores C1 e C2 e pelos resistores de polarização de base dos transistores.

Os capacitores usados no projeto prático são de valores diferentes para que os LEDs pisquem assimetricamente. Isso dá um “efeito psicológico" maior, conforme pode ser verificado.

Este multivibrador tem sua alimentação controlada por um terceiro transistor, da maneira mostrada na figura 3.

 

Figura 3 – O controle da alimentação
Figura 3 – O controle da alimentação | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na ausência de polarização de base, este transistor não conduz e o multivibrador não funciona, mantendo os LEDs apagados. (figura 4)

 

Figura 4 – O acionamento do multivibrador
Figura 4 – O acionamento do multivibrador | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A polarização de base que faz o transistor conduzir e, portanto, o pisca-pisca entrar em ação, vem de dois elos externos que ligam dois resistores à alimentação positiva do aparelho.

São estes elos que “protegem" o veículo, enlaçando a direção e alavanca do câmbio.

Veja que se retirando o elo o aparelho simplesmente desliga, não sendo por isso necessário chave para acionar o sistema, confundindo mais ainda um ladrão que poderá procurar um jeito de desligar o alarme.

Veja que ele não se arriscará a retirar os fios que enlaçam a direção e o câmbio justamente com medo que isso dispare a buzina ou quem sabe o quê

Mas, o importante neste simples ”placebo" eletrônico é a maneira como é feita sua montagem, ou seja, o aspecto externo que deve ser exatamente o de um bom alarme.

 

OS COMPONENTES

Começamos justamente pela caixinha, que tem seu aspecto mostrado na figura 5.

 

Figura 5 – Sugestão de caixa
Figura 5 – Sugestão de caixa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na parte frontal existem 4 furos para colocação dos plugues que vão servir de encaixe para os fios de proteção. Na parte posterior saem por um furo apenas dois fios que são da alimentação do circuito.

Os leitores que quiserem podem “incrementar” o sistema com a colocação de uma ou duas chaves adicionais na caixinha que certamente servirão para “confundir" o ladrão, já que ficarão sem função.

A caixa deve ter além disso na parte frontal mais dois pequenos furos para colocação dos LEDs, ao lado da inscrição que lembre que “aquilo" é um sistema de proteção “infalível" contra roubos.

Na figura 6 damos a sugestão de um painel bastante "assustador" para desestimular a ação de um eventual ladrão.

 

Figura 6 – Sugestão de painel
Figura 6 – Sugestão de painel | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com relação aos componentes eletrônicos todos eles são comuns e baratos a tal ponto que certamente o leitor não gastará muito para proteger seu carro, e muito menos que um sistema convencional que também pode ser usado paralelamente, é claro.

Os transistores são NPN de uso geral e além dos originais BC548 todos os equivalentes podem ser empregados, como os BC547, BC237, BC238 e até mesmo os BC107 ou BC108, desde que respeitadas suas disposições diferentes de terminais.

Os LEDs são de cores diferentes, um vermelho e um verde, de qualquer tipo.

Os capacitores são todos eletrolíticos com tensão de trabalho a partir de 16 V e os resistores são de 1/8 W, com qualquer tolerância.

O fusível é de 250 mA ou mesmo maior (até 2 A) e um suporte do tipo externo, como os usados em rádios de carros, é empregado.

Temos ainda os quatro bornes isolados que podem ser de cores diferentes (para confundir o ladrão, que pensará num código) e os pinos correspondentes.

Fio, ponte de terminais que serve de chassi, completam o material para esta montagem.

 

MONTAGEM

Como se trata de montagem muito simples, nem mesmo os leitores iniciantes terão dificuldades em realizá-la. Pode ser usado como chassi uma ponte de terminais ou uma placa de circuito impresso.

No caso da versão em ponte, antes de ser colocada na caixa ela deve ser fixada numa base de material isolante como, por exemplo, madeira.

Na figura 7 temos o diagrama completo de nosso aparelho.

 

Figura 7 – Diagrama do aparelho
Figura 7 – Diagrama do aparelho | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 8 temos a nossa sugestão de montagem em ponte de terminais, recomendada aos menos experientes.

