Arqueologia 17 – Viajando ao passado atrás de um Rabo Quente (ART4596)

Certamente os mais jovens que não sabem o que é um “Rabo Quente” podem ter as mais diversas ideias. Desde as ideias que envolvam a fauna até menos aquelas que envolvam os aspectos, por assim dizer, eróticos. Mas, não é nada disso. “Rabo Quente” é o nome que se dava a um rádio de mesa, muito popular nos anos 50. Tão popular que foi meu primeiro rádio, que me pai me deu e eu desmontei para aprender como funcionava, lá pelos anos de 50 e 60.

Com aquele rádio, dei meus primeiros passos na exploração do mundo da eletrônica sendo talvez o mais importante, a modificação que fiz transformando-o num transmissor de rádio que alcançava quase 200 metros e que impressionou amigos e parentes.

Tenho um artigo no site que ensina como fazer essa modificação, mas vou detalhá-la em um artigo desta série.

Não tenho mais meu “Rabo Quente”, talvez se procurar na minha sucata encontre seu chassi e outras partes. Mas ainda tenho algumas partes deles para lhes mostrar. Na foto, vocês podem ver suas válvulas, soquetes de válvulas e um velho variável duplo deste receptor.

Assim, nesta minha viagem arqueológica ao meu depósito de sucata, vou explorar os restos de um rabo quente e ir além explicando como funciona.

 

Por que Rabo Quente?

Certamente, esta pergunta está na cabeça de todos depois da introdução que fizemos.

Meu primeiro Rabo Quente foi um rádio ABC dos anos 50 que meu pai comprou para minha mãe e depois me deu, já perto dos anos 60. Na foto, alguns deles restaurados que podem ser encontrados na internet.

 

Figura 1 – Radio ABC Dunga valvulado dos anos 50.
Figura 1 – Radio ABC Dunga valvulado dos anos 50.

 

Fiquei assustado com os preços dos que estão à venda para colecionadores. E, também vi que existem versões modernas com a caixa no mesmo modelo, mas um circuito interno atual. Como se faz com os toca-discos.

Na figura 2 temos o rádio visto por trás, numa das muitas fotos que você pode encontrar na internet. A luz que vocês vêm na foto é da lâmpada que iluminava o painel.

 

   Figura 2 – O rádio visto por trás
Figura 2 – O rádio visto por trás

 

Observe que todos os componentes eram montados num chassi de metal. As válvulas, capacitor variável, bobinas ficavam por cima. Os tubos de metal cilíndricos eram as bobinas de FI de 455 kHz, de que falaremos mais adiante.

Por baixo, eram soldados em pontes de terminais os resistores e capacitores fixos, e as interligações por fios, conforme mostra a figura 3.

 

Figura 3 – Visto por baixo – observe os capacitores de papel e óleo “Chery”.
Figura 3 – Visto por baixo – observe os capacitores de papel e óleo “Chery”.

 

Este rádio não usava transformador de força, que era um componente caro, assim, podia ser mais barato e, portanto, popular.

 


 

 

Na figura 4 – Válvulas (algumas com as caixas originais), soquetes das válvulas, capacitores “Chery” e bobinas de um rádio desse tipo. (Da minha sucata com as partes que sobraram do meu primeiro rádio dessetipo).

Assim, partimos do esquema desse rádio, na figura 4, onde vemos que os filamentos das válvulas eram ligados em série: 12BE6. HF92 (12BA6), 12AV6, 50C5 e 35W4. Observe que os números iniciais dessas válvulas indicam a tensão do filamento. Assim, se somarmos: 12 + 12 + 12 + 50 + 17,5 temos 103,5 V que é um menos que a tensão da rede de 110 V.

Por que 1,5 e não 35V da 35 W4? Se vocês olharem o diagrama, verão que essa válvula tem o filamento dividido em dois, sendo metade ligado em série com a lâmpada piloto do painel e a outra metade em série com os demais filamentos.

Assim, para reduzir a tensão de 110 V para os 103,5 V havia duas possibilidades.

Uma delas era um resistor de 24 ohms em série com o filamento (como no diagrama que tomamos) e a outra era fazer um cabo de força com um fio resistivo, ou seja, um fio de nicromo. O cabo de força seria o resistor redutor e com isso economizando um componente. Era o que ocorria na maioria dos casos.

Ora, fios de nicromo quando percorridos por uma corrente esquentam. Assim, quando esse rádio funcionava, o cabo de força esquentava. Esse fato levou os possuidores deste rádio a apelidá-lo de “Rabo Quente”.

 

Figura 5 – Diagrama do ABC Dunga
Figura 5 – Diagrama do ABC Dunga | Clique na imagem para ampliar |

 

No próximo artigo, vamos analisar o funcionamento completo desse rádio que usa uma configuração que era muito comum na época, com pequenas variações como, por exemplo, uso de transformador, uma etapa de saída potente, duas ou mais faixas de ondas (médias e curtas) como o do diagrama indicado e até uma entrada que aproveitava as válvulas amplificadoras de áudio para se ligar um pequeno toca-discos.

 

 


Opinião

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