Por décadas, o questionamento de porque o céu decide "rugir" e porque apesar do vácuo a Lua emite assobios melódicos foi tratado como pura ficção ou teorias cheias de dúvidas. Mas os registros não mentem, o cenário de silêncio absoluto é, na verdade, bem mais barulhento do que a gente imaginava. O que antes era mistério total, hoje começa a ser dissecado pela física e pela análise de dados, mostrando que a interação entre energia e tecnologia é a chave do enigma.
Esses barulhos são os chamados skyquakes ou terremotos aéreos, para entender o fenômeno, imagine que a atmosfera funciona como a membrana de um alto-falante gigante. Quando vibrações de baixa frequência, vindas de movimentos das placas tectônicas ou de ajustes bruscos de pressão atmosférica, atingem o ar, elas podem se tornar audíveis.
É como se o céu estivesse retransmitindo uma energia invisível, transformando ondas de choque, causadas algumas vezes por meteoritos distantes ou liberações de gases, em barulhos que lembram cornetas ou trovões metálicos.
Na Terra o som precisa do ar para viajar, no espaço o enigma ganha outra dimensão. Um fenômeno diferente, mas igualmente intrigante, aconteceu a centenas de milhares de quilômetros daqui. Em 1969, ao contornarem o lado oculto da Lua, os astronautas Gene Cernan, John Young e Thomas Stafford flagraram o que chamaram de "música do tipo espacial".
O registro da conversa mostra que a tripulação ouviu assobios estranhos através dos fones de ouvido. Era um som melódico, vindo de "outro mundo", justamente quando estavam totalmente isolados, sem qualquer contato de rádio com a base na Terra.
A explicação, foi bem mais pragmática e fundamentada na eletrônica, tratava-se de uma interferência técnica entre os rádios VHF do módulo lunar e do módulo de comando. Quando os sistemas operavam em frequências próximas e as naves estavam em posições específicas, sinais "vazavam" de um aparelho para o outro. No isolamento total e no silêncio do vácuo, qualquer pequena oscilação técnica acaba se transformando em um evento monumental para quem está lá dentro.
A percepção desses fenômenos mudou muito nos últimos anos. Com as cidades mais silenciosas e a tecnologia de monitoramento mais acessível, passamos a notar ruídos que antes passavam batidos.
O objetivo agora é usar sensores mais sensíveis para mapear essas interações físicas ainda pouco compreendidas. A ideia é transformar o mistério em dados úteis, entendendo como o planeta e o espaço ao redor dele se manifestam através dessas vibrações. O caminho agora é acompanhar como essa nova fase da pesquisa vai mudar nossa relação com o que ouvimos quando decidimos olhar para o alto.
Foto tirada na missão lunar Apollo 8 em 21 dezembro de 1968
Créditos : NASA
Fontes:
https://www.newtoncbraga.com.br/meio-ambiente-e-saude/17621-barulhos-no-ceu-ma146.html
https://edition.cnn.com/2016/02/21/world/far-side-moon-music/index.html
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