Este é um interessante projeto, já explorado em diversos artigos deste site, em que a terra é usada como meio de condução para sinais num sistema de comunicação. Numa versão simples (ART3173) e outras de meu caderno de anotações usamos somente pilhas (circuito passivo) ou osciladores e amplificadores enquanto que nessa vamos além usamos V1060.

Para entender como funciona o sistema sugerimos ver o artigo TEL127 e ART3173. O que se faz é usar campos de corrente para a transmissão de sinais que podem vir de qualquer fonte, desde pulsos de pilhas (CW) até sinais de áudio (Voz) ou um amplificador com um oscilador ligado na entrada.

O que fazemos neste caso é então ligar o transformador valvulado de V1060 e o oscilador Hartley de ART4118 que descrevemos a parti de nosso caderno de anotações dos anos 60 como um sistema transmissor.

É claro que qualquer amplificador de áudio serve e quanto maior a potência, maior será alcance.

Lembramos que a Resistência Francesa na Segunda Grande Guerra usou esses sistema, pois as forças alemãs que ocuparam a França na época proibiram o uso de qualquer sistema de transmissão.

Não podendo usar o rádio os resistentes usaram a terra fazendo suas comunicações em áudio, as quais alcançavam muitos quilômetros.

O leitor pode fazer experiências à vontade lembrando que além do fone de baixa impedância ou de cristal, também pode ser usado um amplificador de áudio com filtros para eliminar a infinidade de ruídos que existem na terra.

Temos então na figura 1 a aparência do conjunto obtido lembramos que os circuitos estão nos artigos indicados.

 

Figura 1 – A montagem do sistema
Figura 1 – A montagem do sistema | Clique na imagem para ampliar |

 

 

As antenas podem ser barras ou placas de metal enterradas no solo separadas pela maior distância quanto seja possível.

Nota: lembro que na época, interessado por este sistema de comunicações, fiz experiências com sinais de diversas frequências, procurando saber se haveria um fenômeno de ressonância ou de uma atenuação seletiva que permitisse elaborar um sistema prático de maior rendimento. De fato, nas minhas anotações percebi que a resposta de frequência do solo é bastante seletiva dependendo de suas constituição e umidade. Um estudo interessante para se feito.

Um dado interessante que descobri na época a partir dos relatos dos franceses é que o alcance também depende do casamento de impedâncias entre a saída do amplificador e os eletrodos ligados à terra.

Assim, o uso de um transformador de saída com tomadas permite selecionar a saída que dê melhor casamento de impedâncias e assim, o maior rendimento do transmissor.

 

 

Atualidade

 

Para os que gostam de pesquisar novidades e são do ramo das telecomunicações, os processos de modulação digital que podem concentrar grandes potências em pequenos trechos do espectro e, além disso, podem mudar rapidamente de frequência poderiam ser analisados num sistema via terra.

Além de poderem se propagar com mais facilidade, alcançando assim maiores distâncias, eles teriam a vantagem de poder “driblar” a enorme quantidade de ruído, simplesmente saltando de frequência. Fica a sugestão.

Um estudo dos anos 60 pode resultar em algo novo em nosso século XXI.

Quem sabe, descobrindo as frequências melhores para este tipo de comunicação, sistemas de curta distância que não poderiam ser implementados pela linha visual, fariam uso da terra e até mesmo, se for descoberta uma técnica de alcances muito grandes, fazer a comunicação com o outro lado da terra, enviando os sinais através dela...

 

 

 

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