Sinais de rádio do espaço (AST025)

As ondas de rádio provenientes de fontes distantes no espaço consistem numa fonte importante de informações sobre o universo. Neste artigo de 1967 trato das ideias que tínhamos na época. Vale como veja mais no final do artigo (*).

Logo após a descoberta do radar, verificou-se que esse instrumento, além de captar os ecos correspondentes à reflexão de suas ondas em objetos, também captava outros sinais que aparentemente não tinham nenhuma relação com objetos para onde o feixe de onda era apontado. Verificou-se também que esses sinais apareciam quando a antena apontava para o céu.

Estudado o fenômeno, chegou-se à conclusão de que os ruídos detectados vinham do espaço. E desde então o radar vem sendo usado no estudo dos mistérios do cosmos.

Um fato interessante que mostra a capacidade de percepção do homem ocorreu em 1944 quando um astrônomo chamado H. C. van Hulst revelou que se o hidrogênio era excitado de determinado modo, deveria emitir ondas de rádio na frequência de 1420 MHz e que, portanto, se fosse possível captar esses sinais, estaria resolvido um problema que há muito estava preocupando os pesquisadores: como estará distribuído o hidrogênio no universo (**).

É claro que não foi imediatamente que os receptores conseguiram captar esses sinais, pois apesar das imensas potências de muitas fontes que os produzem elas estão a distância imensas, o que faz com que seus sinais chegam até nós tão fracos que o próprio ruído térmico dos circuitos pode encobri-los.

O problema para detectar sinais tão fracos foi resolvido pelo uso de circuitos extremamente sensíveis, capazes de gerar um ruído térmico tão baixo que não afetaria os sinais.

Surgiu então o MASER (Micro Waver Amplication by Stimulated Emission of Radiation), que posteriormente abriu caminho para o desenvolvimento do LASER. Operando a uma temperatura de -272º C (1º K), este dispositivo praticamente não gerava nenhum ruído, capaz de prejudicar a recepção dos sinais mais fracos. O circuito opera num sistema de refrigeração com hélio líquido.

Com um aparelho semelhante, em 1951 finalmente foi possível captar os sinais de 1420 MHz do hidrogênio do espaço e com isso um estudo mais completo do universo se torno possível.

Hoje sabemos que não apenas na faixa dos 1420 MHz temos sinais que chegam do espaço.

Campos magnéticos de muitos astros podem ser excitados com a produção de sinais nas mais diversas frequências, assim como fenômenos que ainda não conhecemos.

O uso das ondas nos estudos do universo nos dá uma fonte preciosa de informações para estudos, com a vantagem de que essas ondas sofrem muito menos interferência do que a observação óptica, já que podem sofrer menos na sua longa jornada das fontes emissoras até nós.

 

(*) Quando muito jovem, eu ainda não estava completamente sobre a carreira a seguir. Ela se balançava entre a eletrônica, astronomia e a física. Se bem que acabei tendo minha principal atividade na eletrônica, as outras duas ciências não foram abandonadas completamente. Tanto que mantemos esta seção de astronomia em nosso site. Assim, nos anos 60 e 70 escrevi muitos artigos sobre astronomia, publicados desde o jornal da minha escola, até em periódicos de que já tratei na minha biografia. Tenho todos os originais destes artigos que estou colocando a disposição no meu site, tanto pelo valor histórico como pelas informações que contém, que ainda são válidas. Fiz pequenas alterações nos textos quando encontrei alguns pontos que mudaram desde então ou conceitos que hoje são tratados de forma diferente.

(**) O hidrogênio é o elemento mais abundante no universo. Conhecer sua distribuição pode revelar muito sobre a estrutura do universo.

 


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