Não é propriamente de um componente que fa/aremos desta vez, mas sua ligação com todos os componentes e os próprios circuitos e tão grande e importante que não podemos deixar de incluí-lo num artigo completo. E isso ainda é pouco! O multímetro, de todos os equipamentos eletrônicos é o de maior utilidade na prova e ajustes de circuitos. Veja agora o que é, e para que serve esse instrumento.

O multímetro, multiteste ou VOM (Volt Ohm Miliamperímetro) é um instrumento de prova capaz de medir tensões (volts), resistências (ohms) e correntes (miliampères).

Dotado de diversas escalas e um sistema de comutação para suas pontas de prova, este aparelho mede praticamente tudo o que precisamos para saber se um circuito, ou se um componente está bom ou não.

Para os estudantes, hobistas e mesmo técnicos iniciantes, existem muitos tipos de multímetros de custo acessível e grande utilidade como o modelo mostrado na figura 1.

 


 

 

 

Nota: este é um tipo analógico comum na época. Hoje temos tipos digitais e que medem muito mais do que tensões, correntes e resistências.

 

De posse de um multímetro, o leitor que souber como usá-lo terá muito mais facilidade para determinar o estado de seus componentes e circuitos.

Se o leitor tem um multímetro, damos a seguir algumas técnicas de medidas importantes que poderão ser comprovadas com a realização de experiências.

Faça como o indicado em cada caso, para conhecer o seu multímetro e saber como ler suas escalas.

 

 

O multímetro

O multímetro é basicamente formado por um galvanômetro de bobina móvel, do grande sensibilidade e precisão, ligado a um circuito comutado que depende do que se deseja medir.

Veja que não é conveniente tentar construir este tipo de aparelho pelos seguintes motivos:

a) O galvanômetro de precisão não pode ser encontrado com facilidade no comércio especializado, e se for, pode até custar mais caro que um multímetro pronto!

b) A chave usada na comutação, ou contatos para as pontas de prova, deve ser de tipo especial (prateados) para apresentar a menor resistência possível, e não são encontrados com facilidade.

Sem eles o instrumento construído não apresenta a precisão desejada.

c) Finalmente, os componentes do circuito devem ter precisão de pelo menos 1 ou 2%, o que eleva seu custo e dificulta sua obtenção. Sem eles, o instrumento tem a precisão do componente usado, e esta pode não atender à finalidade desejada.

 

 

Medidas de resistências

Para medir resistências é muito simples: escolha uma escala de acordo com a resistência que você espera ler. Por exemplo, para ler uma resistência de 10 k (10.000 ohms) você colocará o instrumento na escala OHMS x 100, pois assim terá uma deflexão (movimentação da agulha) na região central, onde a precisão é maior. Se quiser pode usar a escala OHMS x 1k (x100).

No primeiro caso, o ponteiro deve ir até o 100, pois 100 x 100 = 10.000: e no segundo caso, até o 10, pois 10 x 1.000 = 10.000.

Antes de fazer a medida, você deve sempre "zerar" o multímetro, o que é feito encostando uma ponta de prova na outra e ajustando o “Zero Adj" para ler 0.

 


 

 

 

Depois, você pode medir a resistência, conforme mostra a figura 3.

 


 

 

 

Veja que, a medida de uma resistência deve ser feita sempre “fora do circuito", ou seja, o componente deve estar "desligado".

Os resistores comuns de carvão ou carbono tendem a "abrir", ou seja, quando estão ruins, seu valor aumenta em relação ao esperado, ou então passa a apresentar resistência infinita.

Pegue um punhado de resistores em seu estoque e confira sua resistência usando o multímetro. Com este procedimento, você vai aprender a ler a escala do seu instrumento.

 

 

Potenciômetros e trimpots

Podemos testar um trimpot ou potenciômetro com facilidade, usando o multímetro.

Numa primeira operação, medimos sua resistência “ponta a ponta" conforme mostra a figura 4.

 


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O valor lido deve ser o do componente (nominal). Assim, um trimpot de 47 k deve medir 47 k nesta prova e um potenciômetro de 1 M deve medir 1 M.

Se o valor for infinito, o componente se encontra queimado (aberto).

Depois, passamos à prova de cursor (se ele passar na anterior). Para isso, procedemos como mostra a figura 5.

 


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Girando o cursor do trimpot ou potenciômetro, a resistência deve variar suavemente entre 0 e o valor nominal, ou seja, o obtido na prova anterior. Se ocorrerem saltos bruscos é porque o potenciômetro ou trimpot se encontra sujo ou com problemas de contato.

Se nada for constatado (resistência infinita), é porque o trimpot ou potenciômetro está aberto.

 

 

Diodos

Os diodos em bom estado devem conduzir a corrente num sentido e bloquear em outro. Podemos verificar se um diodo está realmente fazendo isso e, portanto, determinar seu estado, usando o multímetro.

O procedimento é mostrado na figura 6.

 


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Usando a escala intermediária de resistências (OHM x 100, por exemplo), medimos a resistência, primeiro num modo e depois invertemos as pontas de prova.

Para um diodo bom, teremos uma leitura de baixa resistência e uma de alta resistência.

Se as duas leituras forem de alta resistência, dizemos que o diodo está aberto e ele não serve para uso. Se as duas resistências forem baixas, dizemos que o diodo está em curto, e ele também não serve para uso.

 

 

Transformadores e bobinas

Podemos verificar se os enrolamentos de transformadores e bobinas estão em bom estado, ou seja, apresentam continuidade, medindo sua resistência, conforme mostra a figura 7.

 


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A resistência deve ser baixa, tanto mais baixa quanto mais grosso for o fio do enrolamento e menor o número de espiras. A resistência pode variar normalmente entre 0 e 1.000 ohms.

Se for observada uma resistência infinita, é porque o enrolamento se encontra interrompido. Infelizmente, se o enrolamento estiver com espiras em curto, não será possível verificar isso com o multímetro.

 

 

Medindo tensões

Para medir tensões num circuito, o procedimento é o mostrado na figura 8.

 


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A ponta preta deve ser ligada à terra (se ela for o polo negativo da bateria) e a vermelha encostada no ponto em que se quer saber a tensão. A escala do multímetro é escolhida de acordo com a tensão que se espera encontrar.

Deve também ser verificado se a tensão medida é realmente contínua (DC ou CC).

Na figura 9, damos o procedimento para se medir a tensão de uma pilha.

 


 

 

 

Não é a melhor forma de se testar uma pilha, pois existem casos em que temos acima de 1,2V medidos nesta prova, mas a pilha apresenta uma resistência interna elevada, que se manifesta quando a ligamos num circuito.

Nestas condições, ao colocarmos a pilha em operação, sua tensão cai para valores inadequados.

 

 

Conclusão

Usando seu multímetro, você pode descobrir muito sobre componentes e circuitos. Voltaremos oportunamente com mais provas e experiências envolvendo este instrumento.

 

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