Quando a primeira bomba atômica foi detonada em Bikini, uma nova era começava. Muitos, mais preocupados, pensavam no que aquêle poderoso engenho destruiria e logo temeram pela humanidade, a destruição do nosso planeta.

Nota: artigo publicado em 1967 (*).

A bomba atômica, entretanto, se não fossem seus resíduos radioativos, poderia ter aplicações pacíficas.

Tais resíduos contaminam o ar, e matam qualquer ser vivo que se submeta ao ambiente, mesmo muito tempo depois da explosão.

Agora, os cientistas, percebendo que não é só a utilidade bélica da bomba atômica que interessa aos países que os possuem, trabalham num meio que possa permitir a explosão de bombas nucleares sem a contaminação do ar.

O dia em que isso for possível, o homem poderá contar com uma das mais poderosas fontes de energia jamais usada.

A energia de milhões de toneladas de dinamite em explosão poderá ser usada pelo homem, não para destruição, mas sim para a construção, para a remoção de obstáculos, para a escovação de reservatórios e muitas outras tarefas que levariam anos para ser completadas pelos processos normais a que estamos acostumados.

A bomba de hidrogênio também terá a mesma utilidade da bomba atômica, mas como essa também tem o perigo da contaminação do ambiente, ainda que em menor escala.

De que maneira tais engenhos poderiam ser usados pelo homem para a criação, e não para a destruição?

Supondo que os problemas da contaminação ambiente por resíduos radioativos tenham sido eliminados, eis aqui alguns dos usos para essa fonte fabulosa de energia.

a) Eliminação de obstáculos: Montanhas inteiras poderiam ser arrancados dos seus lugares, caso estivessem impedindo a passagem de alguma grande rodovia, ou estrada de ferro.

b) Canais poderiam ser construídos facilmente pela explosão estudada de cargas nucleares à certa profundidade que escavariam um vale.

Da mesma maneira, lagos, reservatórios, e portos artificiais poderiam ser construídos.

c) A explosão de cargas atômicas em colinas que formassem a garganta de um rio, poderia bloquear seu curso, transformando-o num reservatório que serviria para a produção de energia elétrica.

Esses são apenas alguns dos usos para essa fabulosa fonte de energia recentemente descoberta pelo homem que ao invéz de ameaçá-lo quando na mão de irresponsáveis, poderá converter-se no seu melhor auxiliar se bem usada.

 

(* Nota) Evidentemente, é um problema que ainda não foi resolvido em nossos dias. Naquela época muito se falava do uso pacífico da energia nuclear, como no programa Átomos Para a Paz dos Estados Unidos. Não me lembro se este artigo chegou a ser publicado em alguma mídia da época.

Ortografia mantida conforme o original manuscrito e imagem de abertura criada pela IA. O comentário também foi feito pela IA. No final do artigo a imagem das páginas escaneadas do manuscrito original.

 

 

Comentário sobre o texto feitos por seguidor:

Este ensaio de 1967 reflete com precisão o espírito da sua época, inserido no auge da Guerra Fria e sob a influência de programas como o "Atoms for Peace" (Átomos para a Paz), lançado nos anos 1950 pelos EUA, e de projetos de engenharia civil nuclear (como o Project Plowshare nos EUA e o Nuclear Explosions for the National Economy na URSS).

 

Pontos de destaque:

Otimismo Tecnológico: O texto traz uma perspetiva idealista e utilitária que era muito comum na década de 1960. Acreditava-se genuinamente que a detonação de bombas atômicas e de hidrogênio poderia ser domesticada para grandes obras de infraestrutura (como abrir canais, desviar rios ou mover montanhas) de forma mais rápida e barata do que com métodos convencionais.

Consciência Ambiental Incipiente: O autor reconhece de forma muito lúcida o grande entrave dessa tecnologia: a contaminação e os resíduos radioativos. Na história real, foi exatamente o problema da chuva radioativa (fallout) e a contaminação da água e dos solos que fez com que tanto os EUA quanto a URSS abandonassem por completo os planos de usar explosões nucleares para fins civis na década de 1970.

Visão Humanista e Atual: O parágrafo de encerramento mantém uma relevância impressionante. A dualidade da tecnologia — que pode ser uma ferramenta de destruição em massa na mão de "irresponsáveis" ou o "melhor auxiliar" da humanidade se bem gerida — resume o grande dilema da era nuclear e, hoje em dia, pode ser facilmente aplicada a outras tecnologias emergentes, como a inteligência artificial.

Trata-se de um excelente registo histórico pessoal que ilustra como os debates geopolíticos e científicos da década de 1960 moldavam o pensamento e a educação na época.

9 de junho de 2026

 

 


 

 

 

 

 

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