 

Figura 8 – Montagem em ponte de terminais
Figura 8 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para os que quiserem uma versão mais compacta e tiverem recursos, na figura 9 damos a versão em placa de circuito impresso.

 

Figura 9 – Placa para a montagem
Figura 9 – Placa para a montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

São os seguintes os principais cuidados que devem ser tomados durante a montagem:

a) Comece soldando os transistores, observando que eles têm posição certa para colocação, a qual é dada pela sua parte achatada. Ao soldar estes componentes o montador deve ser rápido, pois eles são bastante sensíveis ao excesso de calor.

b) Solde depois todos os resistores, observando agora que seus valores são dados pelas faixas coloridas, segundo a ordem citada na lista de material.

c) Para soldar os capacitores, além dos valores que são marcados nos invólucros diretamente, o montador deve observar as polaridades, ou seja, a marcação de (+) e (-) fazendo-as coincidir com os desenhos.

Temos agora a ligação dos componentes externos, feitas com pedaços de fios flexíveis.

d) A ligação dos LEDs deve obedecer a polaridade, ou seja, deve ser observada a posição dos lados achatados desses componentes, pois pelo contrário eles não acenderão.

e) A ligação a cada borne é feita com um pequeno pedaço de fio flexível.

f) Completa-se esta parte da montagem com a colocação do fio do suporte dos fusíveis (positivo) e do fio de ligação à massa.

Depois o leitor preparará dois pedaços de fio de 1,5 m cada um, colocando um plugue em cada ponta para o sistema externo de proteção.

Terminada a montagem, antes de fechar o sistema na caixa e instalá-lo, o leitor deve fazer uma prova de funcionamento.

 

PROVA E USO

Use uma fonte de 12 V ou então uma pequena bateria de 9 V para a prova inicial.

Na prova com a bateria de 9 V os LEDs acenderão um pouco mais fraco, mas isso não impede que se verifique que tudo está bem.

A ligação deve obedecer a polaridade, ou seja, o fio do fusível no polo positivo e o outro no negativo. Inicialmente nada acontece.

Depois, coloque o pino de um dos fios preparado no jaque J1 e o outro do mesmo fio no jaque J4. Os LEDs devem piscar alternadamente.

Se quiser mudar o ritmo das piscadas, troque os capacitores C1 e C2 por outros de diferentes valores. Se nada acontecer, verifique sua montagem.

Estando tudo em ordem, feche o aparelho em sua caixa.

Para instalá-lo ligue o fio positivo a qualquer ponto da instalação do carro onde exista a tensão de 12 da bateria como, por exemplo, fazendo uma derivação no próprio fio que alimenta o rádio ou toca--fitas.

Ligue o outro fio (negativo) à massa do carro, ou seja, em qualquer ponto em que existam fios ligados ao chassi do carro por meio de terminais.

Depois é só fixar o sistema sob o painel.

Para usar, sempre que sair do carro, enlace os fios na direção e na alavanca de câmbio (ou em outro local).

Os LEDs devem ficar piscando, alertando assim um ladrão eventual para a presença de um sistema de proteção.

O gasto de energia é mínimo, e quando o leitor voltar (se não roubarem seu alarme!) para desligá-lo basta retirar os fios dos bornes. Nestas condições não há consumo de energia.

 

 

LISTA DE MATERIAL

Q1, Q2, Q3 - BC548 ou equivalentes (BC338, BC23 7, etc.)

LED1, LED2 - LEDs vermelho e verde, comuns

C1 - 4,7 uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C2 - 10 uF x 16 V - capacitor eletrolítico

C3 - 47uF x 16 V - capacitor eletrolítico

R1, R4, R5, R6 – 1 k x 1/8 W - resistores (marrom, preto, vermelho)

R2, R3 – 100 k x 1/8 W - resistores (marrom, preto, amarelo)

J1, J2, J3, J4 - bornes isolados comuns

F1 - fusível de 250 mA ou mais (até 2A)

Diversos: caixa para montagem, placa de circuito impresso ou ponte de terminais, plugues para os bornes, fios, suporte para o fusível. etc.

 

 

 

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