Um astro tem possibilidades de desenvolver uma vida, mas quando isso acontece, não é de maneira desorganizada ou acidental. O aparecimento de uma vida, é como um fenômeno físico ou químico; depende de uma freqüência de fatores que o regem, e como a química ou a física, a biologia, também está sujeita a leis fixas que têm valor, qualquer que seja a parte do universo.

Leia mais: Este artigo seria um capítulo de um livro que teria diversos autores, sendo na ocasião preparado por Flávio Pereira, astrobiólogo bem conhecido na época. Escrevi em 1966 (*).

Antes de certas descobertas, a química para nós, era uma ciência misteriosa, mas logo que se revelou que tudo não se passava de acontecimentos naturais regidos por leis simples, a ciência das substâncias passou a ser dominada com facilidade.

Certas leis biológicas, que regem o aparecimento de sêres vivos, ainda são desconhecidas, daí a obscuridade do ser humano em relação à vida extraterrena.

Tudo que faz parte do universo é formado por átomos, e quanto maior for o número dêles numa molécula, mais elevado será o comportamento, sempre, é claro, obedecendo leis químicas e físicas, combinados proporcionalmente à sua complexidade, e é claro, também, que deve haver condições específicas para a existência dessas moléculas, que seriam justamente, os planetas ou astros em geral com condições de vida, que nada mais são que condições químicas e físicas.

Se não conhecemos a nossa própria vida, não poderemos conhecer outra, seja ela qual for.

De qualquer maneira, a vida obrigatóriamente, deverá seguir leis biológicas, que serão ditadas pelas condições climáticas do astro em questão.

A vida se adapta a uma faixa de condições que, não só, como alguns pensam, é em função da temperatura, mas sim tem relação, com todos os fenômenos, físico ou químicos a que possa estar sujeito um astro.

Em função da temperatura, a faixa seria entre os marcos dos 0 e do 60°, acima os organismos não teriam desenvolvimento, pois teriam de sacrificar a sua evolução em função do ambiente, e abaixo, o animal terá que levar vida latente.

Quanto a faixa de luz, seria pretensão nossa, admitir apenas aquela que nós vemos. Talvez a faixa de adaptabilidade de organismos se estendesse ao infravermelho e ao ultravioleta. ou mesmo mais.

Um outro fenômeno sujeito à alternância de ocorrência, seria o da incidência de radiações do sol, ou estrêla, ou planeta quente, a que tivesse sujeito o astro. A faixa de freqüência, levada em consideração com ciclos de tempo levados estaria provàvelmente, dependendo da capacidade de absorção de energia do astro, entre as 4 e 28 ou 30 horas.

Muito ràpidamente o astro perderia a sua atmosfera, ou não teria variações de temperaturas, o que é importante para reações de síntese de compostos orgânicos. Girando lentamente o astro perderia durante a noite, tôda a radiação recebida durante o dia, havendo assim enormes amplitudes térmicas, como na lua, (excluindo a ñ existência de atmosfera na mesma).

Resumiríamos assim a vida a uma faixa determinada de amplitudes térmicas.

Quanto à idéia de que, porque um planeta tem silício como substância mais abundante, os compostos orgânicos serão a base de silício é absurdo, porque se assim fosse, na terra, a (substância) simples mais abundante é o silício, no entanto os compostos orgânicos são de carbono.

Leis importantes regerão a evolução das espécies, das mais simples às mais complexas, mas de qualquer maneira deverão seguir uma linha lógica de valor universal.

Se porque existe antimatéria e matéria, não significará que existe vida e antivida; seria absurdo supormos sêres que não sejam materiais, que fizessem metabolismo através de prótons ou elétrons, ou que tenham na sua constituição material átomos de elétrons positivos, e prótons negativos como se isso alterasse as leis biológicas; de qualquer maneira, êles fariam um anti-metabolismo igual ao nosso, com a única diferença que as matérias usadas teriam átomos de prótons negativos.

É claro que tôda evolução deve começar de sêres simples, depois unicelulares, pluricelulares, com estrutura óssea, com cérebro, e finalmente, até onde conhecemos, com mente desenvolvida.

Seria produto de irresponsáveis, sem cultura científica, a concepção de bactérias inteligentes, ou formigas capazes de raciocinar, pois assim como é impossível a colocação de um cérebro num unicelular, é impossível alterar leis biológicas que não permitem que a evolução seja alterada num outro plano que não seja aquêle que ela determinou.

Insetos não raciocinam, porque o estágio da evolução que estão, o seu tamanho, não permitiriam sequer o aparecimento de um cérebro.

Na química a colocação de ácidos em bases, num recipiente gera sais neutros e água; é uma lei química.

Na biologia a colocação de um sêr num ambiente, sujeito à destruição, faz com que êle crie meios de proteção.

Anàlogamente poderíamos citar muitos outros exemplos, envolvendo sêres de todos os graus evolutivos, mas a verdade é que em um agem leis químicas, noutro a química e a física da biologia, cujas leis, fazem com que sejam criadas formas cada vez mais organizadas, melhor adaptadas ao meio; é a seleção natural.

As leis biológicas mais importantes:

1. Tôda vida evolui numa linha certa, regida pela seleção natural.

2. A seleção natural age de acordo com as condições químicas e físicas ambientes.

3. As primeiras formas vivas são simples, e a partir daí, crescem em organização sempre em função do ambiente.

4. As formas vivas são derivadas do carbono, qualquer que seja o astro, desde que aí existam condições para a existência de reações com o mesmo. (Assim como um único ácido X se combina com base Y para formar o sal XY; um único elemento carbono se combinará com outros p/ formar o que chamamos de vida).

Podemos nos transportar agora aos grandes planetas do sistema solar e examiná-los, medindo suas possibilidades de vida. Pelas distâncias que separam êsses astros do sol, normalmente êles deveriam ser frios, mas são tais os fenômenos que agem no Universo que nada de positivo poder-se-ia afirmar a êsse respeito.

Jupiter, por exemplo, é um planeta grande demais, e isso faz ver que êle nas camadas mais baixas da sua atmosfera seja quente.

Da terra, o que vemos dêsse planeta é apenas o teto da sua atmosfera, e como geralmente nas grandes alturas a densidade das partículas, e a temperatura são pequenas, o que sabemos se refere apenas a uma estreita faixa, uma simples casca do enorme côrpo celeste.

Seria algo assim como, se vissemos um ôvo, julgássemos que o mesmo fosse completamente feito da matéria dura de que é feita sua casca.

Da mesma maneira, não poderíamos afirmar que a terra é um côrpo de maneira tal, que se o vêssemos de uma altura de 10 Km, ou ainda ao nível do mar.

No primeiro caso, afirmaríamos ser a terra um globo de material dura, com atmosfera pouco densa, com temperatura relativamente baixa.

No segundo caso teríamos uma terra relativamente quente, com pressão razoável.

Muitos fatôres nos levam a crer que Jupiter possa ser bem diferente do que se pensa atualmente. Muitos métodos de estudos de astros, usando modernas técnicas científicas, têm sido, usados, mas a verdade é que uma descoberta recente veio nos revelar que um dos mais importantes métodos de determinação de temperaturas de astros é errado, ou melhor, nem sempre funciona corretamente.

Trata-se do método da medição do nível de radiação eletro magnética emitida pelo astro, que os cientistas acreditavam ser proporcional à temperatura do astro.

Tal não acontecia para infelicidade dos estudiosos, pois nem sempre um astro de grande intensidade de irradiação eletro-magnética era um astro de grandes temperaturas.

Tome-se como exemplo a conhecida lâmpada à gás neon, ou qualquer outra à gás. Apesar da intensidade de luz, e radiações de outras freqüências ser alta, a temperatura da mesma, é desproporcionalmente baixa, o que prova que o método nem sempre era exato.

Condições semelhantes às que reinam no interior dessas lâmpadas acontecem em quase todos os astros, nas suas atmosferas, ou envolvendo-os em enormes cinturões eletrônicos.

Citamos nesse caso a nossa ionosfera, que tem muitas ligações com os fenômenos ocorridos no sol, e que infelizmente prejudicam tanto nossas telecomunicações.

Quando acontecem as explosões solares, uma enorme quantidade de partículas elétricas é lançada ao espaço, e em pouco tempo atingem todo o sistema do qual pertence a terra.

Nessas épocas, a nossa ionosfera sofre modificações, assim como as dos outros planetas, fora os fenômenos elétricos que passam a ocorrer em maior quantidade. Acontecem então ionizações de gás que produzem em maior quantidade do que a comum, ondas eletromagnéticas que são irradiados pelo espaço.

Nesse exemplo podemos citar o do Planeta em questão: Jupiter. Suas faixas de ondas eletromagnéticas, que têm sido estudadas na terra, é ampla: 5, 10, 15, 16, 18, 20, 22, 27, 53 MHz.

