Com a chegada dos meses de inverno, e com isso a diminuição da umidade do ar principalmente na região sul, central e sudeste do Brasil, as cargas elétricas começam a se acumular nos corpos com mais facilidade e com isso seus efeitos podem se fazer sentir de uma forma acentuada. Estes dias mesmo, empurrando um carrinho num supermercado, fomos por várias vezes surpreendidos com os choques dados pelas descargas, devidas à forte carga acumulada pelo atrito. O atrito das rodas isolantes com o piso foi suficiente para gerar o que calculo chegar a alguns milhares de volts, que se acumularam no carrinho, cuja estrutura se comportava como as placas de um capacitor. Gostaria de ter um eletrômetro disponível para ter uma idéia da tensão destas descargas, mas certamente, pelo estalo e pelo choque elas devem ter ultrapassado a casa dos 1 000 Volts! Se considerarmos que o simples caminhar de uma pessoa num tapete pode gerar cargas superiores a 5 000 volts, não estamos muito longe se atribuirmos esse valor ao carrinho do supermercado. Para as pessoas, estas descargas podem ser apenas eventos desagradáveis, a não ser em alguns casos mais perigosos em que pessoas que usam marca-passos são atingidas, mas para a eletrônica estamos diante de um fenômeno que preocupa todos que trabalham com ela. De fato, as descargas eletrostáticas ou ESD (Electrostatic Discharge) são a causa de uma grande quantidade de danos que podem ocorrer em componentes e equipamentos eletrônicos. Circuitos integrados de tecnologia CMOS, por exemplo, podem ter a fina camada de óxido que isola comportas de transistores, destruída por tensões que não precisam ser muito elevadas. A faísca que ocorre fura estas capas destruindo o isolamento e com isso o componente. O simples toque dos dedos nos terminais de um componente, por uma pessoa que tenha alguma carga acumulada no corpo pode causar a sua destruição. Evitar estas descargas é muito importante para a eletrônica e o acumulo de cargas em objetos e pessoas também é importante para se manter o bem estar das pessoas. De fato, estudos mostram que o acúmulo de cargas positivas num ambiente ou numa pessoa pode afetar seu sistema nervoso, desencadeando crises alérgicas e até causando dores de cabeça. Descobriu-se, por exemplo, que enchendo um ambiente com íons negativos, pode-se melhorar o bem estar de pessoas com crises alérgicas ou que tenham sido vítimas de queimaduras. O velho ditado de que pessoas com ferimentos profundos podem “sentir nos ossos” quando o tempo v ai mudar tem suas razões científicas. Antes de mudanças bruscas de tempo, a ionização do ar muda de polaridade, tornando-se fortemente positiva em alguns casos, o que causa dores nas pessoas que tenham ferimentos ou as faz sentir algo diferente, possibilitando assim a detecção... Enfim as cargas elétricas que se acumulam em nosso ambiente merecem atenção. Para os eletrônicos, basta lembrar que os componentes sensíveis também são “alérgicos” a sua presença em excesso...

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST