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Testes com o Multímetro (INS261)

Nunca é demais um artigo que ensine a usar o mais útil de todos os instrumentos eletrônicos: o multímetro. Se o leitor ainda não tem um multímetro, a simples leitura desta matéria vai lhe mostrar o quanto ele pode ser útil. Você aprenderá a realizar mais alguns testes importantes com este instrumento, envolvendo aparelhos e componentes.

Obs. Muito mais sobre este instrumento pode ser aprendido nos livros “Os Segredos no Uso do Multímetro” e “Como Testar Componentes”.volumes 1 a 4 do mesmo autor.

 

São apenas três as medidas básicas que um multímetro pode efetuar: corrente, tensão e resistência. No entanto, essas medidas se executadas da maneira certa no local certo, podem revelar quase tudo sobre um componente ou um aparelho que esteja com problemas.

A maioria dos possuidores de multímetros não sabe usar um instrumento com todos esses recursos. Neste artigo apresentamos alguns testes interessantes que o leitor pode fazer.

 

TESTANDO ELIMINADORES DE PILHAS

Os pequenos eliminadores de pilhas, que nada mais são que fontes de alimentação (na vezes sem regulagem alguma) costumam apresentar problemas de funcionamento bastante simples de serem corrigidos.

Esses problemas são basicamente os seguintes:

- cabo de alimentação interrompido ou em curto

- transformador aberto

- componentes eletrônicos do sistema retificador e filtro com problemas no

- cabo de saída (interrompido ou em curto)

Veremos como descobrir esses defeitos e fazer sua correção.

Na figura 1 temos o diagrama completo de um eliminador de pilhas, mostrando os pontos críticos onde podem aparecer os problemas.

 

Figura 1 – Eliminador de pilhas e seus problemas comuns
Figura 1 – Eliminador de pilhas e seus problemas comuns

 

 

1) Plugue defeituoso

2) Cabo em curto ou interrompido

3)Transformador queimado ou aberto

4) Diodo aberto ou em curto

5) Capacitor aberto ou em curto

6) Cabo aberto ou em curto

7) Plugue defeituoso

 

1- TESTANDO CABOS DE ALIMENTAÇÃO

Dois problemas são comuns no cabo de alimentação: estar curto ou aberto.

Um cabo em curto produzirá um "estouro" e se aquecerá a ponto de derreter quando ligado na rede de energia, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Problemas com o cabo
Figura 2 – Problemas com o cabo

 

Assim, se o cabo do aparelho com defeito tiver sinais de aquecimento ou com partes derretidas, suspeitamos logo deste elemento e eventualmente de sua ligação no transformador.

Veja que, se o transformador tiver sinais de aquecimento (queimado e cheiro forte) os sinais do cabo indicam que o curto foi no transformador.

De qualquer maneira, um cabo com estes sintomas deve ser substituído, mas antes de ligar o aparelho devemos testar o transformador.

Se não houver sinais visíveis de problemas, passamos aos testes com o multímetro que deve estar na sua escala mais baixa de resistências.

Conforme na figura 3 podemos verificar se existe continuidade nos dois condutores que formam o cabo.

 

   Figura 3 – testando a continuidade do cabo
Figura 3 – testando a continuidade do cabo

 

As resistências medidas nas duas provas devem ser baixas. Se lermos uma resistência infinita ou muito alta, é sinal que existe urna interrupção no fio ou no plugue.

Será interessante "mexer" no fio, para verificar se existe algum contato intermitente.

Constatada a interrupção temos duas alternativas: substituir o cabo completo, ou procurar identificar se o problema é do plugue ou cabo e tentar fazer um reparo o aproveitamento.

É comum o rompimento do cabo junto ao plugue, figura 4.

 

   Figura 4 – Rompimento do fio junto ao plugue
Figura 4 – Rompimento do fio junto ao plugue

 

Assim, o que fazemos é cortar o fio junto ao plugue e fazer um teste de cabo. Se o cabo, a partir deste ponto, estiver bom, simplesmente trocamos o plugue, usando um tipo comum (que pode ser adquirido até mesmo em supermercados). Veja a figura 5.

 

Figura 5 – Trocando o plugue
Figura 5 – Trocando o plugue

 

Uma outra maneira de fazer o teste de cabo, se ele não apresentar sinais de curto, consiste em verificar a tensão junto ao transformador quando o plugue está conectado, ou seja, observar se "chega" tensão até o transformador, figura 6.

 

 Figura 6 – Medindo a tensão no transformador
Figura 6 – Medindo a tensão no transformador

 

O multímetro deve estar na escala de tensões alternadas apropriadas. Se não houver tensão no ponto indicado, o problema certamente estará no cabo ou no plugue.

Se o cabo está bom, o próximo componente a ser verificado é o transformador de entrada.

Começamos por fazer uma prova de continuidade de seu enrolamento primário (que normalmente é o que queima).

Na figura 7 mostramos como testar esse transformador, usando uma escala baixa de resistências do multímetro.

 

   Figura 7 – Testando o transformador
Figura 7 – Testando o transformador

 

A resistência encontrada neste teste deve ser da ordem de algumas dezenas até algumas centenas de Ω para um transformador em bom estado.

Se o enrolamento estiver interrompido, então a resistência medida será alta ou infinita.

Nesse caso, o transformador deve ser trocado.

Se o transformador apresentar sinais de aquecimento, com cheiro forte de queimado, escurecimento dos fios ou mesmo a resina usada como isolante estiver escorrida, então provavelmente este transformador entrou em curto, devendo ser substituído

Nem sempre é conveniente tentar a substituição por motivos que explicaremos mais adiante.

Se o transformador estiver bom e for aplicada tensão no seu primário, deve ser medida uma baixa tensão em seu secundário, figura 8.

 

Figura 8 – Medindo tensões no secundário de um transformador
Figura 8 – Medindo tensões no secundário de um transformador

 

O multímetro deve estar ajustado para medir tensões entre 3 e 15 V alternados neste teste, dependendo apenas da tensão de saída do eliminador.

Veja, entretanto, que a tensão medida neste teste não deve ser a tensão de saída do eliminador quando em funcionamento. Com o processo de retificação e filtragem, a tensão se altera.

 

Obs. Alguns eliminadores são conectados direto na tomada sem o cabo.

 

De qualquer maneira, estes testes podem facilmente indicar que o problema está no transformador, se no secundário não houver tensão ou no primário não houver continuidade.

A prova de continuidade do secundário, feita da forma apresentada na figura 9, nem sempre é necessária, já que a probabilidade de que este enrolamento seja interrompido é pequena, pois o fio e bem mais grosso.

 

   Figura 9 – Prova de continuidade do secundário
Figura 9 – Prova de continuidade do secundário

 

 

O que pode acontecer nos tipos que têm a saída feita por terminais ou fios é que o fio esmaltado do enrolamento se solte no ponto de contato, daí não haver tensão a ser medida.

Uma inspeção visual e um teste de continuidade podem ser feitos, se não for encontrada outra origem para um eventual problema.

 

Teste do(s) diodo(s)

Os eliminadores de pilhas mais-simples usam apenas um diodo num sistema de retificação de meia onda.

Os mais elaborados usam dois diodos num sistema de onda completa.

Os dois tipos de circuito são mostrados na figura 10.

 

    Figura 10 – Eliminadores simples
Figura 10 – Eliminadores simples

 

Se no sistema de um diodo, esse componente queimar, podem ocorrer dois tipos de problemas.

Se o diodo abrir, simplesmente não teremos tensão na saída do circuito e o aparelho que deve ser alimentado não receberá energia, não funcionando. Se o diodo entrar em curto, o capacitor eletrolítico de filtro também entra em curto e o resultado é uma sobrecarga do transformador.

O transformador pode ou não queimar, mas de qualquer maneira deve aquecer muito quando ligado e o aparelho alimentado não recebe energia ou se receber, o faz manifestando forte ronco.

Para os sistemas com dois diodos, se um dos diodos tiver problemas teremos o aparecimento de roncos no aparelho alimentado ou então o indicado no item (b) com a possível sobrecarga e/ou queima do transformador.

O teste do diodo é feito com o multímetro numa escala intermediária de resistências, com o eliminador desligado,conforme mostra a figura 11.

 

    Figura 11 – Teste do diodo
Figura 11 – Teste do diodo

 

A resistência medida no sentido direto deve ser baixa e no sentido inverso muito alta ou infinita. Se as duas resistências forem altas ou infinitas, o diodo está em curto. Se as duas resistências forem altas ou infinitas, o diodo está aberto.

Para eliminadores de 3 a 15 V com corrente de até 1 A de saída podem ser usados diodos como os 1N4002, 1N4004 ou equivalentes, sem problemas, apenas devendo a faixa que indica o catodo ficar do lado do pólo positivo do capacitor.

 

4 - TESTE DO CAPACITOR

A filtragem da tensão retificada é feita normalmente por um único capacitor eletrolítico cujo valor pode ficar entre 47uF e 2 200 µF nos eliminadores comuns .

Este capacitor pode apresentar dois tipos de problemas: entrar em curto ou abrir.

Se o capacitor entra em curto, pode tanto acabar por queimar o diodo ou sobrecarregar o transformador causando seu aquecimento excessivo e até queima.

Se o capacitor abrir, a filtragem deixa de ocorrer e temos uma alteração na tensão como pode ocorrer um forte ronco se o aparelho for de som.

O teste do capacitor pode ser feito no próprio circuito da maneira indicada na figura 12.

 

   Figura 12 - O Teste do capacitor
Figura 12 - O Teste do capacitor

 

Coloque o multímetro numa escala intermediária de resistências e meça a continuidade do capacitor nos dois sentidos.

Se ambas as medidas derem resistências baixas é porque o capacitor se encontra em curto (o eliminador deve estar desligado, assim como o aparelho alimentado por ele).

Se numa medida der uma baixa resistência (devido à presença do diodo) e na outra (com as pontas invertidas) o ponteiro correr para as baixas resistências, mas depois voltar lentamente rumo às altas resistências parando no infinito ou num valor alto, então o capacitor se encontra bom.

Se numa medida a resistência for baixa e na outra o ponteiro não se mover, indicando alta resistência, então o capacitor se encontra aberto.

Se numa medida a resistência for baixa e na outra também relativamente baixa, mas não nula, ou seja, um valor entre 1 000 Ω e 100 000 Ω, o capacitor se encontra com fugas, o que também o torna impróprio para uso.

Obs: verifique se o eliminar possui um resistor de carga na saída. Se existir este resistor as resistências medidas são deste componente.

5-TESTE DO CABO DE SAÍDA

Diversos são os problemas que podem ocorrer com o cabo de saída.

Se testando todos os elementos anteriores tudo estiver normal, isso significa que ligando o eliminador, devemos medir uma tensão continua nos terminais do capacitor, veja a figura 13 (não obrigatoriamente a especificada pelo eliminador).

 

Figura 13 – Medindo a tensão de saída
Figura 13 – Medindo a tensão de saída

 

Se esta tensão não for encontrada na saída do plugue para o aparelho alimentado, então o problema está entre estes dois pontos.

Inicialmente, retiramos a capa do plugue de alimentação ao aparelho e com o eliminador ligado numa tomada medimos a tensão nas extremidades do fio, figura 14.

 

   Figura 14 – Verificando se a tensão chega ao plugue
Figura 14 – Verificando se a tensão chega ao plugue

 

Se for encontrada tensão, então o problema pode estar no próprio plugue que deve ser substituído.

Se não for encontrada tensão, o problema está no cabo que deve ser trocado. Uma verificação talvez permita encontrar uma solda "fria" ou ainda uma extremidade deste fio solta, caso em que o problema pode ser solucionado sem a troca do cabo.

O multímetro nestas medidas de tensão deve ser usado na escala apropriada de tensões contínuas.

 

É VANTAGEM REPARAR UM ELIMINADOR

Se o problema for um componente comum como um cabo, um diodo ou mesmo o capacitor, a troca pode ser vantajosa pelo seu custo. No entanto, se tivermos problemas mais graves como, por exemplo, a queima do transformador ou a abertura de um de seus enrolamentos pode não ser interessante tentarmos a reparação.

Na maioria dos casos o preço de um eliminador novo é menor do que o do transforma dor usado, se adquirido separadamente.

O mais grave ainda é que nem sempre um transformador com as mesmas especificações pode ser encontrado com facilidade, o que inviabiliza o reparo.

Assim, por uma diferença de poucos reais, levando em conta o ganho de tempo e de trabalho, pode ser muito mais vantajoso abandonar o eliminador velho e comprar um novo.

É claro que o leitor esperto, que trabalha com Eletrônica, pode retirar o diodo, cabo de alimentação e capacitor em bom estado, saída e plugue antes de jogar a caixa e o transformador danificado fora. Os componentes em bom estado podem ser aproveitados em outros projetos.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE A TENSAO DE SAIDA

Se o leitor pegar qualquer eliminador de pilhas de 6 V e usar o multímetro para medir a tensão no plugue que vai ao aparelho alimentado, vai ter uma surpresa: não vai encontrar os 6 V mas algo mais, que pode chegar a 7 ou mesmo 8 V em alguns casos.

Isso não signifique este eliminador esteja com problemas.

Pelo tipo de circuito utilizado, sem regulagem, o dimensionamento desse eliminador é feito de tal forma que, com o consumo especificado, quando o aparelho alimentado é ligado, a tensão cai para o valor desejado.

A maioria dos aparelhos comuns que fazem uso dessas fontes, não necessita de uma tensão exata para funcionar, admitindo estas variações.

No entanto, existem aparelhos mais críticos quanto à tensão e isso certamente estará no seu manual, caso em que eles devem usar apenas a fonte ou eliminador indicado pelo fabricante ou então uma fonte estabilizada eletronicamente (que é bem mais cara).

 

 

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N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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