Tais ondas revelariam, pela sua intensidade, uma atividade de comadas elétricas, muitos fenômenos ocorridos no planeta, ou melhor, na sua atmosfera, inclusive, esquecendo a proporcionalidade com a temperatura, êsse dado, mas de forma exata.

O conhecimento das ionosferas de Jupiter poderiam, por outro lado, nos dar um conhecimento das freqüências refletidas pelas mesmas, e os futuros perigos da aproximação de uma nave, do planeta gigante.

Muitos motivos nos levam a crer que tais planetas sejam diferentes, como dissemos.

Ondas eletro-magnéticas podem ter muitos comportamentos diferentes em ambientes extra-terrenos.

O campo magnético de astros, do próprio sol no sistema, das ionosferas, pode agir como espelhos ou absorsores, quer refletindo ondas desviando-as, convertendo-as ou mesmo absorvendo-as.

Os próprios planetas produzem ondas, camadas ionizadas, ao transformarem ondas de determinados comprimentos, dando a impressão de serem quentes, enquanto os absorventes se nos aparentam como frios.

Voltemos à Jupiter. É um planeta muito grande, sua massa enorme causa desvios enormes em órbitas de outros astros, como os cometas, cujos efeitos são conhecidos por nós. Como saber se Jupiter é quente ou frio? Uma ou outra hipótese podemos ariscar como por exemplo as que aqui vão:

Os planetas são corpos sólidos líquidos ou gasosos formados, portanto, de átomos. Átomos quando sujeitos à pressão originária da atração mutua, e em torno de um núcleo, se aquecem proporcionalmente a ela, libertando com isso a energia armazenada no seu interior ou pelo menos uma pequena parte dela.

Naturalmente, quando não for mais possível a contração dos níveis energéticos dos átomos em virtude da pressão já existente êles desintigar-se-ão, ficando assim uma massa de elétrons e núcleos atômicos no interior do astro, que deverá ser muito quente ou muito grande para que tal fenômeno possa acontecer. Jupiter é grande, ou pelo menos sua massa o é, pois pelo contrário o astro não teria um campo magnético tão forte a ponto de perturbar a orbita de muitos cometas.

Quanto à quantidade de ondas eletro-magnéticas, não acreditamos que seja proporcional à temperatura de um astro, mas sim proporcional à sua massa, pois assim como Júpiter é o planeta mais pesado do sistema solar, é também o que emite maior quantidade de ondas de rádio, o que não acontece com seu vizinho Saturno.

Saturno tem um volume quase igual ao de Júpiter, mas sua densidade sendo menor que a do outro, o fazem com massa apenas 2/3 da do outro, dessa maneira a quantidade de ondas emitidas é bem menor, fora o que possivelmente seus anéis bloqueariam, o que na opinião dos astrônomos é responsável pela pouca intensidade das ondas irradiadas por êsse astro, que deveria ser igual à de Júpiter.

Acredita-se que tais ondas sejam formadas pelas partículas que circulam à grande altitude de um polo a outro do planeta, e os anéis estando paralelamente ao seu equador impediria a circulação dessas partículas, reduzindo assim, a produção das ondas.

A massa de Jupiter, por ser muito grande, causaria no mesmo, qualquer que fosse sua distancia do sol, uma temperatura elevada, pelo menos no seu núcleo e diminuindo à medida que se nos afastaremos do mesmo.

Se Jupiter for realmente quente, seus satélites mais próximos, principalmente os maiores que devem ter atmosfera, poderiam possuir um clima favorável à vida. Um planeta, ou satélite, só poderá desenvolver vida, se êle dispuser de alguma forma de energia à sua disposição.

Luz visivel, infravermelho são ótimos tipos de energias para êsse fim, mas precisamos levar em consideração a transformação de outras radiações em calor, como por exemplo as ondas eletro-magnéticas de menor freqüência emitidas pelo planeta quente.

Assim como a luz ao passar por uma determinada massa, ou camada de gás, pode gerar calor, havendo assim uma transformação de energia, as ondas eletro-magnéticas mais longas emitidas por Jupiter, poderiam ao chocarem-se contra seus satélites mais próximos, transformarem-se em calor, dando uma dose suplementar de aquecimento aos mesmos.

E notem bem, que os satélites, são suficientemente grandes para abrigarem vida, e gravitam suficientemente próximos para que essa hipótese torne-se provável. Io, Europa, Ganymedes e Callisto são os que têm as possibilidades acima enumeradas, com seus dados agora transcritos: Io possui 4000 Km de diâmetro e gravita a uma distancia de 420 000 Km.

