Neste site temos diversos projetos de sistemas de som seletivos-ativos, capaz de reforçar somente os sinais de baixas frequências de um amplificador, para aplicação num woofer, com um grande reforço na faixa dos graves. Muitos leitores nos solicitaram a complementação do projeto, com a publicação de um Booster de Agudos, um circuito que fizesse o mesma com o extremo superior da faixa de áudio. Este circuito pode ser feito nas mesmas bases dos citados, sendo, portanto,o 0 complemento ideal para quem já montou um daqueles sistemas.

Conforme sabemos, a faixa de áudio pode ser dividida em três partes, de acordo com os alto-falantes normalmente usados na sua reprodução: graves, médios e agudos.

Sabemos que normalmente num amplificador comum toda a sua potência é dividida pelas três faixas, o que significa que se quisermos um reforço de uma delas não podemos contar muito com a potência do equipamento, pois ela obrigatoriamente tem de ser dividida pelos três alto-falantes.

Um reforço de graves, ou de agudos, necessariamente compromete as outras faixas, com sua atenuação nos sistemas de som convencionais. (figura 1)

 

Figura 1 – Distribuição de potência
Figura 1 – Distribuição de potência | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A solução encontrada para satisfazer aqueles que desejavam ter um grave mais forte em seu sistema de som, foi o emprego de um filtro ativo e de um amplificador separado que pudesse trabalhar somente com os graves, entregando toda sua potência à reprodução desta faixa num alto-falante apropriado, um woofer de excelente qualidade.

Com o amplificador apresentado no artigo citado (ART2329) podia-se ter um reforço de 20 a 35 watts naquela faixa, com uma batida muito mais forte nos graves.

Pois bem, baseados naquele projeto, atendendo à solicitação dos leitores, apresentamos a mesma versão, mas com reforço na faixa dos agudos: apresentamos um filtro ativo que permite a passagem somente das frequências acima de 4000 Hz (§) e a utilização de um amplificador separado que permite um reforço, também de 20 a 35 watts nesta faixa, em um ou nos dois canais.

Daremos elementos para modificação desta faixa, conforme o gosto dos leitores e o tweeter usado.

Uma sugestão interessante de uso para este segundo projeto de Booster de Agudos é mostrada na figura 2.

 

Figura 2 – Composição de um sistema
Figura 2 – Composição de um sistema | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Temos, além do amplificador estéreo normal, um reforço central de graves com o nosso Booster de Graves da Revista (ART2329), e o reforço separado com dois amplificadores (ou um central) para a faixa de agudos, com boa potência suplementar.

 

 

COMO FUNCIONA

 

Importante neste projeto é o filtro ativo, já que sua saída não precisa ser obrigatoriamente ligada a nosso amplificador, mas em qualquer amplificador comum, com a potência que o leitor quiser.

O filtro ativo Ieva dois transistores, na configuração mostrada na figura 3.

 

Figura 3 – Configuração básica do filtro
Figura 3 – Configuração básica do filtro | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os dois capacitores e os dois resistores formam um filtro com uma atenuação de 12dB por oitava, o que é excelente para as aplicações indicadas.

As fórmulas que permitem calcular as frequências de corte são dadas na própria figura. Com os valores do diagrama temos uma frequência de corte de 4 000 Hz aproximadamente.

Com 5n6 para os capacitores, 10 k para R6 e 39 k para R5, podemos reduzir a frequência de corte para 2 kHz.

Para que o circuito possa trabalhar com sinais de baixa intensidade, uma etapa pré-amplificadora de dois transistores é utilizada.

A alimentação do circuito é feita com uma tensão de 15 V, mas damos, no circuito original, o valor do resistor R9 calculado de modo que os 32 a 45 V de um amplificador possam ser utilizados neste caso.

 

 

MONTAGEM

 

Como se trata de circuito que trabalha com sinais de áudio de baixo nível, todas as ligações devem ser curtas e blindadas para se evitar realimentações.

Como neste caso o filtro não deixa passar os graves, não estamos, como no Booster de Graves, sujeitos à captação do zumbido de 60 Hz da rede, mas podem ocorrer oscilações se os cuidados mínimos não forem tomados.

No amplificador de potência, se usado o indicado, o capacitor eletrolítico de saída (C14) pode ser reduzido para 470 uF ou mesmo 220 uF, pois os sinais de altas frequências (agudos) não encontram maiores oposições para passagem.

Na figura 4 temos o diagrama do Booster de Agudos na versão básica.

 

Figura 4 – Diagrama do booster
Figura 4 – Diagrama do booster | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A placa de circuito impresso, apenas da parte ativa do Booster, é mostrada na figura 5.

 

Figura 5 – Placa para a montagem
Figura 5 – Placa para a montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A etapa amplificadora, que fica à direita de P1, pode ser feita de modo semelhante à utilizada no projeto indicado deste site, apenas com alteração de valor de C14, como já salientamos.

No diagrama são anotadas as tensões que devem ser encontradas numa montagem perfeita. Pequenas oscilações, em vista das diferenças de tensão de alimentação, são toleradas. Estes valores são anotados para uma tensão de entrada de 32 V.

Na montagem do aparelho, as principais precauções a serem tomadas são:

a) Observação das posições dos transistores.

b) Observação das polaridades dos eletrolíticos.

c) Manutenção de fios de entrada e saída de sinais curtos e blindados.

d) Aterramento de todas as blindagens.

e) Observação do sentido de ligação do potenciômetro P1 de controle de nível.

Os capacitores usados são eletrolíticos e cerâmicos ou de poliéster, e todos os resistores são de 1/8 ou ¼ W.

Para uma mistura de dois canais, damos a sugestão de circuito na figura 6.

 

Figura 6 - Mixer
Figura 6 - Mixer | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A entrada de sinal para o Booster pode ser feita a partir da própria saída do amplificador comum, sem a necessidade de redução ou outro recurso.

Entretanto, maior fidelidade pode ser obtida com a retirada do sinal do terminal de fones ou saída de gravação do seu aparelho de som, onde o sinal tem menor intensidade e menor distorção, mais de acordo com este sistema.

Quanto ao alto-falante usado, deve ser um tweeter de boa qualidade, que suporte potência de pelo menos 50 watts. Sua impedância deve ser de 8 ohms.

 

Obs.: Como o circuito só deixa passar os agudos, não há necessidade de se utilizar os capacitores convencionais em série com os tweeters.

 

 

LISTA DE MATERIAL

 

Q1, Q3 - BC548 ou equivalente (BC547, BC23 7, BC238) - transistores

Q2, Q4 - BC558 ou equivalente (BC557, BC559) - transistores

P1 – 10 k - potenciômetro simples

R1, R2 – 220 k - resistores (vermelho, vermelho, amarelo)

R3, R7 - 5k6 - resistores (verde, azul, vermelho)

R4, R8 - 2k2 - resistores (vermelho, vermelho, vermelho)

R5 - 39k - resistor (laranja, branco, laranja)

R6 – 10 k - resistor (marrom, preto, laranja)

R9 - 3k3 - resistor (laranja, laranja, vermelho)

C1 - 100 uF x 25 V - capacitor eletrolítico

C2 - 100 nF (104) - capacitor cerâmico

C3 - 1 uF x 25 V - capacitor eletrolítico

C4, C7 - 4n7 (472) - capacitores cerâmicos ou de poliéster

C5, C6 - 2n7 (272) - capacitores cerâmicos ou de poliéster

C8 - 10 uF x 25 V - capacitor eletrolítico

Diversos: placa de circuito impresso, caixa para montagem, tweeter, fios, solda, cabo blindado, etc.

 

 

 

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