Mágicas e truques interessantes podem ser feitos com a ajuda da eletrônica. Se você gosta de impressionar seus amigos com truques e mágicas, por que não utilizar recursos eletrônicos? Simples de montar, esta “mágica” sem dúvida deixará seus amigos impressionados. Uma rolha que salta com um gesto seu, mas que não obedece outras pessoas que não conhecem o segredo.
Obs. O artigo é de 1982.
Uma das vantagens da eletrônica na realização de truques e mágicas é que, não sendo técnicos, dificilmente os assistentes chegam a desconfiar do segredo que os envolve.
Ao contrário das mágicas comuns que usam objetos, como linhas, lenços, argolas, cartas, etc., que são objetos que todos conhecem, a eletrônica pode não fazer uso de coisas conhecidas, tornando muito mais difícil a descoberta do funcionamento.
A brincadeira que descrevemos, que pode ser usada como "mágica" eletrônica, é bastante simples, mas não será facilmente desmascarada" por quem não entenda de eletrônica.
O leitor, sem dúvida, poderá usá-la em reuniões familiares, brincadeiras e até ganhar algumas apostas com seus amigos.
A ideia básica é mostrada na figura 1.
Trata-se de uma caixinha de qualquer material (madeira, plástico ou metal), em cuja parte superior existe uma pequena taça de plástico na qual é colocada uma rolha.
A aproximação da mão do mágico a uma distância de até 70 cm faz com que a rolha salte.
O segredo está no modo como o “mágico" aproxima sua mão da caixinha, que provoca o disparo do circuito existente no seu interior.
A montagem do aparelho de mágica é muito simples, podendo ser realizada até pelos leitores que pouca ou nenhuma experiência tenham em eletrônica.
Podemos dizer que basta ter um ferro de soldar e algumas ferramentas comuns para que o equipamento básico seja construído com sucesso.
COMO FUNCIONA
O segredo do salto da rolha está num dispositivo denominado "solenoide", que nada mais é do que uma bobina com muitas voltas de fio esmaltado fino enrolado em um núcleo de metal livre, conforme mostra a figura 2.
O núcleo fica na posição de repouso praticamente fora da bobina.
Quando uma corrente elétrica é aplicada à bobina, esta cria um forte campo magnético que atrai violentamente o núcleo para seu interior. O resultado é um movimento de "soco".
Colocando sobre a bobina uma rolha, com este movimento, ela é atirada com força para o alto, conforme ilustra a figura 3.
Mas, importante além do segredo do salto é como o mágico consegue fazer a rolha pular no momento em que ele quer.
Isso é conseguido com um circuito eletrônico que usa dois componentes interessantes que são mostrados na figura 4.
O primeiro é denominado SCR e funciona como uma chave que liga quando um pequeno impulso elétrico é aplicado à sua comporta (G). O segundo é um LDR que consiste num dispositivo sensível à luz.
O LDR tem sua resistência diminuída quando incide luz em sua face sensível.
No escuro sua resistência é de milhões de ohms, e este valor cai para algumas dezenas ou centenas de ohms quando iluminado.
O circuito básico é então mostrado na figura 5.
Neste circuito, um diodo retificador permite obter uma tensão contínua a partir da rede local de energia elétrica que fornece tensões alternantes. Um resistor em série com o díodo limita a corrente do circuito a um valor relativamente baixo, para maior segurança de funcionamento.
No caso da rede de 110 V, obtemos após o diodo uma tensão retificada cujo valor de pico é da ordem de 150 V. Esta tensão é usada para carregar um capacitor eletrolítico.
Os capacitores são componentes que armazenam energia elétrica, mas em quantidade não muito grande. No nosso caso, a energia armazenada serve perfeitamente para energizar o solenoide.
Pois bem, o SCR é quem controla a corrente que vai do capacitor para o solenoide.
Ligado à comporta do SCR está o LDR de tal modo que ele mantém o solenoide desligado enquanto estiver iluminado.
Ao incidir uma pequena sombra no LDR, sua mudança de resistência faz o SCR disparar, energizando p solenoide que atira a rolha para cima.
Veja o leitor que a sombra que incide sobre o LDR é justamente da mão do mágico, conforme mostra a figura 6.
A energia para o solenoide vem justamente da descarga do capacitor.
Assim, tão logo ocorra a descarga, o circuito volta em sua situação inicial, com nova carga do capacitor. Uma nova operação de “mágica" pode então ser feita.
A força do solenoide ao atirar a rolha para cima depende basicamente da carga do capacitor.
Existe um ajuste que permite colocar o circuito em ponto de funcionamento, conforme a iluminação ambiente.
MATERIAL
O solenoide é o único componente que deve ser montado pelo leitor.
Este solenoide consiste em aproximadamente 400 voltas de fio esmaltado 28 enrolado em um carretel com as dimensões dadas na figura 7.

