
O principal fenômeno de que são responsáveis os meteoros são as estrelas cadentes. Quando uma pequena partícula, acelerada de milhares de quilômetros por hora entra na atmosfera terrestre, o calor provocado pelo atrito a faz incendiar-se. O número de meteoros que existem vagando pelo espaço é enorme, de tal maneira, que milhares deles por segundo caem na terra. É claro que nem todos são visíveis.
Nota Artigo de 1966 (*)
Muitos são tão pequenos que se desintegram quase instantaneamente ao entrar na nossa atmosfera. O tamanho desses astros é muito variável, dependendo de sua origem, e da sua idade. Os maiores no entanto são muito mais raros.
Meteoros pequenos são microscópicos, esses em grande quantidade. Os visíveis, as estrelas cadentes geral- mente são meteoros de 1 ou 2 cm de diâmetro. Os maiores, por outro lado, podem atingir até 1 quilometro de diâmetro.
A quantidade de poeira cósmica é enorme, mas seu movimento em torno do Sol não é uniforme, e assim sempre uma ou outra é a- tingida por um planeta em órbita caindo na superfície, ou se desintegrando na atmosfera do mesmo.
Antes dos primeiros foguetes subirem, os cientistas imaginavam que o maior perigo das futuras viagens espaciais eram os meteoros que em nuvens, como supunham, poderiam atingir as naves destruindo-as.
Tal, no entanto não acontece, pois a quantidade deles, é pequena demais por unidade de espaço, as- sim um encontro com um deles é uma casualidade muito grande. Só quando os primeiros foguetes subiram é que se verificou isso.
As chamadas chuvas de estrelas nada mais são que nuvens de meteoros, mas mesmo assim, de tamanho muito pequeno.
Todos os anos, a terra cruza a órbita de um cometa desaparecido, de maneira que os restos dele, como um banco de cascalho espacial, podem em grande quantidade cair, na superfície do nosso planeta. Esse é o fenômeno da chamada chuva de estrela.
Não é essa a única origem dos meteoros.
Muitos vêm do espaço exterior, fora do nosso sistema solar; são restos de cometas, ou astros, ou ainda de estrelas que tenham explodido. Há casos por outro lado, de que a sua composição é muito diferente, permitindo assim, supor, que sua origem seja de outros corpos celestes do nosso próprio sistema.
Muitas vezes, a velocidade de entrada do meteoro na atmosfera, é tão grande, e o tamanho do astro é tanto, que não dá tempo de se desintegrar. Eles batem na superfície da terra. É o que se chama meteorito.
Geralmente, os meteoritos, são constituídos por uma liga de ferro e níquel. São os chamados sideritos. Há outros, que são formados de pedra e são chamados de asideritos, e há uma terceira classe, misto de pedra e ferro chamados siderólitos.
O estudo desses corpos é muito importante, porque nos dá uma ideia da composição química do universo, uma vez que são amostras de matéria vinda de outros pontos do espaço.
Geralmente, quando cai um meteorito, ele provoca um enorme estrondo, e as vezes abre uma cratera. Em 1908 na Sibéria caiu um gigantesco meteorito, que arrasou as florestas num raio de muitos quilômetros. O estrondo foi ouvido a centenas de quilômetros e a fumaça subiu a quilômetros de altura.
Felizmente, essa queda deu-se numa região deserta. Se tivesse caído numa cidade como Nova York, ou São Paulo, certamente as consequências teriam sido desastrosas.
Muitas crateras terrestres, hoje já muito desgastadas pelo tempo, foram abertas por meteoritos, como por cuja população não pode escapar à destruição. Cremos que depois desses esclarecimentos, ninguém mais vai se preocupar com a possibilidade de um meteoro cair-lhe na cabeça...
3-3-1966
(* nota) Mais um dos muitos artigos de astronomia que escrevi nos anos 60 para uma publicação especializada da época. Ele reflete o conhecimento da época, hoje, bem diferente em alguns casos.
A ortografia original foi mantida com muitas palavras grafas de modo diferente do que usamos hoje. A imagem de entrada foi gerada pela IA e abaixo as páginas dos originais manuscritos que guardo até hoje. O comentário a seguir também foi criado pela IA.
Comentário
Este artigo de 1966, escrito por Newton C. Braga, é um registro histórico e científico fascinante. Ele ilustra perfeitamente como a divulgação científica era feita na década de 1960 e nos permite contrastar o conhecimento astronômico daquela época com o que sabemos hoje.
Abaixo, apresento alguns comentários detalhados sobre os pontos mais marcantes do texto:
Contexto Histórico e a Corrida Espacial
O texto foi escrito em março de 1966, um momento em que a Corrida Espacial estava no auge (três anos antes do pouso da Apollo 11 na Lua). A menção de que "antes dos primeiros foguetes subirem, os cientistas imaginavam que o maior perigo das futuras viagens espaciais eram os meteoros" reflete o medo real e contemporâneo daquela geração. A confirmação de que o espaço era mais "vazio" e seguro contra colisões do que se pensava foi uma das primeiras grandes vitórias práticas da exploração espacial por satélites e sondas.
Conceitos Científicos: O que mudou e o que permanece?
Definições Corretas: O autor faz muito bem a distinção clássica da astronomia: o meteoro como o fenômeno luminoso (estrela cadente) provocado pelo atrito na atmosfera e o meteorito como o corpo sólido que consegue sobreviver à queda e atingir a superfície. A classificação dos meteoritos em sideritos (ferro e níquel), asideritos (rochosos/pedra) e siderólitos (mistos) também continua essencialmente correta e utilizada até hoje.
Origem dos Meteoros: O texto menciona que muitos vêm do espaço exterior, fora do sistema solar, ou de estrelas que explodiram. Hoje, sabemos que a esmagadora maioria dos meteoros e meteoritos que interagem com a Terra é originária do nosso próprio Sistema Solar (restos de cometas e fragmentos de asteroides do cinturão entre Marte e Júpiter). Embora existam partículas interestelares, elas são muito mais raras do que o texto sugere.
O Evento de Tunguska (1908): A menção ao evento na Sibéria em 1908 é precisa ao descrever a devastação das florestas e o estrondo. Hoje, a comunidade científica debate se o corpo era um meteorito rochoso ou um fragmento de cometa que explodiu no ar (airburst), razão pela qual nenhuma grande cratera ou pedaço massivo foi encontrado no solo, embora o impacto da onda de choque tenha sido exatamente como descrito.
Importância da Divulgação Científica
Para a época, o artigo cumpria um papel fundamental de desmistificação. Ao explicar de forma simples e didática que a Terra cruza a órbita de cometas antigos e que o fenômeno das chuvas de estrelas é apenas "cascalho espacial", o autor acalmava o público geral. O fechamento bem-humorado — "cremos que depois desses esclarecimentos, ninguém mais vai se preocupar com a possibilidade de um meteoro cair-lhe na cabeça..." — demonstra a leveza com que a ciência era compartilhada para aproximar o leitor da astronomia.
Ver as páginas manuscritas originais ao final reforça o valor desse documento como um testemunho da paixão pela ciência e pelo ensino, sobrevivendo por décadas até a era das inteligências artificiais que hoje ajudam a ilustrá-lo e resgatá-lo.
Abaixo as páginas originais do manuscrito escaneado.
















