A tecnologia salvando o meio ambiente

 A Tecnologia salvando o meio ambiente

 Newton C. Braga (*)

    Uma tendência de muitos meios é a de culpar a tecnologia por uma boa parte dos males do mundo, senão todos. No entanto, se as conseqüências de muitas inovações tecnológicas nem sempre são previsíveis, também devemos levar em conta que elas podem também a ajudar a resolver problemas que hoje nos afligem, e que no futuro podem se agravar a ponto de tornar nosso planeta inabitável. Um deles é a poluição atmosférica, agravada pelo desmatamento e pelo próprio lixo gerado pelo homem. Para que o leitor tenha uma idéia de como isso é grave, basta levar em conta que aproximadamente 20% do ar que respiramos é oxigênio. 79% é nitrogênio e o 1% restante é formado por uma mistura de gases que vão do gás carbônico a todos os produtos lançados na atmosfera pelo homem. Ora, o oxigênio que respiramos é produzido pelas plantas, que absorvem o gás carbônico e decompondo-o com a ajuda da luz do som, aproveitam o carbono para formar seus próprios corpos, liberando assim o oxigênio. Desmatar significa portanto cortar o nosso suprimento de oxigênio e isso está sendo feito numa escala cada vez mais intensa. Chegará então o instante em que o oxigênio estará sendo consumido numa proporção maior do que é liberado por nossas áreas verdes. Por esse motivo a Amazônia é muito apropriadamente chamada de “pulmão do mundo”. De fato, sua área verde total ainda pode suprir todo o oxigênio que precisamos, mas isso está mudando rapidamente com o desmatamento. Parece até que as pessoas não têm muita consciência do perigo que estamos ocorrendo e vemos isso no nosso dia a dia. Num anúncio recente, por exemplo, uma grande imobiliária anunciava “orgulhosamente”  que seu loteamento tinha á uma área verde de 10 000 metros quadrados, o que segundo eles representaria muito para a “qualidade de vida” de seus estimados 1 000 habitantes. Se levarmos em conta que os estudos mostram que precisamos de 1 000 metros quadrados de área verde para produzir o oxigênio que uma pessoa precisa para viver, como estamos longe do ideal, se levarmos em conta o anúncio de tal empreendimento imobiliário, sua “enorme” verde estaria suprindo as necessidades de 10 de seus habitantes ou apenas 1% das necessidades... E os outros 99%? Seria melhor ter ficado quieto em lugar de anunciar o “pulmão”  do loteamento... E as coisas vão ainda mais longe. Se a concentração de oxigênio no ambiente em que estivermos cair para menos de 17% perderemos imediatamente a consciência, sem a possibilidade de pedirmos socorro e morreremos em pouco tempo. Apenas 3% a menos! A tecnologia hoje ajuda a monitorar ambientes críticos como garagens, fábricas, etc, onde processos podem consumir rapidamente o oxigênio ambiente levando perigo às pessoas que neles estão. Sensores  de oxigênio são usados nesse caso. No futuro, entretanto, precisaremos ir além. Pode ser necessário que, usando meios artificiais, sejamos obrigados a repor na atmosfera o oxigênio que consumimos para não tornar o ar irrespirável. Gigantescas usinas absorverão o ar, separando o gás carbônico e decompondo-o para liberar oxigênio. Tudo isso poderia ser feito simplesmente se nos preocupássemos mais com as áreas verdes... Muito mais barato e agradável. Por falar nisso, por que não se plantam mais árvores em nossas ruas? Ainda está em tempo...

 


 

 

(*) Newton C. Braga é diretor técnico das Revistas Saber Eletrônica e Eletrônica Total, colabora com as revistas Mecatrônica Fácil e Mecatrônica Atual (www.editorasaber.com.br) , tem mais de 100 livros publicados no Brasil e Exterior

                                

 

 

  Este artigo foi originalmente publicado no jornal São Paulo Leste de São Paulo –SP em novembro de 2007.

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