Tributo a Hedy Lamarr

"O que tem a ver tecnologia com uma linda atriz pode parecer uma questão intrigante, sem relacionamento algum, principalmente se algum leitor subestima as qualidades das mulheres. No entanto, Hedy Lamarr foi diferente e o que ela fez pela tecnologia merece destaque".


Hedy Lamarr nasceu em Viena em 1914 com o nome de Hedwig Eva Maria Kiesler. Suas habilidades artísticas começaram com sua ida a escola de Max Reinhardt em Berlim, até que em 1933 ela fez o Filme Êxtase, que a projetou como atriz.
Nesse ano ela se casou com o Fritz Mandal, o primeiro de seus seis maridos, participando ativamente da sociedade vienense, onde mantinha contactos com líderes importantes da época como Hitler e Mussolini. Seu marido era um especialista em granadas e blindagens, além de aeronaves militares. Foi com ele que Hedy Lamarr aprendeu muito sobre eletrônica e sistemas de controle.
Dadas as ligações perigosas de seu marido com o nazismo, ela o deixou fugindo para os Estados Unidos, onde foi trabalhar em Hollywood. Lá se tornou famosa fazendo filmes como Sansão e Dalila, ao lado de Victor Mature.
George Antheil foi o co-inventor do processo de Hedy Lamarr. Ele nasceu em Trenton, Nova Jersey em 1900. Como Hedy, George aparentemente nada tinha a ver com tecnologia. Depois de estudar música no Curtis Institute da Filadelfia, ele foi para Europa para tentar a carreira de pianista, fixando-se em paris em 1923.
Em 1933 Antheil voltou aos Estados Unidos para se tornar compositor de filmes. Além disso, ele escrevia artigos sobre Endocrinologia, chegando a publicar livros sobre o assunto. O encontro dele com Hedy Lamarr ocorreu no verão de 1940, quando eles eram vizinhos em Hollywood. O assunto que os aproximou foi um problema de glândulas! Hedy queria saber como poderia aumentar seus seios (não havia silicone na época!).
No entanto, a conversa passou para as armas e Hedy manifestou o interesse em se mudar para Washington para oferecer seu trabalho ao National Inventors Council.
Nessa conversa destacou-se o controle remoto de torpedos. A idéia de se controlar torpedos por sinais de rádio não era nova, no entanto o conceito de “saltos de freqüência” (frequency hopping), que é a base das telecomunicações modernas, como a telefonia celular, bluetooth, e outras técnicas wireless, eram. Antheil propôs que as mudanças rápidas de freqüência do sinal, que impediriam que o inimigo pudesse interferir no controle, poderiam ser feitas da mesma forma que no processo usado para sincronizar os dezesseis pianos quando ele apresentou em sua peça Balada Mecânica. Os dois resolveram entrar então com um pedido de patente para a nova idéia: “Sistema de Comunicação Secreto”.
O sistema, apresentado em 10 de junho de 1941 usava rolos de papel do tipo encontrado em pianos antigos, para sincronizar as mudanças de freqüência entre o transmissor e o receptor, tendo sido propostas 88 freqüências no processo. O número escolhido deve-se ao fato de que um piano tem 88 teclas.
Com a ajuda de um professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia, eles redigiram o pedido de patente, a qual foi obtida em 11 de agosto de 1942. Mas, não era simples colocar o novo sistema em prática. O problema maior era a precisão que os mecanismos de sincronismo da freqüência deveriam ter para que o sistema funcionasse.
A idéia ficou abandonada até que em 1957 engenheiros da Divisão de Sistemas Eletrônicos da Sylvania retomaram sua análise. No arranjo, que agora usava somente eletrônica, sem nenhum recurso mecânico, eles conseguiram desenvolver um sistema de comunicações militares seguro.
O sistema foi usado pela primeira vez em 1962, no bloqueio americano a Cuba, justamente três anos depois de vencer a patente de Lamarr e Antheil. Com a patente vencida, caindo em domínio público, os dois não receberam qualquer pagamento pela sua idéia, que hoje é base das telecomunicações digitais.
Lamarr morreu no ano 2000 tendo seu nome colocado na lista dos grandes cientistas que contribuíram para o desenvolvimento da tecnologia eletrônica. Considerada a “Patrona das Telecomunicações” pelo governo americano, devemos a ela a tecnologia que possibilitou a criação do telefone celular...



Obs: Este artigo foi publicado originalmente na revista da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP – Núcleo J. Reis em 2008. Com alterações, o artigo também foi publicado na revista Novitá de Guarulhos e no Boletim da AERESP (Associação das Empresas de Radiocomunicações do Estado de São Paulo) no mesmo ano.


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