Na época em que os reguladores integrados, diodos zener e outros componentes semelhantes ainda não existiam, alguma técnicas interessantes de regulagem de tensão em circuitos eram empregadas. Para os que gostam de saber como eram as coisas naqueles tempos, vamos voltar ao passado e falar da regulagem de tensão na época das válvulas.

A estabilização ou regulagem de tensão numa fonte ou circuito é uma necessidade que vem de há muito tempo. Voltímetros eletrônicos valvulados, osciloscópios, geradores de sinais e outros equipamentos como hoje, necessitavam de tensões estabilizadas.

Naqueles tempos havia basicamente dois tipos de técnicas com dispositivos diferentes para a estabilização ou regulagem de tensões e correntes.

 

a) Válvula reguladora a gás

Esse tipo de válvula consiste num tubo cheio de gás que ao ser alimentada com determinada tensão ioniza. O gás se torna condutor e com isso pode manter constante a tensão entre seus terminais, exatamente como faz um diodo zener. Na figura 1 temos a aparência e a curva característica de estabilização de tensão de uma válvula desse tipo.

 

Regulagem de uma válvula
Regulagem de uma válvula

 

 

Válvula OA3 (de anúncio na Internet)
Válvula OA3 (de anúncio na Internet)

 

 

A utilização é semelhante a um diodo zener. No circuito abaixo, mostramos como ligar um resistor em série e com isso formar um divisor de tensão em que entre os terminais da válvula a tensão de mantém constante.

 

Circuito típico
Circuito típico

 

 

Veja que existe uma tensão de partida para este circuito, ou seja, uma tensão mínima que deve ser aplicada para que a válvula ionize e possa funcionar.

Da mesma forma, existe também uma tensão máxima que determina também a corrente máxima na válvula. Acima dessa corrente, a válvula pode danificar-se. É o mesmo que ocorre com os diodos zener que para sua tensão têm uma corrente máxima que é determinada pela sua capacidade de dissipação.

Os gases usados nessa válvula tinham altas tensões de ionização, assim as tensões típicas de operação destas válvulas partem de algo em torno de 75 V.

Uma série popular de válvulas é a formada pelos tipos VR (Voltage Regulator) dos Estados Unidos e 0 da Inglaterra.

Voltage=

US type=

UK type

150=

VR150=

0D3 (0A2)

105=

VR105=

0C3 (0B2)

90=

VR90=

0B3

75=

VR75=

0A3 (0C2

 

É é claro, como no caso dos circuitos transistorizados, se a corrente máxima da válvula do nosso circuito for insuficiente podemos usar uma ou mais válvulas amplificadoras, conforme mostra a figura 3

 

Fonte completa
Fonte completa | Clique na imagem para ampliar |

 

E, se você achar na sua sucata uma dessas válvulas que ainda funciona, pode montar uma interessante luz noturna ou luz de cabeceira, aproveitando seu brilho alaranjado, muito bonito, conforme mostra a figura 4.

 

Luz de cabeceira com a OA3.
Luz de cabeceira com a OA3.

 

 

Como ela funciona com 75V apenas, o circuito opera tanto na rede de 110 V como 220 V, caso em que o resistor de 5k deve ser trocado por um de 10k (ambos de fio de 5W pelo menos, pois vão trabalhar quentes).

 

b) Barreters

Os barreters são reguladores de corrente formados por um filamento de ferro instalados dentro de um invólucro, normalmente cheios de hidrogênio. Na figura 5 temos o aspecto de um desse estabilizadores de corrente.

 

Imagem da internet
Imagem da internet

 

 

O que ocorre é que, quando ligamos um aparelho valvulado, os filamentos das válvulas se encontrando frios apresentam uma baixa resistência e com isso a corrente inicial é muito alta. Essa corrente põe em risco a integridade das válvulas, podendo causar sua queima.

Assim, os barreters são equivalentes dos modernos varistores que apresentam uma resistência inicial alta e depois ela cai, funcionando “ao contrário” dos filamentos.

Nas aplicações práticas, os barreters são então ligados em série com os filamentos das válvulas, conforme mostra a figura 6.

 

Usando o barreter
Usando o barreter

 

 

 

Conclusão

 

Os tempos mudam, conseguimos componentes pequenos que fazem o que desejamos, mas para os que estudam a história da eletrônica ou ainda recuperam aparelhos antigos, saber como nossos antepassados, “da era das cavernas” da eletrônica, resolviam seus problema é muito interessante.

 

 

 

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