O carretel é de material não ferroso, ou seja, não pode ser de metal, e as pontas do fio esmaltado devem ser raspadas no local da soldagem no aparelho, conforme veremos posteriormente.
Os demais componentes são todos comprados.
Veja o leitor que o fio esmaltado pode ser aproveitado de velhos transformadores ou bobinas.
O SCR é do tipo MCR106, IR106 ou TIC106 para 400 V, enquanto que o LDR é do tipo redondo comum.
O capacitor eletrolítico deve ter valores entre 16 uF e 50 uF e uma tensão de trabalho de pelo menos 250 V se sua rede for de 119 V e 350 V se sua rede for de 220 V.
O potenciômetro é comum de 470 k e os resistores não oferecem dificuldades de obtenção. Veja que R1 é de fio com 5 W de dissipação.
A caixa deve ser elaborada com cuidado, observando-se a posição do furo do solenoide e do LDR. O furo para a saída do cabo de alimentação e o ajuste de funcionamento fica na parte traseira.
Na figura 8 damos a nossa sugestão de caixa.
Como chassi para a montagem usamos uma pequena barra de terminais que pode ser adquirida em tiras.
MONTAGEM
Para a montagem tudo que o leitor precisa é de um bom soldador e algumas ferramentas adicionais comuns, conforme dissemos na introdução.
Na figura 9 temos então o diagrama completo do aparelho.
A montagem feita na ponte de terminais é mostrada na figura 10.
São os seguintes os cuidados que devem ser tomados durante a montagem:
a) Solde em primeiro lugar o diodo D1 observando sua polaridade que é dada pelo seu anel. Este diodo pode ser do tipo 1N4004 ou 1N4007 ou ainda BY127.
b) Em seguida, solde o resistor R1. Este componente não tem polaridade para ser observada, mas deve ser mantido conforme mostra o desenho, com os terminais longos, pois é através dele que boa parte do calor desenvolvido em funcionamento se dissipa.
c) O próximo componente a ser soldado é o SCR que deve ter sua posição observada. Abra um pouco seus terminais para que se ajustem à ponte e faça a soldagem rapidamente, pois este componente é sensível ao calor.
d) Para soldar o capacitor eletrolítico C1 você deve observar sua polaridade e isso é muito importante. Se este componente for invertido ele pode até explodir!
e) Solde agora o resistor R2 para o qual não é preciso observar a polaridade.
f) Faça as interligações entre os componentes da ponte e solde o cabo de alimentação, tendo o cuidado de antes passá-lo pelo furo da caixa.
g) Fixe o solenoide na posição indicada na figura 11.
Solde seus fios de ligação à ponte. Estes fios podem ter aproximadamente 30 cm de comprimento.
h) Fixe o potenciômetro e o LDR nas posições indicadas e faça sua ligação à ponte usando pedaços de fio flexível.
PROVA E USO
Coloque o aparelho em funcionamento, deixando como núcleo do solenoide um parafuso de 2,5 cm x 1/8", o qual deve correr livremente no seu interior. O parafuso fica apenas com uns 0,5 cm de sua ponta para dentro do solenoide na posição de repouso.
Ligue o aparelho na tomada e veja se o núcleo (parafuso) do solenoide vibra.
Coloque o aparelho sob uma lâmpada na sala, de modo que a luz incida quase verticalmente no LDR.
Ajuste o potenciômetro até que o parafuso pare de vibrar, ficando em repouso, apoiado na parte inferior da peça que o segura.
Passando a mão na frente do LDR de modo a fazer sombra, o parafuso deve saltar. Colocando uma rolha no pequeno copo na parte superior da caixa, com o salto do parafuso, ela deve ser jogada longe.
Ajuste o potenciômetro para máxima sensibilidade, de modo que a rolha seja jogada mesmo quando passamos a sombra bem longe do LDR.
Para fazer a mágica, deve ser levada em conta a habilidade do leitor em convencer a plateia que se trata de "rolha encantada" que obedece à sua ordem de saltar.
Passe a mão longe da caixa, mas fazendo a sombra incidir no LDR. Procure uma posição em local que a iluminação permita isso.
Lista de Material
SCR - MCR106, C106, TIC106 ou IR106 para 400 V
D1 - 1N4004 ou 1N4007 - diodo de silício
LDR - LDR comum redondo
C1 - 16 ou 32 uF x 350 V - capacitor eletrolítico (para baixo de chassi)
RI - 1k x 5 W - resistor de fio
R2 - 1M5 x 1/8 W - resistor (marrom, verde, verde)
P1 – 470 k potenciômetro
X1 - solenoide (ver texto)
Diversos: ponte de terminais, fio esmaltado, cabo de alimentação, parafusos, porcas, caixa para montagem, etc.

