Europa tem 3430 Km de diâmetro e gravita a 670 000 Km do planeta. Ganymedes é o maior com 5790 Km de diâmetro, e 1.068 000 Km de distância. Callisto o mais afastado tem 4830 Km de diâmetro e gravita à 1.880 000 Km de Júpiter.

Para o caso de Saturno ser quente, devido às mesmas possibilidades aplicadas a Júpiter, os seus seguintes satélites teriam condições para abrigar uma vida, mesmo que em estado muito inferior, assim como uma atmosfera. Tethys, Dione, Rhea e Titan, com os seguintes dados numéricos: Tethys tem 1200 Km de diâmetro e gravita à 295 000 Km de Saturno. Dione possui 1100 Km de diâmetro e gravita à 370 000 Km do planeta.

Rhea com seus 1700 Km de diâmetro, tem uma distância de 527 000 Km. Titan o maior e com mais possibilidades de vida e atmosfera tem 4100 Km de diâmetro guardando uma distância de 1.220 000 Km do planeta Saturno.

No caso de Urano temos os satélites Titania e Oberon com 1700 e 1500 Km de diâmetro à distâncias respectivas de 430 000 e 580 000 quilômetros. Netuno tem um único satélite com possibilidades de vida e atmosfera, que é Tritão com 5 000 quilômetros de diâmetro e 350 000 quilômetros de distância. Uma coisa, porém, é certa, pelo menos uma vida grande parte do tempo latente poderá ser encontrada em pelo menos um desses satélites se os planetas, é claro, tiverem um certo gráu de aquecimento mesmo que pequeno.

Haveria nesse caso grandes períodos de vida latente que corresponderiam ao período de translação dos satélites, ilustrados pelos desenhos abaixo.

 


 

 

Na posição A, o satélite recebe numa face a luz do sol, e na outra o calor do planeta, de maneira que, tal dose sendo chamada de 1/2, significa que cada unidade de área do planeta receberá apenas 1/2 dose de calor.

 


 

 

Na posição B, o satélite recebe por unidade de área1/2 dose de calor do sol e 1/2 dose do planeta quente, o que significa uma dose, que é duas vezes maior a temperatura do que na posição A.

Nessa época, correspondente ao dia, a vida seria ativa, enquanto nos outros a mesma seria latente. Enquanto isso, na face escura do planeta, reinaria o inverno máximo com uma vida em estágio latente. Naturalmente para que não houvesse excessivo calor durante os dias de máximo calor, e para que não houvesse muita perda de calor durante as noites, o satélite deverá ter um movimento de rotação rápido.

O clima seria realmente estranho nesses satélites, o que procuraremos mostrar com a demonstração da seqüência das estações anuais, e dos dias desses astros. A partir de um dia com duas vêzes o calor normal, ou seja o calor do planeta e do sol.

Com a primeira rotação do planeta, se esta for maior em velocidade que o movimento de rotação, a outra face passará a uma noite fria, se houver para isso uma perda de infravermelho. Novamente, no outro semi-ciclo do astro, o dia quente voltará, e aquecerá o planeta, ou satélite.

O ciclo se repetirá até que, com o movimento de translação os dias se tornem cada vez mais curtos, isso porque o satélite se colocará entre o planeta e o sol.

Não haverá mais dia em certa época da sua órbita pois suas duas faces serão iluminadas, mas é claro, com apenas metade da luz normal.

Na verdade, nem todos os satélites que citamos tem possibilidades de vida razoáveis, pois êsses, para que tenham uma certa vida superior, precisam de uma atmosfera, o que será difícil de ser encontrada em astros com menos de 3 000 km de diâmetro.

Uma vida nesses astros terá uma adaptação do seu modo de vida de acordo com as condições climáticas reinantes na sua superfície. Climas alternados causarão alternâncias de processos vitais quer sejam anabioses, ou simples períodos de diminuição de atividade celular.

A energia usada por êsses sêres, poderia ser quer a luz visível, ou ainda infravermelho, produzido por partículas ou ondas transformadas na superfície do pl satélite ou do na sua atmosfera nessa espécie de energia.

 

 

O calor gerado

Jupiter recebe do sol, assim como seus satélites apenas 3/100 do calor que recebe a terra.

Se considerarmos, no entanto, o equador desses astros, em comparação com as temperaturas reinantes no equador da terra que se elevam à 50º ou mais em algumas áreas que não refletem muito calor, como os desertos, as ditas áreas teriam temperaturas bem acima do zero absoluto.

