Receptores de rádio controle de grande sensibilidade e estabilidade são difíceis de montar e ajustar. A solução econômica possível consiste na utilização de um rádio portátil de AM na recepção destes sinais com a ajuda de conversores. Neste artigo damos sugestões de circuitos conversores para esta finalidade.
Rádios transistorizados para as faixas de ondas médias e curtas podem ser modificados para receber os sinais correspondentes à faixa de rádio controle, ou seja, 27 MHz.
Entretanto, as modificações exigem um cuidado muito especial, pois as bobinas que devem ser alteradas além de críticas são extremamente delicadas.
Deve-se então num rádio receptor de AM do tipo super-heteródino retirar tanto a bobina osciladora como a de antena (figura 1) e em seu lugar devem ser colocadas outras paras as frequências desejadas.
O crítico da colocação destas bobinas é o fato delas deverem estar exatamente defasadas de 455 kHz, ou seja, enquanto que uma bobina deve sintonizar a frequência do transmissor de rádio controle, a outra, a osciladora deve operar numa frequência 455 kHz mais alta que é justamente a frequência intermediária que deve ser aproveitada no rádio.
Lembramos que num receptor super-heteródino existem duas etapas de entrada, a misturadora e a osciladora local que produzem sinais separados de 455 kHz para que esta diferença apareça nas etapas de FI sintonizadas nesta frequência, onde são amplificadas (figura.2).
Sem um bom conhecimento do funcionamento do aparelho e sem a disponibilidade de bons aparelhos de ajuste é muito difícil tentar-se este tipo de adaptação, ainda mais se considerarmos que os circuitos em que devemos mexer podem variar de configuração de aparelho para aparelho conforme a marca, número de faixas, sensibilidade, etc.
A solução para se poder utilizar um receptor comum de qualquer tipo na recepção de sinais de rádio controle consiste em se empregar um conversor externo.
Este conversor leva então o sinal de 27 MHz captado para uma frequência mais baixa, que o rádio receptor de AM possa sintonizar sem a necessidade de alterações em seu circuito (figura 3).
O conversor consiste então basicamente num oscilador que opera de 540 à 1 600 kHz acima da frequência do sinal que deve operar o rádio controle, já que esta é a faixa sintonizada por um rádio de ondas médias.
Veja que muitos dos pequenos rádios de ondas médias de 2 pilhas (3V) são bastante pequenos para poderem ser instalados em modelos dirigidos à distância e para seu funcionamento nesta função tudo que se exige é o conversor e o circuito de filtro ou acionamento de relês ligado à saída que seria do alto-falante.
Importante, no caso, é que em nenhum ajuste do rádio precisamos tocar, mas tão somente no conversor.
OS CIRCUITOS PRÁTICOS
Os melhores conversores são os que utilizam cristais pela estabilidade de funcionamento que pode ser obtida. Sem a ajuda do cristal o circuito se torna instável e o sinal do transmissor pode fugir facilmente da sintonia do receptor.
Temos na figura 4, o diagrama de blocos básico de um conversor onde o leitor pode ver o circuito oscilador, o misturador ou etapa de sintonia e a saída aplicada diretamente à antena do receptor, ou então, por um elo indutivo (espira enrolada em torno do rádio).
O primeiro circuito que mostramos funciona com uma tensão de 9 V e não usa crista. (figura 5)
Com este circuito o sinal do emissor de rádio controle, pode ser captado em 1 MHz, ou seja, no centro da faixa de ondas médias. (Nas localidades em que existir estação operando nesta frequência, deve-se escolher outro ponto de funcionamento).
Temos 6 bobinas a serem enroladas e todas são algo críticas, pois delas dependerá o perfeito funcionamento do receptor.
As características destas bobinas são então as seguintes:
L1 - 10 voltas de fio 22 em forma de ¼ de polegada (núcleo de ferrite.)
L2 - 2 ou 3 voltas de fio 22 sobre L1
L3 - 20 voltas de fio 28 sobre L4
L4 - 80 à 100 voltas de fio 28 num bastão de ferrite de 10 cm ou bobina para faixa de ondas médias sintonizada em 1 MHz
L5 - 10 voltas de fio 28 (saída para o receptor de ondas médias) sobre L3 e L4
L6 - 10 voltas de fio 22 em forma de ¼ de polegada com núcleo de ferrite
L1 - juntamente com o capacitor de 47 pF em paralelo devem sintonizar a frequência do transmissor de rádio controle, enquanto que L6 juntamente com o trimmer de 47 pF devem ser ajustados para operar 1 MHz abaixo da frequência do transmissor.
A diferença será o 1MHz sintonizado no receptor.
Para Q1 pode ser usado qualquer transistor NPN de silício para RF como o BF 254, BF 184 e BF 494, etc.
A tomada na bobina L1 deve ser feita na terceira espira do lado da massa.
Para que o conversor funcione satisfatoriamente, as bobinas L1/L2 e L6 devem ser montadas perpendicularmente, e todas as ligações entre os componentes devem ser curtas.
Os resistores são de 1/8 W e os capacitores fixos são cerâmicos.
Para ajustar este circuito o leitor pode orientar-se pelo sinal do seu transmissor ou então usar um aparelho PX que deve ser ouvido no rádio AM.
A antena será do tipo telescópico com pelo menos 40 cm de comprimento.
A tomada na bobina L6 pode ser feita no centro ou então mais próximo do lado de massa.
O segundo circuito, bem mais simples, em relação ao número de componentes, utiliza um cristal. (figura 6)
No caso, temos um oscilador controlado pelo cristal, que opera em 26 200 kHz, ou seja, aproximadamente 1 MHz abaixo do canal para o qual deve ser sintonizado o transmissor.
Com a utilização do cristal temos a vantagem de obter excelente estabilidade de funcionamento. mas em compensação devemos fixar a frequência do transmissor num único valor que não pode ser alterado.
Neste circuito tem-se ainda a vantagem de se utilizar apenas uma bobina o que sem dúvida simplifica a montagem e o ajuste.
A bobina é formada por dois enrolamentos cujas características são:
L1 - 15 voltas de fio 26 em forma de 3/8 de polegada com núcleo de ferrite ajustável.
L2 - 2 voltas de fio 26 sobre L1
O ajuste deve ser feito para obtenção de maior sensibilidade na frequência do transmissor.
A alimentação deste conversor é feita com 3 pilhas pequenas ligadas em série o que corresponde a uma tensão de 4,5 V.
O transistor usado pode ser de qualquer tipo para RF como o BF 494, 2N2222, BF194, etc.
Os dois capacitores são cerâmicos e o resistorde1/8 W. A montagem será feita numa pequena placa de circuito impresso com todas as ligações diretas e curtas.
LIGAÇÃO NOS RECEPTORES
Os receptores portáteis não possuem normalmente terminais de antena e terra.
Nestes casos, o acoplamento do conversor ao receptor pode ser feito por meio de uma ou duas voltas de fio enroladas sobre a caixa do mesmo, conforme mostra a figura 7.
Em alguns casos, o leitor deverá experimentar outros números de voltas no- acoplamento até obter o melhor casamento de impedâncias entre os aparelhos e com isso maior rendimento do conversor.
Outra possibilidade de se fazer o acoplamento do conversor ao receptor consiste em se interligar os polos negativos das fontes de alimentação e transferir-se o sinal para a própria bobina de antena do receptor, conforme mostra a figura 8.
Um capacitor cerâmico, de 10 pF aproximadamente, isola os dois aparelhos da alimentação contínua.




















