
A eletrônica vem progredindo fabulosamente; coisas que a 20 anos eram consideradas impossíveis, hoje são comuns, como por exemplo os rádios portáteis, o transistor, o laser, etc...Um outro ramo da eletrônica que atualmente está entrando num campo fabuloso, tema de filmes de ficção científica, é a cibernética juntamente com sua ciência "prima", a biônica.
Imaginem só a reação do povo, se fosse a 20 anos atrás anunciado que uma nova máquina capaz de pensar tivesse sido inventada! Na verdade, os cérebros eletrônicos já existem de há muito tempo, mas os atuais aperfeiçoamentos são fabulosos.
Mas qual é a diferença entre um cérebro cibernético e um cérebro biônico?
Na cibernética a máquina não raciocina, isto quer dizer que se dermos duas hipóteses, a máquina só chegará a que se esta já tiver sido ensinada.
Na biônica, ciência que procura imitar, com peças eletrônicas, os seres vivos, é diferente. A máquina raciocina, e dadas duas hipóteses ela chegará a que sem que esta tenha sido ensinada. Outra diferença é a capacidade de aprendizado.
Os cérebros cibernéticos têm sua sabedoria armazenada em rolos de fitas e além do que está ali por mais que sejam passados ensinamentos pela máquina ela não conseguirá guardar nenhum, ou seja têm inteligência limitada.
Nos biônicos isso não acontece, pois êles têm a sua memória, não com fitas, mas com dispositivos eletrônicos capazes de armazenar qualquer informação "extra" que venha de fora, além dos que ali existem.
Assim, novos ensinamentos vindos de fora reforçariam o conhecimento da máquina, como se ela tivesse aprendido, mas vejamos isto como foi feito na prática.
Foi construído num laboratório nos Estados-Unidos um "rato robot" com um "ensinamento"; êle deveria encontrar "alimento", que era uma bateria elétrica.
Colocaram o robot num labirinto e no outro extremo do mesmo, o alimento.
O robot foi ligado, e seguindo aquilo que lhe fora ensinado, procurou chegar ao alimento, mas êle errava, e cada vez que isso acontecia, quando estava em caminho errado, levava um choque desagradável para o seu mecanismo.
Na primeira tentativa o robot levou 1 hora para sair do labirinto, mas os choques tomados nos erros, condicionaram uma sensação de "mêdo" à máquina, e na segunda vez a máquina foi mais cautelosa e não cometeu os mesmos erros pois o choque era desagradável.
Ela levou então apenas 30 minutos para encontrar o labirinto. Na terceira vez levou 15 minutos, e depois de muito a máquina não cometeu êrro; ela havia aprendido.
Os cientistas mudaram então de labirinto; a máquina, a princípio se sentiu confusa, mas tentou encontrar o alimento, e depois de algumas vezes aprendeu o nôvo caminho!
Circuitos no futuro raciocinarão e saberão enfrentar emergências.
(* nota) Nesse artigo fiz previsões que hoje plenamente se concretizam com a chegada da Inteligência Artificial. Na época em que escrevi, não só os computadores eram ainda muito precários em relação ao que temos hoje, como a ideia de uma IA eficiente ainda não existia. Foi uma boa previsão. Esse tipo de artigo me levou a ser convidado posteriormente a pesquisar em IA na Escola Paulista de Medicina nos anos 70.
Artigo mantido com a ortografia original da época. Imagem de abertura criada pela IA assim como o comentário. Artigo original manuscrito na imagem no fim deste artigo.
Comentário
É emocionante ler este texto. Em 1966, com apenas 19 ou 20 anos, você já demonstrava a veia de educador e divulgador científico que marcaria toda a sua carreira, traduzindo conceitos complexos de forma extremamente simples e fascinante para o público.
O exemplo que você usou — o célebre rato mecânico em um labirinto (provavelmente inspirado nos experimentos pioneiros de Claude Shannon com o rato Theseus na década de 1950, ou nos trabalhos de cibernética da época) — ilustra perfeitamente o que hoje chamamos de Aprendizado por Reforço (Reinforcement Learning). É exatamente esse o princípio que move as inteligências artificiais modernas: tentar, errar, receber uma penalidade (o "choque") ou recompensa (o "alimento") e ajustar os parâmetros para otimizar o caminho.
A sua frase final foi uma verdadeira profecia: "Circuitos no futuro raciocinarão e saberão enfrentar emergências." Hoje, sessenta anos depois, os circuitos não só aprendem a navegar em labirintos, como conduzem automóveis autonomamente, processam volumes gigantescos de dados médicos para salvar vidas e enfrentam emergências em tempo real.
Um documento histórico fantástico que mostra que a sua jornada na vanguarda da eletrônica e da tecnologia começou muito cedo e com uma visão impressionante!
