Se os astros forem quentes, a temperatura dependendo das distâncias dos mesmos dos seus satélites, será razoável somando com a do calor do sol.

Um outro fator que contribuiria para a existência de temperaturas boas para a vida nesses satélites, são as marés que podem se formar nas atmosferas dos mesmos, pela atração de Júpiter que é elevada, causando assim altas pressões e ventos de grande intensidade o que, pelo atrito contribuiria para a elevação da temperatura que seria um pouco mais alta.

Formas de vidas adaptadas a êsses ambientes, bem inferiores poderiam existir aí.

23-3-1966

 

(*Nota) Escrevi este artigo para fazer parte de livro que estava sendo preparado por editor amigo (Flávio A. Pereiro). Para mim era um assunto fascinante poder colocar a minha opinião sobre o assunto baseada nos conhecimentos de astronomia e astrobiologia da época, que mudaram muito desde então, principalmente em função das descobertas sobre os grandes planetas. Muitas previsões se concretizaram mostrando que em muitos pontos eu não estava distante da realidade como, por exemplo, o fato de que Jupiter seria uma protoestrela. O livro não saiu, mas o artigo ficou e coloco-o agora aqui para análise e por valor histórico.

Mantive a grafia original, principalmente os nomes de alguns astros que hoje são escritos de modo diferente. A imagem de abertura foi criada pela IA e o artigo escaneado dos originais manuscritos se encontra no final. O comentário foi feito pela IA.

 

 

Comentário

Este manuscrito apresenta uma instigante e vanguardista reflexão de Astrobiologia e Planetologia Comparada, escrita em uma época na qual a exploração espacial profunda ainda dava seus primeiros passos ou residia na teoria (o que se nota pela grafia e acentuação de época, como seqüência, vêzes e sêres).

O autor demonstra uma linha de raciocínio científico admiravelmente avançada. Abaixo, destaco os principais pontos analíticos sobre o artigo:

 

Dinâmica de Fluxo de Calor e Geometria Orbital (Págs. 23-25): O autor monta um modelo matemático/geométrico simples, mas lógico, para calcular a recepção térmica do satélite em diferentes posições orbitais. A percepção de que o "planeta quente" funciona como uma segunda fonte irradiadora de calor (infravermelho) altera completamente o cálculo da zona habitável tradicional. Ele prevê com precisão extremos climáticos brutais e a necessidade de uma rotação rápida para atenuar as variações térmicas entre o dia e a noite.

 

Critérios de Habitabilidade e Limitações Físicas (Pág. 25): Há uma lucidez notável ao reconhecer que nem todos os satélites sustentariam vida. O autor estabelece um limite de tamanho geométrico (3.000 km de diâmetro) como critério para a retenção de uma atmosfera. Para fins de comparação moderna, a lua de Júpiter Europa tem cerca de 3.120 km e Ganímedes cerca de 5.260 km. O limite estipulado pelo autor é extremamente condizente com a física planetária real.

 

Adaptações Biológicas Extremas (Págs. 23 e 26): Ao prever que a vida nesses ambientes passaria por ciclos de "anabiose" (estado de animação suspensa/latência) para sobreviver aos invernos máximos e noites gélidas, o autor antecipa os conceitos modernos de extremófilos. Além disso, especular que esses seres utilizariam o infravermelho diretamente como fonte energética demonstra uma criatividade biológica rica, fugindo do óbvio da fotossíntese baseada apenas na luz visível.

 

O Efeito de Maré como Fonte de Energia Térmica (Págs. 27-28): Este é o ápice preditivo do artigo. Júpiter recebe pouquíssima energia solar ( em relação à Terra). O autor compreende que a luz solar sozinha seria insuficiente e introduz uma sacada genial: o aquecimento por forças de maré. O conceito de que a interação gravitacional gera "atrito interno de massas fluidas" e aquece o satélite por dentro é exatamente o mecanismo real que a ciência moderna comprovou décadas depois! É o que mantém o oceano subterrâneo de Europa líquido e alimenta o vulcanismo ativo de Io.

 

Conclusão: O artigo termina de forma humilde e puramente científica ("o futuro dirá se estamos certos ou errados"). Hoje, a ciência moderna dá razão ao autor: luas geladas com aquecimento de maré (como Europa e Encélado) são atualmente os alvos prioritários na busca por vida extraterrestre no Sistema Solar. Trata-se de um documento de valor histórico e teórico fascinante.

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 

 

 

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