A saída de um receptor de rádio controle não pode ser para e simplesmente ligada a um sistema de servos, solenoide, motor ou relê. Para cada tipo de radiocontrole, o sinal obtido na saída do receptor é diferente, e em sua função deve ser o circuito que acionará o servo, motor, ou relê. Neste artigo, mostramos aos leitores como os sinais são obtidos nas saídas dos receptores e como os mesmos devem ser trabalhados.

Os sistemas mais simples de radiocontrole que usam receptores do tipo super-regenerativo podem ser de dois tipos: com modulação de áudio, caso em que teremos a possibilidade de ter de 1 canal a mais de 8, e o caso em que o sistema trabalha com uma onda contínua pura (CW) caso em que só teremos um canal.

Os dois sistemas funcionam segundo princípios diferentes no que se refere ao sinal transmitido e ao sinal recebido, exigindo-se na recepção circuitos um pouco diferentes, conforme veremos.

No sistema de onda continua pura, conforme sugere a figura 1, um transmissor emite uma portadora de RF sem modulação, ou seja, somente o sinal de alta frequência correspondente ao sinal usado, o qual deve atuar sobre o circuito receptor.

 

Figura 1
Figura 1 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Como o sinal não possui modulação, o receptor não pode extrair do mesmo nenhuma informação que não seja uma corrente contínua pura. Assim, na saída deste tipo de receptor temos uma corrente contínua que deve então ser amplificada para acionar o sistema de servos e controles do modelo (figura 2).

 

Figura 2
Figura 2 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 3 temos o diagrama completo de um transmissor de onda contínua pura que fornece uma potência de algumas dezenas de miliwatts o que é suficiente para acionar um receptor simples até a uma distância de algumas dezenas de metros (50 metros é a distância máxima recomendada para atuação deste sistema).

 

Figura 3
Figura 3 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Conforme entretanto já vimos, o sistema de onda contínua pura apresenta alguns inconvenientes já que não havendo uma informação melhor sobre o sinal transmitido, o receptor tende a responder a qualquer sinal de frequência próxima, tais como os ruídos produzidos pelos sistemas de ignição de automóveis, estações de radioamadores e até mesmo descargas atmosféricas.

Este sistema é, portanto, mais recomendado para o controle de modelos a curta distância nos casos em que o ruído ambiente (ruído de rádio) seja pequeno.

As bobinas tanto do receptor como do transmissor devem ser feitas de modo a funcionar na mesma frequência. De 7 a 12 espiras de fio esmaltado 22 servirá perfeitamente no caso.

Para o caso de se desejar maior imunidade para o sistema, a primeira solução consiste na utilização de um modulador para o transmissor. Obteremos assim um sinal modulado em determinada frequência, ou seja, um sinal que leva uma informação codificada em frequência a qual permitirá que o receptor não responda a outros sinais senão este.

Na figura 4 temos um circuito de um pequeno transmissor de rádio controle modulado por um sinal de áudio cuja frequência pode ser modificada pelos valores dos componentes indicados no diagrama.

 

Figura 4
Figura 4 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com este recurso, estando o receptor ajustado convenientemente pode-se operar dois sistemas numa mesma frequência, ou em frequência próxima sem que um interfira no outro, bastando para isso que eles sejam ajustados para diferentes frequências do sinal modulador.

Veja então o leitor que obtemos na saída do receptor agora um sinal de áudio, ou seja, um sinal cuja frequência é a mesma do modulador do transmissor. O sistema de amplificação deste sinal, que é muito fraco é, portanto, diferente do sistema de onda continua.

Temos então inicialmente um circuito amplificador dotado de um filtro que deve ser ajustado para operar exatamente na mesma frequência do sinal do transmissor.

Pode-se no caso utilizar dois tipos de circuitos de filtros, sendo ambos comuns no momento.

O primeiro é o filtro LC em que uma bobina é ligada em paralelo com um capacitor, conforme mostra a figura 5.

 

Figura 5
Figura 5 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O valor da indutância da bobina e a capacitância do capacitor determina a frequência a qual o circuito responde ou seja, a frequência única do sinal do receptor que pode passar à etapa seguinte.

Veja o leitor que estes circuitos tem a propriedade de deixar passar os sinais de uma única frequência, se comportando como um verdadeiro curto-circuito para os sinais de outras frequências.

Para os leitores que desejarem partir para um projeto prático damos a seguir uma tabela de valores de indutância e capacitâncias para estes circuitos.

 


| Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 6 damos circuitos para o acionamento de relês ligados à saída de receptores, com filtros do tipo LC.

 

Figura 6
Figura 6 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O segundo é um filtro duplo T, cujo aspecto é mostrado na figura 7.

 

Figura 7
Figura 7 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Neste filtro, temos um ajuste de sensibilidade que permite que o mesmo opere com os sinais de 0,15 a 5 V de saída de um amplificador, acionando diretamente um relê de pelo menos 500 ohms de bobina o que significa uma sensibilidade de pelo menos 10 mA

Para os valores dos componentes em função das frequências para este filtro temos a seguinte tabela:

 


| Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para os casos de relês de menor sensibilidade deve ser acrescentado um transistor adicional.

A prova de funcionamento e ajuste deste tipo de acionador com filtro pode ser facilmente feita com o auxílio de um gerador de áudio. Aplica-se o sinal do gerador na entrada do circuito, controlando-se a frequência e a intensidade do mesmo. O relê deve ser acionado ao se atingir a frequência para o qual o filtro está sintonizado.

O resistor R2 de 4,7 k na entrada do circuito permite ajustar a sensibilidade do filtro. Pode-se aumentar o valor deste resistor para obter-se maior sensibilidade.

Um tipo de filtro que também pode ser encontrado em alguns tipos de sistemas de rádio controle de diversos canais é o que utiliza lâminas sintonizadas. Temos então um conjunto de lâminas vibrantes, cada qual cortada de tal modo a vibrar mais intensamente numa única frequência. (figura 8)

 

Figura 8
Figura 8 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Quando então um sinal de determinada frequência é aplicado à bobina a lâmina que vibrará mais intensamente será aquela cujo comprimento corresponde à frequência do sinal.

Com a sua vibração, o movimento faz com que ela atinja um contacto permitindo assim o acionamento de determinado circuito.

Para o caso dos circuitos anteriores, tanto os que utilizam os filtros LC como os filtros de duplo T, podemos usá-los em sistemas de diversos canais. Assim, cada filtro, contendo cada um o seu relê é ligado a saída do receptor, sendo sintonizado numa determinada frequência.

Conforme mostra então a figura 9 teremos diversos interruptores no transmissor que colocam no circuito resistores de valores diferentes de modo que o modulador produza em cada caso a frequência de acionamento do filtro correspondente.

 

Figura 9
Figura 9 | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O ponto mais crítico do ajuste de um sistema deste tipo, por modulação de tom, consiste em se fazer a frequência de áudio de cada canal do transmissor corresponder a frequência do receptor.

O máximo de cuidado deve ser tomado para que um canal operando em frequência múltipla do outro não cause problemas.

Veja, que o filtro pode perfeitamente bloquear sinais de frequências próximas àquela na qual ele opera, mas pode sentir dificuldades em distinguir uma frequência múltipla da sua. Em outras palavras, num sistema em que os canais sejam de 100 Hz, 120 Hz e 150 Hz dificilmente pode haver problemas de interferência, mas num sistema de canais de frequências 100 Hz, 150 Hz e 200 Hz podem haver problemas com o primeiro e o último canal.

O acionamento do canal 100 Hz pode também fazer atuar o filtro do canal de 200 Hz pois 200 Hz é o dobro de 100 Hz.

Não basta, portanto, uma separação quanto maior melhor entre os canais para se obter maior segurança.

Os canais devem ser bem afastados, mas não deve haver um canal que opere em frequência múltipla de outro, pois isso sem dúvida trará problemas de operação.

Observamos aos leitores interessados em projetos práticos que a montagem do filtro em duplo T oferece maiores facilidades em vista de não se necessitar de bobinas as quais, para o caso dos filtros LC em vista dos valores usados devem ser enroladas pelo leitor.

Por outro lado, o ajuste do filtro de duplo T em função de duas frequência se faz numa faixa mais estreita que o LC o que exige que o aparelho seja ajustado muito mais pela frequência do modulador do que pela frequência do receptor.

 

 

 

NO YOUTUBE